terça-feira, 5 de outubro de 2010

Encerrando o ciclo

Eu li esse texto há muito tempo. Com essa nova fase chegando, acho que ele ressurgiu na hora exata. Concordo mesmo, com tudo. Logo abaixo, colo outro do blog antigo, escrito 5 anos exatos antes do dia trágico de janeiro. Nesse texto, já é evidente esse meu anseio de passar rapidamente pela dor e tentar seguir sorrindo, essa força que vem num sei de onde e essa vontade de seguir com a vida de cabeça erguida.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas, tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto as vezes ganhamos, e as vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o está apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do momento ideal.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, não voltará. Lembre-se que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."


20.1.05
Sempre para frente!

Acabo de ler um texto que fala sobre encerrar ciclos. É preciso, diz o texto, saber fechar a porta atrás de si e continuar em frente, sem olhar para trás. É preciso saber começar e viver o novo, sem resquícios ou amarguras do que já passou. É preciso fechar as caixas com as cartas de amor e "fotos de nós dois". É preciso aprender a entender que algumas pessoas estão só de passagem em nossas vidas, não permanecerão. É preciso ir adiante e esquecer o passado. É preciso encerrar os ciclos.

Saber passar por cima de situações difíceis é demonstração de maturidade. Saber esquecer e continuar a viver após ter sido magoado é grandioso. Ter fé nos outros e confiar no próximo mesmo que muitas mentiras lhe tenham sido contadas, é sinal de um grande caráter. Tudo isso é a capacidade de viver, mesmo ante as adversidades, mesmo convivendo com os problemas. É, acima de tudo, capacidade de ser feliz mesmo que as linhas de nossa história sejam tortas.

Li comentários sobre a estagnação, a resignação de alguns frente a grandes sofrimentos. As pessoas param no tempo, transformam-se em adolescentes tardios, eternos sofredores, culpam-se e sofrem, deixam de amar a si e sofrem, choram pelo fim do relacionamento “perfeito” e sofrem, acham que nunca mais serão felizes e sofrem... Sofrem, sofrem, sofrem... Em vez de ver as possibilidades que existem adiante, prendem-se ao passado, permanecem amarrados a ele e a impossibilidade de retorno acaba transformando-os em seres depressivos, tristes, que afastam os outros de si.

Sempre digo que é muito melhor ser alegre que ser triste. Pode parecer óbvio, mas isso vale para todas as situações na vida. Em vez de se trancar dentro de si, com mágoas e rancores, melhor sair para dançar. Em vez de relembrar momentos maravilhosos que passamos com alguém, melhor levantar a vista e procurar um olhar fulminante. Em vez de derramar lágrimas por alguém que não merece nossa consideração, melhor mesmo é ver quem está aí ao lado sempre que é preciso. Prefira a vida ao sofrimento. Já dizia Fernando Pessoa: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.

Não sei conviver com o sofrimento. Tenho cá meus calos, minhas feridas, minhas partes ainda dormentes, mas prefiro caminhar pela vida sem olhar para trás, sem me arrepender do que fiz, sem chorar o leite que derramei ou que derramaram sobre mim e fitar o porvir, como diria Mário Quintana, “como se estivessem abertos todos os caminhos do Mundo”, aberta ao mundo.

6 comentários:

Cele disse...

Só pra constar, gente. Eu não descobri quem é o autor do texto.

Renato disse...

“Encerrando um ciclo” – em espanhol, chama-se “Cerrando Círculos” - é um texto da psicóloga colombiana Gloria Hurtado. A versão original foi depois adaptada por Paulo Coelho e publicada em ‘04 no jornal O Globo. Trata-se de um headshot certeiro sobre a importância de encerrar ciclos, aceitar o fim das coisas e recomeçar.

http://www.bemresolvida.com.br/?p=392

Anônimo disse...

Texto Fantásticoooo!!!! Parece q foi escrito por vc!!!!:)

Muitas energiassss boas pra vc nessa nova fase (q será maravilhosaaa)!!!!

Beijosss querida!!!!

Weidi:)

Sofia disse...

Esse texto é de Paulo Coelho !!! É isso aí sempre em frente !!!! Bjos

Yonara disse...

Amei o texto, foi postado pra mim, no momento vivido agora, estou com muitas dificuldades de fechar um certo e ciclo e recomeçar, tô sofrendo muito...

Anônimo disse...

“Na imprensa colombiana, a psicóloga Sonia Hurtado, colunista do jornal El Pais, de Cali, acusou o escritor de plagiar um artigo seu intitulado ''Cerrando ciclos'' (''Fechando ciclos''), publicado no dia 21 de janeiro de 2003. O texto de Coelho foi publicado originalmente no jornal O Globo em 2004 e traduzido para o espanhol pelo semanário colombiano El Espectador, com o o título ''Cerrar ciclos'' (''Fechar ciclos'').
''Não cabe nenhuma dúvida nesse caso: trata-se de um plágio'', afirmou Sonia a ÉPOCA, por telefone. ''Levei um susto ao ver um artigo meu assinado por um escritor tão famoso, a quem tanto admiro. Não penso em entrar com nenhuma medida judicial, mas quero que todos saibam do que aconteceu, pois esse é um delito muito grave.''