quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Arrumei a casa, preparei o coração"*

É um novo ciclo, uma nova fase. É recomeçar a vida, em outro canto, em outro ambiente. É não tê-lo por perto, é não contar com a resolutividade dele, é não dividir as questões práticas quotidianas nem as existenciais com ele. É não ter com quem divagar à noite, é não ter um ombro em que se encaixar, é não ter mais nem as lembranças pelos vãos. É ter a vida inteira pela frente sem ele. É poder escolher tudo sozinha e precisar da opinião dele. É poder dormir esparramada e sentir falta do esprimidinho. É poder espalhar todas as minhas coisas pelo closet e querer brigar por espaço com ele. É colocar pastilhas vermelhas no banheiro e não ter ele por perto dizendo que tá tudo muito feminino. É não ter ideia do que é caro e do que é barato em se tratando de materiais de construção e profissionais. É não ter, não saber e ficar com essa sensação de que eu me perdi dentro da minha própria história.

Mesmo assim, eu tô lá, arrumando a casa, comprando móveis, pagando gesseiro-marceneiro-pedreiro-eletricista, assumindo tudo. É claro que saltam uns cabelos brancos, rói-se umas unhas, sente-se um frio na barriga com medo de não dar conta de tudo e raiva, muitas vezes, da falta de profissionalismo, da demora na entrega, da confusão de todo dia. Mas eu sei que ao final, vou sair de tudo isso mais em pé que entrei e aí, é preparar o coração para D. Felicidade fazer morada.

* Post inspirado na música: Tão sonhada - Banda Eva

Arrumei a casa, preparei o coração,
Esperando sua chegada, tão sonhada.
Vesti o melhor sorriso, espalhei pelo chão
o perfume da rosa mais enfeitada
Pra te colorir e te cobrir de bem querer!
Tá faltando você pra ficar perfeito.
Aprendi a amar, assim do seu jeito
E aceito ser seu e viver esse amor

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A dor dos outros em mim

Eu não sei ser indiferente à dor, nem à dor física nem à psíquica, nem à minha nem à de outrem. Porém, é certo que me causa mais sofrimento ainda ver a dor naqueles que quero bem. Dá vontade de espremer o corpo do outro como que para fazer pingar o que dói. Dá vontade de pegar com as mãos e colocar para dentro de si. Dá vontade de ter os poderes daquele negão do filme "À espera de um milagre", sabe? Toca na pessoa e suga as doenças, as dores para si. Ver alguém de quem eu gosto sofrer, me causa um sofrimento insuportável. Depois do que passei desde o janeiro trágico, eu tenho achado que eu aguento qualquer tranco - desde que não mexam com nem atinjam os pequenos - e aí eu fico querendo absorver a dor do mundo em mim. Eu sei, é um peso muito maior do que sou capaz, é um passo muito maior que as pernas e cada ser carrega em si a força, a habilidade e a dor que é capaz de suportar. Eu não posso sofrer pelos outros, mas que eu queria, em relação a algumas pessoas, eu queria.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pode tomar assento.

Ver o apartamento vazio, ver o nada que ficou lá dentro, var a voz ecoando em cada cômodo é perceber a dura realidade de que o comercial de margarina definitivamente acabou. Tudo que fomos nós aconteceu ali. Todas as noites e todos os dias. Tudo que vivemos estava lá dentro daquelas paredes. Não posso me esconder da dor de ver tudo de melhor que eu tive na vida terminando. Não posso me esquivar de encarar a realidade de que é um sem jeito. Eu tenho que seguir e essa é a minha única opção. Seguir, olhar pra frente, viver e abrir a porta para ela, que vem batendo insistentemente. Deixar entrar, deixar se estabelecer, deixar que eu veja a vida sob essa perspectiva. Ela me diz que há muita coisa boa esperando por mim, ela me diz que é só permitir, é só me deixar levar... Eu não sei me deixar levar, mas eu escolho abrir a porta: Entre, D. Felicidade, e pode tomar assento!

domingo, 26 de setembro de 2010

Notícias do caos

Isso aqui não é um diário, nem é uma obrigação. Eu escrevo quando sinto demais. Eu escrevo quando é preciso esvaziar alguns pensamentos que me transbordam. Eu escrevo mesmo pra esvaziar e secar, já disse isso mil vezes. Tem muita coisa acontecendo aqui dentro. Um liquidificador de sentimentos batidos e misturados. Milk shake! Lágrimas e sorrisos. Saudade e alegria. Tristeza e esperança. E muitas outras coisas que não consigo descrever porque nem tive tempo para parar e refletir.

Fato é que a mudança foi e eu me tornei homeless. No apê velho, vazio. No apê novo, bagunça e obra. Tô na casa dos meus pais e devo permanecer aqui com meus pequenos por mais duas ou três semanas. Doida pra colocar logo as coisas no lugar. Pensem aí: semana que vem é a eleição e eu não faço nem ideia de em que caixa foi parar meu título de eleitor (e agora é obrigatório levar, né?). Eu tenho que levar uns documentos para um banco e não faço nem ideia onde está a caixa em que os guardei! Eu quero baixar as fotos que eu bati do apê novo, até para mostrar pra vocês, e não sei cadê o cabo da máquina!

