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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ser feliz exige coragem

Olha, eu preciso que você acredite, você aí, que tá triste, abatido, deprimido, eu preciso que você acredite porque eu falo isso com conhecimento de causa e é verdade: VAI PASSAR! Seja lá o que foi que fizeram com você, que peça a vida pregou, que rasteira, que puxada de tapete, que porta na cara, que motivo de desesperança você tenha, o que levou a perder a fé, seja o que for que faça seu peito latejar numa dor que parece não ter fim, acredite: vai passar! A gente não sabe em que momento exato isso acontece, a gente não consegue antever nem sentir a transformação que vai acalmando tudo aos pouquinhos. A gente não sente a dor se esvaindo, desaguando para fora da gente. E tem até uns casos de quem se acostuma ao sofrimento de maneira tal, que mesmo em face de uma possibilidade de felicidade, se acovarda e se esconde, permanecendo no escuro de si justamente porque é lugar quente e conhecido. Mas até para estes casos, dos que se acomodaram na dor, eu afirmo: Vai passar!

Um dia qualquer, numa quarta-feira comum, no meio do trânsito infernal da hora do rush, sem querer, você se dá conta de que aquele quentinho no coração voltou, de que há uma paz ao seu redor, e de que há um sorriso tímido nos lábios, daqueles que tentam esconder a tonelada de felicidade que inunda o que há por dentro. Assim, sem que você se dê conta, a alegria de viver volta como ondas de uma maré enchendo, cada vez mais perto da sua costa, até que exploda nas pedras de contenção e inunde toda sua rua. A enchente da maré é inescapável e a força das ondas também e elas sempre nos alcançam e não é possível saber de antemão o tamanho do impacto e do alcance. O que se sabe, por certo, é que vai nos alcançar, nos acertar e nos derrubar e qualquer resistência, fuga, medo, parede de contenção, muralha, escudo, arma, não poderá impedir, nem conter, nem evitar.

O tempo é aliado da felicidade e juntos eles trazem as respostas para todas as desilusões que sofremos. As coisas se encaixam em algum momento e, do nada, num dia qualquer, a gente tem essa visão. Não que se deixe de sofrer pelo que se perdeu, pelo que se foi, pelo que não se alcançou e que se queria muito. Não que se esqueça, não que se apague a nostalgia do que foi embora para sempre. Não que não se lembre dos sonhos frustrados e das expectativas de tantos momentos felizes que foram construídos. Todavia, chega uma hora em que a gente olha para as teses apresentadas e entende a conclusão. A gente observa os pressuposto e vê um argumento lógico. A gente entende, não por resignação, mas por consciência de que as coisas surpreendentemente se assentaram.

Da mesma forma que fomos surpreendidos por peças traiçoeiras, o somos também por doces surpresas. E o coração da gente é bicho besta para surpresas agradáveis. Ele amolece, ele enternece, ele derrete. E, mesmo que seja um deslumbramento depois de tanto tempo no escuro, a gente se pega surpreendido admirando a lua e o céu, a gentileza das pessoas, um arco-íris, uma gargalhada, um bom filme, um café quente com pão de queijo, um queijo coalho com doce de leite recheando uma tapioca, uma mão que segura a mão, uma palavra de carinho numa manhã chuvosa, um abraço apertado de quem se quer bem. E, diante desses acontecimentos tolos, corriqueiros, a gente sorri profundo porque é o coração que está sorrindo também.

Haverá ainda adaptações, dissabores, vida ordenando maturidade, cobrança das responsabilidades assumidas e medo. Mas saiba - você pode até não acreditar nesse momento, pela dor que embaça a vista, pelo coração partido, pelo que impede o ar de entrar nos pulmões - que essa transformação ocorre e é uma delícia sentir. E quando essa paz, que só a felicidade é capaz de provocar, se hospedar no seu peito, você entenderá que a gente tira de cada fundo do poço nossas maiores lições. Somos, sim, capazes de sobreviver a todas as devastações e cataclismas e piores momentos. Somos, sim, capazes de sobreviver quando nossos piores pesadelos, maiores medos se tornam reais e se instalam na nossa vida.

Diante da sua superação inequívoca, e diante do calor que emana no seu peito, diante do sorriso estampado nos lábios, uns poucos acharão você leviano, uns outros sentirão felicidade ao assistir a sua, uns outros afirmaram que  é falsa e condicionada a drogas pesadas e de uso controlado, outros dirão que utopia, acomodação, desprendimento. É a cômoda e fácil opção dos que não entendem direito como se pode ser capaz de sentir de novo depois de sofrer tanto.

