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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Homenagem a quem de direito

Ano passado, eu contei num post a importância e a perenidade da nossa amizade. Eu contei o que fomos e também o que somos e falei o quanto essa amizade é importante para mim. Recentemente, ele alçou um lugar invejável no serviço público e essa conquista me fez parar pra pensar um pouco na história que eu vi acontecer desse amigo muito querido.

Ele saiu daqui de Fortaleza ainda adolescente, em busca do sonho de menino de ser piloto de avião. Foi lá para longe, para a escola de cadetes da aeronáutica e dessa para Academia da Força Aerea e fitou de perto aqueles aviões que ilustravam e permeavam seus sonhos de menino. Mas a vida, minha gente, não depende só dos planos que traçamos para gente mesmo. E, numa dessas reviravoltas que o mundo dá, ele foi dispensado da academia e voltou pra casa sem realizar esse sonho.

No retorno, encontrou a turma de amigos já envolta nas suas faculdades, todo mundo mais ou menos encaminhado e ele, imagino eu, apenas com um punhado de sonhos frustrados. Voltou para um banco de cursinho, onde conheceu a mulher da sua vida. Juntos se preparavam para o vestibular. Ela, medicina. Ele, odonto (???). Isso mesmo! Era um espanto ele querer odontologia, um curso que não tinha muito a ver com ele. Eu vi isso na época, mas nem me atrevi falar qualquer coisa.

Ele prestou vestibular e, a despeito da excelente colocação na primeira fase, na segunda fase ele perdeu posições e não conseguiu se classificar. Imagino eu que esse deva ter sido um momento muito ruim na vida do meu amigo. Ali, ele sabia que encararia outro ano de cursinho, outro ano sem resolver sua vida. Ali, eu acho, nunca conversamos sobre isso, que ele deve ter se sentido derrotado e triste e incapaz (eu me sentiria assim).

No ano seguinte, ele prestou vestibular para Direito e foi assim que ele foi parar lá na faculdade em que eu já estudava. Logo no começo do curso, ele passou num concurso de nível médio para um Tribunal aqui no Ceará. Olha que coisa boa: ainda na faculdade e com um emprego público federal! Logo que terminou o curso de Direito, ele passou num concurso para Procurador Federal e foi morar loooonge daqui. Mas, gente, esse ano ele passou num concurso pra Juiz!

Eu sinto que ele sabe bem o lugar que alcançou. Sinto que ele sabe bem a importância do cargo que ocupa. Eu sinto que ele não perdeu nada daquele menino que sonhava em ser piloto. Sinto tanto orgulho de ser sua amiga, Filipe, tanto orgulho! Meus olhos se enchem de lágrimas e daqui de longe, eu aplaudo cada uma das suas conquistas e torço muito, muito, muito mesmo para que você e a Aline sejam muito felizes.

Feliz Aniversário, meu amigo!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para Debbie






Eu não vou dizer que a gente se conheceu há dezoito anos porque, se eu disser isso, todo mundo vai pensar que a gente é balzaca e a gente não é - ainda! - e "tamo" aí na luta, com cremes e produtinhos primorosos cuja finalidade é retardar a ação dos fatores oxidantes da pele. Eu vou dizer que a gente viveu aventuras incríveis na adolescência, como levar uma amiga na primeira vez num ônibus urbano, como colocar um amigo de turma com uma rosa na boca dentro de uma caixa de presente, como fazer uma faixa enorme para torcer pela nossa representante de turma na disputa pela Rainha da escola, como promover uma gincana... Assim, todo mundo vai saber que a gente se conhece desde a mais tenra idade... Eu vou dizer que, muito embora não fôssemos as melhores amigas na época da escola, a gente sempre foi da mesma panela, a gente acompanhou o desenrolar da vida uma da outra. A gente viu caras entrarem e saírem das nossas vidas. A gente viu a vitória do vestibular e da formatura. Ela me viu casar e me tornar mãe e eu acompanhei a ânsia de conhecer o mundo que tomou conta dela. A gente viu e torceu e vibrou com cada conquista, com cada decisão, com cada coisa que fez a gente se tornar o que é.

