Tá, eu sei, eu não posso reclamar da vida. Eu sei, eu sei que tenho casa, comida, roupa lavada, dois filhos lindos e saudáveis, um marido que vive jurando amor eterno (mesmo eu gorda, quadrada, cheia de celulite), um emprego estável, um salário razoável... Eu sei ttambém que tá todo mundo bem na família, tá todo mundo com saúde, tá todo mundo aí no mundo...
Mas é que de vez em quando ela vem. Vem sem avisar, sem dizer a que veio. Aparece num dia qualquer, sem que eu possa me armar contra ela. Ela vem e me invade e eu fico assim, sem ter como reagir, só querendo que ela vá embora pra que eu possa voltar a sorrir, a brincar com as crianças, a curtir meu marido... Ela vem me mostrando que eu ando só, que meus amigos moram longe, que eu nem cheguei perto dos planos que fiz pra mim, mesmo tendo mais que sempre tive. Ela vem com o dedo na cara pra deixar claro que eu tô gorda e que preciso fechar a boca, mas me deixa morrendo de vontade de me cabar de fast food! Ela vem pra dizer que eu preciso voltar a estudar e fazer planos profissionais, mas me deixa com vontade de hibernar por anos. Ela vem pra dizer que eu não sou tão feliz assim!
Eu sei que ela vai embora quando um certo dia 22 chegar e a idade aumentar... Mas enquanto isso, mood unhappy-desperate-down on!
segunda-feira, 11 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Resignação
Um dia, ele vai amar outra mulher. Um dia ele vai piscar os olhos, o caração vai bater descompassado e ele não vai conseguir controlar a vontade de estar perto da outra em todos os momentos. Um dia, ele vai trocar o cotidiano comigo para construir uma vida com ela. A despeito do meu ciúme, um dia, inevitavelmente, ele me deixará, com lágrimas nos olhos, arrumará sua mala e sairá pela porta da frente da minha casa.
Enquanto esse dia não chega, meu coração transborda em saber que eu sou a mulher da vida dele, a única pra quem ele diz "eu te amo muito", pra quem um sorrisão se abre ao me ver dançando feito louca... Sim, eu sou a única que deita na sua cama todas as noites e consegue fazê-lo ter sonhos tranquilos. Sou eu que faço suas dores passarem com beijinhos e são pra mim seus abraços mais carinhosos. Eu só não consigo controlar minha emoção quando ele me chama de mamãe nem quando ele abre um sorrisão incrível ao me ver chegar do trabalho.
um dia eu não serei mais a única, mas agora resigno-me e aproveito a exclusividade.
Amo demais meus pequenos!
Enquanto esse dia não chega, meu coração transborda em saber que eu sou a mulher da vida dele, a única pra quem ele diz "eu te amo muito", pra quem um sorrisão se abre ao me ver dançando feito louca... Sim, eu sou a única que deita na sua cama todas as noites e consegue fazê-lo ter sonhos tranquilos. Sou eu que faço suas dores passarem com beijinhos e são pra mim seus abraços mais carinhosos. Eu só não consigo controlar minha emoção quando ele me chama de mamãe nem quando ele abre um sorrisão incrível ao me ver chegar do trabalho.
um dia eu não serei mais a única, mas agora resigno-me e aproveito a exclusividade.
Amo demais meus pequenos!
domingo, 3 de maio de 2009
Resta UM
Mais um domingo como outro qualquer, não fosse este o dia 03/05. A data teria passado despercebida, não fosse o orkut a me lembrar do aniversário. Talvez por ser o aniversário, a data de ontem foi escolhida para o casamento. Sabe como é, né? casamento, coisa corriqueira e sem importância, para o qual a presença dos amigos mais próximos pode ser dispensada. Eu sei, eu sou irônica... O problema é que eu ainda não consigo entender porque a excluída do rol de amigos próximos fui eu. Menos compreensível se torna porque a recíproca não é verdadeira, porque eu ainda espero o telefonema dizendo que estará na cidade nos próximos dias, espero o convite para o sorvete no fim de tarde ou para aquela padaria de tantos debates... Espero mesmo!