Uma vez vivida toda essa transição, uma vez superado o pior momento da vida, você saberá que ser feliz exige coragem. Coragem para se jogar, para sentir, para sonhar, para tentar de novo mesmo que o mundo pareça um não. Coragem para partir para guerra, enfrentar a luta, preparar a guarda, abandonar o medo, o preconceito, a ansiedade, a expectativa pela aceitação dos outros. É preciso coragem para meter as caras, arriscar e, então, tudo acontecerá baixinho dentro de você. Abandone os métodos aprendidos em anos de vida normal, abandone as teorias, os planos, os sonhos de antes, abandone a insegurança, a perspectiva da decepção. É preciso ter CORAGEM! Quando chegar a hora de guerrear pelo que manda o coração, seja forte, prepare todas suas reservas, e lute. Porque a gente não tem garantia de nada, não tem contrato de permanência, não tem prazo, não tem cronograma predeterminado, mas a gente sabe que o objetivo final é tão-somente ser feliz.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Licença para viver

Será mesmo que a gente precisa de autorização? Será mesmo que a opinião dos outros importa? Será mesmo que é preciso pedir licença para viver de novo? Será mesmo que é preciso dar satisfação da sua vida, do seu particular, do seu mundinho para todo mundo? Será que eu preciso explicar que a minha história continua e que muitos capítulos ainda virão? Será que eu preciso fazer as pessoas entenderem que o momento e a hora certos dependem única e exclusivamente da minha vontade? Será que eu preciso desenhar que ninguém mais tem ingerência sobre a minha vida? Será que eu não posso me dar o direito de me permitir? de pirar um pouquinho? de tirar os pés do chão? Será mesmo que é terrível demais eu querer ter um sorriso no rosto? Será mesmo que é inconcebível querer o gostinho de sonho de novo?

Eu tenho respostas para todas essas perguntas e, por isso e por muitas coisitas más, eu vou ali e já volto, tá?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pra já

''Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas.
O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente."(Ana Jacomo)

Eu bem sei o que é achar que não há mais alternativas, sei o que é viver sem ter expectativa alguma, um dia de cada vez, suportando só por hoje, inspirando e expirando e achando que o peso e a dor são demais, são para além da força que se tem. Eu bem sei como é achar que a vida perdeu o encantamento, a graça, a cor. Eu bem sei o que é deixar de viver para apenas sobreviver, sem ânimo e sem coragem. E é justamente por isso que eu posso dizer que a possibilidade de recomeço, assim, sem mais nem menos, nos é dada diariamente. Sem contraprestação alguma, sem cobrança, sem exigências. Ela vem de graça, diuturnamente, num sorriso de criança, numa mão estendida, num abraço amigo, num ombro para deitar a cabeça... Quando se está no centro da dor (e a gente fica mesmo dentro dela, porque ela não cabe na gente), a vista embotada impede que esses nuances sejam vistos, mas eles permanecem lá, nos melhores e nos piores momentos. Todos os dias, a vida nos dá lições de ser feliz, nosso maior erro é condicionar a felicidade para um SE ou um QUANDO. E, assim, acaba-se por adiar o que pode ser vivido agora. Não se sabe se SE nem se QUANDO, a gente só tem por certo o que é, o que existe, e por isso mesmo a felicidade é pra ser conjugada e vivida exclusivamente no presente do indicativo. Rabisque a folha de papel em branco que lhe é dada a cada dia, ao despertar. Faça desenhos coloridos e muitos sorrisos. Aproveite cada fresta de sol e cada gota de chuva. A gente não sabe mesmo quanto tempo tem e é exatamente por isso que devemos encarar cada dia como uma oportunidade de recomeço e de felicidade, ainda que não seja exatamente como planejamos, ainda que não esteja tudo em seus devidos lugares. Sejamos francos: quase nunca é exatamente como foi planejado, quase nunca tudo está no lugar. Então, por que não? Ser feliz é pra já!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Republico

sexta-feira, 21 de agosto de 2009


É a sensação, enfim, de estar completo

A gente passa a vida inteira procurando esta sensação de plenitude, de completude, de felicidade. A gente vive essa ânsia e esse desconforto. A gente busca em outras coisas a razão de ser, o motivo para estar aqui. A gente pensa em virar mesas, em mudar o mundo, em causas sociais, em religiões, em filosofias, em política... A gente busca, a gente procura, a gente revira cada pedra do moinho e cada acontecimento marcante a fim de descobrir para que e o porquê de estar aqui nesse mundo louco e árido e cruel e injusto e violento. A gente cai nas histórias mal contadas. A gente dá cem vezes com a porta na cara. A gente bate a cabeça na parede com gosto de gás. A gente afoga magoas, entorna garrafas, usa drogas pesadas... E o vazio continua lá.

