O Natal passou, vem aí o Reveillon que me parece, sim, bem pior. Até porque é naquela hora em que o ano vira, em que os fogos estouram no céu, que eu tenho certeza de que mais sentirei falta do beijo e do abraço de amor que a gente sempre se dava. Sentirei falta da convicção do sentimento, da perenidade, dos planos e sonhos que juntos reafirmávamos na noite do dia 31 de dezembro.
Apesar dessa saudade que vai estar lá, revirando o porão de dentro de mim, eu sei que eu vou estar feliz por ver 2010 acabando enfim. Racionalmente, eu sei que é só um marco cronológico, um dia para outro, nada demais, nada muda... Mas é que aqui dentro eu sinto que posso ter esperança de que 2011 seja muito, muito melhor. Sinto, como eu disse uma vez, que o Ano Novo é como uma página de papel em branco, em que se pode escrever ou desenhar o que quiser.
E, cá pra nós, é tarefa bem fácil ser melhor que 2010. Nada de grandes expectativas, grandes projetos, ambições, nada de sonhos engatilhados... Perguntaram quais são meus planos para esse Ano Novo tão esperado e a resposta é nada. Já disse que nem sei o que fazer com o resto da vida que me espera. Não tem nada grandioso em perspectiva, nenhuma mudança na vida, nenhum emprego novo, nenhuma bolada esperando, nada. O que eu espero é um ano de quietude, tranquilidade e paz. Eu quero um ano doce, leve, e, por isso mesmo, feliz.
Não é pedir muito. Não é dever de trigonometria. Não é uma equação mirabolante. Basta mesmo passar mansinho e me permitir de novo a sensação de que as coisas voltaram aos seus lugares. Por fim, venho pensando muito nessa música e que ela fique como prenúncio de que o melhor vai começar.
"Eu quero o sol ao despertar
brincando com a brisa
por entre as plantas da varanda
em nossa casa
Eu quero amar
É lógico que o mundo não me odeia
Hoje eu sou mais romântico
que a lua cheia
Você mostrou pra mim
onde encontrar assim
mais de um milhão de motivos pra sonhar
E é tão gostoso ter
os pés no chão e ver
que o melhor da vida vai começar"
http://www.youtube.com/watch?v=4Q1gHKUDaxo&feature=player_embedded#!
PS: Esse blog encerra o ano com uma média de mais de 8.000 acessos por mês. Eu sei que descubro a cada dia dezenas de leitores anônimos, que torcem e me acompanham em silêncio, quero agradecer o carinho e a força que vocês me mandam mesmo sem que eu saiba. Aos leitores oficiais, seguidores, aos que se dizem fãs, meu muito obrigada também. Vocês são como família pra mim! Feliz Ano Novo a todos!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Deve ser por isso
Há essa bagunça dentro de mim. Uma confusão de sentimentos que ora explode, ora se afunda, ora derrama, ora seca. Há coisas que eu deixo escondido embaixo do tapete do porão de dentro, porque nem eu mesma me sinto preparada para lidar com elas. Ficam lá, intocadas, esquecidas, a gente finge que não se vê, a gente finge que não se sabe. E assim, eu vivo a minha vida mais inteira, mais em pé. Preciso confessar também que eu não sei lidar muito bem com a dor, nem a física (limiar bem estreito) nem a emocional. Eu não sei lidar, eu não sei o que fazer, então eu fujo. Fujo do que faz doer, fujo do que faz tudo revirar. Às vezes, é óbvio, a dor é mais rápida que a minha carreira e a enxaqueca me derruba, o turbilhão de dentro me faz dobrar os joelhos. Mas o meu impulso quando me deparo com as dores inevitáveis da vida é correr delas. Não é uma atitude racional, é instintiva. É apenas questão de sobrevivência. Deve ser por isso que eu procuro levar a vida olhando pra frente, pra depois. Deve ser por isso que eu passo pelas coisas pisando firme, para andar por sobre elas e deixa-lás para trás. Deve ser por isso, nem eu sei, que tem gente que me chama de rocha, de fria, de guerreira... Deve ser por isso.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
PS: I love you
Fazia tempo que eu queria assistir de novo ao filme "PS: I love you". Fazia tempo que ele tava lá na prateleira me esperando e eu deixando para depois para não passar de novo pelo turbilhão. Eu imaginava como seria rever aquela história, dessa vez, me colocando no lugar da personagem principal e recebendo aquelas cartas que me moveriam para frente no meio do luto. E, ao assistir ao filme, foi impossível não me reconhecer ali, em tudo, na vontade de que a vida terminasse, na falta de motivação, na preguiça até pra tomar banho, nas sensações da presença dele.... Eu chorei muito e, mais uma vez, meu vale de lágrimas serviu para aliviar a dor que não sai de mim, e, ao mesmo tempo, me faz andar para frente.