Então, peço para aqueles que rezam, que rezem; aqueles que oram, que orem; para aqueles que torcem, que torçam; para os que mandam energias positivas, que mandem para que tudo se resolva o mais rapidamente possível; que o marceneiro, o gesseiro, o pedreiro, o eletricista se compadeçam da minha situação e agilizem seus próprios serviços e que o dinheiro multiplique, meu povo. É isso! Aqui o caos se instaurou, mas eu sei que é a felicidade batendo na porta. TEM QUE SER!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A horta

Com as sementes semeadas, com a terra adubada, mas sem agrotóxicos. Aliás, sem qualquer tóxico. Porque aqui a lavoura é orgânica, sabe? À moda antiga, se planta e se colhe. No tempo que leva, sem fertilizantes, sem conservantes, sem produtos pra inchar os alimentos e dar a eles cores mais brilhantes. Aqui, se espera o tempo certo para as coisas acontecerem. Aqui se prepara a terra e se deixa brotar as sementes. Com sol e com chuva. Aqui há preocupação com o meio ambiente e com o solo em que se planta, com o mundo ao redor. O lucro não é o objetivo principal, mas o prazer de ver a natureza agir, sim. Assim, teremos alimentos naturais e saborosos. É o que se espera. Tudo que o agricultor podia fazer foi feito. Agora é espera que chova o tanto certo e que essa chuva nunca seja ácida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ansiedade

E aí que dá frio na barriga, dá medo, dá ansiedade, dá vontade de roer a unhas (que estão enoooormes, descascadas e cheia de cutículas), dá vontade de que chegue logo, dá vontade de esperar mais um pouquinho, dá vontade de pular etapas e saborear cada pequeno passo, dá vontade de sair correndo de e para, ao mesmo tempo. Não consigo explicar direito as sensações, só sei senti-las e ficar completamente desnorteada por conta delas. Não sei quanto tempo vai durar, mas espero ver tudo se acalmar aqui dentro em breve.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

I'm looking back on yesterday

Ouça aqui

I just can't believe you're gone
Still waiting for morning to come
Wanna see if the sun will rise
Even without you by my side
When we have so much in store
Tell me what is it I'm reaching for
When we're through building memories
I'll hold yesterday in my heart
In my heart

They can take tomorrow and the plans we made
They can take the music that we'll never play
All the broken dreams, take everything
Just take it away, but they can never have yesterday
They can take the future that we'll never know
They can take the places that we said we would go
All the broken dreams, take everything
Just take it away, but they can never have yesterday

You always used to say
I should be thankful for every day
Heaven knows what the future holds, or least how the story goes
But I never believed them till now
I know I'll see you again I'm sure
No, it's not selfish to ask for more
One more night, one more day, one more smile on your face
But they can't take yesterday

They can take tomorrow and the plans we made
They can take the music that we'll never play
All the broken dreams, take everything
Just take it away, but they can never have yesterday
They can take the future that we'll never know
They can take the places that we said we would go
All the broken dreams, take everything
Just take it away, but they can never have yesterday

I thought our days would last forever
(But it wasn't our destiny)
'Cause in my mind we had so much time
But I was so wrong
Now I can believe that
I can still find the strength in the moments we made
I'm looking back on yesterday

Cartas para você XIX

Thi,

Oito meses se passaram. Oito meses sem você. Eu ainda me lembro do desarranjo daquele dia de janeiro, da sensação de não ter absolutamente nada sob os pés, de perder a noção da gravidade, do tempo, do espaço. Lembro-me de que perdi minha paz. Lembro-me do meu desconsolo e das lágrimas silenciosas que inundaram nosso colchão nas madrugadas. Lembro-me de abafar os gritos na toalha, com a porta do banheiro fechada para os pequenos não ouvirem. Lembro-me de sentir necessidade de escrever e de reler e de reviver para passar a dor. Lembro-me da quase convicção de que minha vida terminara naquela curva. Lembro-me da quase certeza absoluta de que melhor seria se tivesse acontecido comigo. Lembro-me do medo ser tão grande, do desespero ser tão absurdo que me fizeram pensar em suicídio. Lembro-me de querer me esconder debaixo das cobertas e não me levantar pra nada. Lembro-me de achar que o mundo tinha perdido a cor, que a comida não tinha sabor, que bares não tinham a menor graça. Lembro-me de um peso terrível nas costas, da sensação de fundo do poço, de naufrágio, de que puxaram meu tapete. Lembro-me de acordar e dormir com olhos inchados e de viver cada dia como se tateasse no escuro o caminho. Lembro-me de achar que eu não fosse dar conta, que a vida seria um fardo, que o mundo era um lugar injusto e cruel. Lembro-me de ter estabelecido marcos para as lágrimas caírem livremente, para a aliança sair do dedo, para viver o luto, para o sofrimento, para virar a página. A dor, já dizia o poeta, é inevitável, mas eu posso escolher parar de sofrer.