Até que um dia, num exame de rotina, quando menos se esperava, quando você estava mais abarrotada de coisas pra fazer, quando seu celular tinha descarregado, quando você nem mais acreditava que era possível, quando não era o melhor momento, quando você absolutamente não tinha planejado nada, você recebe a notícia de um médico desconhecido: "Parabéns, Doutora! A senhora está grávida!".

Depois do susto, depois do medo, depois do parto, depois de anos, você descobre que era para isso, era essa a razão de ser, era isso que você procurava. Não sei precisar o momento certo em que essa epifania ocorre. Não sei se à primeira vista, ao primeiro choro, na primeira noite insone, quando o sorriso dele mostra o reconhecimento desse laço infinito ou se quando ele expressa o amor que sente em gestos diminutos como seu tamanho. Não sei. A Ivete diz que agora já sabe, eu prefiro um poema do Pedro Lyra que me traduz:

Soneto do Amor Nascendo

Começa.
É a própria vida que começa
(ou recomeça)
ao talhe de um clarão.

E raia
esplende
espalha-se no mundo
como se nunca mais fosse apagar-se.

Tudo realça além do seu sentido.
O ser encontra em outro a sua razão.
Agora é desfrutar
conter o tempo
entre os dedos
os lábios
ou as coxas.

Só para isso vale ter nascido.

Tudo que nos faltava nos acorre
num desafio

num toque
num sussurro
que o outro retribui
maravilhado.

É a sensação, enfim, de estar completo
num mundo que, afinal, se justifica.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Boa notícia

Eu sempre disse aqui que fui jogada no fundo do poço e que lá tinha uma cama quentinha, na qual fui embrulhada com um lençol humano de amizade, carinho e amor. Muitas pessoas me leem desde a época do Aberta ao Mundo. Alguns já me visitavam na época da vida tranquila e feliz, no meu período esposa e mãe. Todavia, é inegável que o acesso ao blog cresceu exponencialmente depois do janeiro trágico. Um montão de visitas diárias e muito apoio. Recebo email quase que diariamente de gente comentando que me lê caladinho, que me acompanha e torce e vibra anonimamente. E, por isso e por algumas coisas mais, quando eu falo sobre o blog eu sempre digo que eu tenho uma torcida.

Muita gente que eu conheci virtualmente tornou-se real na vida. Gente que eu ainda não vi, mas com que converso diariamente e troco dezenas de emails dando notícias do que está acontecendo por aqui. Gente que eu conheci e que implantei no meu rol de amigos, daqueles que a gente convida pra aniversário do filho, daqueles que a gente encontra com prazer e abraça apertado. Gente com quem converso virtual e por telefone diariamente e que sabe do meu caminhar, das minhas alegrias e dos meus momentos de dor também. Eu tenho uma torcida e é por tê-la que vim dividir uma boa notícia aqui.

Porque eu não teria conseguido sem vocês; porque eu não estaria em pé sem esse exorcismo, essa expectoração terapêutica; porque vocês ouviram todos os meus lamentos e me deram muito apoio em cada uma das conquistas; eu venho dizer que a saga do apartamento chegou ao fim ontem, com a assinatura do contrato na CAIXA. Agora ele é meu. É claro que agora eu também sou devedora de referida instituição financeira por mais 180 meses, mas eu tô feliz demais! Muitos motivos para comemorar!

Vocês foram solidários na dor e na alegria. Obrigada a todos pela torcida, por cada palavra/email/telefonema, por cada oração, por cada prece feita por mim e pelos pequenos, por cada minuto do dia em que pensaram em nós e mandaram uma energia positiva, por cada abraço apertado, por cada companhia... Obrigada, meus queridos! Muito obrigada!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Para Zuzu- Rafaela

Seja bem-vinda, menina!

Já já você dará o ar da graça nesse mundo, vai encher o coração da sua mãe de amor e a cabeça dela de sentido e equilíbrio e altruísmo e eu espero que de juízo também. Vai encher o coração de muitos que a cercarão de doçura. Saiba, Rafaela, que mesmo nos momentos turbulentos, você foi/é/será muito amada e querida.