Seguem os trechos mais lindos do filme, em inglês (porque eu tenho essa mania de assistir aos filmes em inglês mesmo e sem legenda em português):
Holly: Do you think it'll be all right if I stop my life right here? Never leave my apartment till I'm old, sit in my wedding dress...
Friend: wich you never had.
Holly: ... with an old piece of wedding cake...
Friend: wich you never had... You gotta be rich to be insane, Hol. Losing your mind is not a luxury fot he middle class.
Holly: That's not fair!!!
Friend: It's not!
Holly: When daddy left, I was 14 and I said "that's it, never again, no man...". Then I meet Gerry... This wonderful man happens to me and then, and then he died. What's the point? I'm so angry I could kill somebody. I'm alone and it doesn't matter what job I have or what I do or what I don't do or what friends I have. I mean, you're alone no matter what...
And the last letter:
"Dear Holly,
(...) I have a feeling that this is the last letter because there's only one thing left to tell you. It isn't to go down memory lane or make you buy a lamp. You can take care of yourself without any help from me. It's to tell you how much you moved me, how you changed me. You made me a man by loving me, Holly, and for that I am eternally grateful. Literally.
If you can promise anything, promise that: whenever you're sad or unsure or you lose complete faith that you'll try to see yourself through my eyes. Thank you for the honor of being my wife. I'm a man with no regrets. How lucky am I? You made my life, Holly, but I'm just one chapter in yours. There'll be more... I promise.
So, here it comes, the big one. Don't be afraid to fall in love again. Watch out for that signal when life as you know it ends.
PS: I will always love you"
E eu chorei de novo escrevendo isso...
Seguem os trechos mais lindos do filme, em inglês (porque eu tenho essa mania de assistir aos filmes em inglês mesmo e sem legenda em português):
Holly: Do you think it'll be all right if I stop my life right here? Never leave my apartment till I'm old, sit in my wedding dress...
Friend: wich you never had.
Holly: ... with an old piece of wedding cake...
Friend: wich you never had... You gotta be rich to be insane, Hol. Losing your mind is not a luxury fot he middle class.
Holly: That's not fair!!!
Friend: It's not!
Holly: When daddy left, I was 14 and I said "that's it, never again, no man...". Then I meet Gerry... This wonderful man happens to me and then, and then he died. What's the point? I'm so angry I could kill somebody. I'm alone and it doesn't matter what job I have or what I do or what I don't do or what friends I have. I mean, you're alone no matter what...
And the last letter:
"Dear Holly,
(...) I have a feeling that this is the last letter because there's only one thing left to tell you. It isn't to go down memory lane or make you buy a lamp. You can take care of yourself without any help from me. It's to tell you how much you moved me, how you changed me. You made me a man by loving me, Holly, and for that I am eternally grateful. Literally.
If you can promise anything, promise that: whenever you're sad or unsure or you lose complete faith that you'll try to see yourself through my eyes. Thank you for the honor of being my wife. I'm a man with no regrets. How lucky am I? You made my life, Holly, but I'm just one chapter in yours. There'll be more... I promise.
