Ano passado, eu contei num post a importância e a perenidade da nossa amizade. Eu contei o que fomos e também o que somos e falei o quanto essa amizade é importante para mim. Recentemente, ele alçou um lugar invejável no serviço público e essa conquista me fez parar pra pensar um pouco na história que eu vi acontecer desse amigo muito querido.
Ele saiu daqui de Fortaleza ainda adolescente, em busca do sonho de menino de ser piloto de avião. Foi lá para longe, para a escola de cadetes da aeronáutica e dessa para Academia da Força Aerea e fitou de perto aqueles aviões que ilustravam e permeavam seus sonhos de menino. Mas a vida, minha gente, não depende só dos planos que traçamos para gente mesmo. E, numa dessas reviravoltas que o mundo dá, ele foi dispensado da academia e voltou pra casa sem realizar esse sonho.
No retorno, encontrou a turma de amigos já envolta nas suas faculdades, todo mundo mais ou menos encaminhado e ele, imagino eu, apenas com um punhado de sonhos frustrados. Voltou para um banco de cursinho, onde conheceu a mulher da sua vida. Juntos se preparavam para o vestibular. Ela, medicina. Ele, odonto (???). Isso mesmo! Era um espanto ele querer odontologia, um curso que não tinha muito a ver com ele. Eu vi isso na época, mas nem me atrevi falar qualquer coisa.
Ele prestou vestibular e, a despeito da excelente colocação na primeira fase, na segunda fase ele perdeu posições e não conseguiu se classificar. Imagino eu que esse deva ter sido um momento muito ruim na vida do meu amigo. Ali, ele sabia que encararia outro ano de cursinho, outro ano sem resolver sua vida. Ali, eu acho, nunca conversamos sobre isso, que ele deve ter se sentido derrotado e triste e incapaz (eu me sentiria assim).
No ano seguinte, ele prestou vestibular para Direito e foi assim que ele foi parar lá na faculdade em que eu já estudava. Logo no começo do curso, ele passou num concurso de nível médio para um Tribunal aqui no Ceará. Olha que coisa boa: ainda na faculdade e com um emprego público federal! Logo que terminou o curso de Direito, ele passou num concurso para Procurador Federal e foi morar loooonge daqui. Mas, gente, esse ano ele passou num concurso pra Juiz!
Eu sinto que ele sabe bem o lugar que alcançou. Sinto que ele sabe bem a importância do cargo que ocupa. Eu sinto que ele não perdeu nada daquele menino que sonhava em ser piloto. Sinto tanto orgulho de ser sua amiga, Filipe, tanto orgulho! Meus olhos se enchem de lágrimas e daqui de longe, eu aplaudo cada uma das suas conquistas e torço muito, muito, muito mesmo para que você e a Aline sejam muito felizes.
Feliz Aniversário, meu amigo!
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
A dor também dói em mim
Eu já falei aqui como eu sinto a dor daqueles que eu quero muito bem. Não é fácil assistir passiva e impotentemente alguém que eu amo sofrer. Ouvir o choro que sai como se de um animal ferido, ouvir a voz embargar, ver a dor pesar os olhos e transfigurar o rosto, me corta coração, me enche de tristeza, me molha os olhos como se comigo fosse. Eu não consigo ser indiferente e me sinto culpada demais por não poder fazer absolutamente nada. Esse fim de semana, três pessoas das mais queridas em minha vida estão passando por esses momentos de escuridão, de sensação de perdido, de dor.
Cada dor dessa, que meus queridos carregam, é única, pessoal e intransferível. Cada dor dessa com motivos tão diferentes entre si inunda o ser de cada um deles, pessoas tão próximas a mim, de maneira que é capaz de estragar um dia, pintar de cinza um céu bonito, fazer perder a fé na vida e a esperança, fazer achar que não vale a pena. Cada dor dessa, que na verdade é deles, dói em mim também e escurece o meu viver.
Corta o coração acompanhá-los assim tão de perto, ouvi-los lamentar, chorar, pesar. Dilacera-me ser essa pessoa com tantos problemas pessoais, pendências a resolver, contas a pagar, coisas a fazer que não posso ser para cada um deles o ombro amigo que merecem. Quisera eu poder fazer muito mais e solucionar o sem-solução de cada um e, para os casos em que isso não fosse possível, simplesmente ajudar a anestesiar o que é lancinante. Quisera eu ter o poder de fazê-los passar por isso sem sofrer tanto, sem rasgar tanto a alma. Quisera eu poder ajudar quem quer fugir a suportar ficar; quem quer convencer a acreditar no sim e quem quer sentir a superar.