O mundo não é o paraíso, Rafaela. Não é fácil estar aqui. Mas a lição mais importante que você já vai nascer sabendo é que o que há de mais valioso aqui são justamente as pessoas. Faça amigos, querida. Muitos, diferentes, especiais, loucos, sérios... Faça amigos como a sua mãe sabe fazer. Faça com que eles estejam sempre por perto, sempre ao seu lado. Perceba aqueles com quem você pode contar para tudo e qualquer coisa e aqueles que são companheiros eventuais para situações específicas. Nenhum espécime é melhor que o outro, mas você precisa saber distingui-los.

Seja bem vinda, Rafaela! Viver necessita de que se esteja preparado para tudo, então se prepare. Aproveite tudo que estiver ao seu alcance para guardar munição para os inevitáveis momentos de batalha. Entenda, desde logo, que a felicidade não está lá no ponto de chegada. A felicidade acontece no gerúndio. A felicidade é a escada, é o caminho, é o percurso. Nem sempre leve, nem sempre fácil, nem sempre plano, nem sempre bom; mas é subindo, caminhando, escalando que a gente chega em qualquer lugar. Keep walking... Não desistir é sinal de força, menina!

É preciso saber, Rafaela, que o mundo mudou, as pessoas mudaram e, muita embora exista no mundo uma gama severa de hipocrisia e preconceito, você precisa entender que nem todo mundo faz tudo igual, do jeito socialmente mais aceitável, do jeito que promove menos ti-ti-ti. Você não precisa ser aceita por todo mundo, você não precisa fazer aquilo que os outros esperam de você, você não precisa agradar a todos, mas precisa ser amada e precisa, mais que isso, se amar. Saiba reconhecer seus próprios valores, seu potencial, sua beleza e o amor que os outros devotam a você e retribua.

Olha, Rafaela, as lágrimas vão cair inevitavelmente em alguns momentos da sua vida (longa vida, eu espero); saiba aproveitar os sorrisos e gargalhar. Saiba dançar conforme a música, saiba ter jogo de cintura, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima quantas vezes for necessário. Sorria, menina! Você já vai chegar enchendo de graça e rosa um mundo duro e ápero, um mundo muitas vezes cruel. Que a sua presença entre nós seja motivo de alegria sempre.

Seja bem-vinda, Rafaela, e que sua vida seja doce, leve e rosa!!!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Felicidade compartilhada

Eu não sou diferente da maioria das mulheres que sonha com casamento de papel passado, com festa, bolo, vestido branco e buquê. Eu não sou diferente da maioria das mulheres que quer um homem ao seu lado, um cara apaixonado, um príncipe encantado do jeito torto e todo especial que só quem a gente ama consegue ter. Eu não sou diferente da maioria das mulheres que se imagina na própria festa de casamento, que sonha com o vestido antes mesmo de começar a namorar, que perde tempo pensando em detalhes da festa antes mesmo de encontrar alguém com quem casar. Eu não sou diferente da maioria das mulheres que sonha com um pedido romântico, com declaração de amor em público ou num jantarzinho íntimo.

A verdade é que eu me emociono com os velhos clichês românticos e, muito embora minha história tenha sido toda às avessas e um tanto quanto frustrada, eu ainda sonhava com e queria o véu, a festa, o para sempre do final. Ontem eu recebi a notícia do pedido de casamento mais romântico de que eu ouvi falar. Recebi a notícia por telefone, a - agora - noiva me contou em detalhes como foi pedida em casamento, na duna do pôr do sol em Jeri, com uma faixa gigante ao pé da duna, namorado ajoelhado, um amigo tocando a música deles no violão e uma amiga tirando fotos... Ela contando e as lágrimas correndo no meu rosto. Não consegui me conter porque não poderia ter sido mais especial e porque ela é, sem dúvida, a pessoa mais romântica que eu conheço.

Enquanto todo mundo vai ficando meio bruto, meio áspero, meio rude com a crueza das relações, com a necessidade de não demonstrar dependência e fragilidade, ela mantém o romantismo, as lágrimas nos olhos, os suspiros. E, apesar dela querer fazer as vezes de moderninha, no fundo, no fundo, ela também, como eu, adora os clichês. O pedido de casamento do homem com quem ela sempre esteve certa de que iria casar abre 2011 com um momento de felicidade que compartilho. Merece demais, não porque é minha amiga nem porque morro de amores por ela, mas e principalmente porque é uma pessoa que sabe, como poucas que conheço, amar alguém.

