Olha, eu preciso que você acredite, você aí, que tá triste, abatido, deprimido, eu preciso que você acredite porque eu falo isso com conhecimento de causa e é verdade: VAI PASSAR! Seja lá o que foi que fizeram com você, que peça a vida pregou, que rasteira, que puxada de tapete, que porta na cara, que motivo de desesperança você tenha, o que levou a perder a fé, seja o que for que faça seu peito latejar numa dor que parece não ter fim, acredite: vai passar! A gente não sabe em que momento exato isso acontece, a gente não consegue antever nem sentir a transformação que vai acalmando tudo aos pouquinhos. A gente não sente a dor se esvaindo, desaguando para fora da gente. E tem até uns casos de quem se acostuma ao sofrimento de maneira tal, que mesmo em face de uma possibilidade de felicidade, se acovarda e se esconde, permanecendo no escuro de si justamente porque é lugar quente e conhecido. Mas até para estes casos, dos que se acomodaram na dor, eu afirmo: Vai passar!
Um dia qualquer, numa quarta-feira comum, no meio do trânsito infernal da hora do rush, sem querer, você se dá conta de que aquele quentinho no coração voltou, de que há uma paz ao seu redor, e de que há um sorriso tímido nos lábios, daqueles que tentam esconder a tonelada de felicidade que inunda o que há por dentro. Assim, sem que você se dê conta, a alegria de viver volta como ondas de uma maré enchendo, cada vez mais perto da sua costa, até que exploda nas pedras de contenção e inunde toda sua rua. A enchente da maré é inescapável e a força das ondas também e elas sempre nos alcançam e não é possível saber de antemão o tamanho do impacto e do alcance. O que se sabe, por certo, é que vai nos alcançar, nos acertar e nos derrubar e qualquer resistência, fuga, medo, parede de contenção, muralha, escudo, arma, não poderá impedir, nem conter, nem evitar.
O tempo é aliado da felicidade e juntos eles trazem as respostas para todas as desilusões que sofremos. As coisas se encaixam em algum momento e, do nada, num dia qualquer, a gente tem essa visão. Não que se deixe de sofrer pelo que se perdeu, pelo que se foi, pelo que não se alcançou e que se queria muito. Não que se esqueça, não que se apague a nostalgia do que foi embora para sempre. Não que não se lembre dos sonhos frustrados e das expectativas de tantos momentos felizes que foram construídos. Todavia, chega uma hora em que a gente olha para as teses apresentadas e entende a conclusão. A gente observa os pressuposto e vê um argumento lógico. A gente entende, não por resignação, mas por consciência de que as coisas surpreendentemente se assentaram.
Da mesma forma que fomos surpreendidos por peças traiçoeiras, o somos também por doces surpresas. E o coração da gente é bicho besta para surpresas agradáveis. Ele amolece, ele enternece, ele derrete. E, mesmo que seja um deslumbramento depois de tanto tempo no escuro, a gente se pega surpreendido admirando a lua e o céu, a gentileza das pessoas, um arco-íris, uma gargalhada, um bom filme, um café quente com pão de queijo, um queijo coalho com doce de leite recheando uma tapioca, uma mão que segura a mão, uma palavra de carinho numa manhã chuvosa, um abraço apertado de quem se quer bem. E, diante desses acontecimentos tolos, corriqueiros, a gente sorri profundo porque é o coração que está sorrindo também.
Haverá ainda adaptações, dissabores, vida ordenando maturidade, cobrança das responsabilidades assumidas e medo. Mas saiba - você pode até não acreditar nesse momento, pela dor que embaça a vista, pelo coração partido, pelo que impede o ar de entrar nos pulmões - que essa transformação ocorre e é uma delícia sentir. E quando essa paz, que só a felicidade é capaz de provocar, se hospedar no seu peito, você entenderá que a gente tira de cada fundo do poço nossas maiores lições. Somos, sim, capazes de sobreviver a todas as devastações e cataclismas e piores momentos. Somos, sim, capazes de sobreviver quando nossos piores pesadelos, maiores medos se tornam reais e se instalam na nossa vida.
Diante da sua superação inequívoca, e diante do calor que emana no seu peito, diante do sorriso estampado nos lábios, uns poucos acharão você leviano, uns outros sentirão felicidade ao assistir a sua, uns outros afirmaram que é falsa e condicionada a drogas pesadas e de uso controlado, outros dirão que utopia, acomodação, desprendimento. É a cômoda e fácil opção dos que não entendem direito como se pode ser capaz de sentir de novo depois de sofrer tanto.
Uma vez vivida toda essa transição, uma vez superado o pior momento da vida, você saberá que ser feliz exige coragem. Coragem para se jogar, para sentir, para sonhar, para tentar de novo mesmo que o mundo pareça um não. Coragem para partir para guerra, enfrentar a luta, preparar a guarda, abandonar o medo, o preconceito, a ansiedade, a expectativa pela aceitação dos outros. É preciso coragem para meter as caras, arriscar e, então, tudo acontecerá baixinho dentro de você. Abandone os métodos aprendidos em anos de vida normal, abandone as teorias, os planos, os sonhos de antes, abandone a insegurança, a perspectiva da decepção. É preciso ter CORAGEM! Quando chegar a hora de guerrear pelo que manda o coração, seja forte, prepare todas suas reservas, e lute. Porque a gente não tem garantia de nada, não tem contrato de permanência, não tem prazo, não tem cronograma predeterminado, mas a gente sabe que o objetivo final é tão-somente ser feliz.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Mães
Recebi um email esses dias, com o ensejo do dia das mães, falando sobre a não propriedade sobre os filhos e que a maternidade é um ato de coragem. Efetivamente, a gente sempre diz que não são nossos, que são do mundo, que são de Deus. Efetivamente, a gente repete que quer criá-los independentes e fortes. Efetivamente, a gente sempre tenta fazer o melhor que pode, porque somos mães, porque queremos o melhor pra eles, porque eles são a razão das nossas vidas. Na prática, a coisa é bem diferente.
Muitas vezes a gente acha que tem poder sobre a vida deles, a gente acha que os nossos conselhos e a nossa experiência poderão privá-los de todo mal e de todo sofrimento e que isso, por si só, já seria motivo mais que suficiente para sermos ouvidos e obedecidas e respeitadas e queridas e recompensadas com uma velhice assistida. Infelizmente, não é assim que a banda toca. A vida reserva a cada pessoa dores e dissabores, tragédias pessoais e desafios. Nós somos apenas o colo, o ombro, a mão... Não poderemos jamais evitar que a dor e o sofrimento aconteçam também com eles. Né, mãe?
O nosso papel é torná-los fortes e resilientes, fazê-los guerreiros e lutadores, fazê-los encontrar motivos para sorrir até mesmo quando a vida não é perfeita e colorida e feliz. Nosso papel é ampará-los na dor e encorajá-los a seguir, a tentar de novo, a persistir até o acerto. Nosso papel é ser amiga, cais do porto mais seguro, certeza de conforto. Nosso papel é estar ao lado, não a frente, não atrás, não com dedos apontados, não com cobranças, não com expectativas inalcançáveis.
Estar ao lado do filho sempre, é saber que ele poderá, no seu caminho e no seu tempo, fazer escolhas diametralmente opostas àquelas que achamos mais corretas e mais convenientes. Prova de amor é apoiá-lo ainda assim. Ser mãe é entender que a coisa mais importante no seu mundo inteiro pode um dia ter rusgas, opiniões contrárias, vontades que não se coadunam nem um pouco com o projeto de vida que se sonhou para o filho durante toda a gestação, durante toda a vida. Ser mãe é perdoá-lo, aceitá-lo, confortá-lo e dar todo o suporte ainda assim.
Ser mãe é entender que esse amor mais altruísta, mais entrega, mais devoção, mais sem retorno, mais apaixonado de todos, pode perdoar muito, pode aceitar tudo, pode entender o que é incompreensível, pode perceber o que está mais escondido no porão mais profundo, pode proteger e pode ser ainda muito maior quando necessário. Ser mãe é estar pronta para tudo e entregar o filho para a vida como quem entrega toda a riqueza para o ladrão, porque é certo que ela causará algum mal, mas também é certo que estaremos logo ali com todo o nosso bem querer.
Enquanto eles não crescem, meninas, a gente vai vivendo nosso pequeno conto de fadas diário.
FELIZ DIA DAS MÃES!
OBRIGADA POR TUDO, MÃE!
Muitas vezes a gente acha que tem poder sobre a vida deles, a gente acha que os nossos conselhos e a nossa experiência poderão privá-los de todo mal e de todo sofrimento e que isso, por si só, já seria motivo mais que suficiente para sermos ouvidos e obedecidas e respeitadas e queridas e recompensadas com uma velhice assistida. Infelizmente, não é assim que a banda toca. A vida reserva a cada pessoa dores e dissabores, tragédias pessoais e desafios. Nós somos apenas o colo, o ombro, a mão... Não poderemos jamais evitar que a dor e o sofrimento aconteçam também com eles. Né, mãe?
O nosso papel é torná-los fortes e resilientes, fazê-los guerreiros e lutadores, fazê-los encontrar motivos para sorrir até mesmo quando a vida não é perfeita e colorida e feliz. Nosso papel é ampará-los na dor e encorajá-los a seguir, a tentar de novo, a persistir até o acerto. Nosso papel é ser amiga, cais do porto mais seguro, certeza de conforto. Nosso papel é estar ao lado, não a frente, não atrás, não com dedos apontados, não com cobranças, não com expectativas inalcançáveis.
