Eu já falei aqui como eu sinto a dor daqueles que eu quero muito bem. Não é fácil assistir passiva e impotentemente alguém que eu amo sofrer. Ouvir o choro que sai como se de um animal ferido, ouvir a voz embargar, ver a dor pesar os olhos e transfigurar o rosto, me corta coração, me enche de tristeza, me molha os olhos como se comigo fosse. Eu não consigo ser indiferente e me sinto culpada demais por não poder fazer absolutamente nada. Esse fim de semana, três pessoas das mais queridas em minha vida estão passando por esses momentos de escuridão, de sensação de perdido, de dor.
Cada dor dessa, que meus queridos carregam, é única, pessoal e intransferível. Cada dor dessa com motivos tão diferentes entre si inunda o ser de cada um deles, pessoas tão próximas a mim, de maneira que é capaz de estragar um dia, pintar de cinza um céu bonito, fazer perder a fé na vida e a esperança, fazer achar que não vale a pena. Cada dor dessa, que na verdade é deles, dói em mim também e escurece o meu viver.
Corta o coração acompanhá-los assim tão de perto, ouvi-los lamentar, chorar, pesar. Dilacera-me ser essa pessoa com tantos problemas pessoais, pendências a resolver, contas a pagar, coisas a fazer que não posso ser para cada um deles o ombro amigo que merecem. Quisera eu poder fazer muito mais e solucionar o sem-solução de cada um e, para os casos em que isso não fosse possível, simplesmente ajudar a anestesiar o que é lancinante. Quisera eu ter o poder de fazê-los passar por isso sem sofrer tanto, sem rasgar tanto a alma. Quisera eu poder ajudar quem quer fugir a suportar ficar; quem quer convencer a acreditar no sim e quem quer sentir a superar.
Eu não tenho esse poder, e me conformo em saber que sou um bom ouvido para partilhar também quando dói e que eles contam comigo e confiam nas opiniões que dou. Sei, com a convicção de quem viveu a dor, que chega o momento em que tudo se assenta dentro da gente. Sei que a gente sobrevive e supera e tudo se ajeita, confirmando o clichê que diz que tudo dá certo no final. Sei que estarei por perto, ainda que em silêncio, ainda que apenas com um abraço, ainda que apenas com pensamentos e desejos bons, ainda que toda ouvidos, para que vocês saibam que há alguém mais no mundo que compartilha o sofrimento com vocês e que está do lado também nos dias de deserto.
Amo vocês três e tenho certeza que vocês sabem quem são!
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domingo, 15 de maio de 2011
sábado, 28 de novembro de 2009
Brecha de céu azul em meio à tempestade
Quando tudo estiver atribulado, quando o mundo parecer caótico, quando a visão estiver embaçada, quando as idéias forem embaralhadas, quando nada parecer fazer sentido, quando aparentemente tudo estiver perdido, quando a coerência for inconclusa, quando não houver luz no fim do túnel, quando não se souber o passo seguinte a dar, quando não se sabe mais o que fazer, quando o céu estiver nublado; que, ainda assim, haja para você uma brecha de céu azul, uma brisa mais amena, uma lanterna com pilhas alcalinas, um simples cafuné, uma massagem no pé, uma passagem secreta, um ombro amigo com uma camisa reserva, porque chorar, com certeza, será preciso, mas esmorecer jamais!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Desmoronando
Como se a mão do mais talentoso artista produzisse a mais bela pintura, a mais rica em detalhes, com sombras e luzes, com todos os matizes, com toda a cartela de cores, mas com tinta guache e alguém jogasse na tela um jato d'água.
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