Quando eu era criança, eu achava que uma pessoa de 27 anos, já tinha quase 30 e, portanto, era uma pessoa de meia idade. Uma velha!
Quando eu era criança, eu achava que devia ser muito legal ter 27 anos e poder morar sozinha, ter seu próprio carro e seu próprio dinheiro.
Quando eu era criança, eu achava que meu 27º aniversário ainda demoraria um século pra acontecer, mas ele já chegou, É AMANHÃ!
Descubro que, aos 27 anos, não vivi nem metade da vida que tenho por viver, não moro (nem morei e, muito provavelmente, não vou morar) sozinha e, pior de tudo, eu ainda nem consegui deixar de ser criança!
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O do lado direito da cama
Ele dorme sempre do lado direito da cama, desde que a gente descobriu que esse lado era mais ventilado, mas é o primeiro a acordar nos dias úteis. Ele sempre me acorda com um monte de beijos no pescoço e dá bom dia ao meu mau humor matinal, como quem já está plenamente adaptado. Ele pega as crianças no quarto ao lado e pede que juntos eles matem a mamãe (eu) de beijos. Ele sempre toma banho primeiro e me chama de bicho preguiça quando sai do banheiro. Ao nos despedirmos, ele sempre me beija. E sempre tem um "Amo você bem grandão" ao final dos emails que me manda cotidianamente. Se ele vem almoçar em casa, os meninos ficam em polvorosa com a presença dele e quase não fazem a sesta. E, no fim do dia, enquanto eu corro na esteira, ele mantém nosso bebê acordado pra que eu possa fazê-lo dormir. Depois de tudo, é no peito dele que deito meus dilemas e, em seu ombro, choro meus problemas. É pra ele que conto meus maiores sucessos e com ele divido minhas piores derrotas. É do lado dele que descubro que sou uma mulher já, com casa, marido e filhos. E, nos meus momentos de insegurança, é pra ele a minha primeira ligação. A gente divide um amor sobre-humano por dois pequenos e um bem persistente, inevitável e maduro um pelo outro. Ele, muitas vezes, fala uma língua que eu não entendo, mas a gente sempre se entende quando deixamos que nossos corações se pronunciem. O vínculo que nos une está muito além do anel no dedo da mão esquerda. Tenho certeza que ao final da minha rotina diária, é do lado dele onde quero estar e espero que assim ainda seja no final das nossas vidas.
domingo, 17 de maio de 2009
Sobre as minhas surpresas
Decidir ter um filho é um ato de coragem. Eu não escolhi ser mãe, eu me tornei uma. Eu não tive tempo de desejar, mas adorei a missão. A cada dia, me encanto mais com a tarefa, com os encargos e com as inúmeras satisfações. Concordo com quem diz que são muitos os transtornos, mas a recompensa... Essa, sim, não tem preço! Se tivesse planejado certinho, esperado a estabilidade financeira, a pessoa certa, o casamento, talvez nada tivesse acontecido como aconteceu. Mas tô aqui, às vésperas do 27º aniversário, com dois meninos pequenos correndo pela casa, a pessoa certa do lado direito da cama e feliz.
Há pouco mais de 3 anos, num exame ginecológico de rotina (ao qual fui sozinha e sem levar celular), fui avisada que estava grávida de poucas semanas. Na época, eu tinha um rolo com um ex-namorado que jamais tinha saído da minha vida, eu estava no último semestre da faculdade e planejava a majestosa festa de formatura, ganhava menos de R$ 1.000,00 por mês e, apesar do susto, eu nem sei porque, fiquei feliz.
Voltei pra casa com a sensação de que aquela poderia ser uma das poucas oportunidades de ser mãe na vida, uma vez que eu tinha um histórico de problemas ovarianos. Nem pensei no que minha mãe, minhas tias fofoqueiras, o pai do bebê, meu próprio pai poderiam dizer ou pensar. Eu teria meu filho!
