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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eternamente (15 meses)

domingo, 31 de maio de 2009


Mais sobre ela

Saudade é querer estar perto de quem não está. é querer ouvir a voz, dividir a piada, sentir o calor ou os lábios. saudade é sentir falta de quem tá aqui dentro, tão entranhado que, quando ausente, fica um buraco. saudade é sentir quão profundo é o sentimento que nos une a outrem, é saber que a vida ao lado de quem nos faz falta é sempre mais doce. saudade é o negativo absoluto, não ter, não saber, não ver, não dividir... saudade é um sentimento crônico e até silencioso, que fica ali no peito disfarçado, mineirinho; mas que, num segundo, explode e se torna lancinante. saudade é perceber que algo aqueceu o coração e elevou a alma e tudo que se quer mais é voltar para esse aconchego.

domingo, 20 de março de 2011

Fim de semana na serra



Eu tava lá na Serra vendo a lua nascer enorme. Eu tava com amigos queridos, com gente que cuida, que acompanha e que torce pela gente. Eu tava lá naquela casa que ele adorava e cujo dono dizia que parte do terreno era para a nossa construção. Eu tava lá e lembrei que o tempo passa, eu lembrei dos dias em que estive lá com ele, eu lembrei de como ele brincou com o pequeno grandão, eu lembrei de reclamar do frio e ele me abraçar apertadinho, eu lembrei de passar mal na subida e na descida da serra e ele me perguntando a cada cinco minutos se eu tava me sentindo bem. Eu lembrei de como ele enchia os ambientes e como ele fazia muitas programações e todas elas incluiam a gente. Eu lembrei do quanto ele gostava de beber com seu amigo Greg. Eu lembrei do quanto ele era feliz. Eu lembrei do quanto ele era meu destino, meu norte, meu porto seguro, minha sensação de paz e completude. E agora é só falta. Falta que completa quatorze meses. Falta que dói ainda, sim. Falta que parece ter tomado assento no meu sofá, fincado fundo o canivete no meu peito. Falta de tanto, falta profunda. Quatorze meses sem ele e ainda faz uma falta enorme.

E agora somos três...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ontem foi dia 20

Ontem foi dia 20. Eu esqueci de lembrar de sofrer. Eu esqueci de contar o tempo do que foi e do que não será. Eu esqueci de me lamentar. Ontem foi dia 20 e eu tomei banho de piscina com as crianças, a gente fez foto de beijos embaixo d'água, a gente nadou no lado fundo, a gente comeu churrasco e linguiça com farofa, a gente cantou parabéns pra menino de dois anos e riu com gente querida. Ontem foi dia 20 e não teve dor. Acho que a ferida fechou.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Missa de Um ano

Então, teve a missa ontem. E, dentre a surpresa pela presença de cerca de 200 pessoas e a tristeza de ver fotos dele no livrinho de mais uma missa de morte, o que mais me marcou na noite de ontem foi a maturidade do Matheus. Nesse período todo, a lucidez e a inteligência dele me surpreenderam sobremaneira. Mas ontem...

Momento 1 - A gente dividia flores para o ofertório. Aí ele chega com uma nas mãos e me diz: "Mamãe, você tem quem fingir que essa daqui foi o papai que mandou, certo?".

Momento 2 - Eu chorando muito, ele se aproxima e diz: "Mamãe, você não precisa chorar porque eu tô aqui..."

Momento 3 - "Mamãe, você nunca estará sozinha. Eu sempre vou estar com você. Se você tivesse perdido os seus filhos é que você iria se sentir sozinha..."

Momento 4 - "Mamãe, eu te amo, me dá um abraço? Pronto, agora passou né?"

Momento 5 - Em casa já, ele fez questão de dormir comigo na minha cama e sabe o que ele fez??? CA_FU_NÉ.

Lindo demais meu menino!