Não sei como e também não sei desde quando, ela se tornou uma das minhas melhores amigas. E ela foi uma das primeiras a saber das minhas gravidezes. Foi pra ela que eu contei quando um elefante branco estacionou na minha sala. Foi ela que ouviu grande parte dos meus desabafos chorosos. Foi ela que virou presença constante na minha casa, fosse pra bater papo, fosse pra dividir uma pizza, fosse só pra assistir ao capítulo final de uma novela... Ela vem me ouvindo diariamente, dividindo pesos, sonhos, contas, favores e a vida que a gente leva, desse jeito meio louco, meio torto, meio árido e difícil às vezes. Foi ela que me disse da morte dele antes mesmo que eu soubesse e eu neguei. Foi pra ela que eu confidenciei o quanto ficaria sozinha sem ele, ainda debruçada sobre o caixão. Ela esteve presente em todo meu janeiro trágico, no meu fevereiro catatônico, no meu março despedaçado, no meu abril despertando, no meu maio reveillon, no meu junho de sonhos, no julho viajando... Ela esteve presente quando agosto se fez um gosto e no setembro de chá de casa nova. Ela veio no apê novo antes de todo mundo e me deu força e achou lindo e me fez confiante de novo. Foi ela que passou mal comigo quando o novembro se fez trágico. E é pra ela que dezembro se abre como essa despedida de tudo de ruim que eu poderia viver.

Eu não tenho palavras para definir a amizade que eu devoto a ela, porque, para mim, ela já é uma parte muito grande do que eu sou. Eu espero corresponder à altura tudo que ela representa. Da mesma forma, não quero nunca ter de ser pra ela o que ela foi pra mim neste 2010 de provações. Sei que não há mais como separar o que esses dezoito anos promoveram na gente, você pode até ir para as terras estrangeiras, mas não vai deixar de ser a minha Debbie de todos os dias, nem a Tia Bebe dos meus pequenos. No dia em que você comemora mais um ano, minha amiga, eu só poderia te dar aquilo que eu sei, aquilo que eu sinto, aquilo que há aqui dentro, porque depois de tudo que vivi, eu descobri que o melhor presente de todos é a presença na vida. Estou aqui com e para você sempre!

Te amo, Debbie! Feliz Aniversário!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dá certo, sim!

Não dá certo juntar três pessoas que se adoram numa noite qualquer de um domingo. Não dá certo pedir sangria e pedir de novo e de novo. Não dá certo a intimidade ser tamanha que se pode falar sobre o que quiser, porque as divagações não têm fim. Não dá certo quando uma das três se torna monotemática. Não dá certo ouvir "se joga" e "paciência" na mesma noite. Não dá certo ter um celular nas mãos. Não dá certo ligação DDD ter o mesmo preço de ligação local. Não dá certo lembrar de momentos nostálgicos. Não dá certo falar mal da vida alheia. Não dá certo relembrar o pior momento da vida. Não dá certo comparar dor. Não dá certo destrinchar comportamentos e analisar cada atitude - minha, sua e dela. Não dá certo dolo eventual. Não dá certo embriaguez pré-ordenada. Não dá certo sentir falta do que ainda não se teve. Não dá certo querer o que não se tem. Não dá certo preguiça de querer. Não dá certo ser mulher, adulta, sexualmente ativa, declarar imposto de renda, ter aparência física razoável e não ter ninguém pra chamar de seu. Não dá certo sermos tão diferentes e tão iguais. Não dá certo, não dá certo. Mas deu super certo ontem, Valeu G. e E.!!!
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E porque faz sentido:

"Aprendi a curar minha ressaca com chá de boldo. Mas nunca me explicaram o que fazer com a solidão. Esse é o tipo de hemorragia que não estanca com band-aid." (http://oquemaisninguemve.blogspot.com/)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"For all those times you stood by me"

Ano passado eu disse que nascer numa sexta-feira 13, de agosto, e achar que tem sorte, era coisa de doido. Mas eu sei que ela é muito mais que isso. Ela faz piada de tudo e de todo mundo e de si mesma e ri. Tem as melhores tiradas e frases de efeito da nossa patota. Todo mundo se acaba de rir das impressões que ela tem do próprio casamento e da própria vida. Ela vive perdida em sentimentos e anseios, mas é sempre uma excelente companhia. Ela tem um quê de depressão dentro de si, que faz com que ela goste das mesmas coisas tristes de que gosto, e talvez tenha sido exatamente isso que nos fez ser melhores amigas pra sempre numa determinada fase das nossas vidas. Ela tem excelente gosto musical e um tato inexplicável para fotografia. Ela é muito inteligente, escreve bem, só não tem é disposição para se expor e massacrar a alma com essa expulsão dos sentimentos que é a escrita. Ela sabe de cada uma de nós e se mantém perto mesmo morando longe. Ela foi um pedação do meu passado. Ela é parte do que sou, como cada uma delas (as outras da patota). Ela ainda será, por muitos anos. Ela é a linda, a absoluta: Stephane!