Estar ao lado do filho sempre, é saber que ele poderá, no seu caminho e no seu tempo, fazer escolhas diametralmente opostas àquelas que achamos mais corretas e mais convenientes. Prova de amor é apoiá-lo ainda assim. Ser mãe é entender que a coisa mais importante no seu mundo inteiro pode um dia ter rusgas, opiniões contrárias, vontades que não se coadunam nem um pouco com o projeto de vida que se sonhou para o filho durante toda a gestação, durante toda a vida. Ser mãe é perdoá-lo, aceitá-lo, confortá-lo e dar todo o suporte ainda assim.
Ser mãe é entender que esse amor mais altruísta, mais entrega, mais devoção, mais sem retorno, mais apaixonado de todos, pode perdoar muito, pode aceitar tudo, pode entender o que é incompreensível, pode perceber o que está mais escondido no porão mais profundo, pode proteger e pode ser ainda muito maior quando necessário. Ser mãe é estar pronta para tudo e entregar o filho para a vida como quem entrega toda a riqueza para o ladrão, porque é certo que ela causará algum mal, mas também é certo que estaremos logo ali com todo o nosso bem querer.
Enquanto eles não crescem, meninas, a gente vai vivendo nosso pequeno conto de fadas diário.
FELIZ DIA DAS MÃES!
OBRIGADA POR TUDO, MÃE!
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Manda essa cavalaria
Há tempos não escrevo sobre isso e minha aversão por religiões pode dar a alguns a impressão de que sou atéia ou algo assim. Que desprezo filosofias orientais e supertições. Declaro aqui: não é verdade. Já tentei ser atéia, na época da faculdade, porque chega mais ou menos essa época da vida a gente acha que é científico e esclarecido ser ateu. Quando tentei dar as costas a tudo e ser atéia, descobrir que não acreditar na existência de deus é fichinha. Deus é a parte mais simples. O problema é olhar para o mundo e achar que ele nos é indiferente, que cada coisa é resultado imediato apenas do que é lógico, aceitar as coisas tais como as vemos. Aí descobri que não sou e nunca poderia ser atéia. O meu mundo tem causas e efeitos desconhecidos, ele conspira em direções que eu não entendo. Tenho que me reconhecer como uma pessoa mística - a não ser que vocês ateus possam acreditar em feng shui.
(From: Caminhante diurno - link ao lado)
E aí, faz tempo que eu vinha pensando sobre as minhas concepções religiosas e sobre fé. Há tempos as coisas andavam meio confusas na minha cabeça. Ao mesmo tempo que existe em mim um lado prático, pragmático, racional e cético, eu descubro ser muito doloroso pensar como eu sempre pensei e não acreditar em nada. Era muito fácil dizer que não acreditava em vida após a morte quando não batia no meu peito essa esperança de que alguém estivesse do lado de lá. Era muito fácil dizer não haver um deus, nem alguém tomando conta de tudo, quando eu não precisava ter essa fé de que alguém que eu amei estivesse sendo bem cuidado em outro lugar, num plano não-físico. Era muito fácil não ter fé, não crer, não rezar, quando não havia essa dor.
Agora as coisas mudaram um pouco de figura. Continuo absolutamente aversa a todas as religiões. Pelo menos, àquelas com que tive o mínimo contato. Não consigo engolir o sapo da pregação de que aquilo que cada uma acha certo ser o único caminho, a única verdade. Continuo resistente a muitos conceitos e muitos estigmas, que, para mim, se revestem de moralidade frágil e preconceitos e machismo. Fato é que não consigo mais pensar em mim como uma pessoa que não crê em nada (pode chorar de felicidade, mãe!).
Sinto-me mais ou menos como descrito pela "Caminhante". Sinto que nem tudo está equilibrado sobre um argumento lógico irretorquível. Sinto que não consigo conceber argumentos plausíveis para tudo. Sinto que tem coisas que estão muito além daquilo que somos capazes de perceber, entender, assimilar. Sinto que existem certos arranjos que a inteligência humana simplesmente não alcança. Eu não alcanço. Sinto que a vida toma direções estranhas e até inverossímeis se analisadas apenas pela ótica da razão. E, diante dessa verdade que me salta aos olhos, eu envergo a cabeça e passo a acreditar na máxima que diz que há mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia.
Eu não sei direito o que é, nem como isso aconteceu dentro de mim. Eu nem quero me aprofundar muito nesse assunto, nem ando pesquisando sobre religiões para escolher uma para mim. Eu não sei em que pé estou em relação a tudo isso. Eu não sei explicar em que matiz de cor, variando entre a beata e a atéia, eu estou nesse momento. Eu sei que não estou nos extremos. Sinto que essa transformação aconteceu em mim e, depois do texto colado acima, eu precisei refletir um pouco mais. É só isso.
"Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
Por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
Eu acho que acabou
Mas vou cantar
Pra não cair
Fingindo ser alguém
Que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
O pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou
Ver, por onde você for
Cansei de procurar
Não posso mais te dar
O pouco que sobrou
Carrego seu amor
Até não conseguir
Mas hoje eu me senti
Dobrando devagar
Tentei chorar
O seu perdão
Mas não ouvi
Sinal, será?
Isso é o meu mal
Deus, proteja um filho teu
Não deixa o mal ganhar
Por onde se esconder
Enquanto o céu tá aí
E a chave não abriu
E a estrada se acabou
E a ponte não achou
Pra lá desse lugar
Eu vou tentar
Por mais um dia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou"
(O pouco que sobrou - Marcelo Camelo)
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
Por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
Eu acho que acabou
Mas vou cantar
Pra não cair
Fingindo ser alguém
Que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
O pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou
Ver, por onde você for
Cansei de procurar
Não posso mais te dar
O pouco que sobrou
Carrego seu amor
Até não conseguir
Mas hoje eu me senti
Dobrando devagar
Tentei chorar
O seu perdão
Mas não ouvi
Sinal, será?
Isso é o meu mal
Deus, proteja um filho teu
Não deixa o mal ganhar
Por onde se esconder
Enquanto o céu tá aí
E a chave não abriu
E a estrada se acabou
E a ponte não achou
Pra lá desse lugar
Eu vou tentar
Por mais um dia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou"
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Das cinzas
Fica muito fácil perceber que a vida da gente não segue um script depois que acidentes acontecem. Fica muito mais fácil entender que é tênue, que é mínima a distância entre o que é certo e o que simplesmente não existe. É muito mais fácil relativizar as coisas, minimizar o tamanho dos problemas, concentrar no que efetivamente é prioridade e viver mais tranquilamente.
É impressionante perceber a sensação de liberdade que a gente conquista depois de superar o pior de todos os momentos. Liberdade que permite que se arrisque mais, que se despoje de preconceitos e contra-argumentos, que se desfaça das algemas do medo, que se jogue fora as armaduras e as máscaras e seja simplesmente o que se é. E, sendo o que se é, seja também muito mais feliz e inteira em cada momento vivido.
Depois que a gente lida com a morte de perto, principalmente com a morte repentina, passa a viver com muito mais intensidade cada segundo, passa a se dedicar com muito mais afinco a cada oportunidade de felicidade que aparece, passa a aproveitar com mais vigor os momentos bons e a entender que a gente precisa mesmo de coisas simples e corriqueiras, porque afinal é isso que importa, é isso que efetivamente conta.
Pode ser só um encontro com amigos ou um sorvete no calor da tarde; pode ser só um banho de piscina com os filhos ou um abraço apertado; pode ser um cineminha no fim do dia ou mãos dadas à beira mar, pode ser qualquer coisa desde que faça bem, desde que deixe a sensação de que se vive, desde que traga junto um pouquinho de quero mais, de vale a pena. Pode ser mínimo e máximo ao mesmo tempo agora. Pode ser único e inesquecível. Pouco importa.
Não se deve deixar passar as oportunidades de ser feliz que aparecem, não se pode deixar correr o tempo sem viver os sentimentos que surgem, não se pode simplesmente descartar essas pequenas epifanias que devolvem à gente o sentido de todas as coisas. É para isso que estamos aqui e só por isso.
É impressionante perceber a sensação de liberdade que a gente conquista depois de superar o pior de todos os momentos. Liberdade que permite que se arrisque mais, que se despoje de preconceitos e contra-argumentos, que se desfaça das algemas do medo, que se jogue fora as armaduras e as máscaras e seja simplesmente o que se é. E, sendo o que se é, seja também muito mais feliz e inteira em cada momento vivido.
Depois que a gente lida com a morte de perto, principalmente com a morte repentina, passa a viver com muito mais intensidade cada segundo, passa a se dedicar com muito mais afinco a cada oportunidade de felicidade que aparece, passa a aproveitar com mais vigor os momentos bons e a entender que a gente precisa mesmo de coisas simples e corriqueiras, porque afinal é isso que importa, é isso que efetivamente conta.
Pode ser só um encontro com amigos ou um sorvete no calor da tarde; pode ser só um banho de piscina com os filhos ou um abraço apertado; pode ser um cineminha no fim do dia ou mãos dadas à beira mar, pode ser qualquer coisa desde que faça bem, desde que deixe a sensação de que se vive, desde que traga junto um pouquinho de quero mais, de vale a pena. Pode ser mínimo e máximo ao mesmo tempo agora. Pode ser único e inesquecível. Pouco importa.
