quarta-feira, 16 de março de 2011

Hoje não dá

Gente, vocês me perdoem, mas um não sei o quê me atormenta hoje e eu não tô mais interessada em escrever sobre essas coisas tristes demais. Eu descobri que esse blog não é sobre luto, não é sobre dor, mas é sobre esperança, sobre fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Eu quero escrever sobre a felicidade que me acompanha e me aguarda, sobre a alegria que os pequenos me proporcionam, sobre o amor. Mas hoje não dá.

Eu volto. Prometo.

terça-feira, 15 de março de 2011

Desatando nós

"Sei lá, a tua ausência me causou o caos. No breu de hoje eu sinto que o tempo da cura tornou a tristeza normal. Então, tu tome tento com meu coração, não deixe ele vir na solidão, encabulado por voltar a sós. Depois que o que é confuso te deixar sorrir, tu me devolva o que tirou daqui, que o meu peito se abre desatados nós." (Altar Particular – Maria Gadu)

Não percebo explicação melhor para a sensação. É exatamente CAOS. Diante da reviravolta toda, da confusão em que se foi jogado, é preciso se virar, e continuar a caminhar, e se acostumar com a dor, com a falta não premeditada, com a ausência dolorosa, pesarosa, mais ainda porque não há ranço qualquer, não há mágoa, não há a raiva que desvirtue o amor que se sentiu e se viveu. Há, pelo contrário, tão somente uma pilha gigantesca de boas recordações e de algumas briguinhas, alguns desentendimentos. Estes, por sua vez, diante do infinito de sentimento que nos ataca, parecem tão minúsculos, tão desimportantes...

Torci para que os dias corressem rápido. Não queria aquela dor sufocante me atravessando o peito, me partindo ao meio, me dobrando os joelhos e me fazendo perder o controle sobre minha própria razão por muito tempo. Eu ficava imaginando e me preparando para o futuro em que não seria sufocante, pesado, sobrecarregado assim. Eu queria que ele chegasse logo.

Ouvi muito dizerem que ia passar, que era questão de tempo, que era conformação e resiliência. Ouvi muito dizerem que eu superaria por ser jovem, por ter a vida inteira pela frente. Hoje eu percebo que não. Não passou. Ainda dói, ainda me revolta, ainda acho um absurdo, ainda caem lágrimas aqui se eu pensar em tudo que poderia ter sido. Mas né? Eu tinha que viver e é por isso mesmo que afirmo que não sou exemplo de nada. O que chamam de superação é apenas o que me restou fazer.

Ainda assim, eu vejo claramente a minha vida se expandindo agora, ganhando novas cores, abrindo espaços para o que é inteiramente novo. Todavia, depois de tudo que ocorreu, eu não sou mais a mesma (nem poderia ser). E por mais que paute minhas relações na mais absoluta autenticidade, e por mais que tente ao máximo ser verdadeira e transparente, há por aqui um instinto de proteção que me esconde, que me cala, que impede, que domina, que afasta, que foge e, para ser completamente franca, MOR-RE de medo.

Eu fico indo e vindo, numa valsa estranha e confusa, um passo para frente e dois para trás, três para frente e um para trás. Vou pisando com cautela, abrindo devagarzinho a caixa de Pandora em que escondi meu coração, pé ante pé para que a vida não dê mais nenhum looping. Dou por vistas as emoções radicais. Dou por visto o tempo de sofrimento e crescimento e amadurecimento. Dou por vista a sensação de se perder o chão. Vou arriscando baixo, apostando pouco, segurando no corrimão e completamente encantada com o precipício, se é que vocês me entendem.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parabéns, Ti!

Quando o pior de todos os dias da minha vida aconteceu, duas pessoas estiveram comigo em absolutamente todos os momentos. Duas pessoas me seguraram pelo braço, não me deixaram fraquejar, não me deixaram desabafar, seguraram minhas mãos, meus cabelos, enxugaram minhas lágrimas, tomaram conta de mim, da minha casa, da papelada, da rotina, até que eu ficasse em pé de novo. Era um do lado e outro do outro. Eram meus dois guardiões. Foram as surpresas mais agradáveis no meio da situação mais triste. Foram meu porto seguro, foram peças chave. Ele foi o primeiro a cuidar das coisas práticas. Juntou documentos, desabou até Sobral, foi no IML, despachou tudo para que o velório e o enterro acontecessem aqui. Ele me ligava a cada hora dando notícias de como estava lá e mostrou o grande homem que é ao acalentar os outros parentes, ao segurar essa barra monstra, ao ficar comigo o tempo inteiro, do meu lado, mas é bem do lado mesmo. Ele foi gigantesco no momento em que eu me senti mais minúscula. Ele foi muito mais velho no momento em que eu me senti mais indefesa e perdida e sozinha no mundo. Ele foi companheiro, amigo, irmão. Meu irmão! Hoje ele faz aniversário e eu encho os olhos de lágrimas de pensar no que somos hoje, nós três, um para o outro.

