Rotina é um negócio ruim. Cotidiano é um negócio que nos engole e acaba nos fazendo esquecer daquilo que realmente gostamos de fazer. Mas tirando o estresse do trânsito, o corre-corre pra se fazer tudo que deve ser feito, as poucas horas de sono e o fato de só ver o sol pela janela do carro, tem sempre coisas boas na rotina, das quais eu quero me lembrar como um gosto doce na boca, como um perfume de alguém especial, como uma época muito feliz da minha vida.
Meu dia começa sempre igual, por volta das sete e pouco, com uma preguiça medonha e um sono sem igual (desde que descobri a tal da gravidez), mas o grande me acorda todos os dias do mesmo jeito: com um beijo na boca e me chamando de bicho preguiça. Aí é hora de acordar o pequeno e trazê-lo para o nosso quarto. Ao ouvir minha voz, o pequeno abre um sorriso e diz mamãe!
Tomamos banho os três e depois vamos à mesa café. O pequeno senta no meu colo e repete: "mamãe, nham-nham-nham!", o que significa que ele quer comer pão com manteiga molhado no café. Saímos juntos de casa e nos despedimos na garagem. Eu e o pequeno para um lado e o grande, para outro.
Quando deixo o pequeno na creche, ele me solta um beijo, abana a mãozinha e diz: "Tau, mamãe!". Eu sempre vou embora sorrindo da independência que essa coisinha de pouco mais de 80 cm demonstra. Passo a manhã com coisas outras, que sempre fazem com que os ponteiros do relógio girem depressa.
Aí já é hora de pegar o pequeno e sempre, quando ele me vê, vem correndo me dar um beijo, vira de costas pra mim e dá tchau para os coleguinhas e solta um beijo para as "tias" da escola. No carro, ele apaga. Chega em casa demaiado. Hora do almoço com o grande e depois uma sesta, porque gravidez é fogo. E mais uma vez o grande me acorda: "hora de trabalhar, bicho-preguiça!".
A tarde passa correndo e quando chego em casa no fim do dia, vejo uma criança peralta, suada, com os pés pretos de tanto correr no pilotis do prédio em que moramos, com os dentes de leite ainda separados, vir correndo para mim, de braços abertos e sorriso no rosto. Ele me abraça como se tivesse ganhado o brinquedo mais legal dos últimos tempos e subimos para curtir o restinho do dia, ao som de músicas infantis e rodeados de brinquedos coloridos. Nós três: eu, o grande e o pequeno, normalmente dormimos de cansados e quase ao mesmo tempo, depois de um dia assim.
Não posso reclamar da rotina porque a minha é permeada de acontecimentos lindos.
terça-feira, 18 de março de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
A vida que se sonha...
"Há um vilarejo ali
onde areja um vento bom.
Na varanda, quem descansa
vê o horizonte deitar no chão.
Pra acalmar o coração,
lá o mundo tem razão.
Terra de heróis, lares de mães.
Paraíso se mudou para lá.
Por cima das casas, cal.
Frutas em qualquer quintal.
Peitos fartos, filhos fortes
sonho semeando o mundo real.
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera,
lá é primavera,
portas e janelas ficam sempre abertas
pra sorte entrar.
Em todas as mesas, pão.
Flores enfeitando
os caminhos, os vestidos, os destinos
e esta canção.
Tem um verdadeiro amor
para quando você for".
Vilarejo - Marisa Monte
Ah, se o mundo fosse assim, um lugar bucólico, um lugar dos sonhos, o próprio paraíso, onde a brisa é boa e a gente tem tempo de descansar na varanda porque "lá o tempo espera". Um lugar onde só existam pessoas de bem, heróis e mães, que amamentam com seus peitos fartos filhos fortes e assim o sonho semeia o mundo real. Um lugar onde sempre é primavera, com flores espalhadas por todos os lados e no qual, em todas as mesas, há pão. Para a perfeição ser extrema, há ainda um amor verdadeiro nos esperando lá. Será?