Só queria poder dar-lhe um abraço, desejar-lhe um futuro bom e doce (como diria Caio F.), parabenizá-lo pelo casório recém-oficializado... Mas não poderei! Eu fui excluída do rol de amigos... Eu fui o resta um...
Só queria poder dar-lhe um abraço, desejar-lhe um futuro bom e doce (como diria Caio F.), parabenizá-lo pelo casório recém-oficializado... Mas não poderei! Eu fui excluída do rol de amigos... Eu fui o resta um...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
FINITO
Um dia, foi assim: As palavras nunca foram (nem serão) suficientes para dizer o quanto as pessoas são especiais. A mim, aparentam sempre limitadas, sempre ficam aquém do que realmente se quer dizer. ELE é aquele para quem sempre corri no desespero, na dor, na hora da choradeira e na da gargalhada também. ELE é aquele que me entende, me anima, me dá auto-estima, me faz sorrir. ELE é alguém em quem posso confiar, alguém que sei que estará presente em minha vida apesar de qualquer coisa, seja a distância de um oceano, sejam as ocupações, seja a falta de tempo... Sei que, mesmo que anos se passem sem que nos falemos, no momento em que nossos olhares se cruzarem, tudo será como sempre foi, sorriríamos, nos abraçaríamos e contaríamos todas as histórias de nossas vidas como se nunca tivéssemos nos distanciado.
Hoje simplesmente não é mais. E eu acreditei com força que era tudo pra sempre, uma amizade inquebrantável, para além das confusões sentimentais em que nos metíamos, para além da compreensão humana como tantas vezes disse. Achei mesmo que havia eternidade no efêmero, que haveria continuidade apesar de tantos "apesares de". Eu me enganei, redondamente, integralmente e inconsequentemente. Fui capaz de bradar para tantos a veracidade da relação, a legitimidade do meu bem querer, a reciprocidade do sentimento, a sinceridade fraternal, a responsabilidade com que lidávamos com sentimentos alheios e a similitude de posturas e pensamentos que nos unia. Eu bati o pé não sei nem quantas vezes para defender o que eu achava ser extremamente importante. E era, mas só pra mim. Para o outro, era descartável. Vi, embasbacada, ele fazer comigo o que fizera com tantas outras relações: cortar o vínculo. Vi o tratamento impessoal, a frieza, a distância, e, ato contínuo, o profundo descaso com algo que achei ser precioso.
Que me sirva de desabafo e para a convicção da finitude do que pensei eterno.
Hoje simplesmente não é mais. E eu acreditei com força que era tudo pra sempre, uma amizade inquebrantável, para além das confusões sentimentais em que nos metíamos, para além da compreensão humana como tantas vezes disse. Achei mesmo que havia eternidade no efêmero, que haveria continuidade apesar de tantos "apesares de". Eu me enganei, redondamente, integralmente e inconsequentemente. Fui capaz de bradar para tantos a veracidade da relação, a legitimidade do meu bem querer, a reciprocidade do sentimento, a sinceridade fraternal, a responsabilidade com que lidávamos com sentimentos alheios e a similitude de posturas e pensamentos que nos unia. Eu bati o pé não sei nem quantas vezes para defender o que eu achava ser extremamente importante. E era, mas só pra mim. Para o outro, era descartável. Vi, embasbacada, ele fazer comigo o que fizera com tantas outras relações: cortar o vínculo. Vi o tratamento impessoal, a frieza, a distância, e, ato contínuo, o profundo descaso com algo que achei ser precioso.
Que me sirva de desabafo e para a convicção da finitude do que pensei eterno.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
EU SÓ SEI QUE...