A surpresa de saber que seria mãe não foi menor que a surpresa de ver que o ex-namorado queria ficar com a gente e que a minha mãe (que achava que iria morrer antes de conhecer os netos) ficou feliz com a notícia. Assim, em dois meses, eu tava morando num apartamento espaçoso, com o pai dos meus filhos. No dia do meu baile de formatura, usava um longo vermelho e carregava uma barriga de quase 7 meses de gravidez.
Antes mesmo do Matheus completar um ano, o Thi - meu marido - já queria outro filho. Em dezembro de 2007, prometi que engravidaríamos novamente em 2008. E exatamente 2 anos depois do primeiro susto, no dia 20/02/2008, descobri que estava grávida novamente. A surpresa veio do fato de ter parado o anticoncepcional há um mÊs apenas.
De tudo isso, a lição que tirei é que a gente não controla a nossa própria vida. Não dá pra planejar certinho nem calcular matematicamente o futuro. Aprendi que aquilo que é pormenorizadamente planejado tem uma tendência muito maior a dar errado. Já dizia Joseph Climber que a vida é uma caixinha de surpresas. Tenho certeza de que as surpresas que me foram reservadas foram as melhores possíveis. E que venham outras, mais surpreendentes e ainda mais felizes!
UPDATE: A gente vai casar ano que vem! As crianças serão os pajens!!!
Há pouco mais de 3 anos, num exame ginecológico de rotina (ao qual fui sozinha e sem levar celular), fui avisada que estava grávida de poucas semanas. Na época, eu tinha um rolo com um ex-namorado que jamais tinha saído da minha vida, eu estava no último semestre da faculdade e planejava a majestosa festa de formatura, ganhava menos de R$ 1.000,00 por mês e, apesar do susto, eu nem sei porque, fiquei feliz.
Voltei pra casa com a sensação de que aquela poderia ser uma das poucas oportunidades de ser mãe na vida, uma vez que eu tinha um histórico de problemas ovarianos. Nem pensei no que minha mãe, minhas tias fofoqueiras, o pai do bebê, meu próprio pai poderiam dizer ou pensar. Eu teria meu filho!
A surpresa de saber que seria mãe não foi menor que a surpresa de ver que o ex-namorado queria ficar com a gente e que a minha mãe (que achava que iria morrer antes de conhecer os netos) ficou feliz com a notícia. Assim, em dois meses, eu tava morando num apartamento espaçoso, com o pai dos meus filhos. No dia do meu baile de formatura, usava um longo vermelho e carregava uma barriga de quase 7 meses de gravidez.
Antes mesmo do Matheus completar um ano, o Thi - meu marido - já queria outro filho. Em dezembro de 2007, prometi que engravidaríamos novamente em 2008. E exatamente 2 anos depois do primeiro susto, no dia 20/02/2008, descobri que estava grávida novamente. A surpresa veio do fato de ter parado o anticoncepcional há um mÊs apenas.
De tudo isso, a lição que tirei é que a gente não controla a nossa própria vida. Não dá pra planejar certinho nem calcular matematicamente o futuro. Aprendi que aquilo que é pormenorizadamente planejado tem uma tendência muito maior a dar errado. Já dizia Joseph Climber que a vida é uma caixinha de surpresas. Tenho certeza de que as surpresas que me foram reservadas foram as melhores possíveis. E que venham outras, mais surpreendentes e ainda mais felizes!
UPDATE: A gente vai casar ano que vem! As crianças serão os pajens!!!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Sobre mudanças
Eu olho para o mundo e não vejo mais o mesmo lugar. As pessoas mudaram ao meu redor. Tá todo mundo mais ranzinza, mais impaciente, mais autoritário e mais prepotente. As coisas mudaram ao meu redor.
Há 20 anos Fortaleza tinha ares provincianos e não tinha esses milhões de carros engarrafando as ruas e ensurdecendo ouvidos. Não havia tantos ônibus, nem tantas placas e outdoors... Eu era uma criança tranquila que pintava arco-íris e conversava até cansar com minha mãe, tinha uma coleção de barbies e adorava banho de piscina. Eu não sabia o que era política nem religião. Eu era feliz.