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Eis o texto que eu li na missa:

Durante este ano inteiro, eu busquei freneticamente maneiras de superar a realização do meu pior pesadelo. Digo pior pesadelo porque pior que isso nunca nem passou pela minha cabeça. E, após os dois piores dias da minha vida, ao voltar pra casa e me ver sozinha, com duas crianças tão pequenas e sem ele, eu não consigo mais descrever a sensação que me acometia. Eu não consigo encontrar a palavra adequada porque é maior que desespero, é maior que solidão, é maior que dor, é maior do que consigo racionalmente conceber.

Eu entrava no meu quarto e me perguntava como conseguiria viver sem ele ali, como eu conseguiria dormir e acordar na nossa cama, fazer as refeições na nossa mesa, entrar e sair da nossa casa, me deparando com a declaração de amor no espelho do banheiro, com fotos, objetos, roupas, espaços, lembranças e toda a nossa história diariamente. Eu me perguntava como conseguiria simplesmente respirar porque parecia que estavam torcendo meu peito encharcado de dor, como quem torce roupa recém lavada.

Passado um ano, eu concluo que eu não vivi aqueles dias, eu apenas sobrevivi. Inspirando e expirando, chorando convulsivamente muitas noites, tampando a boca com uma toalha e evitando, no meu mais profundo esforço, trazer sequelas ainda maiores para os dois pequenos que ele me deixou. Sobrevivi, primeiramente, justamente por causa destes dois. Mas eu não poderia nunca deixar de fazer referência aos nossos amigos, aqui incluídos todos os familiares, que me ajudaram nesse processo todo. Sobrevivi por mim e por causa de vocês também.

Passado um ano, eu ainda me pergunto se algum dia essa dor vai parar de doer, se esse talho será só uma cicatriz que já não sangra, se essas reviravoltas de sentimentos se acabarão... Passado um ano, eu espero pelo momento em que será só uma boa lembrança, doces recordações que deixaram um gostinho de queria-muito-mais... Porque sempre que eu penso que a vida tá ficando leve e amena, eu esbarro na covinha da bochecha direita do Matheus ou no dedão do pé bolotinha. Quando eu penso que já nem lembro, o Thomás faz uma gracinha ou se lambuza todo com chocolate. Quando eu acho que está superado, eu sonho com os sonhos que planejamos juntos. Quando eu sinto a vida seguindo um rumo novo, outro, diferente; sempre me vem à cabeça que qualquer coisa seria muito melhor com ele por perto.

E, assim, dando muitos passos para frente e alguns para trás, eu sigo minha vida, me sentindo ainda muito ligada a ele porque ele permanece vivo nesses dois pequenos, com a certeza de que nem essa distância de tempo-espaço será capaz de destruir ou apagar a história linda que construímos.

Por fim, uma música poema diz exatamente o que eu queria dizer pra ele:

"Que é que eu vou fazer pra te esquecer?
Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...

Que é que eu vou fazer pra te deixar?
Sempre que eu apresso o passo, passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...

Que é que eu vou fazer pra te lembrar?
Como tantos que eu conheço e esqueço de amar
Em que espelho teu sou eu que vou estar
a te ver sorrindo?
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
QUE NENHUM ADEUS VAI APAGAR..."
(Pra te lembrar - Caetano Veloso)

Thi, nenhum adeus vai apagar seu sorriso lindo dos nossos corações!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Onze meses

O Anjo Mais Velho - Teatro Mágico
http://www.youtube.com/watch?v=dnga63bL0p4

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete, a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu
deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto...

depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar


E, num susto, o fim de ano chega; e, num susto, onze meses se passaram. Onze meses dessa ausência que faz silêncio em todo lugar. Onze meses e ainda dói. Tudo. Muito. Onze meses e eu ainda olho para foto dele, da formatura, vestido de médico, com o sorriso arrasador e pergunto: "Por que você teve de morrer, hein, Thi?"