Desde o começo, eu disse que a mudança para o apartamento novo representaria o fim do luto. Eu falei disso na terapia, eu falei disso para os nossos, eu falei disso e corri para que isso acontecesse, para que desse tudo certo. Eu sei que teve muita gente segurando minha mão e me enchendo de carinho, de palavras de apoio e de ajuda prática. Eu não teria conseguido sem eles, mozinho. Com certeza, não! Mas chegar à linha de chegada, ver o apartamento ganhar a cor, a decoração, os móveis que eu escolhi sem você e desmontar o nosso lar tem sido uma experiência dúbia, um surto bipolar. Ao mesmo tempo que me sinto radiante e plena por ter feito isso acontecer, eu me sinto pesada por abandonar a vida feliz que vivemos aqui. São lágrimas de felicidade e de saudade que banham meu rosto, Thi. Você me entende? Eu não consigo controlar. É inevitável ver a nossa história terminar. É inevitável sentir esse pesar. E, por mais que eu saiba racionalmente que devo seguir em frente, parte de mim queria ficar, queria você. E eu vou empacotando tudo e repassando as imagens, eu vou lacrando as caixas e revivendo nossa vida, e em alguns dias, tudo ficará definitivamente no passado.

Mozinho, não sei mais o que fazer daqui pra frente. Pra que miragem eu devo correr agora? O que me espera nessa vida inteira pela frente sem você? O que é que eu faço agora dos meus dias, porque até aqui era um leão pra matar por dia, e daqui pra frente? Eu busco as respostas nos sorrisos dos pequenos e, eu não sei como vou fazer, como também não sei como consegui remar até aqui. A única certeza que eu possuo é de que a gente tem que ser feliz. Torce pra gente!

Ainda saudade. Ainda amor.

Moreninha

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Saudade - amor - amizade

8 meses sem. 8 meses de ausência. Agora que a mudança é, os sentimentos são dúbios aqui dentro. Vou para ser feliz. Deixo a maior felicidade que já vivi. E o que se há de fazer?

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Ontem foi um dia feliz, dia de festa, dia iluminado de amor, de energia positiva, de querer bem. Ontem o nosso grandão, aquele que me abraçou nos meus momentos de saudade e que me arrancou sorrisos nem sei quantas vezes, completou 4 anos. Se eu pudesse escolher a personalidade do meu filho, nem em sonho ele sairia tão perfeito, tão compreensivo, tão maduro, tão instingante. Eu jamais imaginiaria que viria uma coisinha esperta, questionadora e com um poder enternecedor e uma maturidade que me deixam boquiaberta. EU não tenho palavras para descrever essa ligação mãe-filho porque é um amor que ultrapassa minha compreensão. Eu só sei que é ali naqueles dois sorrisos que eu descubro meu rumo e para onde eu devo ir. É ali que eu aprendo a priorizar, a colocar os pés no chão. E é so por eles.

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Ontem foi o aniversário da companheira de viagem e da parceira na vida. Ontem foi o aniversário dela e eu nem pude comparecer à festa. Mas eu sei que ela me entende. Porque são anos nesse bem querer, nessa companhia. Quando alguém entra na nossa vida, a gente não sabe a que veio nem quanto tempo isso vai durar. Quando alguém entra na nossa vida, pode passar anos assim na periferia, antes de entrar no centro de sua atenção. Mas ainda bem que você entrou, Susu! Só digo uma coisa: nossos melhores momentos foram fora do território de jurisdição! PARABÉNS!!!

sábado, 18 de setembro de 2010

"É muito mais fácil ser pedra que ser vidraça"*

"Não julgue um homem por seu nome; a mulher, por seu amor; o amor, por seu final. Não julgue o passado pelos naufrágios; a morte, por seu ritual; o futuro, pelos presságios. Não julgue as palavras pelos insultos; os fiéis, por seus cultos; os deuses, por seus fiéis. Não julgue os sonhos pela impossibilidade; os dedos, por seus anéis, espelhos da vaidade. Não julgue um livro por sua capa; um povo, por sua roupa; a roupa, por ser exótica. Não julgue o sol pela estiagem, deserto de nossas miragens, a vida é sempre uma ilusão de ótica." (Silvio Ribeiro de Castro)

Quando a gente resolve expor a vida na internet, tem que estar preparado para tudo, inclusive para lidar com gente doida, mal amada, recalcada, invejosa, despeitada. "OLHA LÁ QUEM VEM DO LADO OPOSTO, VEM SEM GOSTO DE VIVER". Mas há também um número sem fim de recompensas, gente do bem, gente que sabe olhar e entender e se compadecer e se reconhecer na/a dor do outro. Eu não estou aqui escrevendo para agradar. Mas eu fico feliz de ter leitores/seguidores que me ajudam na vida real. Inclusive, espero que amanhã nossas relações se tornem para além do mundo virtual.
 