Adoro livros. Adoro mesmo, leio tudo que me cai no colo. Tenho uma facilidade incrível de me concentrar, mesmo que esteja chovendo canivetes e uma guerra civil acontecendo na rua. A única coisa que me desconecta da leitura é música e só se eu conhecer a letra. Decoro letras de música com facilidade e rapidez. Tenho admiração por coisas (letras, versos, textos, músicas) tristes... acho tudo maravilhoso e profundo e sensitivo e emocionante... Sempre gasto mais do que ganho com coisas úteis, inúteis e fúteis. Passei, como a maioria, de adolescente revolucionária e comunista à adulta burguesa e consumista. Preocupo-me com roupas, acessórios, sapatos, cabelo, pele, maquiagem e tratamentos estéticos com freqüência. Descobri um talento para ser mãe depois que me tornei uma. Abandonei hábitos notívagos, abandonei o egocentrismo absoluto e adotei a rotina como o melhor dos mundos, exercitei ao extremo minha paciência e meu poder de manter a calma em momentos de pânico e, agora, essas características fazem parte de mim. Pode parecer incrível nos dias de hoje, mas não acho que preciso de comprimidos ou terapias para lidar com meus sentimentos e com as pessoas. Tenho um bom relacionamento comigo mesma, baseado principalmente na absoluta coerência com aquilo que sinto. Não guardo mágoas, mas eu explodo nos momentos de raiva. Choro quando a alma pede e até secar a dor. Tenho cicatrizes físicas e emocionais, algumas ainda dormentes. Dou gargalhadas, risadas e sorrisos dependendo da razão. Não sou simpática com todo mundo. Posso dizer muitas vezes coisas que os outros não querem ouvir. Não gosto de segredos. Não trato desconhecidos como velhos amigos de infância. Não desfaço amizades verdadeiras, salvo motivo de força maior ou onerosidade excessiva. Procuro evitar pessoas com deficiências de caráter. Busco sempre o lado bom de tudo; é clichê, eu sei, mas funciona. Aprendi que é preciso esquecer e apagar aquilo e aquele que mais te machucou. Dou-me, no máximo, três dias para curar ou resolver qualquer problema, de uma gripe a uma desilusão. Meu passaporte tem bem menos carimbos do que eu gostaria, mas a vida ainda é longa. Tenho planos individuais, a dois e familiares ainda por concretizar. Sou e tenho mais do que supus ser/ter na vida inteira. Ser feliz cotidianamente não significa ter uma vida perfeita. Tenho facilidade com palavras escritas, mais que com as ditas; mas falo demais. Pareço durona, mas sou um poço sem fundo de sensibilidade. Não dou conselhos a quem não me pede. Não interfiro em coisas que não me atingem diretamente. Sinto saudade de épocas, pessoas, cheiros e coisas. Choro com facilidade, mais ainda em casamentos, capítulo final de novela, livros e filmes. Não dou o braço a torcer com facilidade e, segundo meu marido, só depois de transcorridos três meses reconheço um erro meu. Tenho conteúdo político-ideológico, independente de partido político. Não acredito em Deus, mas acredito no ser humano. Um dia talvez encontre um bom motivo para ter fé, mas até o presente momento, a possibilidade de viver, por si só, me basta para ser razão e para ser feliz. Acredito realmente que só temos essa vida e, por isso mesmo, trato de aproveitar o que me é oportunizado. Não reclamo de barriga cheia, nem de barriga vazia (aliás, barriga vazia tem sido meu objetivo nos últimos nove meses). Não ponho a mão no fogo por nem desconfio de seu ninguém. Um dia ainda aprendo a esperar sem ansiedade, amar com cautela, estabelecer prioridades e metas, e a juntar dinheiro para o depois. Sim, estou exatamente onde queria estar!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Um elefante incomoda muito a gente
Um elefante branco invadiu a sala da minha casa no dia do aniversário da queda das torres. Invadiu, se abancou, relaxou e agora está lá, muito bem sentado no meu sofá, com os pés apoiados na mesinha de centro.
A convivência com um elefante branco é extremamente penosa, porque ele é um animal dado a hábitos estranhíssimos. Faz toda questão do mundo de ser notado, percebido, visto; mas não nos permite qualquer contato, nem superficial, nem íntimo. Assim, ele não me permite falar sobre ou com ele; não me permite perguntar-lhe de onde ele veio, quanto tempo pretende ficar ou quando vai embora; não me permite encará-lo e nem quer que eu saiba suas intimidades. Ele se mantém lá, distante, calado, ensimesmado, e pesadamente instalado no meu lar, estacionado na minha sala, estacionando a minha vida.
