A saudade que eu sinto hoje é uma saudade mais leve se comparada àquela lá do começo disso. É uma saudade que, vez ou outra, senta na minha sala e me faz respirar curtinho, derramar lágrimas e olhar nossas fotos de ontens bem felizes. Essa saudade de hoje está bem longe de ser devastadora, bem longe de ser aniquiladora e prostrante. É saudade de um tempo em que as coisas eram felizes, eram calmas, eram certas. Saudade da sensação de ter alguém para/por você, alguém em que se confiava e se sabia. Alguém cujo olhar era leitura e compreensão. Alguém cuja mão encaixava perfeitamente na curva da sua cintura e por sobre quem sua perna descansava os dias. Saudade da certeza do carinho, do abraço, do cafuné, do beijo doce. Saudade da convicção do amor, da reciprocidade, do mutualismo da relação. Saudade de estar, de dividir, de fazer amor. Saudade de saber que alguém tem os braços permanentemente abertos para você e que é nesse exato refúgio que você encontra amparo e proteção. Saudade do compromisso que unia sem peso, da repetição diária da intenção de eternidade, da segurança oriunda da paz que só o amor é capaz. Saudade de ser amada assim, inteira, com olheiras, com o mau hálito, com os cabelos desgrenhados porque dormira com eles molhados... Saudade de ser de alguém, sem joguetes, sem esquemas, sem nada mais. Saudade de dividir a vida, de ser prioridade e a mulher mais incrível para alguém. Saudade de um amor que não sei nem se vou ter outra vez, mas que valeu a pena ter tido.
*"É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho
Mais perfeito que se fez"
(Acrilic on Kanvas - Legião Urbana)
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
É só saudade
Eu tava facebookeando quando me deparei com a foto a seguir:
E fiz o comentário de que o sorriso era matador. Era mesmo. Turma da faculdade dele aí. Nessa época a gente nem tava namorando. Foi a fase de solteiro pegador dele com essa turma toda que estava na mesma vibe. Todo mundo tinha acabado namoros de muito tempo.
É engraçado ver essa foto de um momento em que eu nem estava presente, em um momento em que eu nem era dele e ainda assim doer uma pontada dentro de mim. Eu olho e me pergunto como pode ele não estar mais no mundo. Eu olho e escuto no fundo da minha memória auditiva a gargalhada que ele deve ter dado para sair assim, com os olhinhos quase fechados na foto. Eu olho e me lembro perfeitamente do jeito dele enxugando o suor da testa (detalhe muito bem ressaltado pelo Pedro, que publicou a foto no FB e tá aí, de branco - aumenta a foto que dá pra ver).
Dói sabe? Uma dor de saudade, de irresignação, de abraçar apertado até sufocar como quem diz "você faz tanta falta", de beijar profundo e intenso como quem diz "eu te amo", de estar perto, só estar perto sem tocar e a observar todos os trejeitos, cada detalhe, cada linha e marca no rosto, o formato de cada parte do corpo que eu sei de cor, mas queria ver de novo.
A foto me deu saudade, gente, e é só.
E fiz o comentário de que o sorriso era matador. Era mesmo. Turma da faculdade dele aí. Nessa época a gente nem tava namorando. Foi a fase de solteiro pegador dele com essa turma toda que estava na mesma vibe. Todo mundo tinha acabado namoros de muito tempo.
É engraçado ver essa foto de um momento em que eu nem estava presente, em um momento em que eu nem era dele e ainda assim doer uma pontada dentro de mim. Eu olho e me pergunto como pode ele não estar mais no mundo. Eu olho e escuto no fundo da minha memória auditiva a gargalhada que ele deve ter dado para sair assim, com os olhinhos quase fechados na foto. Eu olho e me lembro perfeitamente do jeito dele enxugando o suor da testa (detalhe muito bem ressaltado pelo Pedro, que publicou a foto no FB e tá aí, de branco - aumenta a foto que dá pra ver).