Sejam felizes, meus noivinhos mais queridos! Amo você, amiga! E agora amo ele também porque já faz parte da família!






PS: Estou numa vibe muito musical, e vindo trabalhar no meio do toró que desaba aqui em Fortaleza, eu só pensava nessa música: "Se chove lá fora, queima aqui dentro de vontade de te abraçar. Amor, quando chove, fica mais triste esperar por alguém que não vai chegar..."

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Feliz

Sabe quando você chega ao lugar para o qual corria faz é tempo? Sabe aquela sensação de ver o nome na lista do vestibular? Sabe ser o primeiro a cruzar a linha de chegada? Sabe quando o Brasil vence a Copa? Sabe quando você encontra uma nota de cinquenta reais esquecida num bolso qualquer? Sabe quando aquele carinha que faz seu coração bater descompassado liga? Sabe o tumtumtum do primeiro beijo? Sabe aquilo que se sente quando se toma conhecimento de que foi promovido? Sabe o sentimento de paz, de cada coisa em seu devido lugar e de que tudo vai dar certo? Somando todas estas sensações, você terá uma vaga ideia do que eu sinto neste momento.

GENTE, eu consegui! Eu tô aqui! E eu só quero é ser feliz!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ansiedade

E aí que dá frio na barriga, dá medo, dá ansiedade, dá vontade de roer a unhas (que estão enoooormes, descascadas e cheia de cutículas), dá vontade de que chegue logo, dá vontade de esperar mais um pouquinho, dá vontade de pular etapas e saborear cada pequeno passo, dá vontade de sair correndo de e para, ao mesmo tempo. Não consigo explicar direito as sensações, só sei senti-las e ficar completamente desnorteada por conta delas. Não sei quanto tempo vai durar, mas espero ver tudo se acalmar aqui dentro em breve.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Com a chave na mão!

Depois de uma passagem relâmpago no Cariri para uma audiência (foi ótimo reencontrá-la, Adalgiza, e mais ainda saber que é leitora!), voltei pra Fortaleza e, finalmente, recebi as chaves do apê novo. A sensação que eu tenho é que tô recebendo a chave do meu futuro, sabe? É como se agora fosse o resto da minha vida, é como terminar de ler o livro, é como sair do poço, é como chegar na praia, é como virar o ano, é como chegar à linha de chegada... Abriram-se as portas da esperança e tá tocando aquela musiquinha...

Os olhos cheios d'água, as mãos trêmulas. É a minha casa! É onde eu vou ser feliz! E eu vou já pra lá de mala, cuia e caregando dois pequenos pelas mãos. Vamos entrar todos com os pés direitos e abrir a garrafa de Monbazillac que eu trouxe de Paris. Vamos pendurar o olho grego na porta e colocar uma pimenteira na sala, armar uma rede na varanda e esperar a felicidade entrar lenta e de mansinho, para ali fazer seu porto e sua morada, e nunca mais nos deixar!

Viver é ter surpresas. Espero que, no futuro do presente que tenho aguardado, todas elas sejam gratas.

PS: Desculpem aí o texto sem pé e sem cabeça, mas é que eu não tenho estrutura hoje pra descrever o que eu sinto!

domingo, 25 de outubro de 2009

Just Married

Todo mundo tem amigos que gosta e quer bem. Tem os da escola, os da vizinhança, os da faculdade, os do trabalho... Mas dentre os amigos, tem aqueles que são como família pra gente, que são como extensões de nós mesmos. Por eles, a gente atravessa o país para passar o fim de semana fazendo confidências e bebendo um cervejinha num boteco. São eles que estão presentes nos grandes momentos da vida. Por eles, a gente também torra alguns reais na conta telefônica para dividir felicidade. É justamente para estes amigos que ligamos quando nos deparamos com as grandes encruzilhadas, momentos em que a vida dá uma reviravolta e em que a gente precisa de alguém pra nos substituir num plantão ou para ajudar a escolher entre duas opções diametralmente opostas. São as pessoas que dizem a coisa certa na hora certa. Dizem o que você precisa fazer e não o que quer ouvir. São as pessoas que a gente escolhe para ser padrinho do filho. São as pessoas que a gente tem certeza que vai carregar dentro de si para sempre. São as pessoas com quem a gente conta e confia os segredos mais íntimos. São as pessoas que nos fazem gargalhar, mesmo quando nos acordam de madrugada numa ligação DDD decorrente de embriaguez, mesmo quando apontam os nossos defeitos mais terríveis, mesmo quando não sabem exprimir o que sentem... São as pessoas que tornam a vida mais feliz e com quem a gente quer estar por perto sempre, se ja num luxuoso apartamento na capital paulista ou num cai duro na esquina. Temos poucas pessoas assim em nossas vidas.