Eu já tentei racionalmente convecê-lo de que o melhor seria que ele sumisse daqui, dizendo-lhe que esta é uma casa de gente feliz, que se ama e que nada tem a lhe oferecer. Porém, parece-me que o intuito dele é realmente testar nossa paciência até o limite e verificar o quão forte somos, o quanto somos capazes de seguir unidos quando ocorre um "apesar de". Tentei dissuadi-lo desse propósito. Em vão. Ele continua lá no mesmo canto, do mesmo jeito, me convencendo (ou tentando) de que aquilo tudo em que eu acreditava, em que apostei todas as minhas fichas, aquela certeza de que elefantes brancos não existiam, era só uma brisa leve de convicção e que nada havia de perenidade nisso.
Eu sinto que ele vai embora um dia. Só não sei quando, nem como. Mas sei que, quando ele ultrapassar o umbral da porta de entrada, restará aqui dentro um coração aliviado e feliz de novo.
A convivência com um elefante branco é extremamente penosa, porque ele é um animal dado a hábitos estranhíssimos. Faz toda questão do mundo de ser notado, percebido, visto; mas não nos permite qualquer contato, nem superficial, nem íntimo. Assim, ele não me permite falar sobre ou com ele; não me permite perguntar-lhe de onde ele veio, quanto tempo pretende ficar ou quando vai embora; não me permite encará-lo e nem quer que eu saiba suas intimidades. Ele se mantém lá, distante, calado, ensimesmado, e pesadamente instalado no meu lar, estacionado na minha sala, estacionando a minha vida.
Eu já tentei racionalmente convecê-lo de que o melhor seria que ele sumisse daqui, dizendo-lhe que esta é uma casa de gente feliz, que se ama e que nada tem a lhe oferecer. Porém, parece-me que o intuito dele é realmente testar nossa paciência até o limite e verificar o quão forte somos, o quanto somos capazes de seguir unidos quando ocorre um "apesar de". Tentei dissuadi-lo desse propósito. Em vão. Ele continua lá no mesmo canto, do mesmo jeito, me convencendo (ou tentando) de que aquilo tudo em que eu acreditava, em que apostei todas as minhas fichas, aquela certeza de que elefantes brancos não existiam, era só uma brisa leve de convicção e que nada havia de perenidade nisso.
Eu sinto que ele vai embora um dia. Só não sei quando, nem como. Mas sei que, quando ele ultrapassar o umbral da porta de entrada, restará aqui dentro um coração aliviado e feliz de novo.
sábado, 27 de setembro de 2008
Feito para mim
Imaginem quando forem dois assim!
"Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade, há uma deliciosa criatura chamada menino. Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas, todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo de cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente (o barulho é a sua única arma ) , quando seu último minuto é decretado e os adultos os empacotam e os metem na cama. Meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para. As mães os adoram, as meninas os odeiam, irmãos e irmãs mais velhos os suportam, adultos os ignoram, o céu os protegem. Um menino é a verdade com o rosto sujo, a beleza com um corte no dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo, a esperança do futuro com uma rã no bolso. Quando você está ocupado, um menino é um conversa fiada, intrometido e amolante. Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geléia, ou ele se transforma em uma criatura sádica e selvagem empenhada em desmontar o mundo ao seu redor. Um menino é um híbrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole espada, a energia de uma bomba atômica de Bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de ditador, a imaginação de um Julio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro e quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão. Gosta de sorvete, canivetes, serrotes, pedaços de pau, água (no seu " habitat " natural ), bichos grandes, papai, sábados, domingos, feriados e mangueiras de água. Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de musica, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e "hora de dormir". Ninguém se levanta tão cedo, nem chega tão tarde para o jantar. Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos. Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro e meio de barbante, um saco de matéria plástica, duas pastilhas de chiclete, três notas de um real, um estilingue e um fragmento de "substância ignorada". Um menino é uma criatura mágica: você pode mantê-lo fora do seu escritório, mas não pode expulsá-lo de seu coração. Pode pô-lo para fora da sala de visitas, mas não pode tirá-lo de sua mente. Queira, ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono, seu patrão - um cara sarapintado, um nanico, um mata-gatos, um pacote de encrencas. Mas quando a noite você chega em casa, com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ele possui a magia de soldá-los em um segundo, pronunciando duas palavras somente: "Oi, mamãe!"