Dói sabe? Uma dor de saudade, de irresignação, de abraçar apertado até sufocar como quem diz "você faz tanta falta", de beijar profundo e intenso como quem diz "eu te amo", de estar perto, só estar perto sem tocar e a observar todos os trejeitos, cada detalhe, cada linha e marca no rosto, o formato de cada parte do corpo que eu sei de cor, mas queria ver de novo.
A foto me deu saudade, gente, e é só.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Lembranças para a missa de um mês
Era um sorriso constante, cativante e verdadeiro. Era olhinhos que quase fechavam quando a gargalhada sonora saía. Era um excelente e disputado dançarino de forró. Era um chicleteiro, um micareteiro de marca maior. Era a melhor companhia para qualquer lugar, para uma mesa de bar, para uma noitada, para farra na casa alheia. Era um amante da praia, principalmente da Caponga. Era disciplinado, milimetricamente organizado, precavido, diligente e extremamente resolutivo. Não havia entraves, não havia problema que o abalasse, não havia coisa que ele não resolvesse ou tentasse. Ele fazia sempre tudo o que podia. Era o exemplo de filho que eu quero dar para os nossos filhos. Era o melhor pai, o mais apaixonado, o mais carinhoso, o mais atencioso, o mais dedicado. Era o melhor namorado. E ainda era o melhor namorado depois que se tornou marido. Era a pessoa mais carinhosa, mais compreensiva, mais do bem, mais de paz. Era um médico não de pessoas, hoje eu compreendo isso, mas de almas. Por isso mesmo, psiquiatra. Por isso mesmo, tanta gente veio dividir com a gente como ele salvou-lhe a vida. Era o melhor amigo, um verdadeiro irmão para tanta gente, que eu não sei como ele conseguia agradar a tantos. Mesmo ausente, era presente. Era tão querido por tantos que eu só posso crer que não podia mesmo ser desse mundo. Queria tanto bem a tantos, que toda semana acrescentava 4 ou 5 nomes à nossa lista de casamento. Queria o mundo todo, queria todo mundo, queria tudo ao mesmo tempo, queria mais tempo, queria mais e o céu foi o limite.
Não devemos mais chorar. Temos muito mais motivos para sorrir que para sofrer. Essas crianças que ele nos deixou merecem saber, conhecer e reconhecer a felicidade que o pai delas disseminou.
Não devemos mais chorar. Temos muito mais motivos para sorrir que para sofrer. Essas crianças que ele nos deixou merecem saber, conhecer e reconhecer a felicidade que o pai delas disseminou.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
De onde a força vem...
São tão pequenos ainda e, muito provavelmente, não terão lembrança alguma do pai que não as inúmeras fotos reveladas a encher os álbuns dispostos no armário da sala. São tão pequenos ainda e já vivem esse momento tão terrível. O menor a arrancar meus sorrisos, a tirar de mim uma alegria que eu pensava estar perdida para sempre... O maior a me fazer entender que a vida segue, apesar de doer vezenquando...
Foi assim, no percurso da escola para casa, que ele se lembrou do pai. Eis o diálogo:
- Mamãe, o papai vai estar na nossa casa quando a gente chegar?
- Não, Matheus, o papai não vai mais voltar.
- Mas mamãe a vovó Paula disse que o papai do céu tava doente e que por isso tinha levado meu papai.
- Pode ter sido por isso, Matheus... Talvez tenha muita gente doente no céu...
- Então mamãe quando eles ficarem bons o meu papai volta, né?
- Não, Matheus. A mamãe também queria muito que o papai voltasse... (olhos marejando)
... (ELE CHOROU)...
- Mamãe, eu quero abraçar você...
(Eu encosto o carro e coloco meu filho no colo)
- Mamãe, quando você ficar com saudade do papai e quiser chorar, você me abraça também, viu?
- Tá bom, meu amor, eu vou te abraçar muito.
É por eles, meu povo, é só por eles que eu ainda respiro.
