domingo, 16 de maio de 2010

Explicando

Muita gente me perguntou o significado...


Chico Xavier que passou por grandes sofrimentos,pediu um dia ao Espirito Emmanuel se não era possivel rogar às esferas superiores um conselho que o ajudasse naqueles dias tão dificeis. Passados alguns dias, Emmanuel trouxe-lhe a resposta que o espirito de Maria de Nazaré lhe enviou e que se resumia a apenas:

ISSO TAMBÉM PASSA

Diz-nos o Chico que esta frase foi como bálsamo para a dor imensa que ele sentia e que a escreveu num papel e colocou na cabeceira da cama.

Um dia um amigo do Chico, que achou a frase muito interessante, disse-lhe:

-"Chico vou fazer o mesmo,colocar esta frase na cabeceira da minha cama".

-"Faça isso mesmo,meu filho,mas não esqueça que o espirito Emmanuel,também me disse que ela serve tanto para momentos tristes,como para momentos alegres".


FROM: Forum Espírita

Cartas para você XIV

Thi,

Eu voltei lá no lugar onde as sombras são compridas, no lugar onde o céu de fim de tarde é tão bonito, no lugar onde a grama é verdinha e há centenas de flores... Eu voltei lá porque eu não estarei aqui e eu não vou querer pensar nisso no fim de semana que vem. Eu voltei lá como que para estar com você de novo, Thi, "comemorando" antecipadamente nosso "aniversário" de casamento. Porque o fato de ter tido você em minha vida é, por si só, um motivo.

Eu sentei de novo na grama e dessa vez havia seu nome na lápide, seu nome completo, a data do seu nascimento e aquela data do janeiro trágico. Estava lá na pedra branca, com todas as letras, o nome que reverbera em meus pensamentos há mais de nove anos, o nome que faz meu coração palpitar e que me fez perder noites de sono, e eu derramei muitas lágrimas. Eu chorei porque ainda dói, eu chorei porque ainda parece mentira, eu chorei porque é injusto demais, eu chorei porque a gente tinha muito o que fazer ao longo desse ano e agora eu reprogramo a vida de três pessoas sozinha.

Eu me dobrei de dor e deixei minhas lágrimas molharem seu túmulo, deixei minhas lágrimas secarem minha alma dessa dor que teima em doer tanto e incansavelmente dentro de mim. E elas caíram aos borbotões porque esse maio tem sido pesado, doloroso, sofrido demais para mim.

Pela primeira vez na vida eu passarei um aniversário longe dos meus e longe de mim, Thi. Eu não quero estar aqui, eu não quero saber do peso, da dor, da tragédia, da opinião alheia... Eu quero, pelo menos nesse dia, esquecer desse passado e esquecer que eu perdi meu rumo, perdi o lugar para onde eu ia, perdi aquele com quem eu ia... Quero esquecer que minha vida está em transição, em reorganização, readaptação... Quero esquecer por um dia só dos problemas, das pendências, das inconclusões... Quero ser só a Marcele, perdida numa megalópole sulamericana.

Eu vou para lá, Thi, com essa intenção. Eu vou para lá para abstrair e fugir também, eu assumo. Porque eu tenho encarado tudo de frente e com a cabeça erguida, mas, em alguns momentos, me esconder parece ser a melhor opção. Eu vou, fugindo, me escondendo, covardemente ou prudentemente, eu não sei. Mas eu vou.

Acho que vai ser bom para mim. Acho que voltarei melhor e mais forte para retomar a luta, com mais força ainda para nadar até a praia, com mais força ainda para correr da borda do poço, com mais força ainda para carregar os dois pequenos nas costas, com mais força ainda para ser feliz.

Eu amo você demais!

Moreninha

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tudo passa

Se tem uma coisa que eu aprendi depois de tudo por que passei foi isso: TUDO PASSA. As coisas boas, as muito boas, as ruins e as muito ruins. Não há nada absoluto e eterno. Há esforço diário, há trabalho duro, há dedicação e suor, mas não há perpetuidade em absolutamente nada.

Há muito eu venho querendo fazer uma tatuagem. Antes, com as iniciais da família, no pulso: M & T. Depois do acidente, depois do filme do Chico Xavier, depois de entender e absorver um pouquinho de tudo isso, eu mudei de ideia. Hoje eu me dei de presente de aniversário a tatuagem.

Em primeira mão:

Quando a música fala pela gente

"As brigas que ganhei, nem um troféu como lembrança pra casa eu levei.
As brigas que perdi, estas sim eu nunca esqueci"

(Pato Fu - Perdendo dentes)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Parece ou não?



