sábado, 6 de fevereiro de 2010
Do Orkut de novo
Sorte de hoje: O sucesso não é o final e o fracasso não é fatal: o que conta é a coragem para seguir em frente.
E não é verdade? O importante é seguir em frente, eu sempre disse isso, apesar dos inúmeros, contantes e triviais apesares. Este especificamente me parece por demais pesado. Não contava mesmo com essa rasteira da vida. Pelo contrário... Mas eu também sempre disse que estava aqui para colocar a cara à tapa.
Meu pedido de final do ano, que até então sempre fora atendido, era só para ser feliz. Eu estava realmente muito feliz e não havia mais muita coisa a ser pedida. 2010 seria uma ano de concretizações. Tínhamos combinados tanta coisa para este ano: apê novo, festa de casamento, a mentalité... Tínhamos tanta coisa para fazer com ele que, diante dessa tragédia, eu só consigo pensar que ele pode passar correndo. Preciso de 2011!
Se 2010 veio para me arrancar dos meus sonhos de vida para me mostrar o fundo do poço, eu só quero que 2011 me mostre a escada pra sair daqui e que ele chegue logo, para ontem!
E não é verdade? O importante é seguir em frente, eu sempre disse isso, apesar dos inúmeros, contantes e triviais apesares. Este especificamente me parece por demais pesado. Não contava mesmo com essa rasteira da vida. Pelo contrário... Mas eu também sempre disse que estava aqui para colocar a cara à tapa.
Meu pedido de final do ano, que até então sempre fora atendido, era só para ser feliz. Eu estava realmente muito feliz e não havia mais muita coisa a ser pedida. 2010 seria uma ano de concretizações. Tínhamos combinados tanta coisa para este ano: apê novo, festa de casamento, a mentalité... Tínhamos tanta coisa para fazer com ele que, diante dessa tragédia, eu só consigo pensar que ele pode passar correndo. Preciso de 2011!
Se 2010 veio para me arrancar dos meus sonhos de vida para me mostrar o fundo do poço, eu só quero que 2011 me mostre a escada pra sair daqui e que ele chegue logo, para ontem!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Nada convencional
O papai e a mamãe se conheceram numa festa brega no Valeu Boi. Isso não denuncia a idade deles, meus pequenos. É que a gente começou a farrear muito cedo mesmo. Lembro bem de achar o papai muito criança porque ele não bebia e, naquela idade, beber era sinal de adultice. Ele me contou muito tempo depois que achou a mamãe magrela demais (e eu era mesmo) e exibida. O tio Greg disse ao papai que a mamãe estava interessada nele, o que era mentira. O tio Greg disse à mamãe que o papai estava interessado nela, o que também era mentira. O tio Greg não se lembra de ter feito isso. Mas foi assim que o papai e a mamãe ficaram pela primeira vez e foi só isso.
Alguns anos depois, a mamãe e o papai se reencontraram, mas ela estava envolvida num relacionamento turbulento e doentio. Nos momentos em que ela emergia pra tomar ar, era o papai que ela encontrava. E foi assim que eles se reaproximaram. Dessa vez, ele não era mais criança e ela precisava mesmo encontrar um cara legal. Quando o relacionamento turbulento e doentio teve um ponto final, o papai apareceu de verdade na vida da mamãe. Foi sem querer, nenhum dos dois tinha realmente a intenção de se envolver. Mas eles se encontraram quase todos os dias do verão de 2000/2001. De encontros fortuitos, eles passaram a encontros marcados e depois eles só saíam juntos. E, antes mesmo dele se dar conta do sentimento que sentia, ela já sabia que estava apaixonada por ele. Ele repetia que deveria ser "sem paixão" e chamava a mamãe de "meritíssima".