Não se deve deixar passar as oportunidades de ser feliz que aparecem, não se pode deixar correr o tempo sem viver os sentimentos que surgem, não se pode simplesmente descartar essas pequenas epifanias que devolvem à gente o sentido de todas as coisas. É para isso que estamos aqui e só por isso.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Eu aprendi
Houve um tempo em que eu tinha cer-te-za de muitas coisas que hoje me parecem conversa pra boi dormir.
Houve um tempo em que eu amparava meu passo no ombro amigo de quem hoje simplesmente não está.
Houve um tempo em que eu tinha a minha vida toda pela frente e isso dava uma liberdade absurda para tentativas e arrependimentos e me parece que em cinco anos a vida-toda-pela-frente passou.
Houve um tempo em que eu acreditava que eu podia fazer o que quisesse e bem entendesse, sem me preocupar com mais ninguém, até entender que me preocupar com as pessoas é a razão de ser.
Houve um tempo em que um sentimento latejava em mim com intensidade tal que lhe apregoava características de eterno até que acabou.
Houve um tempo em que eu acreditava ter cada coisa em seu lugar até que um menino mau virou de cabeça pra baixo meu castelo da Barbie, espalhando tudo pelo chão.
Houve um tempo em que eu acreditei que algumas amizades eram verdadeiras e aí eu cheguei no olho do furacão e vi que as amizades só são verdadeiras se houver um depois de ou um apesar de.
Houve um tempo em que eu achei que tinha uma vida perfeita até descobrir que a perfeição não existe.
Houve um tempo em que eu achei que o meu sofrimento era o maior do mundo e que este mesmo mundo deveria ser delicado comigo porque eu estava sofrendo, até descobrir que eu poderia sofrer mais (muito mais) e que não era a primeira, nem a única, nem a última, era só mais uma a aguentar os trancos e a encarar os barrancos.
Houve um tempo em que eu achei que eu era frágil até descobrir uma roupa de aço sob a pele.
Houve um tempo em que eu achava que tinha tudo de que precisava para a vida, até um acidente me mostrar que a gente não tem nada.
Houve um tempo em que eu acreditava que ser mãe era tarefa de casa sem fim, era abdicar, até descobrir que é abdicar pelo maior amor do mundo.
Houve um tempo em que eu achava que meu coração fosse empedrar e se trancar, até ver ele bater descompassado, desmanchado assim.
Houve um tempo em que eu pensei que o sorriso jamais voltaria ao meu rosto, que o ânimo de viver tivesse me abandonado, que a vida tinha perdido sentido e cor, que sobreviver era o que importava, até entender que sorrir ajuda a superar, devolve o ânimo e a cor.
Houve um tempo em que eu achava que era autossuficiente e descobri que preciso de gente ao meu redor.
Houve um tempo em que eu não queria mais viver, em que eu só queria que parasse de doer, até entender que dói de qualquer jeito e ainda assim vale a pena estar aqui.
Houve um tempo em que eu queria não sentir mais, até perceber que sentir é a forma mais completa de ser humana.
Houve um tempo em que eu não sabia nada, até que eu aprendi.
Houve um tempo em que eu amparava meu passo no ombro amigo de quem hoje simplesmente não está.
Houve um tempo em que eu tinha a minha vida toda pela frente e isso dava uma liberdade absurda para tentativas e arrependimentos e me parece que em cinco anos a vida-toda-pela-frente passou.
Houve um tempo em que eu acreditava que eu podia fazer o que quisesse e bem entendesse, sem me preocupar com mais ninguém, até entender que me preocupar com as pessoas é a razão de ser.
Houve um tempo em que um sentimento latejava em mim com intensidade tal que lhe apregoava características de eterno até que acabou.
Houve um tempo em que eu acreditava ter cada coisa em seu lugar até que um menino mau virou de cabeça pra baixo meu castelo da Barbie, espalhando tudo pelo chão.
Houve um tempo em que eu acreditei que algumas amizades eram verdadeiras e aí eu cheguei no olho do furacão e vi que as amizades só são verdadeiras se houver um depois de ou um apesar de.
Houve um tempo em que eu achei que tinha uma vida perfeita até descobrir que a perfeição não existe.
Houve um tempo em que eu achei que o meu sofrimento era o maior do mundo e que este mesmo mundo deveria ser delicado comigo porque eu estava sofrendo, até descobrir que eu poderia sofrer mais (muito mais) e que não era a primeira, nem a única, nem a última, era só mais uma a aguentar os trancos e a encarar os barrancos.
Houve um tempo em que eu achei que eu era frágil até descobrir uma roupa de aço sob a pele.
Houve um tempo em que eu achava que tinha tudo de que precisava para a vida, até um acidente me mostrar que a gente não tem nada.
Houve um tempo em que eu acreditava que ser mãe era tarefa de casa sem fim, era abdicar, até descobrir que é abdicar pelo maior amor do mundo.
Houve um tempo em que eu achava que meu coração fosse empedrar e se trancar, até ver ele bater descompassado, desmanchado assim.
Houve um tempo em que eu pensei que o sorriso jamais voltaria ao meu rosto, que o ânimo de viver tivesse me abandonado, que a vida tinha perdido sentido e cor, que sobreviver era o que importava, até entender que sorrir ajuda a superar, devolve o ânimo e a cor.
Houve um tempo em que eu achava que era autossuficiente e descobri que preciso de gente ao meu redor.
Houve um tempo em que eu não queria mais viver, em que eu só queria que parasse de doer, até entender que dói de qualquer jeito e ainda assim vale a pena estar aqui.
Houve um tempo em que eu queria não sentir mais, até perceber que sentir é a forma mais completa de ser humana.
Houve um tempo em que eu não sabia nada, até que eu aprendi.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O fantástico mundo do futuro do pretérito
Durante muito tempo, eu vivi no fantástico mundo do futuro do pretérito. Minha vida corria dura e real e, em paralelo, o futuro do pretérito desenhava em minha mente situações e diálogos com gostinho de saudade. Com certa frequência, eu me mudava para lá e me perdia em devaneios cujas ações tinham os verbos terminados sempre em -ia.
O fantástico mundo do futuro do pretérito tem milhares de encantos. Nele, a gente pinta a vida das cores que a gente quer e revive os melhores momentos do que ficou pra trás. Nele, a gente pode ter de novo o que perdeu, sentir de novo o frio na barriga, sorrir e amar de novo. Nele, a gente pode criar momentos perfeitos, situações perfeitas, ternura e amor. Nele, a gente pode deixar a vida ser sempre doce, porque não há limites no fantástico mundo do futuro do pretérito.
Porém, há também um contraponto, um peso, um senão. Lá no fantástico mundo do futuro do pretérito, tudo é precedido por uma partícula condicional. Não há nenhuma ação que não gere uma oração subordinativa condicional. No meu caso em particular, não se tratava de partículas condicionais viáveis, possíveis, plausíveis. Não era o caso de uma condição futura certa, um termo final a ser alcançado. A partícula condicional que me alçava para lá tinha a conotação do impossível.
E aí, quando você percebe que não, que nunca mais o fantástico mundo do futuro do pretérito será conjugado no presente do indicativo; você entende imediatamente o que o sofrimento é capaz de fazer com a mente das pessoas. Esse choque de realidade arrasta para a vida real qualquer um que anseie permanecer por lá. E tendo retornado, resolvi abandonar as viagens para lá. Reconheço que muitas vezes era sensação de conforto, era sentimento que eterniza. Mas, a bem da verdade, era também fuga da lucidez e da racionalidade que sonhei pra mim.
Eu não vou mais ao fantástico mundo do futuro do pretérito. Até porque, sempre que a gente pensar como seria se; qualquer coisa, qualquer situação, qualquer momento se torna muito triste e pesado e sofrido pelo simples fato que não.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Não dá para ser indiferente
Há solidariedade no sofrimento e uma sensibilidade incrível quando você sobreviveu a dores severas demais. Você sabe que não pode tocar em certos pontos. Você sabe que não deve dizer certas coisas. Você toma cuidado ao chegar perto de alguém que sofre. Você assiste aos olhos lacrimejando e à voz embargar e reconhece o peso daquilo tudo. Você vê o quão difícil é. Você percebe o esforço maior que a força. E, assim, de espectador, você se transforma em personagem da dor. Simplesmente porque não dá mais pra ser indiferente com a dor de ninguém.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Lições
Uma das coisas que eu aprendi a fazer nesse meu processamento do luto foi fugir da dor. Não que seja motivo de orgulho nem que eu mereça receber medalha de honra ao mérito por isso. Foi apenas a minha - pessoal, única, personalíssima - forma de lidar com tudo. Há quem ache covarde, há quem decrete que o sofrimento vem pior depois de um tempo, há quem diga que eu sou fria e indiferente. Tudo bem, a opinião alheia não me serve porque eu sei das correntes que arrasto. E, além do mais, não há ninguém mais nesse mundo que seja responsável pela minha felicidade que não eu mesma. Sendo assim, eu sempre prefiro pensar que eu tenho duas opções quando as dores batem na porta: deixa-las entrar ou não abrir a porta. Eu não abro, eu vejo a dor, eu sinto seu perfume, mas eu não me entrego a ela, eu não deixo revirar minha casa como fez, como fazia.