Junto com esse ano infeliz que vai embora, vai se encerrando também o primeiro ciclo, o primeiro ano, o primeiro tudo sem ele. E, por mais que eu anteveja a carga pesada do janeiro trágico que faz aniversário; acredito que tudo vai ter a sensação de eu-já-passei-por-isso. Ainda dói demais, é fato. Ainda é inacreditável. Ainda me deixa mortificada por dentro. Matheus ainda me faz perguntas difíceis, onze meses depois. Ainda pergunta pelo pai e ainda tem muitas lembranças mesmo que 1/4 da vida dele tenha passado desde o acidente. De algum modo, o que nos resta é olhar para frente, é superar a dor e deixar crescer a sensação de que ele está lá do outro lado, ajudando a gente; e eu aqui, aos trancos e barrancos, segurando as pontas da lucidez.

Eu tenho um compromisso com o que ele foi, com o exemplo que ele é para os nosso filhos. Tenho um compromisso com a história dele. Eu sei que muitas coisas vão se perder no redemoinho da memória, mas eu não quero que os pequenos percam nem a imagem nem as histórias do pai. E é desse jeito que eu quero levar minha vida: parte com essa saudade, com os verbos conjugados no pretérito perfeito e no futuro do pretérito; outra parte com essa força que vem não sei de onde, com coragem, com esperança.

Eu não sei pra onde a gente vai nessa estrada tortuosa em que fomos jogados há onze meses. Eu não sei o que há no futuro e talvez seja essa incerteza que gere toda a magia. Eu só vou torcendo para que seja tudo melhor, tudo mais tranquilo e em paz. Que seja doce.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dezembro

Seja bem vindo, Dezembro, e, por favor, vá embora rápido. Se preciso for, colocarei vassouras atrás da porta, farei mandingas expulsatórias, pedirei reforço policial para mandá-lo embora. Seja bem vindo, Dezembro, mas tenha pressa em passar... Não precisa se demorar. Traga aquelas sensação boa de paz, deixe a solidariedade tocar os corações, mas não precisa me lembrar das faltas e dos buracos que foram plantados dentro de mim. Ai, Dezembro, eu sempre aguardei ansiosamente a sua chegada. Eu sempre adorei o clima que o acompanhava, mas é que agora eu mal consigo me manter sobre meus pés. Então corre, Dezembro, para a porta de saída. Não precisa se esticar com preguiça nem permanecer acalentando corações. Sua chegada traz recordações que eu nem quero ter e faz bater aqui dentro, mais pesado que tudo, a saudade do que não existe mais. Vai, Dezembro, vai rapidinho lá para a curva do caminho em que o que passou fica para trás e tudo que há à frente é um mistério a ser desvendado, com fumaça de felicidade e suspiros de boas novas.

sábado, 20 de novembro de 2010

Dez meses

Faz dez meses que o mundo virou de cabeça pra baixo. Faz esse tempo todo que eu ando com a vista empoeirada, sem conseguir olhar direito para o que me cerca, nem encher o pulmão de ar puro. Faz dez meses que eu ando meio perdida, tateando no escuro. E, nesse tempo, as certezas que eu tinha sempre foram precedidas por "não". Eu soube desde o primeiro momento o que eu não aguentava fazer, o que eu não suportava, o que eu não queria, o que eu não era capaz... Se me perguntassem o que eu queria, o que faria ou o que eu suportava; eu não sabia. Acho que ainda não sei. Mas eu sempre soube todos os nãos.

Saber o que eu não queria e o que eu não aguentava foi muito bom nesse processo todo. Ajudou muito nas escolhas dos caminhos que segui. Mas não foi só isso. Eu também fugi de tudo aquilo que me causava a dor. Claro que eu só podia fugir do que estava sob meu controle. Foi assim que eu passei a maior parte das datas comemorativas do ano. Foi assim que eu me desfiz das roupas e sapatos dele (cinco meses depois). Foi assim que eu tirei a aliança do dedo. Pode parecer tapar o sol com a peneira, porque ano que vem as datas se repetirão, as fotos permanecerão e eu vou topar com muita coisa dele pelo meu caminho ainda, inveitavelmente. Mas ó, com quatro meses dói muito mais que com um ano e quatro meses. Foi assim que eu consegui: escondida do foco de dor.