A mamãe não queria sofrer de novo, por isso pediu pra terminar aquela história. Mas o papai não aguentou passar nem dois dias longe dela. No dia 23/01/2001, eles começaram oficialmente a namorar. Foi lindo, meus pequenos, quando ele pediu a mamãe em namoro. Eles choraram de felicidade. Era um amor tão grande, tão bonito... Eles se ajudavam, se completavam... Papai e mamãe se davam bem em tudo, escreviam cartas lindas e comemoravam sempre as conquistas de cada um. Foi nesse tempo que ele passou a chamar a mamãe de "moreninha". O tio Greg e a tia Keka começaram a namorar também e eram nossa principal companhia nas sextas no Picanha à moda. A gente sempre ia pra lá e os dois meninos bebiam rum com coca e pediam coração de boi. As vacas eram bem magras naqueles tempos, meus amores.
Depois de quase três anos, o namoro do papai e da mamãe entrou em crise. Eles brigavam muito, mas principalmente porque o papai não entendia muitas coisas da personalidade da mamãe. Ela nunca foi sorriso e simpatia, como ele. A mamãe é mais reservada, mais turrona. O papai era relações públicas, amigo de todo mundo, super carismático. Isso chateava muito o papai. Aí, a gota d'água aconteceu num fortal, em que o papai queria muito aproveitar. Eles brigaram feio, feio mesmo. Mas a briga em si não foi o ponto final. O ponto final aconteceu porque dois dias depois o papai foi para Alemanha, numa viagem de sonhos e oportunidades.
Papai passou 40 dias por lá. Nesse tempo, a mamãe remoeu muito o final do namoro e sofreu taaanto, meus pequenos. Quando o papai voltou, a mamãe não queria mais ficar com ele e foi aí que o papai sofreu. Sofreu muito, profundamente. Todo mundo sabia que ele tava sofrendo, ele não quis esconder de ninguém. Ele tentou muitas vezes reatar o namoro. Mas a mamãe não quis. Ela achava que o relacionamento deles era uma barca furada e queria vivenciar outras histórias. A mamãe achava que poderia encontrar alguém que combinasse com ela também, mas que entendesse e respeitasse o jeito dela ser. E assim, cada um foi para o seu lado, mas sem desamarrar de vez o laço que os unia.
Foram quase dois anos esticando o elástico que prendia um ao outro. Papai e mamãe fizeram uma força descomunal para desmanchar o vínculo, mas vez ou outra eles terminavam juntos. Apareceram outras pessoas na vida do papai e da mamãe, mas ninguém que tomasse o lugar que o outro tinha. Quando o papai ganhou uma bolsa para estudar 6 meses na Alemanha, a mamãe teve muito medo de perdê-lo para sempre. Medo de que ele não voltasse mais, de que se apaixonasse por uma alemã, de que ele se esquecesse dela de vez... Foi aí que a mamãe resolveu deixar de esticar o elástico e voltar para o lugar de onde tinha vindo.
Nessa época, o papai estava forte e decidido. É claro que ele não deixaria de aproveitar essa oportunidade, mas a mamãe não ficava mais longe da vida dele. Ele passou os seis meses lá e, através de emails, dizia sempre que tinha certeza absoluta de que a mamãe não era a mulher da vida dele, que nossa história tinha acabado mesmo e que ele só queria aproveitar e ser feliz. Mas a mamãe não é mulher de desistir fácil. No dia em que o papai retornou ao Brasil, a mamãe foi lá na casa dele, dá um abraço de boas vindas. Alguns dias depois, foi o Baile de Formatura do papai. A mamãe caprichou na produção e foi lá que o elástico deixou de ser esticado de vez.
O papai relutou muito, não queria ver que era com a mamãe que ele tinha que ficar mesmo, ele tinha conflitos internos. A mamãe entendia: se ele tinha dito tantas vezes e a tanta gente que não queria mais nem notícia da mamãe, como é que iria aparecer com ela??? Mas foi inevitável, meus pequenos. Era sem controle, sem limites, irrefutável, era óbvio demais, era tudo que a gente queria. Em duas semanas, papai e mamãe já se amavam como se não tivesse havido um hiato, mas ainda não sabiam como iriam mostrar isso a todo mundo. E tinha também o inconveniente do Carnaval: ele iria pra Salvador, em mais uma viagem dos sonhos; ela, para Olinda. Combinaram então para depois do Carnaval resolverem tudo.