(autor desconhecido)
"Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade, há uma deliciosa criatura chamada menino. Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas, todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo de cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente (o barulho é a sua única arma ) , quando seu último minuto é decretado e os adultos os empacotam e os metem na cama. Meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para. As mães os adoram, as meninas os odeiam, irmãos e irmãs mais velhos os suportam, adultos os ignoram, o céu os protegem. Um menino é a verdade com o rosto sujo, a beleza com um corte no dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo, a esperança do futuro com uma rã no bolso. Quando você está ocupado, um menino é um conversa fiada, intrometido e amolante. Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geléia, ou ele se transforma em uma criatura sádica e selvagem empenhada em desmontar o mundo ao seu redor. Um menino é um híbrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole espada, a energia de uma bomba atômica de Bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de ditador, a imaginação de um Julio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro e quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão. Gosta de sorvete, canivetes, serrotes, pedaços de pau, água (no seu " habitat " natural ), bichos grandes, papai, sábados, domingos, feriados e mangueiras de água. Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de musica, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e "hora de dormir". Ninguém se levanta tão cedo, nem chega tão tarde para o jantar. Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos. Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro e meio de barbante, um saco de matéria plástica, duas pastilhas de chiclete, três notas de um real, um estilingue e um fragmento de "substância ignorada". Um menino é uma criatura mágica: você pode mantê-lo fora do seu escritório, mas não pode expulsá-lo de seu coração. Pode pô-lo para fora da sala de visitas, mas não pode tirá-lo de sua mente. Queira, ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono, seu patrão - um cara sarapintado, um nanico, um mata-gatos, um pacote de encrencas. Mas quando a noite você chega em casa, com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ele possui a magia de soldá-los em um segundo, pronunciando duas palavras somente: "Oi, mamãe!"
(autor desconhecido)
domingo, 14 de setembro de 2008
Precisões
É preciso muito amor e uma força de vontade sobrehumana para perdoar e entender atitudes que lhe parecem, antes de tudo, incompreensíveis e, acima de tudo, imperdoáveis.
É preciso muito amor e desprendimento para se despojar de (pre)conceitos completamente arraigados e acreditar que é verdade o que lhe é dito repetidamente, mesmo que isto, à primeira, à segunda e à terceira vista, lhe pareça non sense.
É preciso muito amor e otimismo para apagar da memória e expulsar da história de vida o mal que foi feito e perceber que a estrada vai além do que se vê.
É preciso muito amor e carinho para estancar o sangue das feridas, conter os arrebatamentos de dor, superar as recaídas por falta de convicção ou de confiança e seguir adiante.
É preciso muito amor e altruísmo para, ante tudo que foi posto, conseguir abstração suficiente para olhar em volta e crer que o que se constrói a dois é bem maior, mais importante, mais consistente que as pedras do caminho.
É preciso muito amor e atitude para seguir em frente quando a vida joga a gente no fundo do poço, aponta o dedo na cara e questiona que tipo de pessoa se é: a que se afoga nas próprias lágrimas ou a que levanta sacode a poeira e dá a volta por cima.
"Moça, olha só o que eu te escrevi:
É preciso força
pra sonhar e perceber
que a estrada vai além do que se vê.
Sei que a tua solidão me dói
e que é difícil ser feliz
mais do que somos todos nós.
Você supõe o céu.
Sei que o vento que entortou a flor
passou também por nosso lar
e foi você quem desviou
com golpes de pincel."