So, here it comes, the big one. Don't be afraid to fall in love again. Watch out for that signal when life as you know it ends.
PS: I will always love you"
E eu chorei de novo escrevendo isso...
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Amigos
Na escola, eu fiz amigos que me acompanham na vida. Desde as baladas, nos carnavais, nos casamentos, nascimentos, batizados e viagens além mar! Eu tenho amigos da vida toda e não cabem nos dedos das mãos... Eu não sei como teria sido esse ano sem vocês.
Nesse fim de ano, eles alegraram meu coração. Nesse fim de semana, eles lotaram a minha casa e me fizeram esquecer minhas dores. No dia 25/12, turma TELF, sem combinação prévia, fiz ligações às 19h e a pergunta: "você topa?". E todo mundo respondeu: "tô indo!". No dia 26, a turma da 8ª série, no nosso encontro anual e já tradicional. O bolão que a Debbie inventou fez todos corações palpitarem e tornou a festa muito mais animada. Muito bom tê-los em minha vida! Amo vocês, meus amigos!
Nesse fim de ano, eles alegraram meu coração. Nesse fim de semana, eles lotaram a minha casa e me fizeram esquecer minhas dores. No dia 25/12, turma TELF, sem combinação prévia, fiz ligações às 19h e a pergunta: "você topa?". E todo mundo respondeu: "tô indo!". No dia 26, a turma da 8ª série, no nosso encontro anual e já tradicional. O bolão que a Debbie inventou fez todos corações palpitarem e tornou a festa muito mais animada. Muito bom tê-los em minha vida! Amo vocês, meus amigos!
Galera TELF: Vinny, Eu, Rick, Roch, Falcones, Camilla e Gabriel
TELF ainda: eu, Paty Maionese, Amiga da Paty - Aline e Gabriel
TELF de novo: Lician, Camilla, Filipe - marido Camilla, Eu, Weslley e Stenio - marido Lician
Galera 8ª série: todo mundo na minha imensa sala (não vai dar pra nomear)
Susu, Debbie e eu
Ricos depois de dividir o bolão (Henrique - namorado da Debbie - e eu)
domingo, 26 de dezembro de 2010
Rindo com Matheus XVIII
Amigo secreto da família Alencar. Todo mundo sabe que eu acabei de me mudar para a casa nova. Aí ganhei um jogo de queijos muito lindo. Mostro para o Matheus bem empolgada.
-Meu amor, olha o que a mamãe ganhou: um jogo de queijo!
- Mãe, como é que joga esse jogo?!?!?!
-Meu amor, olha o que a mamãe ganhou: um jogo de queijo!
- Mãe, como é que joga esse jogo?!?!?!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Então, é Natal
4 meias na decoração da casa velha
Nós quatro - Reveillon 2009/2010
Eu sempre fui uma pessoa muito Natalina. Sempre foi a minha data preferida no ano. Quando eu passei a ter uma casa pra chamar de minha, junto com ele, eu passei a adorar a preocupação com decoração, velas, guirlandas, árvores, meinhas... Lembro do nosso primeiro Natal, com o Matheus bebê, os dois suando em bicas nesse calor senegalês... Lembro do carinho dele para com a gente. Lembro da roupa que usamos. Lembro dos Natais seguintes também: em 2007, tudo que ele queria era que eu parasse o anticoncepcional para ter outro filho no ano seguinte, disse que era o presente que ele queria; em 2008, com o Thomás bebê, ele disse que não queria mais nada, só saúde e terminar a residência; em 2009, a gente vivia um momento de reconciliação e era felicidade grande com toda a perspectiva da festa de casamento.