Não escrevo aqui para atingir determinado público, para que as pessoas leiam, para vender produtos, para me autopromover. Falar que, a bem da verdade, eu tenho é tido uns problemas vezenquando. Eu escrevo aqui tão-somente para esvaziar o que transborda, para exorcizar minhas dores, pra me desfazer do que dói, para secar a alma, para chorar minhas lágrimas. Minha escrita é ato de puro egoísmo, mas não é exercício de vaidade. E eu já disse aqui, inclusive, que existem duas de mim no mundo: a daqui, que sofre, que arrasta correntes; e a do mundo, que é para cima, determinada e decidida, que sabe o que fazer da vida, e que é feliz.
 
Tem gente que se identifica, que gosta do que lê, que se sente tocado e reflexivo. Tem gente que não e não critico por isso. Ninguém é obrigado a gostar de absolutamente nada. Mas quando eu leio algo que me desagrada, eu não vou até o final, eu não compro o livro, eu pulo a página da crônica, eu descarto. Façam o mesmo comigo e com meu blog, aqueles que não gostam do que encontram aqui e que me acham arrogante-esnobe-extravagante-mal vestida-etc. Insistem em me ler para quê? Para que mandar comentários maldosos, caluniosos? Para que perder o tempo da vida de vocês comigo? Vão viver um amor, cuidar de seus filhos (se os tiverem), abraçar os pais! Vão estudar, ler um livro bacana, assistir a um bom filme na TV! Vão procurar uma lavagem de roupa, se o tédio for assim tão grande, e me deixem em paz!
 
 "OS BRAVOS SÃO ESCRAVOS SÃOS E SALVOS DE SOFRER". E eu já sofri (e sofro) demais na vida para ter que lidar com gente mesquinha e pequena assim. "EU QUE JÁ NÃO SOU ASSIM, MUITO DE GANHAR, JUNTO AS MÃOS AO MEU REDOR E FAÇO O MELHOR QUE SOU CAPAZ SÓ PRA VIVER EM PAZ".
 
http://www.youtube.com/watch?v=aNKayWSlvQA&ob=av2e
 
* A frase me foi dita por um amigo e não saiu mais da minha cabeça.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

É exatamente como me sinto

"A adversidade é como um longo vento forte. Não quero apenas dizer que ela nos afasta de lugares aonde poderíamos ir, mas também arranca de nós tudo, menos as coisas que não podem ser arrancadas, de modo que depois  nos vemos como realmente somos, e não apenas como gostaríamos de ser"  (Memórias de uma gueixa - Arthur Golden; p.366)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Com a chave na mão!

Depois de uma passagem relâmpago no Cariri para uma audiência (foi ótimo reencontrá-la, Adalgiza, e mais ainda saber que é leitora!), voltei pra Fortaleza e, finalmente, recebi as chaves do apê novo. A sensação que eu tenho é que tô recebendo a chave do meu futuro, sabe? É como se agora fosse o resto da minha vida, é como terminar de ler o livro, é como sair do poço, é como chegar na praia, é como virar o ano, é como chegar à linha de chegada... Abriram-se as portas da esperança e tá tocando aquela musiquinha...

Os olhos cheios d'água, as mãos trêmulas. É a minha casa! É onde eu vou ser feliz! E eu vou já pra lá de mala, cuia e caregando dois pequenos pelas mãos. Vamos entrar todos com os pés direitos e abrir a garrafa de Monbazillac que eu trouxe de Paris. Vamos pendurar o olho grego na porta e colocar uma pimenteira na sala, armar uma rede na varanda e esperar a felicidade entrar lenta e de mansinho, para ali fazer seu porto e sua morada, e nunca mais nos deixar!

Viver é ter surpresas. Espero que, no futuro do presente que tenho aguardado, todas elas sejam gratas.

PS: Desculpem aí o texto sem pé e sem cabeça, mas é que eu não tenho estrutura hoje pra descrever o que eu sinto!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

De volta

Sabe aquele medo de não dar conta? Sabe aquela ânsia? Sabe aquela perturbação das idéias que tira o sono? Sabe aquele terror de que não consiga resolver tudo? Sabe aquele peso insuportável nas costas? Sabe carregar as responsabilidades todas? Sabe querer jogar tudo pra cima e se fazer de doida? Sabe quando a vontade é de sair correndo do problemas todos? Sabe quando a vida adulta se torna super difícil? Sabe quando tudo parece muito maior e muito mais difícil? Sabe quando tudo que você queria era alguém, pelo menos, pra dividir as coisas práticas? Sabe quando falta o ombro para deitar e chorar? Sabe quando tudo parece confuso e desanimador? Sabe quando a sensação é de que você é totalmente incapaz de lidar com a vida?

Pois é, tudo isso voltou.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Futuro do presente

Tem coisa que a gente pressente. Antes mesmo de acontecer, antes mesmo de chegar o dia D, você já passou tantas vezes na mente que sabe como vai ser. Eu sei. Antever bons momentos e ficar na expectativa gostosa de que eles aconteçam é uma das melhores coisas da vida. E é por isso que eu adoro conjugar mentalmente o futuro do presente.