Mas a vida, meus meninos, é mesmo uma caixinha de surpresas e lembrar isso tudo faz meu coração palpitar. A mamãe descobriu que estava grávida do Matheus na segunda-feira antes do Carnaval. Aí o motivo que faltava, a razão hors concours, a desculpa perfeita, a causa inescapável apareceu num exame de ultrassom transvaginal. O que poderia, num primeiro momento, ser motivo de desespero, foi motivo de muita alegria para a mamãe e para o papai. A gente já era uma família, a gente nunca mais vai deixar de ser!
Foi assim, meus pequenos, que nos tornamos nós. Foi assim que construímos essa família, esse amor. Não foi da maneira convencional, mas foi tão linda a nossa história. Eu conto agora para vocês, para que vocês saibam que tudo aconteceu como deveria acontecer. Apesar das lágrimas nos meus olhos, das mãos trêmulas, do engasgo na garganta, do aperto no peito e do peso enorme de tanta responsabilidade, não houve e não haverá razão para lamentar. Foi uma história de amor, meus meninos, uma história de amor para recordar, porque esse amor, rasgado pela morte prematura do pai de vocês, será eterno.
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Alguns anos depois, a mamãe e o papai se reencontraram, mas ela estava envolvida num relacionamento turbulento e doentio. Nos momentos em que ela emergia pra tomar ar, era o papai que ela encontrava. E foi assim que eles se reaproximaram. Dessa vez, ele não era mais criança e ela precisava mesmo encontrar um cara legal. Quando o relacionamento turbulento e doentio teve um ponto final, o papai apareceu de verdade na vida da mamãe. Foi sem querer, nenhum dos dois tinha realmente a intenção de se envolver. Mas eles se encontraram quase todos os dias do verão de 2000/2001. De encontros fortuitos, eles passaram a encontros marcados e depois eles só saíam juntos. E, antes mesmo dele se dar conta do sentimento que sentia, ela já sabia que estava apaixonada por ele. Ele repetia que deveria ser "sem paixão" e chamava a mamãe de "meritíssima".
A mamãe não queria sofrer de novo, por isso pediu pra terminar aquela história. Mas o papai não aguentou passar nem dois dias longe dela. No dia 23/01/2001, eles começaram oficialmente a namorar. Foi lindo, meus pequenos, quando ele pediu a mamãe em namoro. Eles choraram de felicidade. Era um amor tão grande, tão bonito... Eles se ajudavam, se completavam... Papai e mamãe se davam bem em tudo, escreviam cartas lindas e comemoravam sempre as conquistas de cada um. Foi nesse tempo que ele passou a chamar a mamãe de "moreninha". O tio Greg e a tia Keka começaram a namorar também e eram nossa principal companhia nas sextas no Picanha à moda. A gente sempre ia pra lá e os dois meninos bebiam rum com coca e pediam coração de boi. As vacas eram bem magras naqueles tempos, meus amores.
Depois de quase três anos, o namoro do papai e da mamãe entrou em crise. Eles brigavam muito, mas principalmente porque o papai não entendia muitas coisas da personalidade da mamãe. Ela nunca foi sorriso e simpatia, como ele. A mamãe é mais reservada, mais turrona. O papai era relações públicas, amigo de todo mundo, super carismático. Isso chateava muito o papai. Aí, a gota d'água aconteceu num fortal, em que o papai queria muito aproveitar. Eles brigaram feio, feio mesmo. Mas a briga em si não foi o ponto final. O ponto final aconteceu porque dois dias depois o papai foi para Alemanha, numa viagem de sonhos e oportunidades.