E agora eu estou só, arrumando os pequenos, assando o Peru, arrumando a casa (nova, em que ele nunca esteve), preparando tudo para um Natal que parece meio sem sentido, meio sem razão, meio imaginário, como se a gente estivesse brincando sobre como seria se o pior acontecesse. O problema é que o que de pior poderia acontecer, efetivamente aconteceu. E, mesmo perdida, mesmo sem saber direito o que projetar para o futuro que me aguarda, mesmo sem entender ainda tudo que aconteceu, eu sinto que eu preciso fazer com que seja mágico para os pequenos.
É por eles que o Peru está no forno. É por eles que a gente vai vestir roupas novas e sorrir e cantar e fingir que não dói quando crateras estão sendo abertas por dentro. É por eles que eu ponho um sorriso no rosto e arrumo o cabelo e faço peregrinações nas casas dos parentes. É por eles e porque eu sei que seria assim que ele gostaria que eu fizesse.
Eu não sei se algum dia eu vou voltar a me empolgar com as luzinhas que piscam na cidade nessa época do ano, mas eu sei que eu vou continuar mostrando-as para os pequenos, porque o que me move é o brilho no olhar deles. E, o Matheus sempre diz que a estrela que mais brilha no céu é o pai dele, que seja, Thi, você brilhando e fazendo menos dolorido o nosso Natal.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Carta para o Papai Noel
Querido Papai Noel,
Tenho alguns considerações a fazer antes de pedir qualquer coisa.
Este ano foi de provas e testes e eu até que me saí bem deles. Não foi, com certeza, a melhor nota da turma, mas eu acho que deu para passar. Eu não sou mais a aluna do quadro de honra - pelo menos, não para estes tipos de avaliações, mas eu consegui fazer o meu melhor diante de tudo que me foi colocado à prova. Fui persistente, focada, determinada, tirei sangue dos meus próprios olhos, me dediquei ao máximo a tudo e fiz o impossível. Eu fui uma menina bem comportada, obediente e resiliente; fiz todos os deveres de casa e alguns serviços extraordinários; cumpri integralmente as tarefas que me foram passadas; e sobrevivi ao campo de guerra, acho que mereço um presente especial esse ano, não?
Então, Papai Noel, o que eu quero pedir nem vai pesar no seu saco, nem vai ser um fardo tão grande. Não preciso de bens materiais, nem de rios de dinheiro, nem de presentes caros e refinados, nem de viagens a lugares exuberantes, nem de restaurantes e hotéis cinco estrelas, nem de festas homéricas... Eu quero só que a vida não me apronte mais essas surpresas desagradáveis, que corra tranquila, serena e doce; que traga pessoas que acrescentem, que se juntem ao grupo, que se integrem; que seja simples e em paz. E é só disso que eu preciso. Se eu ganhar esse presente de Natal, prometo continuar sendo uma boa moça e não pedir coisas estapafúrdias em nenhum outro Natal.
Deixa agora a gente ser feliz, Papai Noel, porque o quinhão de sofrimento que cabia na vida toda, foi suportado em 2010.
Obrigada.
Marcele
Tenho alguns considerações a fazer antes de pedir qualquer coisa.
Este ano foi de provas e testes e eu até que me saí bem deles. Não foi, com certeza, a melhor nota da turma, mas eu acho que deu para passar. Eu não sou mais a aluna do quadro de honra - pelo menos, não para estes tipos de avaliações, mas eu consegui fazer o meu melhor diante de tudo que me foi colocado à prova. Fui persistente, focada, determinada, tirei sangue dos meus próprios olhos, me dediquei ao máximo a tudo e fiz o impossível. Eu fui uma menina bem comportada, obediente e resiliente; fiz todos os deveres de casa e alguns serviços extraordinários; cumpri integralmente as tarefas que me foram passadas; e sobrevivi ao campo de guerra, acho que mereço um presente especial esse ano, não?