Na minha cabeça, o futuro é sempre perfeito e não há espaço para a vida puxar o tapete, para as pessoas decepcionarem, para o mundo ficar nublado. No meu futuro do presente mental, não há vista embotada, não há dor pungente, não há sal na boca. Assim mentalmente, eu não preciso de pé atrás nem de joguinhos nem de economizar minha alma nem de brincar de enigma. Mentalmente, tudo dá certo.

No futuro do presente que eu sonho antecipadamente, eu vivo minhas paixões, eu sorrio com os pequenos, eu viajo pelo mundo e nunca, nunquinha mesmo, falta grana, dá problema, gera traumas. É tudo tão lindo! Os amigos mais queridos continuam super queridos e muito presentes. As pessoas não sentem inveja, ciúme nem raiva. A vida é sempre leve e divertida e apaixonante. E lá, no sonho, acaba-se essa aridez, acaba-se a solidão, acaba-se a saudade que dói, acabam-se as lágrimas tristes e o peso.

Acho que vezenquando, eu preciso visitar essas emoções e me livras dessas cicatrizes que marcaram em mim. Saio um pouco do presente para um futuro em que as gratas surpresas e dias felizes são constantes e razão de viver. Vou pra lá e fico feliz em me reconhecer com, a despeito e apesar de. Sou eu e ainda serei quando chegar lá. Sou eu numa nitidez vibrante e surpreendida pelo meu ímpeto de arriscar e de reconhecer quando e quanto vale a pena.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dá certo, sim!

Não dá certo juntar três pessoas que se adoram numa noite qualquer de um domingo. Não dá certo pedir sangria e pedir de novo e de novo. Não dá certo a intimidade ser tamanha que se pode falar sobre o que quiser, porque as divagações não têm fim. Não dá certo quando uma das três se torna monotemática. Não dá certo ouvir "se joga" e "paciência" na mesma noite. Não dá certo ter um celular nas mãos. Não dá certo ligação DDD ter o mesmo preço de ligação local. Não dá certo lembrar de momentos nostálgicos. Não dá certo falar mal da vida alheia. Não dá certo relembrar o pior momento da vida. Não dá certo comparar dor. Não dá certo destrinchar comportamentos e analisar cada atitude - minha, sua e dela. Não dá certo dolo eventual. Não dá certo embriaguez pré-ordenada. Não dá certo sentir falta do que ainda não se teve. Não dá certo querer o que não se tem. Não dá certo preguiça de querer. Não dá certo ser mulher, adulta, sexualmente ativa, declarar imposto de renda, ter aparência física razoável e não ter ninguém pra chamar de seu. Não dá certo sermos tão diferentes e tão iguais. Não dá certo, não dá certo. Mas deu super certo ontem, Valeu G. e E.!!!
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E porque faz sentido:

"Aprendi a curar minha ressaca com chá de boldo. Mas nunca me explicaram o que fazer com a solidão. Esse é o tipo de hemorragia que não estanca com band-aid." (http://oquemaisninguemve.blogspot.com/)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

tô contigo

Há alguém sofrendo em algum lugar. Há alguém sentindo o próprio coração em seu tamanho mínimo, com um peso danado nas costas, um nó na garganta e os olhos marejando sem parar. Há alguém cabisbaixo e cheio de memórias. Há alguém que queria só voltar no tempo e apertar o pause e fazer do tempo passado um elástico que se estendesse até agora, com aqueles sorrisos, com aquela pessoa... Há alguém para o qual a tristeza hoje é insuportável e faz dobrar os joelhos, e faz embaçar a vista, e faz envergar as costas. Há alguém para quem a saudade não passa de jeito nenhum e hoje, especificamente, fere como acupuntura em queimadura de 3º grau. Há alguém que com certeza está perdido em devaneios, em recordações, em lembranças e no futuro do pretérito, que foi mais que planejado, mas sobreumanamente desejado. Há alguém imaginando o que poderia ter sido e não foi e nem será. Há alguém com olhar perdido e rosto inchado. Há alguém sentindo a maior solidão do mundo. Aquela que não importa quantas pessoas estejam ao redor, quantas mãos estejam estendidas, quantos ombros se tenha, não importa nada mais que a ausência dilacerante de quem se foi pra nunca mais.

Para esse alguém, não adianta ombro, conselho, lenço, mão amiga, chocolate, álcool ou drogas. Para esse alguém, não importa o sorriso arrancado, o convite para espairecer, a piada sem graça, a companhia, o jantar bacana, o vinho de primeira. Para esse alguém, eu ofereço meu silêncio, minha resignada compreensão e meu "te-entendo-perfeitamente".

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Destino?

Se eu acredito em destino? Olha, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

Acho a coisa muito complexa e cheia de variáveis totalmente inesperadas para ter sido tudo traçado previamente. Acreditar em destino seria acreditar que todos os imprevistos não são imprevistos. Acreditar em destino é acreditar que a curva da estrada era para estar exatamente ali, naquele dia, naquela hora (e eu não aceito isso!). Acreditar em destino significa acreditar que você não precisa fazer nada, nem se esforçar para nada, nem adianta espernear, esbravejar... Acreditar em destino é o "nem adianta chorar", "nem adianta lutar", é nem adianta! Acreditar em destino é entregar os pontos, é "deixar a vida me levar". E esse não é meu tipo.