Em sentido horário: eu com quase dois anos; eu com quase um ano; no centro o Thomás, meu pequeno gorducho; minha mãe bebê e meu irmão. Diz aí, se num é a cara dos Alencar, esse Thomás?

A dor e o disfarce

Sofrimento me serve de equilíbrio. Emocionalizo o raciocínio, racionalizo a emoção. A escrita me escorre pelos dedos de acordo com minha necessidade de desassossego. Cavar-se fundo e provar de outros é como dependurar-se com meia dúzia de dedos num abismo com vista para o paraíso. Chacoalho o corpo como se a queda jamais fosse me acontecer. Vezes uns dedos me escapam, vezes me embriago com a beleza da vista. Dos ângulos que o corpo me permite virar, e dos outros tantos que a mente insiste, vejo violência daquele lado, mas há violência em mim, tanto quanto neles. Há de tudo um pouco, e percorro-me com passos cautelosos feitos os de um cego, logo me jogo inteira com toda a afoiteza de um leão. Prever-se é impossível. Remediar-se, sim, talvez, mas evito. Toda aparente loucura e dor é também uma capacidade. Capacito-me inteira, como se estivesse me vingando de mim mesma. Salvo-me, também, à medida em que escrevo. Quanto aos lábios calados e aos olhos atentos, não acredite. Por fora sou só disfarce.

Daqui: http://ojosdemel.blogspot.com/

Quando a imaginação atrapalha...

Eu descobri, na terapia, que eu continuo a imaginar como seria se o acidente não tivesse acontecido. A vida vai passando, eu sigo em frente, eu enfrento todos os problemas, eu olho para o depois disso, eu corro do poço em que me jogaram, eu fujo do que me causa dor, eu pego o caminho mais florido, eu ando com cautela... Mas nas datas comemorativas ou significativas, eu volto a pensar em todo um episódio ideal em que ele estaria aqui com a gente. Eu fiz isso com a viagem para o RJ, eu fiz isso quando arrombaram meu carro, eu fiz isso no Dia das Mães, eu fiz isso muitas outras vezes.

Eu fico imaginando como seria com ele, o que ele diria, que providências tomaria, como atuaria e crio a cena mentalmente e sigo divagando e desenrolando todo o dia como se ele existisse. Às vezes, eu estou me arrumando para sair, em frente ao espelho, e imaginando o que ele diria da roupa e da hora inteira com pincéis e maquiagens. Eu penso sempre na voz dele me dizendo que eu demorava mais para me maquiar que para tomar banho e escolher a roupa e que essas duas tarefas, por si só, já eram muito demoradas e o que era para levar meia hora virava três. Eu saio e fico imaginando o que ele pensaria se me visse dançando na pista, suada e sorrindo, bebendo... Eu escuto a voz dele na minha cabeça... Eu coloco nossos pequenos para dormir, balançando na rede, e vejo mentalmente ele de olhos fechados, cheirando a cabeça do Thomás e dizendo obrigada porque ele não podia ser mais feliz. Eu deito na nossa cama e imagino que ele está lá no banheiro, abrindo as muitas correspondências e contas e os jornais médicos que ele recebia e comentando as coisas do dia comigo. E eu faço isso muitas vezes e em diversas situações.

Por fim, eu descubro que eu não posso deixar esses pensamentos se desenvolverem, que eu tenho que cortá-los na sua gênese, que eu tenho que me policiar para que isso não crie raízes. É comum acontecer quando um trauma inesperado ocorre, mas é preciso viver o que é real. Eu sei que a realidade é dura e imaginar a presença dele me ajuda a descobrir o caminho certo. Mas ainda assim, eu preciso parar de divagar e seguir focando em mim, acreditando nos meus instintos e olhando para o que de bom haverá no muito depois disso.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sempre pode ser pior

Alguém me perguntou no formspringme/marcelealencar se pior seria se pior fosse. Eu respondi com uma frase em que acredito muito: O PIOR É INESGOTÁVEL. Quem me disse isso pela primeira vez foi um querido amigo dos tempos de faculdade e eu fiquei meio tonta com a afirmação e achei que ele fosse muito pessismista (característica que não tem na-da-a-ver comigo). Mas hoje, depois de uns solavancos da vida, eu entendo o que ele quis dizer.