Há 10 anos eu andava de ônibus e me achava independente por isto. Eu tinha tantos amigos que havia aniversários a comemorar diariamente. Eu tinha um diário, no qual escrevia histórias e amores e músicas e datas importantes. Eu tinha turma no colégio, no prédio, na academia de dança... Eu dançava muito, na semana inclusive. Eu vivia as minhas primeiras vezes de tudo e tinha uma ânsia absurda pela liberdade. Eu era comunista e atéia. Eu era feliz.
Há 5 anos eu já não andava mais de ônibus e tinha a perspectiva de um futuro muito maneiro pela frente. Eu achava que tudo estava resolvido desde o resultado do vestibular. Eu tinha uma turma animadíssima na faculdade. Não havia um final de semana sequer desperdiçado em casa. E eu dançava todo final de semana e bebia. Tinha não sei nem quantos pretês e causava nas festas. Já não eram as primeiras, mas com certeza eram as melhores vezes de tudo e eu já tinha liberdade suficiente para ser, opinar, viajar... Eu era socislista e atéia. Eu era feliz.
Hoje eu tenho um carro em meu nome, um apartamento no meu nome, eu tenho uma certidão de casamento e duas de nascimento, nestas meu nome consta como MÃE. O futuro ainda é incerto, mas o presente é brilhante. Muitos amigos queridos continuam a fazer parte da minha vida, mas principalmente por meios virtuais. Todos os fins de semanas são aproveitados em festinhas que começam às 6 e terminam às 10 e, nas quais, eu não bebo; mas chego em casa exaurida. Raramente, danço. Mas tenho toda a liberdade pra fazer o que quiser (não tenho é dinheiro). Sou dona do meu próprio nariz. Sou capitalista, consumista, atéia e enormemente feliz.
Há 20 anos Fortaleza tinha ares provincianos e não tinha esses milhões de carros engarrafando as ruas e ensurdecendo ouvidos. Não havia tantos ônibus, nem tantas placas e outdoors... Eu era uma criança tranquila que pintava arco-íris e conversava até cansar com minha mãe, tinha uma coleção de barbies e adorava banho de piscina. Eu não sabia o que era política nem religião. Eu era feliz.
Há 10 anos eu andava de ônibus e me achava independente por isto. Eu tinha tantos amigos que havia aniversários a comemorar diariamente. Eu tinha um diário, no qual escrevia histórias e amores e músicas e datas importantes. Eu tinha turma no colégio, no prédio, na academia de dança... Eu dançava muito, na semana inclusive. Eu vivia as minhas primeiras vezes de tudo e tinha uma ânsia absurda pela liberdade. Eu era comunista e atéia. Eu era feliz.
Há 5 anos eu já não andava mais de ônibus e tinha a perspectiva de um futuro muito maneiro pela frente. Eu achava que tudo estava resolvido desde o resultado do vestibular. Eu tinha uma turma animadíssima na faculdade. Não havia um final de semana sequer desperdiçado em casa. E eu dançava todo final de semana e bebia. Tinha não sei nem quantos pretês e causava nas festas. Já não eram as primeiras, mas com certeza eram as melhores vezes de tudo e eu já tinha liberdade suficiente para ser, opinar, viajar... Eu era socislista e atéia. Eu era feliz.
Hoje eu tenho um carro em meu nome, um apartamento no meu nome, eu tenho uma certidão de casamento e duas de nascimento, nestas meu nome consta como MÃE. O futuro ainda é incerto, mas o presente é brilhante. Muitos amigos queridos continuam a fazer parte da minha vida, mas principalmente por meios virtuais. Todos os fins de semanas são aproveitados em festinhas que começam às 6 e terminam às 10 e, nas quais, eu não bebo; mas chego em casa exaurida. Raramente, danço. Mas tenho toda a liberdade pra fazer o que quiser (não tenho é dinheiro). Sou dona do meu próprio nariz. Sou capitalista, consumista, atéia e enormemente feliz.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Tá, eu sei, eu não posso reclamar da vida. Eu sei, eu sei que tenho casa, comida, roupa lavada, dois filhos lindos e saudáveis, um marido que vive jurando amor eterno (mesmo eu gorda, quadrada, cheia de celulite), um emprego estável, um salário razoável... Eu sei ttambém que tá todo mundo bem na família, tá todo mundo com saúde, tá todo mundo aí no mundo...