É preciso muito amor e desprendimento para se despojar de (pre)conceitos completamente arraigados e acreditar que é verdade o que lhe é dito repetidamente, mesmo que isto, à primeira, à segunda e à terceira vista, lhe pareça non sense.
É preciso muito amor e otimismo para apagar da memória e expulsar da história de vida o mal que foi feito e perceber que a estrada vai além do que se vê.
É preciso muito amor e carinho para estancar o sangue das feridas, conter os arrebatamentos de dor, superar as recaídas por falta de convicção ou de confiança e seguir adiante.
É preciso muito amor e altruísmo para, ante tudo que foi posto, conseguir abstração suficiente para olhar em volta e crer que o que se constrói a dois é bem maior, mais importante, mais consistente que as pedras do caminho.
É preciso muito amor e atitude para seguir em frente quando a vida joga a gente no fundo do poço, aponta o dedo na cara e questiona que tipo de pessoa se é: a que se afoga nas próprias lágrimas ou a que levanta sacode a poeira e dá a volta por cima.
"Moça, olha só o que eu te escrevi:
É preciso força
pra sonhar e perceber
que a estrada vai além do que se vê.
Sei que a tua solidão me dói
e que é difícil ser feliz
mais do que somos todos nós.
Você supõe o céu.
Sei que o vento que entortou a flor
passou também por nosso lar
e foi você quem desviou
com golpes de pincel."
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Sorte ou Felicidade?
Ela* falou que era sortuda. Ela* falou de um tipo de sorte que nem todo mundo percebe. Ela* falou das pequenas coisas, do cotidiano, de detalhes bobos e imperceptíveis para muitos, mas que, aqui dentro, fazem toda diferença do mundo.
É sorte ver seu filme preferido passar justamente na hora que você não tem nada pra fazer e apenas zapeava a televisão. É sorte chegar à parada no exato momento em que o ônibus passava. É sorte cair na prova aquele único tópico da matéria que você estudou. É sorte um bilhete premiado, ganhar no bolão da firma, acertar o placar do jogo do timão, achar dinheiro no chão...
Tem gente que não acredita em sorte, e eu, que não tenho fé nenhuma, acredito piamente, com os pés juntinhos e ajoelhada no chão, que cada um tem o que merece. Você pode chamar do que quiser, mas, pra mim, o nome correto é FELICIDADE, porque, às vezes, o jogo vira e a sorte vai embora. Mas a felicidade depende só da maneira que você enxerga a vida que tem.
É felicidade acordar com beijo na boca e cafuné, com menino serelepe gritando mamãe. É felicidade ele trazer café pra você na cama, com pão com um montão de manteiga e café sem leite, do jeito que você gosta. É felicidade ouvir seu filho correr pra você, de braços abertos e sorriso no rosto. É felicidade ter um montão de amigos que se preocupam, participam, torcem, vibram e estão ali para o que der vier. É felicidade ter uma família que, apesar de todos os problemas porque passou, apesar das diferenças de gerações, de gêneros, de gostos, de projetos, se ama e se entende. É felicidade dormir de conchinha, sentir o filho mexer, chorar na festa do Dia das mães, sentir o carinho de quem mora longe, ser convidada pra ser madrinha de casamento da grande amiga, ter gente querida na comemoração do seu aniversário, ser lembrada por alguém quando toca tal música ou quando se lê tal coisa. É felicidade ter pra quem ligar quando se quer chorar ou repassar fofoca quente, ter com quem sair quando o marido está de plantão, ter pra quem correr quando a grana fica curta, ter filho saudável e esperto, ter amigos e um marido que são bem mais do que se pediu.
Felicidade é estar aqui nesse momento, vivendo tudo isso, mesmo que haja dívidas no final do mês, mesmo que haja pobreza no país, mesmo que não dê pra fazer a viagem dos sonhos, mesmo que não se chegue ao lá tão premeditado, mesmo que haja derrotas pelo caminho, mesmo que não seja fácil. Porque há dores, há decepções, há momentos tristes dos quais não vamos querer nos lembrar, há lágrimas, há desilusões, há perdas (de coisas e de pessoas queridas)... Mas têm muito mais valor o sorriso congelado naquela foto de formatura (ou de casamento ou de aniversário) e aquelas pessoas que estão ao redor de você nas fotos do álbum do que as pedras (inevitáveis) que surgem pelo caminho.