Todavia, quando duas destas pessoas, tão especiais, tão queridas, tão amigas, tão nossas, se escolhem para construir uma vida juntos, resolvem se casar; não é possível exprimir em palavras cognoscíveis o sentimento que faz meu coração palpitar e meus olhos se encherem de lágrimas. Eu só consigo dizer que eu desejo, com todas as minhas forças, que sejam felizes PARA SEMPRE. E isso ainda é muito pouco perto da grandeza da convicção de que são mesmo o que há de melhor no mundo inteiro um para o outro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dividindo



Tudo que havia de mais importante no mundo inteiro estava atrás daquela mesa, ontem. Tudo que eu mais amo na minha vida simplória, todos aqueles que me fazem sorrir a cada dia, aqueles que fazem meu coração bater acelerado e se dissolver, aqueles que deram um sentido único à minha vida, aqueles que transformaram a minha relação com o mundo.

Nestes momentos é que eu percebo com clareza que tenho realmente uma vida PERFEITA, motivo pelo qual lamentações não têm lugar.

(Festa de aniversário do Thomás - 14/10/2009)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Obedecendo

Seu orkut me mandou compartilhar minha felicidade com os outros. Hoje mesmo. Seu orkut me mandou e eu só posso obedecer. Pois não.

Eis o motivo do sorriso que estampo.
Eis a razão para a vida colorida.
Eis o porquê de dizer sempre que eu encontrei o meu lugar.
Eis o que mantém meu coração aquecido.
Eis aquilo que me faz correr para casa depois da exaustão do trabalho.
Eis o que me motiva a olhar para frente, a pensar grande, a querer crescer.
Eis todo o meu tesouro.



PS: nem preciso dizer que eu me lembrei da tragédia que faz aniversário hoje. mas as tragédias devem ficar esquecidas no passado. isso, passou.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

É a sensação, enfim, de estar completo

A gente passa a vida inteira procurando esta sensação de plenitude, de completude, de felicidade. A gente vive essa ânsia e esse desconforto. A gente busca em outras coisas a razão de ser, o motivo para estar aqui. A gente pensa em virar mesas, em mudar o mundo, em causas sociais, em religiões, em filosofias, em política... A gente busca, a gente procura, a gente revira cada pedra do moinho e cada acontecimento marcante a fim de descobrir para que e o porquê de estar aqui nesse mundo louco e árido e cruel e injusto e violento. A gente cai nas histórias mal contadas. A gente dá cem vezes com a porta na cara. A gente bate a cabeça na parede com gosto de gás. A gente afoga magoas, entorna garrafas, usa drogas pesadas... E o vazio continua lá.

Até que um dia, num exame de rotina, quando menos se esperava, quando você estava mais abarrotada de coisas pra fazer, quando seu celular tinha descarregado, quando você nem mais acreditava que era possível, quando não era o melhor momento, quando você absolutamente não tinha planejado nada, você recebe a notícia de um médico desconhecido: "Parabéns, Doutora! A senhora está grávida!".

Depois do susto, depois do medo, depois do parto, depois de anos, você descobre que era para isso, era essa a razão de ser, era isso que você procurava. Não sei precisar o momento certo em que essa epifania ocorre. Não sei se à primeira vista, ao primeiro choro, na primeira noite insone, quando o sorriso dele mostra o reconhecimento desse laço infinito ou se quando ele expressa o amor que sente em gestos diminutos como seu tamanho. Não sei. A Ivete diz que agora já sabe, eu prefiro um poema do Pedro Lyra que me traduz:

Soneto do Amor Nascendo

Começa.
É a própria vida que começa
(ou recomeça)
ao talhe de um clarão.

E raia
esplende
espalha-se no mundo
como se nunca mais fosse apagar-se.

Tudo realça além do seu sentido.
O ser encontra em outro a sua razão.
Agora é desfrutar
conter o tempo
entre os dedos
os lábios
ou as coxas.

Só para isso vale ter nascido.

Tudo que nos faltava nos acorre
num desafio

num toque
num sussurro
que o outro retribui
maravilhado.