Então, Papai Noel, o que eu quero pedir nem vai pesar no seu saco, nem vai ser um fardo tão grande. Não preciso de bens materiais, nem de rios de dinheiro, nem de presentes caros e refinados, nem de viagens a lugares exuberantes, nem de restaurantes e hotéis cinco estrelas, nem de festas homéricas... Eu quero só que a vida não me apronte mais essas surpresas desagradáveis, que corra tranquila, serena e doce; que traga pessoas que acrescentem, que se juntem ao grupo, que se integrem; que seja simples e em paz. E é só disso que eu preciso. Se eu ganhar esse presente de Natal, prometo continuar sendo uma boa moça e não pedir coisas estapafúrdias em nenhum outro Natal.
Deixa agora a gente ser feliz, Papai Noel, porque o quinhão de sofrimento que cabia na vida toda, foi suportado em 2010.
Obrigada.
Marcele
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Cartas para você XXI
Thi,
Hoje foi a aula da saudade da sua turma da residência. E foi lindo ver o quanto você é querido, o quanto você marcou a vida de tanta gente. Foi realmente especial saber que não é só a gente, de dentro de casa, que sente o coração moído por essa sua partida precoce. Do diretor do hospital mental à auxiliar de limpeza, todo mundo veio falar com a gente sobre você.
Seu nome foi mencionado no discurso do orador, Davi, que ressaltou que a presença de todos seus familiares era sinal da sua presença ali. Seu nome está na placa, ainda que o in memoriam aperte o nosso peito. Você foi o primeiro nome a ser chamado pelo Diretor do Hospital para receber o diploma e, antes de me entregar, o ele fez questão de ressaltar a sua atuação lá, sua importância, sua competência... É incrível perceber que a característica que te define é o carinho para com tudo, mozinho. Você apareceu no vídeo com fotos, e as palavras eram todas de saudade.
Tenho certeza de que hoje seria um dia de felicidade e alívio para você. Tenho certeza de que estaríamos eu, seus pais, seus irmãos, sua cunhada e sua tia lá naquele auditório, papocando de orgulho de você. Tenho certeza de que seus amigos vão fazer tanto sucesso quanto eu sei que você faria. Ah Thi, eles foram tão delicados comigo. Entregaram-me uma rosa por estar presente.
Sabe, conter as lágrimas foi bem difícil... Em alguns momentos, eu não conseguia parar de tremer, o coração palpitando, um aperto que parecia torcer meu peito... Eu nem sei de onde vem a força que me impede de desabar, de chorar ali, alto, com soluços, como no dia um. Eu não sei como eu consegui ficar de pé e sorrir. De uma coisa eu sei: foi lindo estar lá, foi ótimo pensar em como seria se não, e foi maravilhoso perceber que absolutamente nada, nenhum aspecto da sua existência foi em vão. Nada em você era mais ou menos, Thi. NADA.
Senti muito sua falta hoje, falta de segurar sua mão, falta de encher o peito de orgulho por mais uma conquista que não deu tempo de você concluir. Eu sempre soube que não era só aquilo ali que determinava o psiquiatra que você era, mas o que batia dentro de você. Acho que foi isso que eles reconheceram ao entregar o certificado pra mim. Como eu disse em algum lugar: você era médico de almas, por isso, psiquiatra.
Muito orgulho ainda por aqui...
Ainda saudade. Ainda Amor.
Moreninha
Hoje foi a aula da saudade da sua turma da residência. E foi lindo ver o quanto você é querido, o quanto você marcou a vida de tanta gente. Foi realmente especial saber que não é só a gente, de dentro de casa, que sente o coração moído por essa sua partida precoce. Do diretor do hospital mental à auxiliar de limpeza, todo mundo veio falar com a gente sobre você.
Seu nome foi mencionado no discurso do orador, Davi, que ressaltou que a presença de todos seus familiares era sinal da sua presença ali. Seu nome está na placa, ainda que o in memoriam aperte o nosso peito. Você foi o primeiro nome a ser chamado pelo Diretor do Hospital para receber o diploma e, antes de me entregar, o ele fez questão de ressaltar a sua atuação lá, sua importância, sua competência... É incrível perceber que a característica que te define é o carinho para com tudo, mozinho. Você apareceu no vídeo com fotos, e as palavras eram todas de saudade.