Mas é que de vez em quando ela vem. Vem sem avisar, sem dizer a que veio. Aparece num dia qualquer, sem que eu possa me armar contra ela. Ela vem e me invade e eu fico assim, sem ter como reagir, só querendo que ela vá embora pra que eu possa voltar a sorrir, a brincar com as crianças, a curtir meu marido... Ela vem me mostrando que eu ando só, que meus amigos moram longe, que eu nem cheguei perto dos planos que fiz pra mim, mesmo tendo mais que sempre tive. Ela vem com o dedo na cara pra deixar claro que eu tô gorda e que preciso fechar a boca, mas me deixa morrendo de vontade de me cabar de fast food! Ela vem pra dizer que eu preciso voltar a estudar e fazer planos profissionais, mas me deixa com vontade de hibernar por anos. Ela vem pra dizer que eu não sou tão feliz assim!
Eu sei que ela vai embora quando um certo dia 22 chegar e a idade aumentar... Mas enquanto isso, mood unhappy-desperate-down on!
Mas é que de vez em quando ela vem. Vem sem avisar, sem dizer a que veio. Aparece num dia qualquer, sem que eu possa me armar contra ela. Ela vem e me invade e eu fico assim, sem ter como reagir, só querendo que ela vá embora pra que eu possa voltar a sorrir, a brincar com as crianças, a curtir meu marido... Ela vem me mostrando que eu ando só, que meus amigos moram longe, que eu nem cheguei perto dos planos que fiz pra mim, mesmo tendo mais que sempre tive. Ela vem com o dedo na cara pra deixar claro que eu tô gorda e que preciso fechar a boca, mas me deixa morrendo de vontade de me cabar de fast food! Ela vem pra dizer que eu preciso voltar a estudar e fazer planos profissionais, mas me deixa com vontade de hibernar por anos. Ela vem pra dizer que eu não sou tão feliz assim!
Eu sei que ela vai embora quando um certo dia 22 chegar e a idade aumentar... Mas enquanto isso, mood unhappy-desperate-down on!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Resignação
Um dia, ele vai amar outra mulher. Um dia ele vai piscar os olhos, o caração vai bater descompassado e ele não vai conseguir controlar a vontade de estar perto da outra em todos os momentos. Um dia, ele vai trocar o cotidiano comigo para construir uma vida com ela. A despeito do meu ciúme, um dia, inevitavelmente, ele me deixará, com lágrimas nos olhos, arrumará sua mala e sairá pela porta da frente da minha casa.
Enquanto esse dia não chega, meu coração transborda em saber que eu sou a mulher da vida dele, a única pra quem ele diz "eu te amo muito", pra quem um sorrisão se abre ao me ver dançando feito louca... Sim, eu sou a única que deita na sua cama todas as noites e consegue fazê-lo ter sonhos tranquilos. Sou eu que faço suas dores passarem com beijinhos e são pra mim seus abraços mais carinhosos. Eu só não consigo controlar minha emoção quando ele me chama de mamãe nem quando ele abre um sorrisão incrível ao me ver chegar do trabalho.
um dia eu não serei mais a única, mas agora resigno-me e aproveito a exclusividade.
Amo demais meus pequenos!