Sim, concordo que tem coisa que parece arquitetada de tão perfeitamente que se encaixa. Sim, minha mãe sempre diz que é coisa de "Deus" e eu sempre digo que não consigo encontrar explicações plausíveis. Sim, eu sei, eu sei, tem coisa que parece pertencer a um plano superior e que nós somos meros fantoches ou os protagonistas de um jogo da vida que alguém tá jogando. É claro que eu reconheço que muitas vezes a gente se pergunta e se questiona sobre as decisões que toma e, depois de um tempo, percebe que era exatamente assim que era pra ser. Eu reconheço. E, embora eu acredite que tudo sai como era pra ser, eu não sei se acredito em destino.

Eu acho que a gente colhe o que planta. Eu acho que ser feliz depende muito da maneira pessoal como que se encara a vida. Eu acho que a gente faz o próprio futuro. Eu acho que tudo termina bem. Mas quanto ao destino é como disse: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe!

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EXPLICANDO: O post de ontem não diz respeito a um novo amor. Eu não estou apaixonada ainda, gente! Nem se preocupem que quando eu estiver, vai ser tão evidente, tão óbvio, tão claro que eu num vou precisar de um post truncado como o de ontem. E, no de ontem, mamãe matou a charada!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sem sentido

Eu não tenho certeza se o mundo faz sentido ou não. Eu não tenho certeza mais nenhuma na vida. Quer dizer, certeza mesmo só do que sinto. E nem é tudo. Porque tem confusão demais dentro de mim. Mas voltando ao sentido das coisas todas do mundo, eu sempre achei que deveria ter algum significado, alguma transcendência, alguma compensação que posteriormente a gente percebe e é como quando o sol se abre depois de vários dias de temporal. Sabe? De repente, tudo faz todo o sentido. De repente, mas por que não pensei nisso antes? De repente...

Mas aí, ao mesmo tempo que tudo parece fazer sentido e um simples acontecimento avassalador parece colocar todas as coisas nos lugares, também começa a latejar no de dentro um medo de não ser nada disso que você tá pensando. Até porque isso que você tá pensando é super bom "e, se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer e eu vou sobreviver", é claro. Mas seria tão bom se fosse exatamente isso que eu tô pensando!

A bagunça que ficou, os caquinhos despedaçados pelo chão foram reorganizados tão lentamente, sabe? A cola nem secou ainda... E já se corre o risco de quebrar tudo novamente! Não é prudente, não é recomendável, não é assim que deve ser. E racionalmente você até que sabe e concorda. Mas se for exatamente o que se pensa, né? E eu sempre fui do tipo de pessoa que não tem medo, que se joga mesmo, que faz e depois pensa, como eu vi (novamente no sentimentalidades todas), eu sou do tipo que vai e depois neurotiza. Então, eu sei que vou e me arrisco no dolo eventual.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Feriado

Eu simplesmente a-do-ro piada besta. Sempre me acabava de rir de todas dos pontinhos. Lembram? "o que é um pontinho verde em cima da geladeira? uma ervilha suicida!". Adoro! Eu rio sempre, até faltar ar. Toda vida, no dia 7 de setembro eu me lembro dessa piada besta:

Várias formiguinhas passeando no jardim. Elas encontram a carcaça de uma caneta bic, sem a ponta e o cargueiro de tinta. Entram lá dentro e acham o local super psicodélico e resolvem fazer uma festa dançante, com DJ e tudo mais. Qual é o nome do filme?!?!?!

Depois eu dou a resposta!

Olhem aqui os meus pequenos. Como crescem rápido!




Resposta da piada besta: "In the pen dance day"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Eu me sinto eufórica quando me faço entender*

De repente, você descobre que não está sozinha no mundo, que alguém pode saber exatamente do que você está falando, que alguém pode reconhecer cada um dos seus momentos - os melhores e os piores, que existe mais alguém no mundo que compartilha essa dor. De repente, você descobre que pode ser transparente até a alma, que pode deixar emergir até aqueles fragmentos de dor que o orgulho escondeu dentro de si. De repente, a sensação de que é um exercício diário, de que é uma luta eterna, mas a certeza de que com companhia é melhor. De repente, basta exercitar sua tolerância com tudo o que você ainda não entende, basta se concentrar em um dia de cada vez, basta deixar os instintos irem à frente, basta se permitir sem se cobrar. De repente, quem sabe, né?

* Título retirado dessa postagem aqui Sentimentalidades Todas
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LISTAS PARA O CHÁ:

Americanas.com


Tok Stok

sábado, 4 de setembro de 2010

Chá de Casa Nova e Encontro de Leitores II

Recebi um monte de email de gente que não é daqui e que não vai poder vir, mas que quer participar. Pensando nisso, eu criei as listas de "casamento". Fiz uma na Americanas, como já tinha colocado no post abaixo, e outra na Tok Stok (tudo custando, no máximo, R$ 50,00). Vou postar os links para abrir direto na páginas das listas e aí é só escolher qualquer coisa. As informações são as mesmas: noiva - Marcele Caroline Maciel de Alencar Noivo - Matheus Thomas e Casamento - 30/09/2010. Para quem mora aqui em Fortal, a lista pode ser mera consulta, né? Num é obrigado a comprar nesses lugares, não, meu povo!!!