Papai passou 40 dias por lá. Nesse tempo, a mamãe remoeu muito o final do namoro e sofreu taaanto, meus pequenos. Quando o papai voltou, a mamãe não queria mais ficar com ele e foi aí que o papai sofreu. Sofreu muito, profundamente. Todo mundo sabia que ele tava sofrendo, ele não quis esconder de ninguém. Ele tentou muitas vezes reatar o namoro. Mas a mamãe não quis. Ela achava que o relacionamento deles era uma barca furada e queria vivenciar outras histórias. A mamãe achava que poderia encontrar alguém que combinasse com ela também, mas que entendesse e respeitasse o jeito dela ser. E assim, cada um foi para o seu lado, mas sem desamarrar de vez o laço que os unia.
Foram quase dois anos esticando o elástico que prendia um ao outro. Papai e mamãe fizeram uma força descomunal para desmanchar o vínculo, mas vez ou outra eles terminavam juntos. Apareceram outras pessoas na vida do papai e da mamãe, mas ninguém que tomasse o lugar que o outro tinha. Quando o papai ganhou uma bolsa para estudar 6 meses na Alemanha, a mamãe teve muito medo de perdê-lo para sempre. Medo de que ele não voltasse mais, de que se apaixonasse por uma alemã, de que ele se esquecesse dela de vez... Foi aí que a mamãe resolveu deixar de esticar o elástico e voltar para o lugar de onde tinha vindo.
Nessa época, o papai estava forte e decidido. É claro que ele não deixaria de aproveitar essa oportunidade, mas a mamãe não ficava mais longe da vida dele. Ele passou os seis meses lá e, através de emails, dizia sempre que tinha certeza absoluta de que a mamãe não era a mulher da vida dele, que nossa história tinha acabado mesmo e que ele só queria aproveitar e ser feliz. Mas a mamãe não é mulher de desistir fácil. No dia em que o papai retornou ao Brasil, a mamãe foi lá na casa dele, dá um abraço de boas vindas. Alguns dias depois, foi o Baile de Formatura do papai. A mamãe caprichou na produção e foi lá que o elástico deixou de ser esticado de vez.
O papai relutou muito, não queria ver que era com a mamãe que ele tinha que ficar mesmo, ele tinha conflitos internos. A mamãe entendia: se ele tinha dito tantas vezes e a tanta gente que não queria mais nem notícia da mamãe, como é que iria aparecer com ela??? Mas foi inevitável, meus pequenos. Era sem controle, sem limites, irrefutável, era óbvio demais, era tudo que a gente queria. Em duas semanas, papai e mamãe já se amavam como se não tivesse havido um hiato, mas ainda não sabiam como iriam mostrar isso a todo mundo. E tinha também o inconveniente do Carnaval: ele iria pra Salvador, em mais uma viagem dos sonhos; ela, para Olinda. Combinaram então para depois do Carnaval resolverem tudo.
Mas a vida, meus meninos, é mesmo uma caixinha de surpresas e lembrar isso tudo faz meu coração palpitar. A mamãe descobriu que estava grávida do Matheus na segunda-feira antes do Carnaval. Aí o motivo que faltava, a razão hors concours, a desculpa perfeita, a causa inescapável apareceu num exame de ultrassom transvaginal. O que poderia, num primeiro momento, ser motivo de desespero, foi motivo de muita alegria para a mamãe e para o papai. A gente já era uma família, a gente nunca mais vai deixar de ser!
Foi assim, meus pequenos, que nos tornamos nós. Foi assim que construímos essa família, esse amor. Não foi da maneira convencional, mas foi tão linda a nossa história. Eu conto agora para vocês, para que vocês saibam que tudo aconteceu como deveria acontecer. Apesar das lágrimas nos meus olhos, das mãos trêmulas, do engasgo na garganta, do aperto no peito e do peso enorme de tanta responsabilidade, não houve e não haverá razão para lamentar. Foi uma história de amor, meus meninos, uma história de amor para recordar, porque esse amor, rasgado pela morte prematura do pai de vocês, será eterno.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Conforto
Sim, há o vazio, o aperto, a saudade e muitas lágrimas... Mas no meio do caos, há muitos amigos, muita gente fazendo carinho na gente e doando tudo o que tem, mais do que pode, em alguns casos. Tem gente juntando amigos, reunindo a turma toda, estendendo os braços, sendo todo ouvidos, sendo companhia muda, sendo companhia apenas, colocando seus serviços ao nosso dispor... Tem gente fazendo ligações, mutirões, bolões... Tem gente ajudando, tem gente com a gente, meus meninos! Nós não estamos sós! Constatar isso faz com que lágrimas de dor virem lágrimas de amor.