Parabéns, fia! Cuidado aí no skydiving!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A ROCHA

Lá naquele dia do janeiro trágico, no dia do meu september eleven pessoal, uma das primeiras pessoas a saber da notícia foi ela. Antes mesmo de eu tomar conhecimento da tragédia, ela já arrumava uma bolsa com roupas e produtos de higiene pessoal para levar para minha casa. Quando eu cheguei em casa, arrasada, tonta, com dor de barriga e pressão baixa, ela tomou meu celular das minhas mãos, recebeu as ligações e as pessoas e enviou os documentos através do meu irmão para Sobral. E, quando todo mundo chegava para me abraçar e prestar condolências, a mão que segurava meu pulso era a dela. Quando eu olhei para aquele corpo no caixão, era a mão dela nas minhas costas. Quando eu achei que as pernas fossem fraquejar, ela me segurou. Quando eu disse que não queria mais ficar na sala de velório, ela me tirou de lá. Muitas pessoas chegaram para me dizer que o Thi tinha me escolhido porque eu era forte, porque eu era uma rocha, porque ele sabia que eu era capaz; mas a verdadeira rocha é ela. Depois daquele dia, ela não saiu mais do meu lado. É ela quem dorme comigo todas as noites e divide os afazeres com as crianças. É ela quem resolve alguns problemas burocráticos do dia a dia. É ela que me ajuda, que me apoia, que me escuta e que não julga nada, não se mete no que não deve, não intervém se não foi requisitada. Ela está lá em casa, como visita, indo buscar e deixar roupas e nunca reclama de nada, há quase 5 meses! Ela foi meu corrimão, como eu disse ontem. Ela foi minha bóia no naufrágio. Eu nem sabia o quanto ia precisar dela na vida, para a vida. Mas eu assumo que preciso, sim! Eu que sempre fui a independente, a desgarrada, a auto-suficiente; preciso dela ao meu lado. Sei que esse laço vai ter que se afrouxar, ela vai voltar lá pra mamãe, e eu vou ter que aprender a estar só comigo mesma no meu quarto, no meu banheiro, no dia a dia. Mas foi muito bom o anestésico de companhia que ela me serviu e me serve todos os dias. Acho que nunca poderei retribuir o que ela me fez. Acho que nunca conseguirei agradecer de maneira contundente e suficiente. Mas hoje, dia do aniversário dela, eu só queria repetir o quanto eu amo a mulher que ela se tornou. Sorte de quem tiver essa menina por perto. Sorte!

Parabéns, Tia Manu!



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terça-feira, 18 de maio de 2010

Mais um 18 de maio

Tem gente que é gente da gente. Tem gente que gosta tanto da gente e está na nossa vida há séculos que é normal esquecer de agradecer e falar bem. Tem gente que surpreende a gente no bem querer, no bom coração, no sucesso que alcança, na vida. Foi assim: a gente se conheceu lááááá nos tempos da escola, numa época em que eu pesava 40kg e ele era bochechudo. A gente fazia parte do grupinho bom de nota e popular. A gente era metido que só e ficou amigo rapidinho. Apesar do fato de que naquela idade os sexos opostos não andam juntos, a nossa turma sempre foi mista. Tínhamos bolinhas e luluzinhas. A gente quase sempre participava da feira de ciências, das gincanas, dos trabalhos de equipe no mesmo grupo. A gente disputava as classificações no ranking da escola, mas não era só eu e ele, tinha mais 4 ou 5 amigos disputando as melhores classificações. A gente se envolveu com a rádio da escola e lia recadinhos do coração na hora do recreio, a gente ganhou eleição para o grêmio, a gente organizou a festa de término do primeiro grau e chorou picas no último dia de aula... Ele até teve uma paixonite por mim, de mandar cartinhas com poema e tudo. Mas nunca rolou nada. Ele é meu amigo de todo sempre. Ele foi morar um tempo fora, numa tentativa de ser uma coisa que a gente sonha ser quando se é menino. A festa de despedida dele foi na minha casa. Lá de longe, a gente se falava, vezenquando, por telefone e adolescendo, dividíamos nossos problemas do coração. Eram tantos e tão pequenos. Ele voltou e acabou fazendo faculdade no mesmo lugar que eu, só que em turmas diferentes. Ele criou matemáticas para tudo na vida, sempre com resultado final 18. Ele virou um homem adulto, mas não perdeu o coração de menino. Com brilho no olhar, ele me viu engravidar, me formar e casar (nessa ordem). Eu vibrei também com o concurso dele, com o casamento dele (ganhei uma amiga), com o sucesso dele. Eles seriam meus padrinhos de casamento na festa que faríamos em julho, mas a vida pregou suas peças. Há alguns anos, ele foi morar do outro lado do país e, mesmo assim, a gente não se perdeu. E, de uma coisa eu sei, se a gente não se perdeu depois de tantos anos, a gente não se perde mais. No janeiro trágico, ele atravessou o país só para me dar um abraço, só para segurar minha mão e secar algumas das minhas lágrimas. Fifo, hoje meu coração atravessa o país para te desejar um dia, uma semana, uma vida inteira de felicidade. Eu nunca disse, mas ficou implícito: EU AMO VOCÊ! FELIZ ANIVERSÁRIO!!!