Pois bem. Ter de fugir da dor de perder a pessoa da minha vida, me fez aprender a reconhecer o que eram aborrecimentos, chatices, problemas e dores propriamente ditas. Distingui-los de maneira tão clara faz a vida ser vista sob um prisma bem diferente, porque nenhum dos três primeiros merece mais que dois minutos de infelicidade. As dores propriamente ditas só decorrem de inevitabilidades ou irreversibilidades e elas demoram mais a sarar. E eu cheguei à conclusão de que, depois de um tempo cicatrizando, é possível escolher entre arrancar a casca e ferir de novo ou fingir que a casquinha não está lá, que não coça. Eu finjo. Eu fujo. Eu vivo melhor assim. Sei que um dia a cicatriz será verdadeira, para além dessa casquinha, e eu espero por esse momento.
De alguma forma, eu aprendi também a não me deixar abater pelas decepções e a sublimar da minha vida as pessoas que me fazem ou me fizeram mal. Não é rancor, de jeito nenhum. Não é uma mágoa enrustida. É só um delete da minha vida, como se nunca tivesse existido. Não quero mal nem o mal a ninguém, num quero nem saber, nem rever. Vira nada, indiferente. Ontem eu conversava com uma amiga, falando justamente sobre isso e de solidão e ela disse: "Por que você não liga para o fulaninho? Vocês eram tão amigos e se davam tão bem!", e eu respondi: "Não ligo porque eu não conheço essa pessoa. A que eu conheci não existe mais!". Então, se me faz mal, eu simplesmente me afasto porque a vida é por demais frágil, curta, tênue para ser desperdiçada com quem não sabe retribuir amizade/carinho/amor.
Dito isso, digo mais: se é para estar comigo, não me carregue com seus problemas, não coloque sua dor na mesa de centro da minha sala porque a minha está pendurada em paredes e espalhada em porta-retratos pela casa. Não faça dos seus pequenos aborrecimentos cotidianos o assunto principal das nossas conversas, envergando meu coração, sugando minha energia. Não jogue na minha cara seus traumas e inseguranças e dilemas, não jogue sobre as minhas costas responsabilidades que são suas e de mais ninguém. Deixe seu coração falar através de seus olhos e faça sempre escolhas coerentes com os seus sentimentos. Assim, não haverá falha, dúvida, mal entendido. Assuma seus riscos, encargos, ações, vontades e desejos. Divida alegrias, traga sorrisos, carinhos, afagos, motivos para festejar. Não tem erro: fugindo da dor e na companhia de gente assim, o que resta é ser feliz.
Pois bem. Ter de fugir da dor de perder a pessoa da minha vida, me fez aprender a reconhecer o que eram aborrecimentos, chatices, problemas e dores propriamente ditas. Distingui-los de maneira tão clara faz a vida ser vista sob um prisma bem diferente, porque nenhum dos três primeiros merece mais que dois minutos de infelicidade. As dores propriamente ditas só decorrem de inevitabilidades ou irreversibilidades e elas demoram mais a sarar. E eu cheguei à conclusão de que, depois de um tempo cicatrizando, é possível escolher entre arrancar a casca e ferir de novo ou fingir que a casquinha não está lá, que não coça. Eu finjo. Eu fujo. Eu vivo melhor assim. Sei que um dia a cicatriz será verdadeira, para além dessa casquinha, e eu espero por esse momento.
De alguma forma, eu aprendi também a não me deixar abater pelas decepções e a sublimar da minha vida as pessoas que me fazem ou me fizeram mal. Não é rancor, de jeito nenhum. Não é uma mágoa enrustida. É só um delete da minha vida, como se nunca tivesse existido. Não quero mal nem o mal a ninguém, num quero nem saber, nem rever. Vira nada, indiferente. Ontem eu conversava com uma amiga, falando justamente sobre isso e de solidão e ela disse: "Por que você não liga para o fulaninho? Vocês eram tão amigos e se davam tão bem!", e eu respondi: "Não ligo porque eu não conheço essa pessoa. A que eu conheci não existe mais!". Então, se me faz mal, eu simplesmente me afasto porque a vida é por demais frágil, curta, tênue para ser desperdiçada com quem não sabe retribuir amizade/carinho/amor.
Dito isso, digo mais: se é para estar comigo, não me carregue com seus problemas, não coloque sua dor na mesa de centro da minha sala porque a minha está pendurada em paredes e espalhada em porta-retratos pela casa. Não faça dos seus pequenos aborrecimentos cotidianos o assunto principal das nossas conversas, envergando meu coração, sugando minha energia. Não jogue na minha cara seus traumas e inseguranças e dilemas, não jogue sobre as minhas costas responsabilidades que são suas e de mais ninguém. Deixe seu coração falar através de seus olhos e faça sempre escolhas coerentes com os seus sentimentos. Assim, não haverá falha, dúvida, mal entendido. Assuma seus riscos, encargos, ações, vontades e desejos. Divida alegrias, traga sorrisos, carinhos, afagos, motivos para festejar. Não tem erro: fugindo da dor e na companhia de gente assim, o que resta é ser feliz.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Quando a esperança solta minha mão...
Não é sempre, não é todo dia, mas a esperança que me move vezenquando me abandona. Na maior parte do tempo, eu seguro a mão dela com força, como criança pequena em shopping lotado segura a mão da mãe. Medo de me perder, medo de não encontrar meu caminho e nunca mais voltar pra casa, medo de não ver mais quem me faz e quer bem. Quando a gente se solta, fico só com a sensação de que algo muito ruim está à espreita, esperando quietinho o momento de acontecer. É só um segundo, é só um tempinho; mas o sentimento é abissal: DE-SES-PE-RO!
Fico mais tranquila quando ela retorna e me segura pela mão novamente e aí, volta a sensação de que não preciso me preocupar, de que o pior já passou, o pior ano já se foi, o furacão já sumiu no horizonte. É claro que ainda há algumas nuvens negras e restos da bagunça que ele deixou para arrumar, mas o céu já se abre num azul primaveril, o sol já vem mostrar seu poder e sua energia e as crianças já não estampam em suas faces os olhos do medo. Há paz depois da tempestade. Aquela paz decorrente do alívio de ter sobrevivido, da certeza de que o pior já foi e de que outra dessas vai demorar a acontecer.
Eu quero seguir com essa esperança dentro de mim, com essa vontade de viver e ser feliz. Quero olhar para frente e ter convicção de que muitas coisas boas me esperam, sem que passe pela minha cabeça qualquer sombra de dúvida. Eu quis tanto chegar aqui, nesse momento, nesse ano, em pé, sem ser um farelo, um farrapo, sem deixar trauma algum nos pequenos, mesmo que esse propósito significasse me virar do avesso... Agora que me vejo aqui, do jeito que planejei, eu duvido das minhas convicções, daquilo que me moveu. Duvido do que bate à porta, do que parece claro e até óbvio. Não é certo.
Que eu não me perca do ideal que me manteve de pé nem das convicções que me moveram até aqui. Que eu não me afaste dos planos de felicidade que bolei sozinha, mas pensando em três. Que eu não sofra demasiadamente ao lembrar dos projetos a dois e a quatro. Que eu não saia do caminho que tracei, a menos que seja presenteada com melhores opções. Que não haja mais surpresas infelizes, nem furacões, nem tempestades que deixam tudo de pernas para o ar. Sei que não há como se proteger da dor, nem do sofrimento, nem há como evitá-los ou preveni-los. Estas coisas simplesmente acontecem. Então, que haja dentro de mim um espírito guerreiro e resiliente para enfrentar todos os poréns e apesares. E que, ao final de tudo, eu alcance a felicidade no superlativo máximo possível de novo.
Fico mais tranquila quando ela retorna e me segura pela mão novamente e aí, volta a sensação de que não preciso me preocupar, de que o pior já passou, o pior ano já se foi, o furacão já sumiu no horizonte. É claro que ainda há algumas nuvens negras e restos da bagunça que ele deixou para arrumar, mas o céu já se abre num azul primaveril, o sol já vem mostrar seu poder e sua energia e as crianças já não estampam em suas faces os olhos do medo. Há paz depois da tempestade. Aquela paz decorrente do alívio de ter sobrevivido, da certeza de que o pior já foi e de que outra dessas vai demorar a acontecer.
Eu quero seguir com essa esperança dentro de mim, com essa vontade de viver e ser feliz. Quero olhar para frente e ter convicção de que muitas coisas boas me esperam, sem que passe pela minha cabeça qualquer sombra de dúvida. Eu quis tanto chegar aqui, nesse momento, nesse ano, em pé, sem ser um farelo, um farrapo, sem deixar trauma algum nos pequenos, mesmo que esse propósito significasse me virar do avesso... Agora que me vejo aqui, do jeito que planejei, eu duvido das minhas convicções, daquilo que me moveu. Duvido do que bate à porta, do que parece claro e até óbvio. Não é certo.