Muito obrigada, gente! Muito obrigada!!!
Muito obrigada, gente! Muito obrigada!!!
Viver assim não é viver...
Eu viveria com você, não sem sofrer, mesmo se se transformasse num sujeito esquisito, rabugento, implicante, ciumento, possessivo e antipático. Eu viveria com você se se tornasse mulherengo, mentiroso, cafajeste e viciado. Eu aguentaria e engoliria em seco se tivesse de vê-lo acompanhado de outros amores e se tivesse de aturá-los por conta do vínculo que formamos através de nossos filhos. Eu viveria até longe de você, sem falar com você, sem ter o seu cuidado para comigo, para com os nossos meninos. Eu viveria a minha vida toda sofrendo sem o seu amor, sem a sua atenção. Conviveria com a indiferença, a rispidez, a ausência, a distância, o descaso, o descrédito, a decepção, a amargura... Mas, Thi, é pesado, doloroso e penoso demais viver num mundo em que você simplesmente não existe mais. Eu apenas sobrevivo.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Memória
Naquele dia, ele acordou cedo como fez nas duas quartas anteriores, do mês de janeiro. Nas outras duas vezes que ele foi pra lá, eu não me lembro da nossa despedida. Tenho certeza de que ele me beijou antes de sair. Fazíamos isso sempre, mas eu não lembro.
Na quarta-feira, 20, ele não só me beijou. Ele me abraçou demorado, mexeu no meu cabelo, cheirou meu pescoço, elogiou a minha pele e meu perfume, ele deixou claro o amor por mim num número sem fim de carinhos, que eu não sabia, mas seriam os últimos e ficariam num espaço nebuloso da memória. Nebuloso, sim, porque naquele momento eu estava num estágio entre o sono e o despertar, entre o inconsciente e o consciente.
De qualquer forma, o carinho ficou em mim, bem como o vocativo e a voz que ele usou na última ligação telefônica que fez: "Princesinha". Ele me instruía para agendar coisas triviais, como consultas e compras, mas esqueceu de me instruir como conviver com essa falta que pesa tanto agora.
____________________________________
Mais de uma centena de visitas por dia. Obrigada por lerem e me ajudarem a esvaziar essa dor.
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Na quarta-feira, 20, ele não só me beijou. Ele me abraçou demorado, mexeu no meu cabelo, cheirou meu pescoço, elogiou a minha pele e meu perfume, ele deixou claro o amor por mim num número sem fim de carinhos, que eu não sabia, mas seriam os últimos e ficariam num espaço nebuloso da memória. Nebuloso, sim, porque naquele momento eu estava num estágio entre o sono e o despertar, entre o inconsciente e o consciente.
De qualquer forma, o carinho ficou em mim, bem como o vocativo e a voz que ele usou na última ligação telefônica que fez: "Princesinha". Ele me instruía para agendar coisas triviais, como consultas e compras, mas esqueceu de me instruir como conviver com essa falta que pesa tanto agora.
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Revirando
Faz tempo que eu escrevi, mas foi bom ler de novo.
Foi bom porque a dor hoje é muito maior, mas o raciocínio deve ser o mesmo.
Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Sobre o tempo
A gente tá cansado de saber que o tempo é o pai de todas as curas. Só ele é remédio pra todas as feridas, as do corpo e as da alma. Só ele apaga todas as mágoas e todas as más recordações. É único responsável pelo apagão nos destroços de uma história de amor, e, por conta disso, também é responsável pela nossa sobrevivência a estas devastações românticas.