Enquanto esse dia não chega, meu coração transborda em saber que eu sou a mulher da vida dele, a única pra quem ele diz "eu te amo muito", pra quem um sorrisão se abre ao me ver dançando feito louca... Sim, eu sou a única que deita na sua cama todas as noites e consegue fazê-lo ter sonhos tranquilos. Sou eu que faço suas dores passarem com beijinhos e são pra mim seus abraços mais carinhosos. Eu só não consigo controlar minha emoção quando ele me chama de mamãe nem quando ele abre um sorrisão incrível ao me ver chegar do trabalho.
um dia eu não serei mais a única, mas agora resigno-me e aproveito a exclusividade.
Amo demais meus pequenos!
domingo, 3 de maio de 2009
Resta UM
Mais um domingo como outro qualquer, não fosse este o dia 03/05. A data teria passado despercebida, não fosse o orkut a me lembrar do aniversário. Talvez por ser o aniversário, a data de ontem foi escolhida para o casamento. Sabe como é, né? casamento, coisa corriqueira e sem importância, para o qual a presença dos amigos mais próximos pode ser dispensada. Eu sei, eu sou irônica... O problema é que eu ainda não consigo entender porque a excluída do rol de amigos próximos fui eu. Menos compreensível se torna porque a recíproca não é verdadeira, porque eu ainda espero o telefonema dizendo que estará na cidade nos próximos dias, espero o convite para o sorvete no fim de tarde ou para aquela padaria de tantos debates... Espero mesmo!
Só queria poder dar-lhe um abraço, desejar-lhe um futuro bom e doce (como diria Caio F.), parabenizá-lo pelo casório recém-oficializado... Mas não poderei! Eu fui excluída do rol de amigos... Eu fui o resta um...
Só queria poder dar-lhe um abraço, desejar-lhe um futuro bom e doce (como diria Caio F.), parabenizá-lo pelo casório recém-oficializado... Mas não poderei! Eu fui excluída do rol de amigos... Eu fui o resta um...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
FINITO
Um dia, foi assim: As palavras nunca foram (nem serão) suficientes para dizer o quanto as pessoas são especiais. A mim, aparentam sempre limitadas, sempre ficam aquém do que realmente se quer dizer. ELE é aquele para quem sempre corri no desespero, na dor, na hora da choradeira e na da gargalhada também. ELE é aquele que me entende, me anima, me dá auto-estima, me faz sorrir. ELE é alguém em quem posso confiar, alguém que sei que estará presente em minha vida apesar de qualquer coisa, seja a distância de um oceano, sejam as ocupações, seja a falta de tempo... Sei que, mesmo que anos se passem sem que nos falemos, no momento em que nossos olhares se cruzarem, tudo será como sempre foi, sorriríamos, nos abraçaríamos e contaríamos todas as histórias de nossas vidas como se nunca tivéssemos nos distanciado.
Hoje simplesmente não é mais. E eu acreditei com força que era tudo pra sempre, uma amizade inquebrantável, para além das confusões sentimentais em que nos metíamos, para além da compreensão humana como tantas vezes disse. Achei mesmo que havia eternidade no efêmero, que haveria continuidade apesar de tantos "apesares de". Eu me enganei, redondamente, integralmente e inconsequentemente. Fui capaz de bradar para tantos a veracidade da relação, a legitimidade do meu bem querer, a reciprocidade do sentimento, a sinceridade fraternal, a responsabilidade com que lidávamos com sentimentos alheios e a similitude de posturas e pensamentos que nos unia. Eu bati o pé não sei nem quantas vezes para defender o que eu achava ser extremamente importante. E era, mas só pra mim. Para o outro, era descartável. Vi, embasbacada, ele fazer comigo o que fizera com tantas outras relações: cortar o vínculo. Vi o tratamento impessoal, a frieza, a distância, e, ato contínuo, o profundo descaso com algo que achei ser precioso.
Que me sirva de desabafo e para a convicção da finitude do que pensei eterno.