Que eu não me perca do ideal que me manteve de pé nem das convicções que me moveram até aqui. Que eu não me afaste dos planos de felicidade que bolei sozinha, mas pensando em três. Que eu não sofra demasiadamente ao lembrar dos projetos a dois e a quatro. Que eu não saia do caminho que tracei, a menos que seja presenteada com melhores opções. Que não haja mais surpresas infelizes, nem furacões, nem tempestades que deixam tudo de pernas para o ar. Sei que não há como se proteger da dor, nem do sofrimento, nem há como evitá-los ou preveni-los. Estas coisas simplesmente acontecem. Então, que haja dentro de mim um espírito guerreiro e resiliente para enfrentar todos os poréns e apesares. E que, ao final de tudo, eu alcance a felicidade no superlativo máximo possível de novo.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Migalhas
O que é difícil entender é que para quem falta tudo, qualquer coisa é muita coisa. Se não se tem nada; o que parece sobra, resto, pouco é muito, é ótimo, é tudo. Quando se está no deserto, na rua, sem teto, sem abrigo; qualquer sombra, qualquer pé de pau, qualquer barraco vira lar, qualquer jornal vira lençol, qualquer caixa de sapato vira travesseiro. E é muito fácil para aqueles que estão dentro das suas casas, com seus pratos de comidas, com suas roupas quentinhas, com todo seu conforto, achar absurdo que ali, naquela caixa de papelão, naquele beco, embaixo do viaduto, estejam toda a vida e todos os sonhos de uma pessoa. Mas é o que disse: quando não se tem nada, o pouco é muito.
A melhor característica do ser humano, a que nos tornou seres evoluídos e selecionados, é justamente a facilidade de adaptação. A gente se adapta, a gente se acostuma. É fácil se acostumar com o que a vida tem de bom, com luxo, com facilidades, com praticidades... Mas quando tudo, absolutamente tudo, é tomado; a capacidade de adaptação permanece e até impressiona. É triste, é pesado, é vazio, é difícil; mas a gente se acostuma e sobrevive com menos, com muito menos, com quase nada.
E volto a dizer: para quem tem quase nada, qualquer oferta é ganhar na loteria. Vem aquela sensação de que é preciso agradecer por isso, que pode ser a única oportunidade, a única refeição do dia, o único conforto, a única vez. Vem também a impressão de que é preciso desfrutar daquilo intensamente, cada colherada, cada pedacinho, cada vez, lenta e profundamente. Vem junto um desejo de que dure, de que seja eterno, de que a vida dê um pause. Vem um anseio para que não acabe, porque voltar para o nada é penoso demais.
Quem não tem quase nada se refestela com muito pouco e abre a guarda e se entrega aos pequenos momentos como se fossem únicos, porque eles bem podem ser. Quem não tem quase nada se acostuma com o pouco que tem e se deslumbra com qualquer coisa. Quem não tem quase nada se entrega muito mais facilmente; é ludibriado mais facilmente; é atropelado por tudo muito mais facilmente; perde mais facilmente; deixa escapar entre os dedos porque apertou com muita força e apertou com muita força porque queria reter o momento.
Nessa altura do campeonato, já deu para perceber que eu não estou falando dos flagelados, descamisados, moradores de rua, né? Vocifero com Cazuza: "Migalhas dormidas do teu pão... Raspas e restos me interessam. Pequenas porções de ilusão... Mentiras sinceras me interessam, ME INTERESSAM!"
A melhor característica do ser humano, a que nos tornou seres evoluídos e selecionados, é justamente a facilidade de adaptação. A gente se adapta, a gente se acostuma. É fácil se acostumar com o que a vida tem de bom, com luxo, com facilidades, com praticidades... Mas quando tudo, absolutamente tudo, é tomado; a capacidade de adaptação permanece e até impressiona. É triste, é pesado, é vazio, é difícil; mas a gente se acostuma e sobrevive com menos, com muito menos, com quase nada.
E volto a dizer: para quem tem quase nada, qualquer oferta é ganhar na loteria. Vem aquela sensação de que é preciso agradecer por isso, que pode ser a única oportunidade, a única refeição do dia, o único conforto, a única vez. Vem também a impressão de que é preciso desfrutar daquilo intensamente, cada colherada, cada pedacinho, cada vez, lenta e profundamente. Vem junto um desejo de que dure, de que seja eterno, de que a vida dê um pause. Vem um anseio para que não acabe, porque voltar para o nada é penoso demais.
Quem não tem quase nada se refestela com muito pouco e abre a guarda e se entrega aos pequenos momentos como se fossem únicos, porque eles bem podem ser. Quem não tem quase nada se acostuma com o pouco que tem e se deslumbra com qualquer coisa. Quem não tem quase nada se entrega muito mais facilmente; é ludibriado mais facilmente; é atropelado por tudo muito mais facilmente; perde mais facilmente; deixa escapar entre os dedos porque apertou com muita força e apertou com muita força porque queria reter o momento.
Nessa altura do campeonato, já deu para perceber que eu não estou falando dos flagelados, descamisados, moradores de rua, né? Vocifero com Cazuza: "Migalhas dormidas do teu pão... Raspas e restos me interessam. Pequenas porções de ilusão... Mentiras sinceras me interessam, ME INTERESSAM!"
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Sobre o luto
METADE
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem
inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(Oswaldo Montenegro)
Ser derrubada pelo vendaval de se perder quem se ama, gera uma série de sentimentos contraditórios e intensos na gente. Sem dúvida nenhuma, no meu processamento da dor, o medo foi o principal deles, o mais presente, o mais constante. Medo de não conseguir fazer tudo sozinha, de não dar conta, de não conseguir criar meus filhos, de não conseguir manter um padrão mínimo razoável de vida, de não encontrar mais ninguém, de ficar sozinha para sempre, de deprimir... Medo de carro, de trânsito, de tráfego, de estrada... Medo de morrer e deixar meus filhos órfãos, medo da burocracia, das contas, das dívidas... Medo, medo, medo. E, no meio do caos, foi preciso redescobrir aquilo que eu buscava, os meus próprios valores, o meu caminho. A morte de parte do que eu tinha, não só do meu amor, mas também de grande parte da minha vida, dos meus sonhos, dos meus projetos, dos meus planos, do meu futuro; não me fez calar. Pelo contrário, me fez falar e escrever, escrever, escrever... Mas grande parte do que me dói agora dói em silêncio, só de vezenquando essa dor dá seus gritos.
Ainda sou capaz de ouvir a música da minha vida tocando e, embora tenha sido este um momento, um ano inteiro, muito triste, eu consegui dançar no ritmo que me foi imposto. Esse amor que me acompanhou, me transformou, me tornou o que eu sou não pode simplesmente deixar de existir. Ele persiste amando o meu Thi, ainda que ele não esteja mais aqui. Porque a gente não se acostuma nunca com a partida nem com a saudade. E o amor que nos uniu transcende a matéria. É um amor pelo que ele é. E o que ele é ainda existe em mim e nos pequenos.
A pessoa que me tornei depois disso não é nada além, não é mártir, não é perfeita, nem mais forte, nem mais guerreira que ninguém. A pessoa que me tornei depois disso tudo é apenas o cômputo final de perdas e ganhos, partidas e descobertas. A pessoa que me tornei depois de tudo isso é apenas o que dá pra ser. Não sou modelo, exemplo, paradigma. Nada do que eu faço e sou serve para mais alguém, que não eu mesma. E é preciso respeitar minhas decisões e atitudes, porque eu me agarrro àquilo que me resta e conheço minhas limitações. Antes de cada decisão, muitas vezes eu escuto os outros; muitas vezes eu decido no instinto e em silêncio.
Em alguns momentos, sumir, desaparecer e morrer pareceram-me boas opções. A vontade de ir embora daqui, do olho do furacão, reverberou em mim de maneira estrondosa. E, vezenquando, dá ainda o ar da graça. Que essa ansiedade, essa tensão, esse medo do mundo, essa sensação de perdida e de vazio sejam recompensadas com um futuro na calma e na paz que eu mereço. Porque não é certo viver para sempre em bipolaridade. Não quero, depois de tanto fundo no poço, uma vida de elocubrações e explosões, de racionalidade e de lágrimas. Eu quero paz e sorrisos, nada mais, nada menos.
É inevitável o medo de ficar sozinho, de não dividir com mais ninguém, de não ter companhia na vida. E conviver consigo mesmo depois de tanto tempo como casal é realmente uma experiência dolorosa. É preciso recuperar a auto-estima. É preciso reconhecer que a felicidade está dentro de si. É preciso enxergar o mundo ao redor, a vida e as pessoas com olhos de esperança e manter o coração aberto como quando se é criança, sem estampar as cicatrizes para que eles não sejam magoadas. Não se deve esquecer o que se foi, o que se perdeu, nem todas as lembranças. Viver o luto é como reabilitação de viciado. Um dia de cada vez. Baby steps. Não saber o que sobrou depois que metade de si foi arrancada é, sim, perfeitamente normal.
E como viciado em recuperação, é preciso reconhecer e desfrutar das pequenas alegrias que surjem no meio do pior pesadelo que se tornou real. Amigos verdadeiros, risadinhas de bebês, viagens inesquecíveis, uma cosquinha no coração... E que esses pequenos alentos aquietem a alma e afugentem a amargura. É preciso segurar firme neles para emergir do afogamento. Só eles devolvem um pouco do fôlego para continuar remando. A memória da força e da segurança de quando éramos mais de um serve de abrigo para aqueles que restaram e sobrevivem na ausência, na falta e na dor. E que o cansaço, inevitável, seja superado a cada novo amanhecer.