Americanas.com


Tok Stok

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Chá de Casa Nova - Encontro de Leitores

Queridos leitores,
 
Uma de vocês me sugeriu que eu organizasse um encontro com todos os leitores deste blog, para que a gente se conhecesse e para que eu colocasse rosto nos nomes que aparecem aqui. Aí eu achei a ideia sensacional! Ficarei muito feliz mesmo de conhecer e reencontrar gente que me ajuda e torce por mim. Por isso, venho convocar os leitores que moram em Fortaleza para o que segue. Como a vida anda maluca estes dias, resolvi fazer o Encontro junto com o meu Chá de Casa Nova, que minha mãe e umas amigas estão organizando, pra que eu entre no apê com lençóis e toalhas e panos de prato novinhos (amo muito tudo isso!).
 
Então, é assim: Chá de Casa Nova, dia 19/09/2010 (que também é o dia do aniversário do Matheus) às 16h no Salão de festas do prédio em que eu moro hoje. Como é aniversário do Matheus, a gente vai cantar parabéns pra ele e crianças serão bem vindas. Para facilitar a vida de todo mundo, eu fiz uma lista de casamento na Americanas.com, com coisinhas que eu não tenho, mas o foco é mesmo lençóis e toalhas e panos de prato e panos de chão e estes quetais. Para acessar a lista, bastam as seguintes informações: Nome do noivo - Matheus Thomas; Nome da Noiva - Marcele Caroline Maciel de Alencar e data do casamento - 30/09/2010.
 
Todo mundo tá convidado. Homens, inclusive. A galera que mora fora, se estiver na terrinha, apareça! Os leitores que nunca comentam ou que me enviaram emails ou que sempre quiseram falar, apareçam! Quero muito conhecer vocês todos!
 
Ah, já ia esquecendo, quem for mesmo, confirma a presença por email, tá? Que eu preciso organizar os quitutes e bebidas!
 
Desde já agradeço o carinho de todos vocês. Nem sabem o quanto foram importantes neste processo todo!!!

Curvas no caminho

Eu escrevi isso, em 19/05/2008:

"Felicidade é estar aqui nesse momento, vivendo tudo isso, mesmo que haja dívidas no final do mês, mesmo que haja pobreza no país, mesmo que não dê pra fazer a viagem dos sonhos, mesmo que não se chegue ao lá tão premeditado, mesmo que haja derrotas pelo caminho, mesmo que não seja fácil. Porque há dores, há decepções, há momentos tristes dos quais não vamos querer nos lembrar, há lágrimas, há desilusões, há perdas (de coisas e de pessoas queridas)... Mas têm muito mais valor o sorriso congelado naquela foto de formatura (ou de casamento ou de aniversário) e aquelas pessoas que estão ao redor de você nas fotos do álbum do que as pedras (inevitáveis) que surgem pelo caminho."

Eu perdi um monte pelo caminho e sofri um bocado nos últimos tempos. Não sei como e não sei porque eu não desisto de ser feliz. Muitas vezes, em meio à inundação de lágrimas, eu pensei que não teria mais essa sensação de felicidade a despeito de tudo, mas ela está aqui em mim agora. Uma curva no caminho tira quem você ama, coloca tudo de pernas para o ar e deixa você à flor da pele e à mercê de instintos e intuições. Outra curva no caminho coloca na sua vida gente do bem, gente que entende, gente com quem a conversa flui e você incrivelmente se sente confortável e confortada. Uma curva no caminho pode esconder muitas surpresas. Espero aceitar o que for bom e superar o que for ruim. Não canso de dizer: estou aqui para isso.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As duas e a felicidade

Algumas pessoas que me conhecem na vida real e que leem o blog têm me dito que parece que existem duas marcele. Uma que conseguiu superar o pior momento da vida e continua a sorrir e bater perna por aí e a andar serelepe e fagueira e a falar demais, gesticulando muito... E uma outra ainda abatida, ainda arrastando correntes, ainda dolorida e sofrida e triste e deprimida até... É verdade. É tudo verdade. Existem MESMO duas em mim. Duas pessoas que se revezam. Na maior parte do tempo, estou bem, inteira, pronta pra encarar a vida, sorrindo pelo mundo e vendo beleza nas coisas. Todavia, há momentos de solidão, de saudade, de dor, de lágrimas. Eles são minoria, mas são agudos. Eles me derrubam por um momento e depois ocorre o clichê levanta-sacode-a-poeira-dá-a-volta-por-cima.

