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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

7 dias

No primeiro momento, era a anestesia. As pessoas, os lugares, as frases se perdiam nos atalhos da mente. A consciência fica bolando dentro da gente. Os fatos e os sonhos se confundem. A fala não representa o discurso interno.

No segundo momento, era a DOR. Assim mesmo, em caixa alta, gigantesca, maior que a gente, maior do que se é capaz de suportar, mais forte que as drogas mais modernas. Dor que impede de dormir, dor que impede de falar, dor que faz o olho lacrimejar. Tudo é dor, já dizia Renato.

Depois, é o desconforto. O corpo não é seu, tudo fora de lugar. A gente não se reconhece mais no espaço que ocupa e não consegue ficar de pé, levantar o braço, sustentar um copo... mas o pior de tudo é depender de terceiros para todas as coisas da rotina.

Por fim, vem o tédio. Não há mais anestesia, nem dor, só o desconforto. A capacidade para as trivialidades retoma seu lugar. Mas ainda há o desconforto: o corpo que não fica ereto, o braço que não alcança, o pé da barriga que lateja, o seio meio dormente... É uma velhice antecipada. Mas passa. Já já passa.