Foi assim, no percurso da escola para casa, que ele se lembrou do pai. Eis o diálogo:
- Mamãe, o papai vai estar na nossa casa quando a gente chegar?
- Não, Matheus, o papai não vai mais voltar.
- Mas mamãe a vovó Paula disse que o papai do céu tava doente e que por isso tinha levado meu papai.
- Pode ter sido por isso, Matheus... Talvez tenha muita gente doente no céu...
- Então mamãe quando eles ficarem bons o meu papai volta, né?
- Não, Matheus. A mamãe também queria muito que o papai voltasse... (olhos marejando)
... (ELE CHOROU)...
- Mamãe, eu quero abraçar você...
(Eu encosto o carro e coloco meu filho no colo)
- Mamãe, quando você ficar com saudade do papai e quiser chorar, você me abraça também, viu?
- Tá bom, meu amor, eu vou te abraçar muito.
É por eles, meu povo, é só por eles que eu ainda respiro.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Retorno à rotina
Essa pessoa que caminha nas ruas, batendo o salto no asfalto, com óculos gigantes no rosto e uma maxi-bolsa, essa pessoa é uma farsa.
Essa pessoa que dirige o carro preto, que vai e volta, que faz as refeições, que atende ligações e manda emails importantes. Essa pessoa também é uma farsa.
Não há nada de força, nem vitalidade, nem vontade, nem determinação... Não há mais quase nada nela. Restou-lhe apenas uma saudade doída e um amor imenso por duas criaturinhas que a impele pra frente, avante.
Essa pessoa que dirige o carro preto, que vai e volta, que faz as refeições, que atende ligações e manda emails importantes. Essa pessoa também é uma farsa.
Não há nada de força, nem vitalidade, nem vontade, nem determinação... Não há mais quase nada nela. Restou-lhe apenas uma saudade doída e um amor imenso por duas criaturinhas que a impele pra frente, avante.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Luto
A vida fica meio suspensa quando uma tragédia ocorre. É muito difícil entrar no ritmo, fazer as coisas que se fazia com frequencia. Até sorrir dói, porque era com aquela pessoa que agora falta que você sorria os mais verdadeiros sorrisos. Não dá pra sair, não dá nem pra jantar fora, porque era com aquela pessoa que você dividia os melhores pratos. Não dá pra pensar em viajar, nem em desopilar, porque era naquele ombro que você descansava da monotonia da vida e sonhava um pouquinho com o futuro bom e feliz que teriam.
Não dá pra viver direito desde o dia 20. Não dá pra respirar fundo, não dá pra ver o céu azul, não dá pra sentir a brisa, não dá pra rolar no chão com os pequenos, não dá pra gargalhar, não dá pra sentir alívio nem prazer algum. Não dá nem pra ser eu mesma. O aperto no peito, a contração nos ombros, um peso enorme nas costas, uma vontade constante de chorar, o vazio no lado direito da cama me impedem.
Eu continuo lutando, juntando os pedaços de mim destroçados como ficou o carro após a batida. Cato meus farelos, junto meus cacos, seco minhas lágrimas no lençol que você usou na última noite em casa, olho as suas roupas penduradas no armário e beijo a aliança pendurada no meu pescoço, busco sua voz e seu sorriso na minha mente e olho pra frente, pro futuro, pro lá longe em que não vai doer a ponto de revirar meu estômago. Eu vou em frente me arrastando, eu vou em frente quase esmorecendo, mas eu vou...
Não dá pra viver direito desde o dia 20. Não dá pra respirar fundo, não dá pra ver o céu azul, não dá pra sentir a brisa, não dá pra rolar no chão com os pequenos, não dá pra gargalhar, não dá pra sentir alívio nem prazer algum. Não dá nem pra ser eu mesma. O aperto no peito, a contração nos ombros, um peso enorme nas costas, uma vontade constante de chorar, o vazio no lado direito da cama me impedem.