Hoje simplesmente não é mais. E eu acreditei com força que era tudo pra sempre, uma amizade inquebrantável, para além das confusões sentimentais em que nos metíamos, para além da compreensão humana como tantas vezes disse. Achei mesmo que havia eternidade no efêmero, que haveria continuidade apesar de tantos "apesares de". Eu me enganei, redondamente, integralmente e inconsequentemente. Fui capaz de bradar para tantos a veracidade da relação, a legitimidade do meu bem querer, a reciprocidade do sentimento, a sinceridade fraternal, a responsabilidade com que lidávamos com sentimentos alheios e a similitude de posturas e pensamentos que nos unia. Eu bati o pé não sei nem quantas vezes para defender o que eu achava ser extremamente importante. E era, mas só pra mim. Para o outro, era descartável. Vi, embasbacada, ele fazer comigo o que fizera com tantas outras relações: cortar o vínculo. Vi o tratamento impessoal, a frieza, a distância, e, ato contínuo, o profundo descaso com algo que achei ser precioso.
Que me sirva de desabafo e para a convicção da finitude do que pensei eterno.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
EU SÓ SEI QUE...
Adoro livros. Adoro mesmo, leio tudo que me cai no colo. Tenho uma facilidade incrível de me concentrar, mesmo que esteja chovendo canivetes e uma guerra civil acontecendo na rua. A única coisa que me desconecta da leitura é música e só se eu conhecer a letra. Decoro letras de música com facilidade e rapidez. Tenho admiração por coisas (letras, versos, textos, músicas) tristes... acho tudo maravilhoso e profundo e sensitivo e emocionante... Sempre gasto mais do que ganho com coisas úteis, inúteis e fúteis. Passei, como a maioria, de adolescente revolucionária e comunista à adulta burguesa e consumista. Preocupo-me com roupas, acessórios, sapatos, cabelo, pele, maquiagem e tratamentos estéticos com freqüência. Descobri um talento para ser mãe depois que me tornei uma. Abandonei hábitos notívagos, abandonei o egocentrismo absoluto e adotei a rotina como o melhor dos mundos, exercitei ao extremo minha paciência e meu poder de manter a calma em momentos de pânico e, agora, essas características fazem parte de mim. Pode parecer incrível nos dias de hoje, mas não acho que preciso de comprimidos ou terapias para lidar com meus sentimentos e com as pessoas. Tenho um bom relacionamento comigo mesma, baseado principalmente na absoluta coerência com aquilo que sinto. Não guardo mágoas, mas eu explodo nos momentos de raiva. Choro quando a alma pede e até secar a dor. Tenho cicatrizes físicas e emocionais, algumas ainda dormentes. Dou gargalhadas, risadas e sorrisos dependendo da razão. Não sou simpática com todo mundo. Posso dizer muitas vezes coisas que os outros não querem ouvir. Não gosto de segredos. Não trato desconhecidos como velhos amigos de infância. Não desfaço amizades verdadeiras, salvo motivo de força maior ou onerosidade excessiva. Procuro evitar pessoas com deficiências de caráter. Busco sempre o lado bom de tudo; é clichê, eu sei, mas funciona. Aprendi que é preciso esquecer e apagar aquilo e aquele que mais te machucou. Dou-me, no máximo, três dias para curar ou resolver qualquer problema, de uma gripe a uma desilusão. Meu passaporte tem bem menos carimbos do que eu gostaria, mas a vida ainda é longa. Tenho planos individuais, a dois e familiares ainda por concretizar. Sou e tenho mais do que supus ser/ter na vida inteira. Ser feliz cotidianamente não significa ter uma vida perfeita. Tenho facilidade com palavras escritas, mais que com as ditas; mas falo demais. Pareço durona, mas sou um poço sem fundo de sensibilidade. Não dou conselhos a quem não me pede. Não interfiro em coisas que não me atingem diretamente. Sinto saudade de épocas, pessoas, cheiros e coisas. Choro com facilidade, mais ainda em casamentos, capítulo final de novela, livros e filmes. Não dou o braço a torcer com facilidade e, segundo meu marido, só depois de transcorridos três meses reconheço um erro meu. Tenho conteúdo político-ideológico, independente de partido político. Não acredito em Deus, mas acredito no ser humano. Um dia talvez encontre um bom motivo para ter fé, mas até o presente momento, a possibilidade de viver, por si só, me basta para ser razão e para ser feliz. Acredito realmente que só temos essa vida e, por isso mesmo, trato de aproveitar o que me é oportunizado. Não reclamo de barriga cheia, nem de barriga vazia (aliás, barriga vazia tem sido meu objetivo nos últimos nove meses). Não ponho a mão no fogo por nem desconfio de seu ninguém. Um dia ainda aprendo a esperar sem ansiedade, amar com cautela, estabelecer prioridades e metas, e a juntar dinheiro para o depois. Sim, estou exatamente onde queria estar!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Um elefante incomoda muito a gente
Um elefante branco invadiu a sala da minha casa no dia do aniversário da queda das torres. Invadiu, se abancou, relaxou e agora está lá, muito bem sentado no meu sofá, com os pés apoiados na mesinha de centro.