Todavia, se me perguntassem agora o que me manteve de pé, eu acho que foi mesmo essa vontadezinha aqui dentro de mim de ser feliz. Ainda que sem ele. Ainda que tendo sobrevivido ao meu pior pesadelo. Ainda que com uma saudade que mais parece uma doença. Ainda que com um peso enorme nas costas. Ainda que tudo. Alguém me mandou, num comentário aqui do blog, uma passagem do filme "PS: Eu te amo" em que o cara fala que ela foi toda a vida dele e que ele será só mais um capítulo na história dela. E é assim que eu penso. Ainda tenho muitas outras páginas a preencher. Pode ser que este tenha sido o capítulo mais feliz da minha existência inteira, mas virão outros e eu quero estar inteira, aberta e pronta.

O que mais ouvi nestes dez meses foi que eu era muito nova para passar por tudo isso. Sou sim. Sou mesmo. E, embora eu tenha perdido muito, ganhei auto-conhecimento, auto-confiança, perspectiva do que realmente importa, visão maior de mundo e das pessoas que me cercam. Ganhei amigos novos e usados e herdados. Ganhei liberdade, não no sentido de poder fazer o que quiser. Mas ganhei essa sensação de que poucas coisas na vida poderão me fazer sofrer mais que isso, então, por que não tentar?

Pode parecer loucura: mas foi quando eu me despedaçei em caquinhos que eu me tornei mais inteira. E isso me faz muito melhor hoje. Não sei ainda se há alguém no comando, nem sei se essa tragédia tem uma razão de ser; mas eu sei que passar por isso vai me tornar mais capaz ainda de ser feliz, do jeito que eu quero: no superlativo máximo possível.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Parto prematuro

Como um parto ao avesso, em que a pessoa desaparece e não aparece; em que a pessoa deixa de ser, em vez de ser; em que some do mundo, em vez de surgir nele. Um parto ao contrário em que a sensação de felicidade, de alegria não existe, em que restam a impotência, a incredulidade, a revolta e que, completando 9 meses, não deixa de pesar e de doer. Um parto às avessas, em que não há o que se comemorar, em que não há a vida inteira pela frente, em que não há.

A saudade do que foi e do que poderia ter sido não deixa de existir. As lembranças mais felizes insistem em reverberar. Em 9 meses, há três estações nos lugares em que o clima permite. E desde lá, foi possível ver as folhas caindo, o frio doer nos ossos e as flores brotarem no hemisfério sul. O calor do verão já dá o ar da graça, mas não derrete o tutano ainda. E o parto prematuro desse amor e dessa história ainda insiste em doer.

Eu não sei como vivi até aqui, eu não sei como vou em frente todo dia, eu só sei que vou. Há 9 meses eu disse para uma das minhas maiores amigas que eu ia me sentir muito sozinha sem ele e, depois de 9 meses, por mais que eu tenha enfrentado todos os leões e sentido falta dele em cada dia, eu descobri que não fiquei sozinha, que tinha gente segurando a minha mão real e virtualmente. Vão-se os primeiros 9 meses de falta, vai-se esmiliguindo o pior ano de toda minha vida, vamos eu e os pequenos para o resto das nossas vidas. A amputação foi cruel e dolorida, mas eu tenho certeza que a gente ainda vai ver um arco-íris com um pote de ouro depois da tempestade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Saudade - amor - amizade

8 meses sem. 8 meses de ausência. Agora que a mudança é, os sentimentos são dúbios aqui dentro. Vou para ser feliz. Deixo a maior felicidade que já vivi. E o que se há de fazer?