Nos anos 70 o lugar idílico era casa de campo, onde se "possa plantar amigos, discos, livros e nada mais". E aí, nessa louca vida moderna, cansamos todos do tédio, do ócio no campo, nos entupimos de remédios antidepressivos e indutores de sono e vivemos agora num lugar insano, em que não podemos confiar em ninguém. O que não mudou de lá pra cá é a necessidade de ter pessoas ao redor, continuamos plantando amigos na nossa vida e percebemos que, apesar do mundo cão, é importantíssimo que todos estejam vivendo bem para que isto aqui seja um lugar melhor.
Não basta o pão na minha mesa, não basta o meu emprego e o salário no fim do mês, não basta que meus filhos tenham acesso à educação, é importante que todos desfrutem disso e possuam uma vida digna. Já não é suficiente o espelho, quero o toque, a gente, a comunidade. Não se é mais feliz com a liberdade da vida adulta, a independência financeira e sexual, preciso de "friends", ou seja, precisamos de alguém pra rir, pra chorar no ombro, precisamos de relacionamentos sem sexo, honestos e reais. Precisamos de seres humanos. Não só de amores verdadeiros, mas de uma vida em que sejamos amados plenamente, como amantes, como pais, como filhos e, principalmente, como amigos, porque, dentre todos os amores finitos e mortais desta vida, a amizade é o mais duradouro.
onde areja um vento bom.
Na varanda, quem descansa
vê o horizonte deitar no chão.
Pra acalmar o coração,
lá o mundo tem razão.
Terra de heróis, lares de mães.
Paraíso se mudou para lá.
Por cima das casas, cal.
Frutas em qualquer quintal.
Peitos fartos, filhos fortes
sonho semeando o mundo real.
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera,
lá é primavera,
portas e janelas ficam sempre abertas
pra sorte entrar.
Em todas as mesas, pão.
Flores enfeitando
os caminhos, os vestidos, os destinos
e esta canção.
Tem um verdadeiro amor
para quando você for".
Vilarejo - Marisa Monte
Ah, se o mundo fosse assim, um lugar bucólico, um lugar dos sonhos, o próprio paraíso, onde a brisa é boa e a gente tem tempo de descansar na varanda porque "lá o tempo espera". Um lugar onde só existam pessoas de bem, heróis e mães, que amamentam com seus peitos fartos filhos fortes e assim o sonho semeia o mundo real. Um lugar onde sempre é primavera, com flores espalhadas por todos os lados e no qual, em todas as mesas, há pão. Para a perfeição ser extrema, há ainda um amor verdadeiro nos esperando lá. Será?
Nos anos 70 o lugar idílico era casa de campo, onde se "possa plantar amigos, discos, livros e nada mais". E aí, nessa louca vida moderna, cansamos todos do tédio, do ócio no campo, nos entupimos de remédios antidepressivos e indutores de sono e vivemos agora num lugar insano, em que não podemos confiar em ninguém. O que não mudou de lá pra cá é a necessidade de ter pessoas ao redor, continuamos plantando amigos na nossa vida e percebemos que, apesar do mundo cão, é importantíssimo que todos estejam vivendo bem para que isto aqui seja um lugar melhor.
Não basta o pão na minha mesa, não basta o meu emprego e o salário no fim do mês, não basta que meus filhos tenham acesso à educação, é importante que todos desfrutem disso e possuam uma vida digna. Já não é suficiente o espelho, quero o toque, a gente, a comunidade. Não se é mais feliz com a liberdade da vida adulta, a independência financeira e sexual, preciso de "friends", ou seja, precisamos de alguém pra rir, pra chorar no ombro, precisamos de relacionamentos sem sexo, honestos e reais. Precisamos de seres humanos. Não só de amores verdadeiros, mas de uma vida em que sejamos amados plenamente, como amantes, como pais, como filhos e, principalmente, como amigos, porque, dentre todos os amores finitos e mortais desta vida, a amizade é o mais duradouro.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Da série "eu odeio" - Trânsito
1- Odeio as pessoas que dirigem à 40 km/h. A rua inteira pela frente e a pessoa lá, empatando o trânsito.
