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domingo, 1 de maio de 2011

Um café quente numa tarde fria

"E, fatalmente, vão se cruzar por aí. São tantas as esquinas. Vocês vão beber um café quente juntos, falar amenidades, sobre novos cortes de cabelo, você está bonita, e você mais maduro, como está sua mãe e tudo mais. Nos momentos de silêncio, baixarão o queixo, com medo de amarrar olhares e, talvez, voltar tudo aquilo outra vez. Mas vai ser só isso." (Gabito Nunes)

Mas, sabe, eu não queria que fosse só isso, eu não queria que fosse mais uma vez uma coisa qualquer, um encontro qualquer, com qualquer pessoa insignificante que era uma vez esteve ali... Eu não queria tratar isso como sou tentada a tratar: palavras frias e promessas vãs que jamais serão cumpridas. Eu queria acreditar de novo e sentir importante, sentir inigualável, sentir transcendental. Eu queria olhar e reconhecer, sem precisar falar nada, como foi um dia. Eu queria abraçar apertado como quem muito quer bem e só sabe expressar dessa forma. Eu queria ouvir sua risada calorosa me animar a alma novamente. Eu queria me sentir íntima, próxima, querida. Eu queria que fosse muito mais que um café quente numa tarde fria de final de abril. Eu queria que fosse perene. Eu queria que fosse verdade. Eu queria acreditar, mas ainda não dá. As feridas que se abriram em mim sangram e molham meu rosto e eu preciso de tratamento intensivo para recuperar o que foi destroçado. Quem sabe, um dia, seja só uma cicatriz. Quem sabe, um dia, a gente ria disso junto, levantando taças numa mesa de bar. Quem sabe, um dia, façamos piada desse inverno. Assim espero. Assim espero.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais do mesmo

Estancou. É fato. O sangue não jorra mais da ferida. Mas ainda lateja numa dor que pulsa e não me deixa me enganar. É tudo hematoma, é tudo trauma, é tudo inchaço. Ele vem com gelo, assopros, água benta, reza, choros e velas. Ele vem, com o conhecimento que lhe é próprio, curar o que não tem cura. Ele vem com beijos, cafuné, pedidos de desculpas... Ele vem chorando baixinho e pedindo por favor... Ele vem mostrando o castelo que erguemos, contando da torre mais alta onde vivemos... Ele vem de cavalo branco e espada pedindo pra ficar. E eu deixo.