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Ontem foi um dia feliz, dia de festa, dia iluminado de amor, de energia positiva, de querer bem. Ontem o nosso grandão, aquele que me abraçou nos meus momentos de saudade e que me arrancou sorrisos nem sei quantas vezes, completou 4 anos. Se eu pudesse escolher a personalidade do meu filho, nem em sonho ele sairia tão perfeito, tão compreensivo, tão maduro, tão instingante. Eu jamais imaginiaria que viria uma coisinha esperta, questionadora e com um poder enternecedor e uma maturidade que me deixam boquiaberta. EU não tenho palavras para descrever essa ligação mãe-filho porque é um amor que ultrapassa minha compreensão. Eu só sei que é ali naqueles dois sorrisos que eu descubro meu rumo e para onde eu devo ir. É ali que eu aprendo a priorizar, a colocar os pés no chão. E é so por eles.

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Ontem foi o aniversário da companheira de viagem e da parceira na vida. Ontem foi o aniversário dela e eu nem pude comparecer à festa. Mas eu sei que ela me entende. Porque são anos nesse bem querer, nessa companhia. Quando alguém entra na nossa vida, a gente não sabe a que veio nem quanto tempo isso vai durar. Quando alguém entra na nossa vida, pode passar anos assim na periferia, antes de entrar no centro de sua atenção. Mas ainda bem que você entrou, Susu! Só digo uma coisa: nossos melhores momentos foram fora do território de jurisdição! PARABÉNS!!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Inesquecivel

6 meses.

Vim para Zurich num voo da Airberlin. Cai' no choro ao ver aquelas frases em alemao. Imaginei o quanto ele queria estar fazendo isso comigo, o quanto falaria alemao orgulhoso, os lugares que me mostraria...

Saudade demais, Thi!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Doendo

Ontem fez cinco meses. Eu não tô mais contando e também não preciso dizer que não vou a missas. Mas fez cinco meses e ainda dói. Hoje, nem sei porquê, tem doído mais. O Brasil ganhou, julho vem chegando com sonhos há muito sonhados, a vida anda tranquila, a burocracia ainda emperra as coisas, mas não é por isso que dói. Dói porque é saudade demais. E só.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quatro meses

Amanhã completa quatro meses que ele sumiu desse mundo. Quatro meses sem aquele coração apaixonado por mim bater aqui. Quatro meses sem o sorriso mais conquistador que eu conheci. Quatro meses sem ouvir chamar nossos pequenos de grandão e de gorducho. Quatro meses sem a mão de chimpanzé me fazendo cafuné. Quatro meses sem dormir pesado embalada pelo som do ronco dele. Quatro meses sem repousar minha perna na dele. Quatro meses sem acordar com beijos no pescoço. Quatro meses sem beijo na boca na despedida. Quatro meses sem ouvir reclamações pela roupa acumulada no cabideiro. Quatro meses sem ouvir o "boa tarde" ao abrir a porta na hora do almoço. Quatro meses sem vê-lo fazendo uma misturada no prato de pedreiro. Quatro meses sem ver ele sentar em frente à TV com um pote de sorvete. Quatro meses sem conversas no banheiro. Quatro meses sem meu amor. Quatro meses sem o meu marido. Quatro meses sem meu Thi, meu bebeim, meu mozinho. QUATRO MESES.

Amanhã completa quatro meses que a minha vida inteira entrou no looping da montanha russa e estacionou lá no ponto mais alto, de cabeça pra baixo. Amanhã faz quatro meses que eu carrego uma dor pesada no coração e uma responsabilidade enorme nas costas. Amanhã serão quatro meses de lágrimas e saudade. Quatro meses nos quais eu deixei de ser a esposa mimada e me tornei arrimo de família, advogada em causa própria, mãe e pai, dona de casa, provedora sem querer e sem me preparar para. Quatro meses em que eu cresci quarenta anos, porque ninguém está preparada para isso antes dos trinta. Aliás, ninguém está preparado para isso nunca na vida. NUNCA!