2- Odeio mais ainda se as pessoas citadas acima que ficam na faixa da esquerda. Será que elas não sabem que a da esquerda é destinada às ultrapassagens ou fazem isso de propósito, achando que vão evitar acidentes de trânsito fazendo todo mundo seguir em cortejo fúnebre até o destino final?
3- Odeio motoboys. Não sabem o que significa faixa, muito menos sinaleira.
4- Odeio, tanto quanto os motoboys, os motoristas de ônibus, principalmente aqueles que dirigem na faixa da esquerda e que, quando chegam perto do ponto, atravessam a rua de um lado ao outro.
5- Mas o que eu odeio mais que tudo são os flanelinhas. PQP! Eu pedi pra você olhar meu carro??? E quem disse que eu, que pago já um monte de imposto, tenho que pagar alguma coisa pra você, que perambula pelas ruas com uma flanela nas mãos e finge que ajuda alguém na ora de manobrar para estacionar? Ah, vai se lascar!
2- Odeio mais ainda se as pessoas citadas acima que ficam na faixa da esquerda. Será que elas não sabem que a da esquerda é destinada às ultrapassagens ou fazem isso de propósito, achando que vão evitar acidentes de trânsito fazendo todo mundo seguir em cortejo fúnebre até o destino final?
3- Odeio motoboys. Não sabem o que significa faixa, muito menos sinaleira.
4- Odeio, tanto quanto os motoboys, os motoristas de ônibus, principalmente aqueles que dirigem na faixa da esquerda e que, quando chegam perto do ponto, atravessam a rua de um lado ao outro.
5- Mas o que eu odeio mais que tudo são os flanelinhas. PQP! Eu pedi pra você olhar meu carro??? E quem disse que eu, que pago já um monte de imposto, tenho que pagar alguma coisa pra você, que perambula pelas ruas com uma flanela nas mãos e finge que ajuda alguém na ora de manobrar para estacionar? Ah, vai se lascar!
Sobre carência
Ah, a minha carência... Essa busca que não termina nunca de se sentir amada, de se sentir querida, de se perceber amiga, de saudade enorme de gente que não mais aqui ou longe daqui... Essa cratera no coração que faz com que a necessidade de atenção e carinho se renove a cada dia, como se inesgotável. É isso mesmo, porque não me basta mensagens no meio da tarde, nem ligações para perguntar da vida... Não me basta amigos física e espiritualmente presentes, nem filho gritando “mamãeeee!!!” o dia todo, nem beijinhos ao acordar, nem conchinha ao dormir, porque a minha ânsia é infinita.
É algo intangível, superior, é maior do que eu. É vontade de estar perto, de falar as coisas todas que eu queria dizer, de sentir reciprocidade, é perceber o olhar que vale mais que mil palavras, é o desejo contido de pular em cima, é ter até pensamentos mórbidos como abraçar até sufocar ou matar de tanto beijar, é querer incontrolavelmente ter a pessoa tão perto, mas tão perto, como se fosse possível se entrar dentro um do outro.
Mas a verdade é que já se está do lado de dentro porque quando se é carente assim é porque se ama demais e um amor assim, não pode, não deve, não há de ser rejeitado nem será em vão.
É algo intangível, superior, é maior do que eu. É vontade de estar perto, de falar as coisas todas que eu queria dizer, de sentir reciprocidade, é perceber o olhar que vale mais que mil palavras, é o desejo contido de pular em cima, é ter até pensamentos mórbidos como abraçar até sufocar ou matar de tanto beijar, é querer incontrolavelmente ter a pessoa tão perto, mas tão perto, como se fosse possível se entrar dentro um do outro.