Se a gente parar para pensar, tudo sempre pode ser pior. Eu uso como exemplo uma pessoa que mora na rua. Pior que morar na rua, é morar na rua com filhos. Pior que morar na rua com filhos é dormir na rua. Pior que dormir na rua é dormir na rua em dia de chuva. Pior que dormir na rua em dia de chuva é ter tuberculose e dormir na rua em dia de chuva... E por aí vai. Não tem fim o que pode ser pior. Mas essa constatação tem um revés. Muitas pessoas acham que, porque sempre pode ser pior, você tem de agradecer ou se conformar com a situação muito ruim pela qual passa. Dá pra entender? Sempre chega alguém pra dizer: "Mas olha, não fique triste assim, poderia ser pior! Você e seus filhos tem saúde. Você é inteligente, bonita, nova, capaz..." ou "Ele poderia ter ficado aqui tetraplégico".

Eu mesma já sofri esse tipo de julgamento alheio. Gente vindo me dizer que tem muitas pessoas em situação muito pior que a minha, que eu não sou a única nem a última viúva no mundo e que eu estava fazendo um espetáculo da minha dor. E, sim, é verdade, tem gente sofrendo muito mais que eu, em situações que eu não quero nem posso pensar nesse momento (vide:http://lucianaewoltony.blogspot.com/). E, cá pra nós, eu não faço espetáculo da minha dor. Muito pelo contrário, eu vou à terapia para descobrir se a minha forma pragmática de lidar com tudo isso não é um mecanismo de fuga; eu sento naquele sofá e exponho grande parte do que eu digo aqui; eu não choro em público, eu não lamento, eu não vivo dobrada de dor, eu saio de casa com amigos, eu resolvo as burocracias todas sem lacrimejar... Às vezes, é difícil demais e as lágrimas caem e eu fico escondida num cantinho e choro o que vem de uma vez só. Mas na maior parte do dia, eu aguento minhas dores de pé, de frente, de cabeça erguida e sem pena de mim.

Isso não é uma fuga é apenas uma forma de lidar com tudo isso. É a minha maneira (viu, Freda?) de viver o luto. Eu não visto uma máscara de felicidade, mas eu sei reconhecer que não sou mulher de lamentações, de autopiedade, de mimimimi... Hoje eu entendo porque a Nara me disse que eu era uma rocha, porque a Vivian me disse que eu sou forte e foi justamente por isso que ele me escolheu (porque sabia que eu aguentaria o tranco, porque sabia que eu resolveria tudo, porque sabia que eu criaria nossos filhos para a felicidade, sendo eu mesma exemplo disso).

O pior é inesgotável, é fato. Mas não é por isso que eu vou fingir que não é muito ruim ter uma tragédia na história e também não é por isso que eu vou me dobrar. Eu vou em frente, sorrindo e chorando, vivendo e aprendendo e ensinando e dando exemplo a dois pequenos, para que eles entendam que estar vivo é um presente e que tudo que a gente tem de verdade é o que a gente é e a maneira como encara a vida.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ano novo

Eu vi em algum canto que, a cada aniversário nosso, um ano novo se inicia. Um ano novo na nossa vida, uma virada, uma nova idade, uma novidade. Pois bem. Mal começou 2010 e me trouxe uma avalanche emocional, a maior perda da minha vida, a maior dor que eu já sofri, o maior trauma... Naquele momento, tudo que eu pedia era para que esse ano acabasse logo, que passasse correndo para eu me livrar do peso inevitável que só se esvai mesmo com o correr do tempo... Eu torcia para chegar logo o Ano Novo e para ver a poeira baixar, as coisas voltarem ao lugar, a solução dos inúmeros problemas que pularam sobre mim com a morte prematura e abrupta do meu marido. Eu queria o Ano Novo.

Não há nada que eu posso fazer para o tempo passar mais rápido, mas com a chegada do meu aniversário, com a nova idade se aproximando, eu decreto meu Ano Novo. Dia 22/05 será de virada, dia de tirar o peso das costas, a sombra dos olhos e se livrar do sorriso amarelo. Dia 22/05 será de emoção, porque eu também casei nesse dia, mas mais que isso, será de celebração da vida, da oportunidade de ser feliz, da esperança. Dia 22/05 será meu aniversário, o primeiro sem ele, e eu quero ser feliz.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Doces desconhecidos