É a sensação, enfim, de estar completo
num mundo que, afinal, se justifica.

sábado, 15 de agosto de 2009

"Tudo muda o tempo todo no mundo..."

Eu era filha, hoje sou mãe.
Eu era namoradeira, hoje sou esposa.
Eu era independente, hoje tem quem dependa de mim.
Eu era inconsequente, hoje assumo todas as consequencias.
Eu era comunista, hoje sou consumista.
Eu era ingênua, hoje babo com a ingenuidade.
Eu assumia riscos, hoje eu protejo os pequenos deles.
Eu me preocupava com provas finais, hoje, em ter dinheiro no fim do mês.
Eu virava noites em baladas, hoje viro noites embalando.
Eu bebia para sorrir, hoje eu sorrio para bebês.
Eu andava de bicicleta, hoje eu vou guiando quatro rodas.
Eu nadava na piscina do prédio, hoje eu levo às aulas de natação.
Eu corria na praia, hoje eu construo castelos na areia.

Eu não canso de repetir: a vida mudou e eu encontrei o meu lugar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
(Grace, Érika, Sofia, Isabela, Suellen – velho e bom CJN; Paulo André, Gabriel, Falcão, Patrícia, Rochelle, Lician, Weslley, Vinicius, Ricardo, Camilla, Lanuzza – Turma 3º TELF)
Quantos você ainda vê todo dia (Nenhum)
Quantos você já não encontra mais… (eu ainda encontro as meninas do CJN e , muito de vez em quando, a Lanuzza)
Faça uma lista dos sonhos que tinha (Ir à cuba, fazer a revolução, passar no vestibular, casar e ter filhos, morar no exterior, viajar o mundo todo)
Quantos você desistiu de sonhar! (só mesmo de fazer a revolução)
Quantos amores jurados pra sempre (aaahhh...)
Quantos você conseguiu preservar… (muito poucos)
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
(em ambos, mas mais agora)
Hoje é do jeito que achou que seria? (é bem melhor)
Quantos amigos você jogou fora? (nenhum, mas fui jogada fora algumas vezes)
Quantos mistérios que você sondava,
Quantos você conseguiu entender?
(eu detesto os mistérios, desisti de sondá-los)
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
(disso eu posso me orgulhar: eu sempre detestei segredos)
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
(algumas poucas e irrelevantes)
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
(acredito que o melhor que havia em mim, em 1999, era a leveza com que eu levava a vida e que se tornou impossível)
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
(para sobreviver? nenhuma)
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?”
(das pessoas que eu amava naquele tempo, só meus familiares continuam me amando, assim espero, mas ganhei tantos novos amores)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Crescer

Eu descobri que crescer é inevitável. É dolorido eu sei, é cheio de tapas na cara, puxadas de tapetes, queixo caído, surpresas boas e outras bem ruins. Mas a gente cresce, não há como se mudar pra Terra do Nunca. Não aqui no mundo brutal e entregue às baratas em que vivemos.

A gente cresce ininterruptamente, um pouco mais a cada dia e, de repente, toma um susto com a adultice com o dedo na cara cobrando da gente decisões, escolhas e posturas que a gente nem queria tomar, fazer e ter. Não nos próximos 25 anos.

A gente cresce e acorda um dia com um marido do lado, filhos pequenos, empregada doméstica, emprego, secretária, contas e bens. A gente cresce e o grande problema é que tem dias em que a vida adulta é mesmo um porre, um chatice, para a qual ninguém foi preparado.

A gente cresce e sente as cobranças do mundo todo sobre a gente. Porque a gente tem que ser mãe, profissional (não traga seus problemas pessoais para o trabalho!), magra, gostosa, tem que fazer sexo, a gente tem que saber usar a maquiagem e seguir as tendências fashionistas, a gente tem que ter roupa legal, saber se portar, saber falar, saber se apresentar, saber vender, saber andar, saber contra-argumentar, saber usar os talheres (primeiro os de fora) e as taças corretas para água, vinho e espumante.

A gente cresce e tem que ler um monte de coisa para aquela tese, para aquele artigo, tem que ler os jornais e certos catedráticos e tem sempre uma lista enorme de, pelo menos, 35 livros que você adoraria ler ou filmes a que você adoraria assistir e simplesmente não arruma tempo para.