* Milena Gouvêa do Blog da Milena (http://blogdamilena.blogspot.com/)
É sorte ver seu filme preferido passar justamente na hora que você não tem nada pra fazer e apenas zapeava a televisão. É sorte chegar à parada no exato momento em que o ônibus passava. É sorte cair na prova aquele único tópico da matéria que você estudou. É sorte um bilhete premiado, ganhar no bolão da firma, acertar o placar do jogo do timão, achar dinheiro no chão...
Tem gente que não acredita em sorte, e eu, que não tenho fé nenhuma, acredito piamente, com os pés juntinhos e ajoelhada no chão, que cada um tem o que merece. Você pode chamar do que quiser, mas, pra mim, o nome correto é FELICIDADE, porque, às vezes, o jogo vira e a sorte vai embora. Mas a felicidade depende só da maneira que você enxerga a vida que tem.
É felicidade acordar com beijo na boca e cafuné, com menino serelepe gritando mamãe. É felicidade ele trazer café pra você na cama, com pão com um montão de manteiga e café sem leite, do jeito que você gosta. É felicidade ouvir seu filho correr pra você, de braços abertos e sorriso no rosto. É felicidade ter um montão de amigos que se preocupam, participam, torcem, vibram e estão ali para o que der vier. É felicidade ter uma família que, apesar de todos os problemas porque passou, apesar das diferenças de gerações, de gêneros, de gostos, de projetos, se ama e se entende. É felicidade dormir de conchinha, sentir o filho mexer, chorar na festa do Dia das mães, sentir o carinho de quem mora longe, ser convidada pra ser madrinha de casamento da grande amiga, ter gente querida na comemoração do seu aniversário, ser lembrada por alguém quando toca tal música ou quando se lê tal coisa. É felicidade ter pra quem ligar quando se quer chorar ou repassar fofoca quente, ter com quem sair quando o marido está de plantão, ter pra quem correr quando a grana fica curta, ter filho saudável e esperto, ter amigos e um marido que são bem mais do que se pediu.
Felicidade é estar aqui nesse momento, vivendo tudo isso, mesmo que haja dívidas no final do mês, mesmo que haja pobreza no país, mesmo que não dê pra fazer a viagem dos sonhos, mesmo que não se chegue ao lá tão premeditado, mesmo que haja derrotas pelo caminho, mesmo que não seja fácil. Porque há dores, há decepções, há momentos tristes dos quais não vamos querer nos lembrar, há lágrimas, há desilusões, há perdas (de coisas e de pessoas queridas)... Mas têm muito mais valor o sorriso congelado naquela foto de formatura (ou de casamento ou de aniversário) e aquelas pessoas que estão ao redor de você nas fotos do álbum do que as pedras (inevitáveis) que surgem pelo caminho.
* Milena Gouvêa do Blog da Milena (http://blogdamilena.blogspot.com/)
terça-feira, 13 de maio de 2008
"Inferno Astral"
Foi um piscar de olhos. A gente cresce rápido demais, a gente entra neste rojão que é a vida adulta sem se dar conta e, pluft, estamos aqui, recebendo parabéns pelo dia das mães, com um menino correndo ao redor e outro na barriga, às vésperas de completar 26 anos, feliz no superlativo máximo possível.
Lembro que me diziam, aos 15, que após essa idade a vida corria demais. Esqueceram, porém, de explicar o porquê. A fase do “esquema escola-cinema-clube-televisão” chega ao fim, honey, e a gente passa a se preocupar com que vai ser quando crescer, com o vestibular, depois, com estágio, com farra e namorados, depois com emprego e vêm o casamento e os filhos e preocupações de contas, boletos, impostos, empregada, prestações, escola... Foi mesmo um piscar de olhos!