Só o tempo mesmo é capaz de soprar as folhas da nossa vida e fazer com que aqueçamos o coração com lembranças doces, amigos queridos, infâncias remotas, tempos idos de colégio e de faculdade... Só o tempo mesmo é senhor do nosso destino e faz com que, através da segurança que a distância temporal nos dá, possamos refletir com mais acuidade sobre comportamentos e atitudes tomados por impulso, sobre nossos pequenos "regrets" (quem não os tem???).
Depois de decorrido, ele pára e encara a gente. Ri das bobagens que pensamos, quando da nossa ansiedade para que ele passasse mais rápido. Ri do quanto nos descabelamos achando que não fosse dar certo e deu; do quanto choramos achando que não fosse passar e passou; do quanto torcemos pra que ele corresse depressa e depois nos arrependemos por não termos podido aproveitar tudo direito e com detalhes.
É, o tempo é um senhor de barbas brancas e com aquela extrema experiência senil. Ri muito e sempre dos nossos impulsos cotidianos, dos nossos egoísmos corriqueiros, das nossas desesperanças, dos nossos pessimismos traiçoeiros (estes, sim, capazes de nos derrubar). Ele gosta por demais dos insistentes, dos persistentes, dos teimosos, dos decididos, dos determinados e os agracia constantemente com presentes mais que esperados, conquistados.
O tempo tem aquele quê de "eu já passei por isso" e me dá lições todos os dias . Hoje mesmo ele me acordou cedinho dizendo que nunca é tarde para perceber que ele corre sempre do mesmo jeito, não adianta antecipar o final porque ele vai chegar de qualquer jeito, não adianta apertar o botão ffw... Mais importante de tudo é aproveitar os verbos enquanto estão sendo conjugados no gerúndio, porque como dizia o poeta, o passado já se foi e o futuro é por demais incerto.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A gente brigava também
De: Thiago Castro [mailto:paidomatheus@uol.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 22:27
Para: Marcele
Assunto: Re:
Enviada em: quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 22:27
Para: Marcele
Assunto: Re:
Não estava de mal... estava apenas esperando um BOM pedido de desculpas!
Thiago
----- Original Message -----
From: Marcele
To: 'Thiago Castro'
Sent: Thursday, February 28, 2008 8:52 AM
Subject: RES:
Suspeitei desde o princípio que um bom pedido de desculpas deveria ser sorvete de chocolate com calda de caramelo.
Amo vocÊ!
Marcele Alencar
De: Thiago Castro
Enviada em: quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 17:16
Para: Marcele
Assunto: Re:
Para: Marcele
Assunto: Re:
Eita que mentira grande!
Isso é que dá casar com uma adEvogada!
Se suspeitou desde o princípio e tinha tanto sorvete no congelador quanto caramelo na geladeira, por que demorou tanto? hehe
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Faz tempo...
De: Thiago Castro
Enviada em: sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 20:57
Para: Marcele
Assunto: RE: Texto antigo
Para: Marcele
Assunto: RE: Texto antigo
Mozinho,
Lembro- me perfeitamente da leitura desse texto em seu blog num cyber perto da minha casa em Berlin. Assim como me lembro perfeitamente de vc negando pelo MSN: dizendo que esse texto não era pra mim. hehehehe
Amo vc e suas ações: dps de um tempo, a gente sempre descobre a verdade por vc mesma! hehehe
Amo vc demais - agora no Brasil, em nosso apê e com nosso Pirroto metido a falante!
Thi
Lembro- me perfeitamente da leitura desse texto em seu blog num cyber perto da minha casa em Berlin. Assim como me lembro perfeitamente de vc negando pelo MSN: dizendo que esse texto não era pra mim. hehehehe
Amo vc e suas ações: dps de um tempo, a gente sempre descobre a verdade por vc mesma! hehehe
Amo vc demais - agora no Brasil, em nosso apê e com nosso Pirroto metido a falante!