Eu continuo lutando, juntando os pedaços de mim destroçados como ficou o carro após a batida. Cato meus farelos, junto meus cacos, seco minhas lágrimas no lençol que você usou na última noite em casa, olho as suas roupas penduradas no armário e beijo a aliança pendurada no meu pescoço, busco sua voz e seu sorriso na minha mente e olho pra frente, pro futuro, pro lá longe em que não vai doer a ponto de revirar meu estômago. Eu vou em frente me arrastando, eu vou em frente quase esmorecendo, mas eu vou...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Missão
Eu vou imitar a Cristina Guerra do blog "Para Francisco" (link ao lado). Eu vou imitar para não esquecer. Eu vou imitar para que eles também conheçam o pai maravilhoso que tiveram. Eu vou imitar pra contar aqui a história de um amor incrível, que cresceu num ambiente hostil, que superou tanta coisa e que sobreviverá para sempre. Eu vou imitar para que vocês, meus pequenos, meus meninos, revivam essa história de amor (e de dor). Para que vocês reconheçam a felicidade quando se depararem com ela; para que vocês reconheçam o amor quando ele se imiscuir no peito; para que vocês saibam, como soubemos, o pai de vocês e eu, que era para ser para sempre...
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domingo, 4 de outubro de 2009
DA SAUDADE
"No dia em que eu fui mais feliz
eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir.
De lá pra cá, não sei.
Caminho ao longo do canal.
Faço longas cartas pra ninguém
e o inverno no Leblon é quase glacial.
Há algo que jamais se esclareceu:
onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo
o leão que sempre cavalguei.
Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só.
No deserto, sem saudade, sem remorso, só.
Sem amarras, barco embriagado ao mar.
Não sei o que em mim só quer me lembrar
que o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar"
Num dia em que eu fui extremamente feliz, eu sentei num avião com o coração chorando de saudade. De lá pra cá, era só ansiedade e uma vontade premente de encontrar aquilo que eu tinha deixado pra trás numa viagem de oportunidades. A vulnerabilidade era tanta e tão irracional que se sobrepunha à consciente e sensível felicidade cotidiana. É algo que jamais se esclarecerá. Só sei que em mim, teima em lembrar que o céu é aqui na terra num lugar que eu chamo de lar.
eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir.
De lá pra cá, não sei.
Caminho ao longo do canal.
Faço longas cartas pra ninguém
e o inverno no Leblon é quase glacial.
Há algo que jamais se esclareceu:
onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo
o leão que sempre cavalguei.
Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só.
No deserto, sem saudade, sem remorso, só.
Sem amarras, barco embriagado ao mar.
Não sei o que em mim só quer me lembrar
que o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar"
Num dia em que eu fui extremamente feliz, eu sentei num avião com o coração chorando de saudade. De lá pra cá, era só ansiedade e uma vontade premente de encontrar aquilo que eu tinha deixado pra trás numa viagem de oportunidades. A vulnerabilidade era tanta e tão irracional que se sobrepunha à consciente e sensível felicidade cotidiana. É algo que jamais se esclarecerá. Só sei que em mim, teima em lembrar que o céu é aqui na terra num lugar que eu chamo de lar.
domingo, 31 de maio de 2009
Mais sobre ela
Saudade é querer estar perto de quem não está. é querer ouvir a voz, dividir a piada, sentir o calor ou os lábios. saudade é sentir falta de quem tá aqui dentro, tão entranhado que, quando ausente, fica um buraco. saudade é sentir quão profundo é o sentimento que nos une a outrem, é saber que a vida ao lado de quem nos faz falta é sempre mais doce. saudade é o negativo absoluto, não ter, não saber, não ver, não dividir... saudade é um sentimento crônico e até silencioso, que fica ali no peito disfarçado, mineirinho; mas que, num segundo, explode e se torna lancinante. saudade é perceber que algo aqueceu o coração e elevou a alma e tudo que se quer mais é voltar para esse aconchego.
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