Não há nada que dê uma resposta aceitável, plausível. Nem arte nem religião. Nem ciência nem fé. Nem experiência nem desígnio. Não há nada que faça a sensação de revolta, de que puxaram seu tapete, de que o mundo está de cabeça pra baixo, sair de dentro. Mas não procurar respostas e motivos é a maneira mais fácil de lidar com isso. É só seguir a despeito de tudo. E fazer tudo algumas vezes como expectador de si mesmo, como se fosse a história de uma outra pessoa, com o distanciamento de quem assiste; em outras, como artista, como ator, como cantor do próprio destino.
E se, em alguns momentos a sanidade, a coerência, a razoabilidade e o equilíbrio sumirem, que haja perdão, porque tudo que nos resta, depois de encarar a morte de frente, é o amor por aquela pessoa que não mais está.
* Este texto me surgiu depois da leitura do blog "As perdas e o luto", cuja autora publicou essa música do Oswaldo Montenegro ontem e disse que achava que parecia a descrição da viuvez.
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem
inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(Oswaldo Montenegro)
Ser derrubada pelo vendaval de se perder quem se ama, gera uma série de sentimentos contraditórios e intensos na gente. Sem dúvida nenhuma, no meu processamento da dor, o medo foi o principal deles, o mais presente, o mais constante. Medo de não conseguir fazer tudo sozinha, de não dar conta, de não conseguir criar meus filhos, de não conseguir manter um padrão mínimo razoável de vida, de não encontrar mais ninguém, de ficar sozinha para sempre, de deprimir... Medo de carro, de trânsito, de tráfego, de estrada... Medo de morrer e deixar meus filhos órfãos, medo da burocracia, das contas, das dívidas... Medo, medo, medo. E, no meio do caos, foi preciso redescobrir aquilo que eu buscava, os meus próprios valores, o meu caminho. A morte de parte do que eu tinha, não só do meu amor, mas também de grande parte da minha vida, dos meus sonhos, dos meus projetos, dos meus planos, do meu futuro; não me fez calar. Pelo contrário, me fez falar e escrever, escrever, escrever... Mas grande parte do que me dói agora dói em silêncio, só de vezenquando essa dor dá seus gritos.
Ainda sou capaz de ouvir a música da minha vida tocando e, embora tenha sido este um momento, um ano inteiro, muito triste, eu consegui dançar no ritmo que me foi imposto. Esse amor que me acompanhou, me transformou, me tornou o que eu sou não pode simplesmente deixar de existir. Ele persiste amando o meu Thi, ainda que ele não esteja mais aqui. Porque a gente não se acostuma nunca com a partida nem com a saudade. E o amor que nos uniu transcende a matéria. É um amor pelo que ele é. E o que ele é ainda existe em mim e nos pequenos.
A pessoa que me tornei depois disso não é nada além, não é mártir, não é perfeita, nem mais forte, nem mais guerreira que ninguém. A pessoa que me tornei depois disso tudo é apenas o cômputo final de perdas e ganhos, partidas e descobertas. A pessoa que me tornei depois de tudo isso é apenas o que dá pra ser. Não sou modelo, exemplo, paradigma. Nada do que eu faço e sou serve para mais alguém, que não eu mesma. E é preciso respeitar minhas decisões e atitudes, porque eu me agarrro àquilo que me resta e conheço minhas limitações. Antes de cada decisão, muitas vezes eu escuto os outros; muitas vezes eu decido no instinto e em silêncio.
Em alguns momentos, sumir, desaparecer e morrer pareceram-me boas opções. A vontade de ir embora daqui, do olho do furacão, reverberou em mim de maneira estrondosa. E, vezenquando, dá ainda o ar da graça. Que essa ansiedade, essa tensão, esse medo do mundo, essa sensação de perdida e de vazio sejam recompensadas com um futuro na calma e na paz que eu mereço. Porque não é certo viver para sempre em bipolaridade. Não quero, depois de tanto fundo no poço, uma vida de elocubrações e explosões, de racionalidade e de lágrimas. Eu quero paz e sorrisos, nada mais, nada menos.
É inevitável o medo de ficar sozinho, de não dividir com mais ninguém, de não ter companhia na vida. E conviver consigo mesmo depois de tanto tempo como casal é realmente uma experiência dolorosa. É preciso recuperar a auto-estima. É preciso reconhecer que a felicidade está dentro de si. É preciso enxergar o mundo ao redor, a vida e as pessoas com olhos de esperança e manter o coração aberto como quando se é criança, sem estampar as cicatrizes para que eles não sejam magoadas. Não se deve esquecer o que se foi, o que se perdeu, nem todas as lembranças. Viver o luto é como reabilitação de viciado. Um dia de cada vez. Baby steps. Não saber o que sobrou depois que metade de si foi arrancada é, sim, perfeitamente normal.
E como viciado em recuperação, é preciso reconhecer e desfrutar das pequenas alegrias que surjem no meio do pior pesadelo que se tornou real. Amigos verdadeiros, risadinhas de bebês, viagens inesquecíveis, uma cosquinha no coração... E que esses pequenos alentos aquietem a alma e afugentem a amargura. É preciso segurar firme neles para emergir do afogamento. Só eles devolvem um pouco do fôlego para continuar remando. A memória da força e da segurança de quando éramos mais de um serve de abrigo para aqueles que restaram e sobrevivem na ausência, na falta e na dor. E que o cansaço, inevitável, seja superado a cada novo amanhecer.
Não há nada que dê uma resposta aceitável, plausível. Nem arte nem religião. Nem ciência nem fé. Nem experiência nem desígnio. Não há nada que faça a sensação de revolta, de que puxaram seu tapete, de que o mundo está de cabeça pra baixo, sair de dentro. Mas não procurar respostas e motivos é a maneira mais fácil de lidar com isso. É só seguir a despeito de tudo. E fazer tudo algumas vezes como expectador de si mesmo, como se fosse a história de uma outra pessoa, com o distanciamento de quem assiste; em outras, como artista, como ator, como cantor do próprio destino.
E se, em alguns momentos a sanidade, a coerência, a razoabilidade e o equilíbrio sumirem, que haja perdão, porque tudo que nos resta, depois de encarar a morte de frente, é o amor por aquela pessoa que não mais está.
* Este texto me surgiu depois da leitura do blog "As perdas e o luto", cuja autora publicou essa música do Oswaldo Montenegro ontem e disse que achava que parecia a descrição da viuvez.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O que é mais difícil.
O que é mais difícil é controlar aquilo a que a gente quer dar vazão. O que é mais difícil é esconder o que a gente mal consegue suportar sentir. O que é mais difícil é ser durona, é se fingir de forte, quando, na verdade, não se é mais que uma mulherzinha cheia de mi-mi-mi e ideais românticos adquiridos após anos e anos ouvindo histórias de conto de fadas, príncipes em cavalos brancos e princesas sendo felizes para sempre. O que é mais difícil é querer colo, cafuné, massagem no pé, beijo no pescoço e não ter nem a possibilidade de. O que é mais difícil é dormir sonhando com o ombro onde chorar as lágrimas e a perna onde jogar a perna e não, nada, nem. O que é mais difícil é carregar o peso sozinha, é ter de se adequar às expectativas sociais, ser recatada, comedida, serena e chorosa; quando você quer fazer as coisas do seu jeito e no seu tempo. Chorar quando as lágrimas transbordarem e bater perna e beber quando quiser anestesiar a dor. Ficar deprimida e calada num quarto escuro e cair na balada e dançar até o cabelo grudar na nuca. E que se lasque a opinião alheia! Que se lasque que acham cedo! Que se lasque o mundo todo! Porque na verdade, no final do dia, no fim do mês, no final das contas é com você mesma que você terá que se entender e a (ir)responsabilidade pela sua vida é sua e só sua. O que é mais difícil é querer voltar no tempo e reviver. Impossível. O que é mais difícil é querer só mais uma vez aquele abraço. E nunca mais. O que é mais difícil é querer a opinião dele sobre cada e tantas coisas e se adaptar a pensar no que ele diria se. O que é mais difícil é ver doces possibilidades e temer. ME-DO! O que é mais difícil é querer se jogar e pensar antes e controlar a impulsividade e dar para trás. O que é mais difícil é ter essa liberdade ampla e irrestrita de agora e querer tanto as felizes algemas de antes. O que é mais difícil é sair sozinha, não ter companhia, estar com a turma de casais, ir a festas infantis, reunião de pais, datas especiais... O que é mais difícil é conviver com a solidão do colchão. O que é mais difícil é o domingo à noite, o sábado à noite, a sexta à noite, todas as noites... O que é mais difícil é responder questões que você nunca nem imaginou a resposta para um ser tão inocente e puro e que não merecia ter esses questionamentos nessa fase da vida. O que é mais difícil é ter de lidar todo dia com uma ausência, com um buraco, com uma falta que, não importa aonde vá, persegue e grita e clama por atenção, mesmo que você esteja distraída. O que é mais difícil é vestir aquela roupa e não ter aquele elogio. O que é mais difícil é acordar e não ter com quem extravazar o mau humor. O que é mais difícil é sentir falta de toque, de mão, de beijo, de aperto, de amasso, de língua e rien de rien. O que é mais difícil é pensar no futuro a médio e longo prazo; é pensar nos pequenos crescendo sem aquele olhar e sem a experiência; é pensar no adolescer deles sem o referencial masculino; é pensar nas vitórias e conquistas (que assim espero) eles alcançarão sem a vibração da corujice dele; é pensar na velhice sem a perspectiva de companhia; é pensar nas viagens que planejamos e não fizemos; na festança de casamento que planejamos e não fizemos; na vida que teríamos no apê novo que planejamos e não fizemos. Nem faremos. O que é mais difícil é pensar que se pensou em suicídio como solução. O que é mais difícil é ver a vida tomando rumos que não se esperava e nem se queria. O que é mais difícil é conhecer gente bacaníssima e pensar em como ele se daria bem com estas pessoas. O que é mais difícil é seguir, sobreviver e viver. Mas é preciso.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quando as borboletas começam a bater asas
Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, parece com aquela sensação de quando o juiz marca um penâlti a nosso favor na final da Copa. Parece com receber, em plena quarta-feria, no meio do expediente, um enorme presente surpresa embrulhado em um lindo papel com um laçarote vermelho, sem saber quem mandou. Parece aquela brisa que anuncia a chuva que vai cair (porque chuva no nordeste é coisa boa). Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, é muito difícil controlar essa sensação, desviar o pensamento, mudar o foco, pensar em outra coisa, fazer com que elas parem. Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, perde-se um pouco do tom severo que a adultice impõe, perde-se o medo de pagar mico, de ser piegas, do ridículo. Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, a gente esquece o passado dolorido, esquece as feridas e cicatrizes, esquece quem é, de onde veio e o rumo que estava tomando, esquece os problemas, as dívidas, os afazeres. Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, vê-se de novo arco-íris no céu, estrelas cadentes e trevos de quatro folhas. Há uma certa magia ao redor de quem tem borboletas batendo asas dentro de si e tudo que acontece ganha um encanto diferente. Há um sorriso estampado no rosto de quem tem borboletas batendo asas dentro de si, como se o farfalhar delas fizesse cócegas na alma. Há sempre um aura de serenidade, porque a sensação, embora haja essa ansiedade evidente, é de que tudo, tudo, tudo vai dar pé. Há esperança nos olhos de quem tem borboletas batendo asas dentro de si, há uma chama, há uma meiguice para consigo e para com o mundo. Há esse constante transbordamento de boas vibrações, de energia positiva, de carinho... Quando as borboletas começam a bater asas dentro da gente, só nos resta torcer para que fiquem por muito tempo porque a gente sabe que é o indício mais real da felicidade que se aproxima. A gente sabe que nem todo mundo consegue. As borboletas não vêm para todos. Mas ó: tô aqui, hein? Querendo, é só chegar!