Parece que foi ontem que eu sentei no batente embaixo da pia da cozinha e fiquei conversando com minha mãe sobre coisas que uma menina de 5 anos reflete sobre o mundo. Parece que foi ontem que fiquei de mal da vizinha porque ela queria que a boneca dela usasse as roupas da minha Barbie. Parece que foi ontem aquela estada no estrangeiro e aquela mala cheia de ursos de pelúcia que fazem hoje a alegria do Matheus. Parece que foi ontem que me inscrevi no concorrido vestibular de uma universidade pública e trêmula, sem comer nada o dia todo, na iminência de desmaiar por hipoglicemia, às 5 da tarde, vi meu nome na lista de aprovados. Parece que foi ontem aquele show naquela praia. Parece que foi ontem...
E o tempo passa sem que a gente se dê conta. Os ponteiros dão voltas inesgotáveis no relógio e a vida da gente vai sendo construída como resposta às atitudes que tomamos. Hoje, vejo ao meu redor um mundo tão sonhado que, às vezes, no alto da minha ignorância ou descrença ou carência ou insegurança, me pergunto se é real, me pergunto se o mereço, me pergunto se é pra mim... Às vezes, fecho os olhos e, sem fé, sem crer, agradeço a qualquer coisa por me deixar ser feliz. Agradeço aos invejosos, aos despeitados, aos fofoqueiros que, bem ou mal, falam de mim. Mas, principalmente, agradeço às pessoas que nos querem bem (NOS, porque depois que nos tornamos uma família nada mais é singular) e comungam e compartilham essa alegria conosco diuturnamente.
Pois bem. Dizem que o período que antecede o natalício é o nosso inferno astral. Pois eu digo: se o inferno astral é assim, imaginem o paraíso!!!
Lembro que me diziam, aos 15, que após essa idade a vida corria demais. Esqueceram, porém, de explicar o porquê. A fase do “esquema escola-cinema-clube-televisão” chega ao fim, honey, e a gente passa a se preocupar com que vai ser quando crescer, com o vestibular, depois, com estágio, com farra e namorados, depois com emprego e vêm o casamento e os filhos e preocupações de contas, boletos, impostos, empregada, prestações, escola... Foi mesmo um piscar de olhos!
Parece que foi ontem que eu sentei no batente embaixo da pia da cozinha e fiquei conversando com minha mãe sobre coisas que uma menina de 5 anos reflete sobre o mundo. Parece que foi ontem que fiquei de mal da vizinha porque ela queria que a boneca dela usasse as roupas da minha Barbie. Parece que foi ontem aquela estada no estrangeiro e aquela mala cheia de ursos de pelúcia que fazem hoje a alegria do Matheus. Parece que foi ontem que me inscrevi no concorrido vestibular de uma universidade pública e trêmula, sem comer nada o dia todo, na iminência de desmaiar por hipoglicemia, às 5 da tarde, vi meu nome na lista de aprovados. Parece que foi ontem aquele show naquela praia. Parece que foi ontem...
E o tempo passa sem que a gente se dê conta. Os ponteiros dão voltas inesgotáveis no relógio e a vida da gente vai sendo construída como resposta às atitudes que tomamos. Hoje, vejo ao meu redor um mundo tão sonhado que, às vezes, no alto da minha ignorância ou descrença ou carência ou insegurança, me pergunto se é real, me pergunto se o mereço, me pergunto se é pra mim... Às vezes, fecho os olhos e, sem fé, sem crer, agradeço a qualquer coisa por me deixar ser feliz. Agradeço aos invejosos, aos despeitados, aos fofoqueiros que, bem ou mal, falam de mim. Mas, principalmente, agradeço às pessoas que nos querem bem (NOS, porque depois que nos tornamos uma família nada mais é singular) e comungam e compartilham essa alegria conosco diuturnamente.
Pois bem. Dizem que o período que antecede o natalício é o nosso inferno astral. Pois eu digo: se o inferno astral é assim, imaginem o paraíso!!!
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