Tenho certeza de que hoje seria um dia de felicidade e alívio para você. Tenho certeza de que estaríamos eu, seus pais, seus irmãos, sua cunhada e sua tia lá naquele auditório, papocando de orgulho de você. Tenho certeza de que seus amigos vão fazer tanto sucesso quanto eu sei que você faria. Ah Thi, eles foram tão delicados comigo. Entregaram-me uma rosa por estar presente.
Sabe, conter as lágrimas foi bem difícil... Em alguns momentos, eu não conseguia parar de tremer, o coração palpitando, um aperto que parecia torcer meu peito... Eu nem sei de onde vem a força que me impede de desabar, de chorar ali, alto, com soluços, como no dia um. Eu não sei como eu consegui ficar de pé e sorrir. De uma coisa eu sei: foi lindo estar lá, foi ótimo pensar em como seria se não, e foi maravilhoso perceber que absolutamente nada, nenhum aspecto da sua existência foi em vão. Nada em você era mais ou menos, Thi. NADA.
Senti muito sua falta hoje, falta de segurar sua mão, falta de encher o peito de orgulho por mais uma conquista que não deu tempo de você concluir. Eu sempre soube que não era só aquilo ali que determinava o psiquiatra que você era, mas o que batia dentro de você. Acho que foi isso que eles reconheceram ao entregar o certificado pra mim. Como eu disse em algum lugar: você era médico de almas, por isso, psiquiatra.
Muito orgulho ainda por aqui...
Ainda saudade. Ainda Amor.
Moreninha
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Onze meses
O Anjo Mais Velho - Teatro Mágico
http://www.youtube.com/watch?v=dnga63bL0p4
http://www.youtube.com/watch?v=dnga63bL0p4
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete, a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu
deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto...
depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar
E, num susto, o fim de ano chega; e, num susto, onze meses se passaram. Onze meses dessa ausência que faz silêncio em todo lugar. Onze meses e ainda dói. Tudo. Muito. Onze meses e eu ainda olho para foto dele, da formatura, vestido de médico, com o sorriso arrasador e pergunto: "Por que você teve de morrer, hein, Thi?"
Junto com esse ano infeliz que vai embora, vai se encerrando também o primeiro ciclo, o primeiro ano, o primeiro tudo sem ele. E, por mais que eu anteveja a carga pesada do janeiro trágico que faz aniversário; acredito que tudo vai ter a sensação de eu-já-passei-por-isso. Ainda dói demais, é fato. Ainda é inacreditável. Ainda me deixa mortificada por dentro. Matheus ainda me faz perguntas difíceis, onze meses depois. Ainda pergunta pelo pai e ainda tem muitas lembranças mesmo que 1/4 da vida dele tenha passado desde o acidente. De algum modo, o que nos resta é olhar para frente, é superar a dor e deixar crescer a sensação de que ele está lá do outro lado, ajudando a gente; e eu aqui, aos trancos e barrancos, segurando as pontas da lucidez.
Eu tenho um compromisso com o que ele foi, com o exemplo que ele é para os nosso filhos. Tenho um compromisso com a história dele. Eu sei que muitas coisas vão se perder no redemoinho da memória, mas eu não quero que os pequenos percam nem a imagem nem as histórias do pai. E é desse jeito que eu quero levar minha vida: parte com essa saudade, com os verbos conjugados no pretérito perfeito e no futuro do pretérito; outra parte com essa força que vem não sei de onde, com coragem, com esperança.
Eu não sei pra onde a gente vai nessa estrada tortuosa em que fomos jogados há onze meses. Eu não sei o que há no futuro e talvez seja essa incerteza que gere toda a magia. Eu só vou torcendo para que seja tudo melhor, tudo mais tranquilo e em paz. Que seja doce.
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