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Yes, I'd rather hurt than feel nothing at all*
Eu sempre me jogo nas coisas e acredito nas pessoas. Tenho pressentimentos bons e outros nem tanto e costumo confiar no que sinto. Às vezes, aposto alto. Outras, nem a pau, Juvenal. Mas eu sei que eu sou 8 ou 80 porque não gosto mesmo de meio termos. Eu sou intensa. E, na maior parte das situações, saber o que eu não quero me ajuda a excluir uma centena de opções e seguir em direção ao que me é mais atraente. Algumas vezes, uma porta na cara. Algumas vezes, uma rasteira. Mas quando dá tudo certo, é lindo de se ver o brilho no olhar e aquela sensação gostosa de que a vida toda faz sentido e o mundo é perfeito e que cada coisa está em seu devido lugar.
Nesse momento, tenho andado apostando alto e tendo bons pressentimentos, ambos me permitem correr para aquilo que me parece extremamente atraente e que pode, dependendo do que aconteça, me devolver esse brilho no olhar e a sensação de eixo, segurança e paz. Mas se não for, I'd rather hurt than feel nothing at all. E tenho dito!
* Verso da música Need you now - Lady Antebellum
Nesse momento, tenho andado apostando alto e tendo bons pressentimentos, ambos me permitem correr para aquilo que me parece extremamente atraente e que pode, dependendo do que aconteça, me devolver esse brilho no olhar e a sensação de eixo, segurança e paz. Mas se não for, I'd rather hurt than feel nothing at all. E tenho dito!
* Verso da música Need you now - Lady Antebellum
domingo, 24 de outubro de 2010
As minhas pessoas
Não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público. Tem gente que vive em franca exposição, tem gente que não sabe dizer não e impor limites, tem gente que se torna melhor amigo em segundos. Eu não. Não consigo, não dá. Por mais que aqui e nas redes sociais haja um certo descortinamento da minha vida, em todos estes casos, é visto apenas aquilo que eu quero que vejam. Na rotina, no fringir dos ovos, eu elejo ou sou eleita. E a minha vida privada é dividida com alguns.
Uma vez me disseram que ler o blog é como ver fotos de uma viagem. Não se sabe realmente o que foi feito, não se sabe exatamente da emoção, não se sabe se o pé doía, se houve uma situação engraçada, se se saía de um restaurante ou de uma balada, não se sabe o motivo daquela risada tão gostosa, não se sabe dos detalhes. Cada texto do blog é uma foto de alguns momentos meus, é um aprisionamento de alguns sentimentos, é a eternização de uma situação. As histórias de verdade, as histórias que motivam a foto, o que há por trás, só alguns sabem.
Estes que sabem são as minhas pessoas, a minha tribo, aqueles com quem divido... Não são muitos e são muito queridos, com eles eu sinto a síndrome do pequeno príncipe, eu quero sempre mais perto, as conversas nunca são suficientes para matar o assunto todo, o tempo nunca é suficiente para matar a saudade que se sente, e a vida toda não será suficiente para mostrar o carinho e a gratidão que sinto. Enfim, não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público.
PS: Dea e Saboia, nem preciso dizer que vocês estão no grupo, né? Parabéns pelo primeiro aniversário de casamento. Sejam muito, muito, muito mais felizes! Tipo assim, no limite máximo possível!
Uma vez me disseram que ler o blog é como ver fotos de uma viagem. Não se sabe realmente o que foi feito, não se sabe exatamente da emoção, não se sabe se o pé doía, se houve uma situação engraçada, se se saía de um restaurante ou de uma balada, não se sabe o motivo daquela risada tão gostosa, não se sabe dos detalhes. Cada texto do blog é uma foto de alguns momentos meus, é um aprisionamento de alguns sentimentos, é a eternização de uma situação. As histórias de verdade, as histórias que motivam a foto, o que há por trás, só alguns sabem.
Estes que sabem são as minhas pessoas, a minha tribo, aqueles com quem divido... Não são muitos e são muito queridos, com eles eu sinto a síndrome do pequeno príncipe, eu quero sempre mais perto, as conversas nunca são suficientes para matar o assunto todo, o tempo nunca é suficiente para matar a saudade que se sente, e a vida toda não será suficiente para mostrar o carinho e a gratidão que sinto. Enfim, não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público.