Mas a verdade é que já se está do lado de dentro porque quando se é carente assim é porque se ama demais e um amor assim, não pode, não deve, não há de ser rejeitado nem será em vão.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
A novidade
Num mesmo 20/02, só que dois anos depois, decubro a alegria radiante de estar gerando mais uma vida. Apesar da torcida organizada para que seja uma menina eu só quero uma coisa: que venha com saúde!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Queridos amigos
O que somos nós se não um amontoado de caquinhos daqueles que passaram por nós? Um patchwork de rostos? Uma junção de peças de um quebra-cabeça que é a vida? O que somos nós se não algo híbrido, complexo, múltiplo?
Cada pessoa com que convivemos deixa uma marca, pequena ou grande, doce ou amarga, memorável ou preferível esquecer. Sim, porque há rancores, há mágoas, há lágrimas, há dores e há muitos desentendimentos por esta vida. Como também há amores, sorrisos, gargalhadas, paixões...
Na verdade, pouco importa o motivo pelo qual o outro ficou marcado em você, com o correr dos anos as dores arrefecem, as mágoas se esvanecem, as lágrimas secam, os rancores se vão... Das mais loucas paixões, fica uma saudade gostosa. Dos mais doces amores, fica uma lembrança eterna. Das amizades mais íntimas, fica o afeto que não acaba nunca e independe de espaço físico e de contato. É o afeto que importa. São estas as amizades que sempre estarão com a gente. Amizades que são, nem sempre estão. Assim mesmo, sem complemento, pra mostrar o quê de definitivo encrustado nelas.
Cada um destes amigos se fez presente em um momento inesquecível da vida, seja quando você aprendeu a andar de bicicleta, ou passou no vestibular, ou ficou destroçada com o fim de um namoro ou de um casamento, ou quando seu pai morreu, ou quando arranjou o primeiro emprego... Eles estavam presentes quando tínhamos a vida inteira pela frente, tudo ainda por vir. Eles compartilharam o sonho de vencer na vida e de fazer algo incrível, algo que não supomos capazes de fazer. Eles acompanharam seu período comunista-revolucionário, social-democrata, capitalista-neoliberal, solteiro-procura, amante-de-respeito, casado-pai-de-família.
Eles estiveram lá, sempre. E estão aqui ainda hoje, mesmo que não nos falemos, mesmo que não nos vejamos, mesmo que não sejamos mais íntimos, porque eles estão do lado de dentro e sempre estarão. Sinto falta da amizade cotidiana que tivemos, mas sei que a vida é traiçoeira e prega estas peças na gente para que possamos perceber que o que realmente importa é estarmos juntos, mesmo que seja via MSN ou por email, porque a distância física pode ser grande, mas a dos corações, não.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Faz tempo que não ando por aqui... A vida anda tranquila, tranquila... Existe ainda a ânsia aqui no peito que por vezes me faz surgir na cabeça milhares de coisas interessantes pra contar, mas a falta absurda de tempo me impede (o tempo que tenho livre é dedicado integralmente àquele de 1 ano e 5 meses).
Pensei em começar um conto, pensei em falar do tempo, pensei em falar de amor, mas não dá. As coisas não estão mais extravasando a alma como antes. Não existe o transbordamento que me impele a escrever. É sempre tão mais difícil quando se está em paz. Descubro, então, que sou a escritora dos tempos negros ou dos vazios ou de hiatos. Entendam como quiserem.
O fato é que é tempo de céu azul, de plenitude e de ditongos... Que venham mais dias azuis assim, mesmo sob pena de me manterem afastada daqui.
Um abraço nos que ainda me frequentam.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
10 coisas
1- Eu era o averso do que se chama MATERNAL. Achava qualquer criança bonitinha, mas lá bem longe, sem chorar... Até o dia em que escolhi ser mãe. Virei de pernas pro ar tudo que eu tinha de certeza na vida e agora eu só penso em mais filhos. Coisa mais linda!
2- Eu adoro livros. Quer me dar alguma coisa? Compre um livro! Certeza de que lerei, certeza de que não errou no presente.
3- Odeio serviços domésticos. Não é uma coisa de que não goste, é ódio mesmo. Ô, por favor, não me peça pra lavar a louça, não!