Amanhã serão quatro meses e, apesar da vida ter mais ou menos entrado nos eixos, apesar da poeira ter baixado, apesar de me sentir mais segura agora e da sensação de que saí do poço, ainda dói, ainda é saudade, ainda há lágrimas (in)contidas... Quatro meses, mas nem a vida inteira será capaz de me fazer esquecer o que vivi e o que perdi.

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Queridos e agora numerosos leitores,

Parto hoje à tarde para a terra da garoa. Se der, dou o ar da graça. Se não, na semana que vem tô de volta.

Beijo para quem é de beijo. Abraço pra quem é de abraço.






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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pílulas

Para dividir com todos, a vencedora da rifa foi:

Renata Siqueira - ponto nº 601

PS: Queria ter postado as fotos do Matheus sorteando o ponto, mas a velox tá frescando com a minha cara desde quinta passada. Sem internet em casa.

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O feriado foi de susto. Thomás tentou subir na cadeira da mesa de jantar e ela virou. Ele prendeu o dedinho médio da mão direita entre o encosto da cadeira e o chão. Quebrou o ossinho da ponta do dedo e ainda fez um talho muito fundo. Levou seis pontos e passa bem.

Mais uma coisa sobre o incidente: o Hospital da Unimed é igualzinho ao Frotão!

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Então, os três meses passaram. Três primeiros meses de uma dor que teima em doer; de uma falta que é presença; de um vazio que não diminui... Agora, com esse tempo que se foi, o que continua a doer é o que ele deixou de ver e viver. Não deu tempo... Como diria Manuel Bandeira, uma vida inteira que podia ter sido e não foi.

Ele não viu o Matheus pedalar sozinho a bicicleta. Não viu o Thomás falando "Tau, mamã!". Não viu nosso bebê chegar da escola fantasiado de índio, não viu os nosso pequenos heróis no carnaval. Ele não viu o aniversário de 60 anos da mãe. Não viu o Arthur no seu comer-dormir-chorar-de-fome. Ele não viu o Matheus querendo desembrulhar todos os ovos de páscoa para brincar com a surpresa e o Thomás querendo comer todo o chocolate. Ele não viu a aprovação do cunhado na faculdade que sonhou fazer. Ele perdeu tudo isso...

Ele não estará comigo para comemorar nosso 5º aniversário de casamento, nem no dia das mães, nem no meu aniversário... E não haverá nossa festa no dia 10/07/2010. Nós não faremos bodas de mais nada. Ele não elogiará a decoração do nosso apartamento novo, dizendo que eu tenho bom gosto e só eu mesma poderia ter pensado naquilo tudo. Ele não verá o Matheus aprender a ler e escrever e não vibrará quando ele estiver lendo todas as placas das ruas. Ele não verá o Thomás articular frases. Ele não gritará para os pequenos, lá na piscina, subirem para o almoço da varanda do nosso apartamento. Ele não jogará bola com o Matheus no campinho. Ele não poderá levá-lo ao jogo do Ceará, com o vovô Márculo papocando de orgulho.

Ele não verá o adolescer dos meninos (eu dizia tanto que eles seriam aborrecentes!). Ele não poderá ensinar como conquistar garotas da escola. Ele não dirá que eles poderão escolher qualquer profissão, independente de perspectiva financeira, como sonhou fazer nem sei quantas vezes. Ele não contará histórias de sua vida na Europa, como disse que faria. Ele não poderá ser generoso com a mesada deles, como disse. Ele não promoverá uma grande festa quando eles chegarem à maioridade. Ele não chorará escondido ao vê-los formados, como sei que faria.