Eu sei que para alguém que passou pelo que passei - da maneira como foi, inesperada, abrupta, um susto; estar em pé já é uma vitória. Mas eu tirei forças de num sei onde, eu procurei encontrar motivos para seguir em frente, eu procurei focar num futuro em que não doesse tanto, correr de encontro a ele, correr daquele sofrimento... Eu fugi do que me causava dor, eu fugi de pensamentos recorrentes e das saudades. Eu fugi mesmo sem querer, me concentrando na burocracia, na papelada, no dia-a-dia... Eu segui em frente pensando num dia de cada vez, me concentrando no que fosse bom, nas pequenas alegrias e focando na tentativa de causar o menor trauma possível aos meus pequenos.

Esse intento, de diminuir o tamanho do trauma, fez com que eu dilacerasse minha alma muitas vezes. Eu mantive as rotinas em casa, eu permaneci no mesmo apartamento que morávamos, eu continuei indo aos mesmos locais, levando-os nos cantos onde o pai ia e brincava com eles. Eu fiz de tudo para que eles entendessem que, mesmo com esta ausência enorme e dolorida, a gente conseguiria ainda brincar e sorrir e viver. Muitas vezes, o simples fato de estar nestes ambientes sem o Thiago já me era pesado demais. Mesmo assim, eu ia. Eu tinha que. Por eles. Depois desses momentos, a marcele-deprimida reaparecia e me fazia escrever e escrever e escrever... Essa foi a forma que eu encontrei de extravazar a dor, de secar a alma e de deixar o choro correr. Em seguida, a outra tomava conta do meu corpo, porque este sempre lhe pertenceu, e eu voltava para o lado da força.

Todas estas atitudes não foram pensadas. Eu agi com meu instinto de mulher e de mãe. Mas eu sei hoje que fiz bem. E sei disso porque travei o seguinte diálogo com o Matheus, ontem à noite, e tudo fez todo sentido:

EU: Matheus, quem é a pessoa que você mais ama no mundo???
MATHEUS: É você, mamãe!
EU: Que coisa muito linda!!! E depois da mamãe?
MATHEUS: O Thomás!
EU: E o papai?
MATHEUS: Ah, eu também amo muito o papai!
EU: Eu também, meu amor! Eu tenho tanta saudade dele...
MATHEUS: Eu também tenho tanta saudade dele, mamãe. Mas eu tenho saudade e sou muito feliz!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cartas para você XVIII

Thi,

Perdi as contas de quantas vezes olhei para essa foto de olhinhos-fechados-gargalhada e me senti completamente sozinha. Perdi as contas de quantas vezes as lágrimas encharcaram meus olhos e eu me segurei para que elas não caíssem. Nem sei porque me sinto assim, se estou na iminência de ir pa lá e de fechar o ciclo. Mas a verdade é que agora tudo dói, tá tudo em carne viva.

A sua ausência agora se mistura com a ausência de companhia, de alguém pra dividir as responsabilidades, de alguém pra confabular se vale a pena comprar certos eletrodomésticos à vista ou parcelado em 10x no cartão; de alguém que segure minha mão, e faça os furos nas paredes, e lide com marceneiro, pedreiro, gesseiro... É uma saudade tão grande da sua resolutividade, da sua habilidade prática, do jeito que você me permitia me sentir a mulher mais segura do mundo, ao lado do cara que faria qualquer coisa por ela.

Repito que não sei porque me sinto assim. Eu sei que sou capaz de lidar com isso sozinha. Mas a verdade é que eu queria você aqui. Eu queria você para me preocupar só com os detalhes decorativos do apê e programar em quantas milhares de parcelas iríamos pagar tudo. Eu queria você aqui pra sentar e pensar na cor do quarto dos meninos com calma. Eu queria você aqui pra programar o aniversário deles. Eu queria você aqui pra jogar minha perna sobre a sua perna e dizer que te amo baixinho no ouvido, quando o sono tá pesando os olhos, lembra, Thi?

Eu queria só dormir no seu ombro de novo, na casa nova, mesmo que seja num colchão no chão porque não deu tempo - $$$ - de terminar os móveis. Eu quero comer de novo pizza sentada no chão, eu quero de novo colocar a TV em cima de um banquinho de madeira... Mas eu quero tudo isso com VOCÊ! Eu quero a risada de fechar os olhos e engasgar, eu quero ouvir "oi, princesinha!" no telefone; eu quero ouvir você abrindo a porta e chamando os meninos de grandão e gorducho. Eu quero VOCÊ e eu simplesmente não posso ter!

EU num tenho nem conseguido dormir direito. E você sabe o quanto eu sou dorminhoca, me encosto em qualquer lugar e já tô ressonando. Mas é tanta coisa na minha cabeça, tanta coisa pra organizar, pra fazer, que eu não consigo pregar o olho. Esse nunca foi o meu papel, lembra? Era você que resolvia as coisas e eu só cuidava de detalhes. Racionalmente, eu sei que é só insegurança, é só o medo da mudança, é só coisa demais... Acho também que esse encerramento de ciclo, esse fim da estrada tem me parecido com tirar você de dentro de mim, de dentro dos meus olhos... É como se eu fosse me afastar de você definitivamente e eu ainda não quero. Era para querer, mas eu não quero. Não sei o que fazer, só sei que dói e não tenho você para abraçar e para me acalmar!

Amo você demais!

Moreninha