Eu não tenho esse poder, e me conformo em saber que sou um bom ouvido para partilhar também quando dói e que eles contam comigo e confiam nas opiniões que dou. Sei, com a convicção de quem viveu a dor, que chega o momento em que tudo se assenta dentro da gente. Sei que a gente sobrevive e supera e tudo se ajeita, confirmando o clichê que diz que tudo dá certo no final. Sei que estarei por perto, ainda que em silêncio, ainda que apenas com um abraço, ainda que apenas com pensamentos e desejos bons, ainda que toda ouvidos, para que vocês saibam que há alguém mais no mundo que compartilha o sofrimento com vocês e que está do lado também nos dias de deserto.
Amo vocês três e tenho certeza que vocês sabem quem são!
Cada dor dessa, que meus queridos carregam, é única, pessoal e intransferível. Cada dor dessa com motivos tão diferentes entre si inunda o ser de cada um deles, pessoas tão próximas a mim, de maneira que é capaz de estragar um dia, pintar de cinza um céu bonito, fazer perder a fé na vida e a esperança, fazer achar que não vale a pena. Cada dor dessa, que na verdade é deles, dói em mim também e escurece o meu viver.
Corta o coração acompanhá-los assim tão de perto, ouvi-los lamentar, chorar, pesar. Dilacera-me ser essa pessoa com tantos problemas pessoais, pendências a resolver, contas a pagar, coisas a fazer que não posso ser para cada um deles o ombro amigo que merecem. Quisera eu poder fazer muito mais e solucionar o sem-solução de cada um e, para os casos em que isso não fosse possível, simplesmente ajudar a anestesiar o que é lancinante. Quisera eu ter o poder de fazê-los passar por isso sem sofrer tanto, sem rasgar tanto a alma. Quisera eu poder ajudar quem quer fugir a suportar ficar; quem quer convencer a acreditar no sim e quem quer sentir a superar.
Eu não tenho esse poder, e me conformo em saber que sou um bom ouvido para partilhar também quando dói e que eles contam comigo e confiam nas opiniões que dou. Sei, com a convicção de quem viveu a dor, que chega o momento em que tudo se assenta dentro da gente. Sei que a gente sobrevive e supera e tudo se ajeita, confirmando o clichê que diz que tudo dá certo no final. Sei que estarei por perto, ainda que em silêncio, ainda que apenas com um abraço, ainda que apenas com pensamentos e desejos bons, ainda que toda ouvidos, para que vocês saibam que há alguém mais no mundo que compartilha o sofrimento com vocês e que está do lado também nos dias de deserto.
Amo vocês três e tenho certeza que vocês sabem quem são!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Lamentando
Nessa vida louca que a gente leva, eu pude observar algumas coisas sobre as relações e sobre os laços que formamos. A gente pode até conviver com todo tipo de gente, mas só se aproxima de pessoas semelhantes, só cria laços com parecidos. Quanto maior a quantidade de características e interesses e assuntos em comum, maior também será o grau de amizade e afeto.
Algumas relações duram anos, mas depois de acabado o vínculo único que se tinha, elas simplesmente desaparecem. É muito provavelmente isso que aconteceu com aquele seu melhor amigo do curso de inglês da adolescência, ou com aquele colega do trabalho anterior. Você não deixa de gostar daquela pessoa, mas ela só fazia parte da sua vida por um único motivo e, quando o motivo não existe mais, nada resta da relação que se tinha.
De fato, é muito difícil acumular alguns melhores amigos ao longo da vida. Porque para estes há interesses em comum que se modificam ao longo do tempo, que vão acompanhando sua trajetória. Você muda, a pessoa também muda e continua ao seu lado. A maior parte das pessoas não conta os amigos verdadeiros que tem em uma única mão (eu tive mais sorte). Mesmo assim, mesmo sabendo que tenho muitos amigos por aqui e por aí, não consigo deixar de sofrer quando vejo alguém que entrou na minha vida com ares de longevidade se afastando deliberadamente.
Admito que perder dói, ainda mais quando a convivência era assídua e parte da rotina. Admito que gostaria de reter, prender aqui e impedir o que eu vejo acontecer. Mas eu já vi esse filme antes, em que eu gritava "nós éramos amigos!" e ouvia "mas isso foi em outra época"; e eu dizia "mas eu continuo sendo" e ouvi "eu também, só que de um jeito diferente!". E como eu já sei o final da história, nem arranco meus cabelos por isso. Mas eu lamento. Só lamento.