PS: Dea e Saboia, nem preciso dizer que vocês estão no grupo, né? Parabéns pelo primeiro aniversário de casamento. Sejam muito, muito, muito mais felizes! Tipo assim, no limite máximo possível!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Depois do vendaval
A gente aprende um monte de coisas depois de sobreviver a um vendaval. Por exemplo, é preciso dar valor somente àquilo que tem importância. É real, é clichê, é a coisa mais batida que existe, como naquela história de um professor que ensinou aos alunos que as coisas mais importantes da vida eram como as pedras que deveriam ser colocadas primeiro no frasco e só depois os pedregulhos, e depois a areia, e depois a água... Então, é isso mesmo, a gente aprende que deve se concentrar no que mais importa primeiro. A gente descobre também que poucas coisas são capazes de abater, de mudar seu humor, seu ânimo... Até mesmo se aquilo para o que você canalizou todo seu foco e sua atenção, todo seu investimento psicológico, não deu certo; até mesmo se algumas pendências tiram o sono; até mesmo se você se depara com obstáculos aparentemente muito maiores do que sua força; você descobre que quase nada é um problema assim tão grande. Que passa. Que é fácil contornar isso porque você já passou por coisa pior (bem pior). A gente entende que a vida é sutil, é tênue e que estamos sempre por um fio e que, ainda assim, é preciso se preparar para as imprevisões. A gente percebe que o que há de mais valoroso é justamente aquilo que todo mundo tem: as pessoas e os sentimentos que unem. Não adianta nada estar preparado para as imprevisões, ter tudo minimamente planejado, ter a vida inteira organizada se a gente não tem pessoas e sentimentos. Já dizia o poeta que é impossível ser feliz sozinho. Concordo. Não dá mesmo. Tem coisa que eu até já sabia antes, mas agora eu tenho mais que certeza: a gente tem que ser fiel aos nossos sentimentos e arriscar. O medo do sofrimento só acarreta o travamento da vida. Se sentir vontade mesmo, se joga. Não adianta nada a gente se prender aos padrões sociais, ao que se acha que é correto, ao que esperam que seja feito, quando tudo que mais se quer intimamente é fazer o contrário. Fazer as coisas do nosso jeito e no nosso tempo deixa a gente muito mais feliz por ter tomado todas as decisões de acordo com as nossas próprias convicções. É também preciso se desprender de vícios, de hábitos... Fazer tudo sempre do mesmo jeito não é bom. É quando a gente consegue se desvencilhar das condutas costumeiras, dos nossos padrões incoerentes de pensamento e comportamento, que a gente consegue verdadeiramente a liberdade. Quando imprevistos acontecem, saber mudar é fundamental e estar livre dessas amarras é o que nos permite superar. A gente muda quase sem querer depois de um vendaval. Quando se dá conta, existe dentro de você outra pessoa completamente diferente. E digo mais: o novo ser que surge é muito mais forte, mais inteiro, mais em pé do que o anterior.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Ouvindo os outros
De nada vale sua ansiedade, menina... De nada vale essa pressa em agarrar o mundo todo com as mãos e tentar fazer com que as coisas aconteçam do seu jeito e no seu tempo. Não vale nada essa sua vontade de que o ano que vem seja amanhã. Não adianta, não é assim que funciona. E olha: é preciso conviver com as pessoas para conhecê-las de verdade. É preciso passar pelos problemas para aprender a lidar com eles. É preciso sobreviver ao aperreio financeiro para aprender a lidar com dinheiro, saber que ele não é o fim de tudo, mas apenas um meio para. Pára de roer essas unhas, menina! Pára de cutucar as cutículas! Essa tua ansiedade toda só vai te render uma gastrite. Já disse que as coisas todas da vida têm seus momentos certos para acontecerem e absolutamente tudo - de bom ou ruim - que acontece serve para nos impor uma lição, para nos fazer crescer. É, é verdade, é muito ruim passar por tanto sofrimento e realmente ninguém mereceria viver o que você viveu. Eu também acho que ser adulto é um saco. Concordo com você que é cruel, que é triste, que faz muita coisa perder sentido. Mas e aí? Vai passar o resto da vida fazendo o papel da coitadinha? Vai seguir de cabeça baixa e chorando? Vai permanecer com essa cara de velório, olhos vermelhos, nariz entupido, toda inchada pra sempre? Vai tomar remédio pra dormir até quando? Nem! Você sabe tanto quanto eu que tem que continuar. Você sabe tanto quanto eu que é preciso seguir em frente e voltar a sorrir e querer outro amor e sair e conhecer gente e viver e viajar. Você sabe tanto quanto eu que ser feliz de novo depende de uma escolha íntima e pessoal que só você mesma pode fazer. Não vou repetir, até porque você já tá cansada de ouvir, de que você tem a vida inteira pela frente e muita coisa ainda para fazer. Não é preciso repetir isso, né? Então respire fundo, conte até dez e conte de novo, lenta e pausadamente, concentre-se nas tarefas que são pra ontem, concentre-se nas coisas do hoje e deixa pra pensar nos afazeres, nas contas, nos problemas de amanhã se o amanhã efetivamente chegar. Seja feliz agora, menina! Seja intensa agora, menina! A sua intensidade é o que há de melhor em você, é o que faz você ser o que é, é o que torna encantador chegar perto de você. A gente vê uma mulher, mas você é uma menina, menina! A gente vê decidida, a gente vê adulta, a gente vê forte; mas eu bem sei que você se perde em devaneios e só quer proteção e colo. A gente vê linda e sensual, mas eu sei da beleza que há dentro de você, menina! Não deixe que tudo se perca dentro do buraco negro da tristeza. Vá dançar no sapatinho, vá balançar seus cabelos ao vento, vá corar o rosto no sol... Tudo vai acontecer do jeito certo para que você reencontre a felicidade perdida, menina! Basta você querer.
* Baseado numa conversa real
* Baseado numa conversa real
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Eu quero tanto
Eu não quero ser sombra, reflexo, muleta, o que dá pra ser. Eu quero ser o corpo, a imagem, a perna, o que é. Eu não quero ser falta de opção, o que sobrou, o substituto, o sobrevivente; eu quero ser a primeira opção, o prato principal, o eleito, o vivente. Eu não quero ser segundo plano, eu quero ser objetivo. Eu não quero ser consequencia, eu quero ser razão. Eu não quero ser atalho, eu quero ser o caminho. Eu não quero ser coadjuvante, não quero ser acompanhamento; eu quero ser a estrela, o foco, o alvo. Eu não quero meio termo, morno, conveniente, razoável; eu quero avassalador, quente, inexplicável. Eu quero ser única, eu quero ser tudo, eu quero perder o ar, eu quero tanto...
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Outra dica de filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
Se a gente pudesse excluir da mente tudo aquilo que nos causa dor e sofrimento. Deletar, como um arquivo de computador, tudo que remete àquilo. Se isso fosse realmente possível, será que a gente ia ser mais feliz? Será que a gente ia conseguir? O filme te propõe essa reflexão. Será que você quer mesmo apagar tudo de bom? Todas as memórias? Os momentos vividos? Será?
Em se tratando de relacionamento amoroso, depois do filme, eu cheguei às seguintes conclusões:
1 - A gente não escolhe por quem vai se apaixonar. Acontece, sem querer, sem razão e contra tudo que você havia planejado. Nem sempre no momento mais oportuno, nem sempre do jeito certo. Simplesmente acontece.
2 - Quando alguém causa esse arrebatamento - convenhamos, pouquíssimas vezes na vida isso acontece -, mesmo que você delete tudo que viveu e comece all over again do zero, no momento que encontrar essa pessoa, vai sentir tudo de novo.
3 - Mesmo que exista na relação muitos pontos negativos e um final triste, ainda assim vale a pena, pelos muitos momentos bons vividos.
PS: Esse blog não é de cinema, só pra constar.
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Outra dica de filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
Se a gente pudesse excluir da mente tudo aquilo que nos causa dor e sofrimento. Deletar, como um arquivo de computador, tudo que remete àquilo. Se isso fosse realmente possível, será que a gente ia ser mais feliz? Será que a gente ia conseguir? O filme te propõe essa reflexão. Será que você quer mesmo apagar tudo de bom? Todas as memórias? Os momentos vividos? Será?
Em se tratando de relacionamento amoroso, depois do filme, eu cheguei às seguintes conclusões:
1 - A gente não escolhe por quem vai se apaixonar. Acontece, sem querer, sem razão e contra tudo que você havia planejado. Nem sempre no momento mais oportuno, nem sempre do jeito certo. Simplesmente acontece.
2 - Quando alguém causa esse arrebatamento - convenhamos, pouquíssimas vezes na vida isso acontece -, mesmo que você delete tudo que viveu e comece all over again do zero, no momento que encontrar essa pessoa, vai sentir tudo de novo.
3 - Mesmo que exista na relação muitos pontos negativos e um final triste, ainda assim vale a pena, pelos muitos momentos bons vividos.
PS: Esse blog não é de cinema, só pra constar.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Não aceito
Se tudo que se quer é a plenitude, se tudo que se quer é a doação e a entrega, se tudo que se quer é daquele jeito, no limite máximo possível, se tudo que se quer é integral; não aceite menos, não aceite pouco. Não aceite quando não houver entrega. Não aceite quando não for totalmente recíproco. Não aceite quando houver tangencialidades. Não aceite quando precisar ser secreto. Não aceite se a oferta não pretender eternidade. Não aceite mentiras sinceras e boas intenções. Não aceito.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Divago, logo existo e desisto.
Só porque eu quero tanto, não tenho.
Só porque eu penso tanto, o nada.
Só porque eu busco e me disponho, o vácuo.
Só porque eu quero intenso, tranquilo.
Só porque eu quero escandaloso e indisfarçável, secreto.
Só porque eu grito, silêncio.
Só porque eu tenho vontade de precipício, planície.
Só porque eu quero asas, rastejo.
Só porque eu quero raízes profundas, deserto.
Só porque eu quero muito mais, o mínimo.
Só porque eu quero eterno, efêmero.
Só porque eu quero seriedade, leviano,
Só porque eu quis tanto, desisto.
_________________________________________
Cansei das falsas promessas, dos discursos inflamados redigidos por especialistas em marketing político, das roupas pensadas e das máscaras que se sobrepõem ano após ano neste circo "democrático" em horário nobre. Cansei de ver o poder econômico se sobrepor às propostas. Cansei de assistir ao jogo de interesses e aos conchavos mais inverossímeis. Cansei de criar expectativa e acreditar em ideologias. Cansei de ver esse filme e de jogar esse jogo. Cansei de derramar suor e lágrimas em prol do bem maior. Cansei de pensar que "daqui pra frente tudo vai ser diferente". Cansei de esperar mais. Desisto.
Só porque eu penso tanto, o nada.
Só porque eu busco e me disponho, o vácuo.
Só porque eu quero intenso, tranquilo.
Só porque eu quero escandaloso e indisfarçável, secreto.
Só porque eu grito, silêncio.
Só porque eu tenho vontade de precipício, planície.
Só porque eu quero asas, rastejo.
Só porque eu quero raízes profundas, deserto.
Só porque eu quero muito mais, o mínimo.
Só porque eu quero eterno, efêmero.
Só porque eu quero seriedade, leviano,
Só porque eu quis tanto, desisto.
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Cansei das falsas promessas, dos discursos inflamados redigidos por especialistas em marketing político, das roupas pensadas e das máscaras que se sobrepõem ano após ano neste circo "democrático" em horário nobre. Cansei de ver o poder econômico se sobrepor às propostas. Cansei de assistir ao jogo de interesses e aos conchavos mais inverossímeis. Cansei de criar expectativa e acreditar em ideologias. Cansei de ver esse filme e de jogar esse jogo. Cansei de derramar suor e lágrimas em prol do bem maior. Cansei de pensar que "daqui pra frente tudo vai ser diferente". Cansei de esperar mais. Desisto.
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