A convivência com um elefante branco é extremamente penosa, porque ele é um animal dado a hábitos estranhíssimos. Faz toda questão do mundo de ser notado, percebido, visto; mas não nos permite qualquer contato, nem superficial, nem íntimo. Assim, ele não me permite falar sobre ou com ele; não me permite perguntar-lhe de onde ele veio, quanto tempo pretende ficar ou quando vai embora; não me permite encará-lo e nem quer que eu saiba suas intimidades. Ele se mantém lá, distante, calado, ensimesmado, e pesadamente instalado no meu lar, estacionado na minha sala, estacionando a minha vida.
Eu já tentei racionalmente convecê-lo de que o melhor seria que ele sumisse daqui, dizendo-lhe que esta é uma casa de gente feliz, que se ama e que nada tem a lhe oferecer. Porém, parece-me que o intuito dele é realmente testar nossa paciência até o limite e verificar o quão forte somos, o quanto somos capazes de seguir unidos quando ocorre um "apesar de". Tentei dissuadi-lo desse propósito. Em vão. Ele continua lá no mesmo canto, do mesmo jeito, me convencendo (ou tentando) de que aquilo tudo em que eu acreditava, em que apostei todas as minhas fichas, aquela certeza de que elefantes brancos não existiam, era só uma brisa leve de convicção e que nada havia de perenidade nisso.
Eu sinto que ele vai embora um dia. Só não sei quando, nem como. Mas sei que, quando ele ultrapassar o umbral da porta de entrada, restará aqui dentro um coração aliviado e feliz de novo.
A convivência com um elefante branco é extremamente penosa, porque ele é um animal dado a hábitos estranhíssimos. Faz toda questão do mundo de ser notado, percebido, visto; mas não nos permite qualquer contato, nem superficial, nem íntimo. Assim, ele não me permite falar sobre ou com ele; não me permite perguntar-lhe de onde ele veio, quanto tempo pretende ficar ou quando vai embora; não me permite encará-lo e nem quer que eu saiba suas intimidades. Ele se mantém lá, distante, calado, ensimesmado, e pesadamente instalado no meu lar, estacionado na minha sala, estacionando a minha vida.
Eu já tentei racionalmente convecê-lo de que o melhor seria que ele sumisse daqui, dizendo-lhe que esta é uma casa de gente feliz, que se ama e que nada tem a lhe oferecer. Porém, parece-me que o intuito dele é realmente testar nossa paciência até o limite e verificar o quão forte somos, o quanto somos capazes de seguir unidos quando ocorre um "apesar de". Tentei dissuadi-lo desse propósito. Em vão. Ele continua lá no mesmo canto, do mesmo jeito, me convencendo (ou tentando) de que aquilo tudo em que eu acreditava, em que apostei todas as minhas fichas, aquela certeza de que elefantes brancos não existiam, era só uma brisa leve de convicção e que nada havia de perenidade nisso.
Eu sinto que ele vai embora um dia. Só não sei quando, nem como. Mas sei que, quando ele ultrapassar o umbral da porta de entrada, restará aqui dentro um coração aliviado e feliz de novo.
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