Parabéns, Tiago! Muitas felicidades, muito sucesso, muito dinheiro, muito tudo que houver de bom para você!
Amo você!

Rindo com Matheus XX

Domingo à noite. A gente voltando pra casa depois de ter passado o dia todo na casa da mamãe.

_ Mãe, amanhã tem escola?
_ Tem sim!
_ Mãe, amanhã você trabalha?
_ Sim, sim!
_ Ah, mãe, vai demorar pra chegar o Carnaval de novo?!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Rindo com Thomás VII

A gente tá tentando desfraldar o Thomás. Não é fácil. Ele é neném e gosta de ser neném. Não larga o bubu (chupeta) e faz questão de ser todo dengoso.

Hoje de manhã caiu um temporal aqui em Fortaleza. Matheus acordou com uma tosse bem rouca (e bem desesperadora) e reclamando de dor na garganta e eu achei melhor nem levá-los à escola. Mediquei o Matheus e pedi que a Lalá deixasse o Thomás sem fraldas. Tava com medo porque os dois estavam assistindo a uns desenhos na minha cama, mas eu conversei com o Thomás antes e pedi que ele não fizesse xixi na cama da mamãe, que quando ele estivesse com vontade, fosse ao banheiro, igual ao irmão.

Aí, eu estava lá me maquiando para vir trabalhar, chega o Thomás, todo molhado e sorridente:

_ Mamãe, plonto, eu fiz xixi banheilo.

(No chão, sem tirar a cuequinha, mas no banheiro como eu pedi!)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Das cinzas

Fica muito fácil perceber que a vida da gente não segue um script depois que acidentes acontecem. Fica muito mais fácil entender que é tênue, que é mínima a distância entre o que é certo e o que simplesmente não existe. É muito mais fácil relativizar as coisas, minimizar o tamanho dos problemas, concentrar no que efetivamente é prioridade e viver mais tranquilamente.

É impressionante perceber a sensação de liberdade que a gente conquista depois de superar o pior de todos os momentos. Liberdade que permite que se arrisque mais, que se despoje de preconceitos e contra-argumentos, que se desfaça das algemas do medo, que se jogue fora as armaduras e as máscaras e seja simplesmente o que se é. E, sendo o que se é, seja também muito mais feliz e inteira em cada momento vivido.

Depois que a gente lida com a morte de perto, principalmente com a morte repentina, passa a viver com muito mais intensidade cada segundo, passa a se dedicar com muito mais afinco a cada oportunidade de felicidade que aparece, passa a aproveitar com mais vigor os momentos bons e a entender que a gente precisa mesmo de coisas simples e corriqueiras, porque afinal é isso que importa, é isso que efetivamente conta.

Pode ser só um encontro com amigos ou um sorvete no calor da tarde; pode ser só um banho de piscina com os filhos ou um abraço apertado; pode ser um cineminha no fim do dia ou mãos dadas à beira mar, pode ser qualquer coisa desde que faça bem, desde que deixe a sensação de que se vive, desde que traga junto um pouquinho de quero mais, de vale a pena. Pode ser mínimo e máximo ao mesmo tempo agora. Pode ser único e inesquecível. Pouco importa.

Não se deve deixar passar as oportunidades de ser feliz que aparecem, não se pode deixar correr o tempo sem viver os sentimentos que surgem, não se pode simplesmente descartar essas pequenas epifanias que devolvem à gente o sentido de todas as coisas. É para isso que estamos aqui e só por isso.

sexta-feira, 4 de março de 2011

So no one told you life was gonna be this way...

...your job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear.
Well, it hasn't been your day, your week, your month or even your year.
But I'll be there for you when the rain starts to pour
I'll be there for you like I've been there before
I'll be there for you cause you there for me too.

E aí, independente de como a vida tenha sido com você, independente de por quais infortúnios e puxadas de tapete e problemas se esteja passando agora, independente de ânimo, ritmo e vontade, deixe que um pouco dessa alegria gratuita que se espalha pelas ruas te contamine. Experimente o sorriso e o peito aberto. Permita alguns passos e deixe se levar. Junte-se aos que estão there for you e seja feliz só por hoje. No mínimo, será mais leve. No mínimo, será mais fácil. No mínimo, você conseguirá repetir só por hoje todo dia.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Rindo com Matheus XIX e Rindo com Thomás VI

A gente lá, na festinha de aniversário da mamãe. Com pessoas queridas e conversas que rendem muito, nem vi o tempo passar. Quase 22:30, chegam os pequenos do meu lado:

Matheus: Mamãe, num já tá na hora da gente dormir, não?
Thomás: Amanhã tem "icola"

Disciplinados demais, não?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Contatos

Acredito que a melhor coisa que fiz em relação ao blog foi colocar meu email pesssoal aí na barra lateral. Todos os dias recebo emails de gente de todo lugar do mundo dizendo que se comoveu com minha história, que torce pela gente, que sabe que o melhor está na frente e muitas outras declarações carinhosas. São pessoas que nem me conhecem, que sequer me viram na vida, mas que se sentem impulsionadas a me escrever para me dar uma palavra de apoio, de força e, muitas vezes, de fé. Vocês, autores desses emails e leitores, não fazem ideia do quanto isso é bom de ver, ouvir, ler, sentir; do quanto isso me anima e do quanto me ajudou a superar.