Algumas relações duram anos, mas depois de acabado o vínculo único que se tinha, elas simplesmente desaparecem. É muito provavelmente isso que aconteceu com aquele seu melhor amigo do curso de inglês da adolescência, ou com aquele colega do trabalho anterior. Você não deixa de gostar daquela pessoa, mas ela só fazia parte da sua vida por um único motivo e, quando o motivo não existe mais, nada resta da relação que se tinha.
De fato, é muito difícil acumular alguns melhores amigos ao longo da vida. Porque para estes há interesses em comum que se modificam ao longo do tempo, que vão acompanhando sua trajetória. Você muda, a pessoa também muda e continua ao seu lado. A maior parte das pessoas não conta os amigos verdadeiros que tem em uma única mão (eu tive mais sorte). Mesmo assim, mesmo sabendo que tenho muitos amigos por aqui e por aí, não consigo deixar de sofrer quando vejo alguém que entrou na minha vida com ares de longevidade se afastando deliberadamente.
Admito que perder dói, ainda mais quando a convivência era assídua e parte da rotina. Admito que gostaria de reter, prender aqui e impedir o que eu vejo acontecer. Mas eu já vi esse filme antes, em que eu gritava "nós éramos amigos!" e ouvia "mas isso foi em outra época"; e eu dizia "mas eu continuo sendo" e ouvi "eu também, só que de um jeito diferente!". E como eu já sei o final da história, nem arranco meus cabelos por isso. Mas eu lamento. Só lamento.
domingo, 24 de outubro de 2010
As minhas pessoas
Não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público. Tem gente que vive em franca exposição, tem gente que não sabe dizer não e impor limites, tem gente que se torna melhor amigo em segundos. Eu não. Não consigo, não dá. Por mais que aqui e nas redes sociais haja um certo descortinamento da minha vida, em todos estes casos, é visto apenas aquilo que eu quero que vejam. Na rotina, no fringir dos ovos, eu elejo ou sou eleita. E a minha vida privada é dividida com alguns.
Uma vez me disseram que ler o blog é como ver fotos de uma viagem. Não se sabe realmente o que foi feito, não se sabe exatamente da emoção, não se sabe se o pé doía, se houve uma situação engraçada, se se saía de um restaurante ou de uma balada, não se sabe o motivo daquela risada tão gostosa, não se sabe dos detalhes. Cada texto do blog é uma foto de alguns momentos meus, é um aprisionamento de alguns sentimentos, é a eternização de uma situação. As histórias de verdade, as histórias que motivam a foto, o que há por trás, só alguns sabem.
Estes que sabem são as minhas pessoas, a minha tribo, aqueles com quem divido... Não são muitos e são muito queridos, com eles eu sinto a síndrome do pequeno príncipe, eu quero sempre mais perto, as conversas nunca são suficientes para matar o assunto todo, o tempo nunca é suficiente para matar a saudade que se sente, e a vida toda não será suficiente para mostrar o carinho e a gratidão que sinto. Enfim, não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público.
PS: Dea e Saboia, nem preciso dizer que vocês estão no grupo, né? Parabéns pelo primeiro aniversário de casamento. Sejam muito, muito, muito mais felizes! Tipo assim, no limite máximo possível!
Uma vez me disseram que ler o blog é como ver fotos de uma viagem. Não se sabe realmente o que foi feito, não se sabe exatamente da emoção, não se sabe se o pé doía, se houve uma situação engraçada, se se saía de um restaurante ou de uma balada, não se sabe o motivo daquela risada tão gostosa, não se sabe dos detalhes. Cada texto do blog é uma foto de alguns momentos meus, é um aprisionamento de alguns sentimentos, é a eternização de uma situação. As histórias de verdade, as histórias que motivam a foto, o que há por trás, só alguns sabem.
Estes que sabem são as minhas pessoas, a minha tribo, aqueles com quem divido... Não são muitos e são muito queridos, com eles eu sinto a síndrome do pequeno príncipe, eu quero sempre mais perto, as conversas nunca são suficientes para matar o assunto todo, o tempo nunca é suficiente para matar a saudade que se sente, e a vida toda não será suficiente para mostrar o carinho e a gratidão que sinto. Enfim, não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público.
PS: Dea e Saboia, nem preciso dizer que vocês estão no grupo, né? Parabéns pelo primeiro aniversário de casamento. Sejam muito, muito, muito mais felizes! Tipo assim, no limite máximo possível!
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