4- Eu sou desorganizada, mas eu me acho na minha bagunça. É sério! Meu marido se estressa, mas eu não consigo colocar todas as coisas em seus devidos lugares, principalmente as que eu uso cotidianamente. Mas se eu vou já já precisar delas, pra que guardá-las???
5- Eu sou viciada em Coca-cola. Se pudesse, trocaria a água do gelágua por um garrafão de coca-cola 20L.
6- Tenho compulsão por compras e isso, querido, é herança genética, é de família... Sabe quando todas as promoções da cidade são im-per-dí-veis! Pois é, eu sou a que está na porta da loja!
7- Eu adoro bailes! De casamento, de formatura, de quinze anos... Adoro festas em que somos obrigados a usar longos. Chique de doer!
8- Eu sou aglomeradora. Sabe aquela pessoa pra quem os outros ligam pra saber de fulano, sicrano, beltrano? Não que eu seja o centro da fofoca, mas é que eu tento ao máximo manter contato com as amizades que construí na vida.
9- Eu planejo meu velório. É mórbido, eu sei, mas eu quero que seja uma coisa bem alegre e quero muuuuiiiita gente.
10- Eu escrevo (geralmente) certo em português e admiro as pessoas que o fazem também.
2- Eu adoro livros. Quer me dar alguma coisa? Compre um livro! Certeza de que lerei, certeza de que não errou no presente.
3- Odeio serviços domésticos. Não é uma coisa de que não goste, é ódio mesmo. Ô, por favor, não me peça pra lavar a louça, não!
4- Eu sou desorganizada, mas eu me acho na minha bagunça. É sério! Meu marido se estressa, mas eu não consigo colocar todas as coisas em seus devidos lugares, principalmente as que eu uso cotidianamente. Mas se eu vou já já precisar delas, pra que guardá-las???
5- Eu sou viciada em Coca-cola. Se pudesse, trocaria a água do gelágua por um garrafão de coca-cola 20L.
6- Tenho compulsão por compras e isso, querido, é herança genética, é de família... Sabe quando todas as promoções da cidade são im-per-dí-veis! Pois é, eu sou a que está na porta da loja!
7- Eu adoro bailes! De casamento, de formatura, de quinze anos... Adoro festas em que somos obrigados a usar longos. Chique de doer!
8- Eu sou aglomeradora. Sabe aquela pessoa pra quem os outros ligam pra saber de fulano, sicrano, beltrano? Não que eu seja o centro da fofoca, mas é que eu tento ao máximo manter contato com as amizades que construí na vida.
9- Eu planejo meu velório. É mórbido, eu sei, mas eu quero que seja uma coisa bem alegre e quero muuuuiiiita gente.
10- Eu escrevo (geralmente) certo em português e admiro as pessoas que o fazem também.
sábado, 24 de novembro de 2007
Zélia Duncan - Partir Andar Herbert Vianna
Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiros, grades ou palavras
Partir Andar, Eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Para se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
Agora já não falta nada
Eu não quis, te fazer infeliz
Não quis.... Por tanto não querer, talvez fiz...
Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada...
Não falta nada...
Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiros, grades ou palavras
Partir Andar, Eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Para se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
Agora já não falta nada
Eu não quis, te fazer infeliz
Não quis.... Por tanto não querer, talvez fiz...
Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada...
Não falta nada...
Indisfarçável. Quando o eco propaga no peito, repetindo o grito da tristeza, os olhos expelem apenas aquilo que não pode mais ficar contido. Explode. A bomba em dor papoca e o gosto é de uma amargura crispante. É de mágoa, é de medo, é de desespero. É dor e só. A gente acha que não é capaz de agüentar. Anti-ansiolíticos, calmantes, opióides, relaxantes musculares... Zumbi moribundo. E a dor ainda lá. Muda o foco, liga o som, álcool, drogas pesadas, sexo irresponsável, mais lágrimas e a dor ainda está lá. Desiste de lutar contra ela. Arma na mão, o projétil atravessou o crânio e acertou o porta-retrato do criado-mudo.
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