Tem momentos que eu acho que esse blog é muita exposição, é muita gente sabendo o que eu penso e o que eu faço. É muita gente metendo o dedo na minha ferida e podendo falar o que quiser nos comentários anônimos. É muita gente que pode até não falar nada aqui, até nunca falar nada pra mim, mas vai ficar formando opinião a meu respeito aí pelo mundo, sem saber realmente quem eu sou. Aqui, estão minhas fragilidades todas, em carne viva. Aqui estou eu no que há de mais sensível em mim. Muitas vezes, MUITAS VEZES, não é isso que a pessoa encontra quando me encontra e me olha no olho. MUITAS VEZES, a pessoa se depara com um sorriso, um cabelo escovado, maquiagem no rosto, um salto alto e a cintura fina comprada e pensa: "mas cadê a dor? As olheiras? Os olhos inchados de chorar?". Não encontrar um pessoa dobrada pela dor e pelo sofrimento pode ser frustrante pra quem me lê. Pelo mundo, eu sou uma mulher ainda preocupada com o que veste, ainda preocupada em esconder as olheiras e proteger a pele do sol, que bebe vodka e dança. Pelo mundo, eu vou seguindo a minha vida, fazendo piada de mal gosto e de humor negro, com olhos de esperança. Pelo mundo, eu ainda sou a Marcele de antes, virada pelo avesso por dentro, mas tentando colocar as coisas em ordem e sorrindo.
 
Receber o carinho de gente que eu não conheço e que está espalhado pelo mundo todo (isso não é uma hipérbole, tem gente me lendo em todo canto do mundo); gente que caiu aqui nesse blog sem querer e querendo; gente que me considera, me deseja o bem, torce por mim e me manda emails lindos assim, como esse aí embaixo; isso, sim, me motiva e me faz um ser humano muito mais melhor de bom ponto com ponto bê-erre.
 
Muito obrigada aos seguidores todos e às meninas que me mandaram emails dizendo terem se tornado fãs! Eu fico toda boba com esse carinho de vocês!

Marcele



Date: Thu, 6 May 2010 17:24:30 -0300
From: Marina Bueno
To: marcelealencar@hotmail.com
Subject: Olá


Marcele

Imagino que muitas pessoas, emocionadas aqui do outro lado da tela do computador, tenham te escrito palavras de ajuda e esperança. Espero fazer parte desse grupo. Li todo o seu blog e juro que não sabia o que viria a seguir... Cheguei no seu blog por outro blog, não me lembro qual, acho que o Beijo Me Liga (?) e coloquei em meus favoritos. Dentre tantos outros, ficou lá quietinho. Hoje, depois de terminar um trabalho grande, comecei a ler esses blogs. Cheguei no seu e fui até a última página e fui acompanhando... Tenho 26 anos e vou me casar em outubro... Estava adorando toda a sua vida de casada, estava feliz. De repente veio o baque.... Que coisa mais triste, Marcele.
Mas sabe, a vida é assim. A maior parte das pessoas têm seus dramas particulares e vive um dia de cada vez. Eu perdi um irmão de 18 anos há quatro anos. Você é mãe, deve imaginar a tragédia que se abateu na minha vida e na de minha família, sempre tão feliz, embora longe de parecer um comercial de margarina. Minha mãe diz que não vive mais, apenas sobrevive, mas sei que ela tem seus momentos de felicidade, como por exemplo, agora que vou me casar e ela está me ajudando nos preparativos...
O que eu gostaria de te dizer, do fundo do meu coração, é que aos poucos, a saudade se torna mais amena, as fotos alegram mais do que doem e o sentimento é de agradecimento por ter vivido tantos anos ao lado da pessoa amada. Seu Thiago te deixou dois filhos lindos e ele vive nesses pequenos e em você, em todo seu amor. Chore muito, Querida. Aproveite os momentos de alegria com leveza. Fale de sua dor quantas vezes quiser e por quantas horas achar que te faça bem. Se afaste das pessoas que te façam mal, una-se àquelas que realmente te querem bem.
Vi desde o início do seu blog que você é ateia. Eu deixei de ter fé com a morte de meu irmão, tão novo, de uma maneira tão cretina , absurda e inexplicável... Quatro anos depois, há duas semanas, com a morte de minha vó, tento recobrar um pouco de fé. Ela ajuda, faz bem. Acalma um pouco o coração. Mas, mais importante do que ter fé é ser uma pessoa boa. Quando meu irmão morreu eu pensei o que tinha sobrado dele. E tive a certeza que era aquilo que os outros pensavam e lembravam dele. E tenho a certeza de que não quero ser lembrada e nem viver, depois de minha morte, por lembranças ruins. Assim, sigo minha vida procurando ao máximo fazer o bem, ser uma boa amiga, distribuir palavras sinceras de carinho e de amor. Procuro não guardar rancor, perdoar, me afastar do que não é bacana...
Saiba, que em São Paulo, você ganhou uma amiga. E quero muito seu bem e te incluirei nas minhas, não tão cheias de fé, orações. Você tem aqui um ouvido e um abraço.

Com carinho,
Marina



POR DIA 63.912 COMPUTADORES SÃO INFECTADOS POR VÍRUS. LEIA DICAS DE SEGURANÇA.