A gente cresce e os amigos que outrora eram vistos diariamente nos bares da esquina ou na faculdade, simplesmente foram embora, assumiram cargos e funções importantes. Eles cresceram também. A gente cresce e descobre que a revolução comunista foi um sonho que sonhamos meio sem acreditar, que mudar o mundo é tão fácil quanto aprender mandarim, que o seu maior sonho atual, na perspectiva da vida corrida que leva, é poder dormir até às 9 da manhã.

A gente cresce e os fins de semana regados a chopp e churrasco, se tornam cheios de leituras do trabaho, almoços familiares, playgrounds e crises existenciais pela folga da babá. Cresce e se dá conta de que a prestação do cartão de crédito tá quase chegando ao valor do salário do fim do mês e se contenta em ficar sem aquele perfume mara. A gente cresce e descobre que não se pode dizer tudo de uma vez, ainda que esteja extrapolando o coração; é sempre melhor contar até cem e respirar fundo. A gente cresce e aquela música que embalou tantos momentos toca na rádio no programa do túnel do tempo, ou fundo do baú, qualquer coisa que o valha.

A gente cresce e sabe que o tempo é um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho, que ele não para, e que dia sim, dia não, a gente sobrevive sem um arranhão. Mas no final das contas crescer é poder reconhecer que cresceu sem ao menos ter prestado atenção no processo todo e se dá conta de que não é possível voltar no tempo. Mas é também o processo de reconhecimento de si mesmo de tomar as rédeas da prórpia vida e decidir tudo sem ajuda de universitários.

Crescer faz crescer a nostalgia pelo período que passou, mas o período que está sendo será saudade dentro em breve. Por isso, eu reconheço que cresci e estou feliz aqui, com meus filhos, meus discos, meus amores e meus livros e nada mais.

domingo, 17 de maio de 2009

Sobre as minhas surpresas

Decidir ter um filho é um ato de coragem. Eu não escolhi ser mãe, eu me tornei uma. Eu não tive tempo de desejar, mas adorei a missão. A cada dia, me encanto mais com a tarefa, com os encargos e com as inúmeras satisfações. Concordo com quem diz que são muitos os transtornos, mas a recompensa... Essa, sim, não tem preço! Se tivesse planejado certinho, esperado a estabilidade financeira, a pessoa certa, o casamento, talvez nada tivesse acontecido como aconteceu. Mas tô aqui, às vésperas do 27º aniversário, com dois meninos pequenos correndo pela casa, a pessoa certa do lado direito da cama e feliz.

Há pouco mais de 3 anos, num exame ginecológico de rotina (ao qual fui sozinha e sem levar celular), fui avisada que estava grávida de poucas semanas. Na época, eu tinha um rolo com um ex-namorado que jamais tinha saído da minha vida, eu estava no último semestre da faculdade e planejava a majestosa festa de formatura, ganhava menos de R$ 1.000,00 por mês e, apesar do susto, eu nem sei porque, fiquei feliz.

Voltei pra casa com a sensação de que aquela poderia ser uma das poucas oportunidades de ser mãe na vida, uma vez que eu tinha um histórico de problemas ovarianos. Nem pensei no que minha mãe, minhas tias fofoqueiras, o pai do bebê, meu próprio pai poderiam dizer ou pensar. Eu teria meu filho!

A surpresa de saber que seria mãe não foi menor que a surpresa de ver que o ex-namorado queria ficar com a gente e que a minha mãe (que achava que iria morrer antes de conhecer os netos) ficou feliz com a notícia. Assim, em dois meses, eu tava morando num apartamento espaçoso, com o pai dos meus filhos. No dia do meu baile de formatura, usava um longo vermelho e carregava uma barriga de quase 7 meses de gravidez.

Antes mesmo do Matheus completar um ano, o Thi - meu marido - já queria outro filho. Em dezembro de 2007, prometi que engravidaríamos novamente em 2008. E exatamente 2 anos depois do primeiro susto, no dia 20/02/2008, descobri que estava grávida novamente. A surpresa veio do fato de ter parado o anticoncepcional há um mÊs apenas.

De tudo isso, a lição que tirei é que a gente não controla a nossa própria vida. Não dá pra planejar certinho nem calcular matematicamente o futuro. Aprendi que aquilo que é pormenorizadamente planejado tem uma tendência muito maior a dar errado. Já dizia Joseph Climber que a vida é uma caixinha de surpresas. Tenho certeza de que as surpresas que me foram reservadas foram as melhores possíveis. E que venham outras, mais surpreendentes e ainda mais felizes!

UPDATE: A gente vai casar ano que vem! As crianças serão os pajens!!!