Thi
From: marcele@faelce.com.br
To: thicamo@hotmail.com
Subject: Texto antigo
Date: Fri, 4 Jan 2008 15:32:05 -0300
To: thicamo@hotmail.com
Subject: Texto antigo
Date: Fri, 4 Jan 2008 15:32:05 -0300
Mozinho,
Olha esse texto que eu escrevi faz é tempo pra você (15/11/2005). Engraçado perceber que hoje a gente ainda tem muitos destes hábitos.
Irremediável
"Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo" (O mar mais longe que eu vejo - Inventário do Ir-remediável. Caio Fernando Abreu)
Acordou com uma vontade estranha, uma saudade estranha, um incômodo indescritível. Era saudade, sim. A constatação disso tanto tempo depois gerou um sorriso nos lábios dela. Deitada ainda, procurou por alguém ao lado na cama, procurou um ombro pra se aconchegar, procurou alguém pra dizer bom dia com uma vozinha infantil, como só quem está muito apaixonado consegue fazer. Mas não havia ninguém lá. Sentiu falta de ligar todos os dias nos mesmos horários para a mesma pessoa, aquela com quem podia ficar conversando leviandades, descrevendo dias modorrentos como se uma história fascinante fosse; e ainda de ligações extraordinárias no meio da tarde da quarta-feira só pra dizer "eu te amo". É, ela tava estranha aquele dia. Sentiu falta da programação do final de semana juntos, das viagens nos feriados prolongados para aquela casa de praia, da perspectiva de uma vida inteira juntos. Lembrou-se do nome dos filhos que planejara ter. Lembrou da turma de casais e daquele barzinho de todas as sextas. Lembrou dos micos que pagaram juntos não sei quantas vezes por conta da bebida e da parada obrigatória naquela lanchonete no meio da madrugada, aos domingos ou quando batesse nela uma vontade irresistível de comer tranqueira. Lembrou da confiança incondicional, da cumplicidade, da intimidade extrema, do companheirismo, da mão pesando na perna quando no carro, do corpo pesando sobre o dela, do beijo ofegante, do abraço apertado e das lágrimas (tantas...) por ciúme, por amor demais, por saudade, por brigas inúteis... Lembrou de como se sentia ao lado dele, da sensação de que tudo ia ficar bem, por maior e pior que fosse o problema. Lembrou das aulas de química, das horas em que ficavam sentados, cada um estudando suas coisas, mas sempre por perto, ao alcance dos lábios. Riu muito da mania de doce, do festival de cosquinhas, das brigas estúpidas em Olinda e das inúmeras reconciliações. Lembrou de como ele achava engraçado as lágrimas que saltavam dos olhos dela por qualquer bobagem, um filme, uma homenagem, uma frase, um poema... Lembrou do quanto foi difícil aquela viagem que ele fez. Lembrou-se dos inúmeros aniversários, das surpresas e de uma mágoa. Porque toda história de amor tem suas mágoas. Porque toda história de amor é pra ser lembrada.
O passado continua essencialmente o mesmo e, já que não pode mais ser vivido, pede para ser lembrado...
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Retorno à rotina
Essa pessoa que caminha nas ruas, batendo o salto no asfalto, com óculos gigantes no rosto e uma maxi-bolsa, essa pessoa é uma farsa.
Essa pessoa que dirige o carro preto, que vai e volta, que faz as refeições, que atende ligações e manda emails importantes. Essa pessoa também é uma farsa.
Não há nada de força, nem vitalidade, nem vontade, nem determinação... Não há mais quase nada nela. Restou-lhe apenas uma saudade doída e um amor imenso por duas criaturinhas que a impele pra frente, avante.
Essa pessoa que dirige o carro preto, que vai e volta, que faz as refeições, que atende ligações e manda emails importantes. Essa pessoa também é uma farsa.
Não há nada de força, nem vitalidade, nem vontade, nem determinação... Não há mais quase nada nela. Restou-lhe apenas uma saudade doída e um amor imenso por duas criaturinhas que a impele pra frente, avante.
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