Ele não envelhecerá ao meu lado, contando piadas bestas e me fazendo rir com suas gracinhas. Ele não me aborrecerá mais com suas escatologias. Ele não me encherá de beijos ao acordar de mal-humor e nem me chamará de bicho peguiça ao beijar meu pescoço e pedir pra eu acordar. Ele não fará mais o cafuné gostoso com a mão de chimpanzé. Ele não dormirá com a mão pesando na minha cintura. Ele não... Nunca mais!

A vida será muito diferente sem ele por perto. Mas ainda assim, há de ter alguma compensação. É isso que me move.

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Oficialmente, entro no meu inferno astral hoje. Falta um mês para o meu aniversário. Se esse inferno astral conseguir ser pior que os últimos três meses, eu peço para sair! Hehehe...


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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Meus 20/02

Em 2006 e em 2008, no mesmo dia 20/02, eu descobri que estava grávida dos pequenos. Nesses dois 20/02, eu era só alegria. Ontem o 20/02 foi só de saudade, doída, latejante, mas ainda assim, quase feliz.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lembranças para a missa de um mês

Era um sorriso constante, cativante e verdadeiro. Era olhinhos que quase fechavam quando a gargalhada sonora saía. Era um excelente e disputado dançarino de forró. Era um chicleteiro, um micareteiro de marca maior. Era a melhor companhia para qualquer lugar, para uma mesa de bar, para uma noitada, para farra na casa alheia. Era um amante da praia, principalmente da Caponga. Era disciplinado, milimetricamente organizado, precavido, diligente e extremamente resolutivo. Não havia entraves, não havia problema que o abalasse, não havia coisa que ele não resolvesse ou tentasse. Ele fazia sempre tudo o que podia. Era o exemplo de filho que eu quero dar para os nossos filhos. Era o melhor pai, o mais apaixonado, o mais carinhoso, o mais atencioso, o mais dedicado. Era o melhor namorado. E ainda era o melhor namorado depois que se tornou marido. Era a pessoa mais carinhosa, mais compreensiva, mais do bem, mais de paz. Era um médico não de pessoas, hoje eu compreendo isso, mas de almas. Por isso mesmo, psiquiatra. Por isso mesmo, tanta gente veio dividir com a gente como ele salvou-lhe a vida. Era o melhor amigo, um verdadeiro irmão para tanta gente, que eu não sei como ele conseguia agradar a tantos. Mesmo ausente, era presente. Era tão querido por tantos que eu só posso crer que não podia mesmo ser desse mundo. Queria tanto bem a tantos, que toda semana acrescentava 4 ou 5 nomes à nossa lista de casamento. Queria o mundo todo, queria todo mundo, queria tudo ao mesmo tempo, queria mais tempo, queria mais e o céu foi o limite.


Não devemos mais chorar. Temos muito mais motivos para sorrir que para sofrer. Essas crianças que ele nos deixou merecem saber, conhecer e reconhecer a felicidade que o pai delas disseminou.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Três semanas

Três semanas se passaram.

Neste mesmo horário, naquele dia, eu estava falando com você. Hoje, você não existe mais.

Três semanas se passaram e a dor ainda lateja, o sono ainda me derruba à noite, as lágrimas ainda pulam dos meus olhos, o corpo ainda se arrasta pesado, o peito ainda está apertado, as costas ainda se curvam... A vida segue no mundo todo, só a minha parece estar em suspensão ou slowmotion...

Três semanas se passaram e o estômago não revira mais e ronca com fome nas horas habituais; os meninos retomaram a escola; a Lalá prepara as comidas deliciosas de sempre sem você para raspar o prato; eu me levanto e me arrumo, uso todos os cremes e as maquiagens que entopem nosso banheiro; as pessoas já não estão lá em casa sempre e agora, sim, a ficha cai.

A ficha cai porque vem a percepção de que a porta não vai se abrir, o telefone não vai tocar, você não vai chegar mais... A ficha cai e eu continuo sendo arrastada pela vida até o dia em que eu consiga emergir desse fundo do poço e essa dor me abandone.


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