Hoje cheguei aqui no trabalho e encontrei um email de uma pessoa do passado, que compartilhou alguns momentos lá atrás comigo, que durante um breve espaço de tempo era presença constante; que, depois de anos sem contato, soube do que aconteceu na minha vida e resolveu me escrever. Um email super carinhoso, com elogios ao blog e à minha conduta. Nem tanto pelas palavras, mas muito mais pelo fato desse carinho superar a distância, a falta de contato, os rumos que se tomou e se prolatar no tempo; eu fiquei muito emocionada. Gente que a gente sempre quis bem e por quem nutre esse bem querer, a despeito de não se estar mais perto, sabe? Gente por quem a gente torce e deseja todo o melhor do mundo. Gente de quem, durante um bom tempo, só se teve notícias esparsas ou por meio das redes sociais. Melhor de tudo é saber que é um bem querer recíproco.

Fiquei feliz, ó! :D

terça-feira, 1 de março de 2011

Muito do que eu sou

Ela é a mãe mais filha que eu conheço, vivemos continuamente, eu e a Manu (minha irmã) tentando chamá-la à razão. E a Manu cuida de tudo, leva a casa nas costas, porque ela é aérea demais. Acho que cansou de ser responsável, depois que todo mundo cresceu e resolveu relaxar. Ela faz perguntas absurdamente indevidas a pessoas estranhas, a pessoas conhecidas e a pessoas íntimas. Ela conta toda a história da vida para os vendedores das lojas de sapatos (e não efetiva a compra!). Ela é curiosa demais, bisbilhota papéis, internet, redes sociais, correspondências. Ela quer ser amiga de todos os nossos amigos. Ela quer participar de cada mínimo acontecimento e se mete em todas as conversas. Ela perde hooooras do dia jogando cartas online ou na fazenda do orkut, e acha que isso é compromisso importante. Ela escreve um blog também. Ela tem orkut, facebook e MSN. Um amigo me diz que ela é uma cyber mãe.

Ela tem uma fé inabalável e eu tenho fé na vida, fé nos homens e fé no que virá, como diz a letra da canção. Acho que as letras sejam uma paixão herdada geneticamente. Acho que a espontaneidade pra falar de sentimentos também é arquivo genético, além dessa explosão de carência que vezenquando me acomete. Tenho certeza de que há muito aqui do que vi, ouvi, senti  e instrospectei dessa convivência e dessas lições. Sei também do coração que bate cheio de orgulho ao me ver ser exatamente do jeito que eu sou, sem poréns, sem apesares. Percebo o amor que transborda nos pequenos. Eu sei de tudo isso e muito mais.

Depois que eu cresci, percebo a influência que a personalidade dela teve na moldura da minha. Percebo que cada característica que salta aos olhos em mim está relacionada à contra-mão do que salta aos olhos nela. Percebo a negativa do espelho e entendo cada percalço e leão e montanha que fez ser exatamente o que é. Não foi fácil carregar três pequenos. Não foi fácil tornar gente o que era pedra bruta. Não foi fácil fazer de nós o que somos: humanos, solidários, honestos, gente do/de bem. A maior lição que eu tiro desses quase vinte e nove anos de convivência é exatamente o que me manteve de pé no pior de todos os momentos: é preciso seguir em frente a despeito de todas as coisas e é importante ser sincero consigo e com os outros.

E aí, entendo perfeitamente que não importa grana, bens, viagens, emprego, festa. Entendo que não é preciso grandes feitos, grandes realizações, grandes conquistas. Entendo que não é preciso viajar o mundo todo, subir ao topo do Everest, vencer uma corrida internacional, fazer parte do primeiro escalão de qualquer coisa. Importa mesmo é ter quem a gente quer bem assim perto, assim ao redor. Entendo que o importante é ver alegria em simplesmente viver e ter saúde. E não se trata de conformismo, comodidade, estagnação. É apenas uma forma de encarar o mundo, a vida, com leveza e simplicidade, segurando no que é mais firme, quando no olho do furacão, e protegendo o que vale mais.

Sei que eu só cheguei aqui por causa de você, porque foi você que acreditou em mim em cada um dos desafios do meu caminho, foi você que apostou quando o mundo disse não, foi você que confiou quando eu achei que não fosse ser capaz e muito da minha força, da minha garra, da minha fortaleza, da minha capacidade de superação e da minha resiliência veio das lições que eu recebi dentro de casa. Não foi fácil e nem sempre será doce, mas estamos juntos, vivos, saudáveis e tocando em frente. Você é o cerne disso tudo, mãe.

Parabéns por todos estes anos de vida (não vou dizer quantos, né?)!!!