quarta-feira, 31 de março de 2010

Seguindo

Viver o luto deve ser isso mesmo. É ter momentos de esperança, de luz no fim do túnel, de sensação de paz, de que tudo vai dar certo e, em seguida, sentir um vazio enorme, uma dor absurda, uma vontade incontrolável de chorar, de fugir, de morrer também. Viver o luto é isso mesmo. É sentir a dor diminuir um pouquinho de cada vez. É perceber que parou de latejar, mas não parou de doer. Viver o luto é lembrar sem querer: uma música no rádio, uma curva na esquina, uma lanchonete preferida, um jeito de dormir, uma conversa, uma foto, uma peça de roupa, um armário cheio de sapatos, os pés dos filhos, a covinha na bochecha direita... Viver o luto é se dar conta de que a ausência grita, fere, machuca e que você vai ter de conviver com ela e sorrir e ser feliz e encontrar novos caminhos. Viver o luto é encontrar sentido e beleza na vida, nas amizades, nas pessoas, na solidariedade, no futuro. Viver o luto é descobrir que se sobrevive apesar de tudo, apesar de qualquer coisa. Viver o luto é continuar vivendo.
Eu sigo no meu luto, mas não sigo sozinha, nem de preto, nem chorando pelos cantos... Eu sigo no meu luto, buscando saídas, pessoas, razões para sorrir. Eu sigo no meu luto, mas porque carrego dois pequenos comigo, eu sigo cantando alto, contando historinhas e fazendo cócegas. A dor é pesada, mas a vida é leve.



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terça-feira, 30 de março de 2010

Foi só o tempo que errou

Renato Russo faria 50 anos. Eu sempre fui fã da Legião. Fã mesmo, de saber as músicas de cor, de cantar alto, de chorar trancada no quarto e de encontrar aplicabilidade prática para os versos.

Não precisava ele cantar a minha vida assim, tão claramente, né?

"De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
se o vento ainda está forte
Vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
e o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
DOS NOSSOS PLANOS
É QUE TENHO MAIS SAUDADE
QUANDO OLHÁVAMOS JUNTOS
NA MESMA DIREÇÃO
AONDE ESTÁ VOCÊ AGORA,
ALÉM DE AQUI DENTRO DE MIM?

Agimos certos sem querer
FOI SÓ O TEMPO QUE ERROU
VAI SER DIFÍCIL SEM VOCÊ
PORQUE VOCÊ ESTÁ COMIGO O TEMPO TODO
E QUANDO VEJO O MAR
EXISTE ALGO QUE DIZ
QUE A VIDA CONTINUA
E SE ENTREGAR É UMA BOBAGEM...

JÁ QUE VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI
O QUE POSSO FAZER
É CUIDAR DE MIM...
QUERO SER FELIZ, AO MENOS!
LEMBRA QUE O PLANO ERA
FICARMOS BEM?"

(Legião Urbana - Vento no Litoral)

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Cartas para você X

Thi,

O fim de semana sempre é mais difícil quando os pequenos não estão por perto. Esse foi assim, Lalá de folga e prova de concurso no sábado e no domingo. Não dava para ficar sozinha com eles. Então, a vovó Paula cuidou dos nossos pequenos para mim. O silêncio na casa, a calmaria, a falta do corre-corre da semana, a sua ausência, fica tudo imenso no nosso lar sem os pequenos. Aí dói demais, bebeim.

Eu nem sei como eu consegui ter ânimo para fazer as provas. A gente bem sabe o quanto eu tava fora desse círculo concurseiro. Mas eu fui, como se algo soprasse no meu ouvido que eu deveria ir. Eu fui me arrastando, morrendo de sono e de preguiça, cansada antes mesmo de começar, mas eu fui. Fiquei pensando na sua alegria, no seu ânimo, na suas ligações para desejar boa prova e depois para perguntar como foi. No final do domingo, com a cabeça latejando e o braço dolorido, eu desabei num choro de saudade dessas ligações e de você.

Entrei no carro e fui bater no cemitério para estar um pouco perto de você. Eu queria dizer que amo você também, eu queria dizer que a prova foi terrível, que eu não sabia nada de nada, que eu deixei uma questão totalmente em branco porque não fazia a menor ideia da resposta, que eu queria não precisar disso, não me preocupar com isso, que eu queria fazer uma viagem com você só pra esquecer esses problemas todos que eu vivo hoje. Eu queria dizer coisas que eu só diria a você, que eu só dividiria com você e que só você entenderia, me abraçando apertado ao final, dando um beijo na minha testa e enfiando a mão de chimpanzé no meu cabelo, num cafuné que só você sabia fazer. Eu chorei tanto, meu amor, ajoelhada na grama ainda molhada das chuvas que têm caído por aqui. Eu chorei como no primeiro dia, me dobrando, me partindo ao meio... Eu chorei porque eu queria ter você aqui.

Eu queria ter você comigo só mais um pouquinho, Thi... Só para dizer tudo que você cansou de ouvir. Só para repetir o quanto você foi importante, o quanto você mudou minha vida, o quanto você me ensinou sobre tudo. Queria ter você aqui para gravar em detalhes as suas brincadeiras com nossos pequenos, para repetir para eles depois, para que eles não sintam tanto sua falta. Queria ter você aqui só para dar um abraço apertado e dormir no ombro, com a perna sobre a sua perna. Eu queria muito ter você aqui só para ligar e dividir as minhas coisas, Thi... Eu queria muito ter você aqui!

Também amo você demais!

Moreninha

"Remeber those walls I built
Well, baby, they're tumbling down
And they don't even put up a fight
They didn't even make up a sound
I found a way to let you in
But I never really had a doubt
Standind in the light of your halo
I got my angel now
It's like I've been awakened
every rule I had you breaking
It's the risk I'm takin
I ain't never gonna shut you out
Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby, I can see your halo
You know you're my saving grace
You're everything I need and more
It's written all over your face
baby, I can feel your halo
Pray it won't fade away
Hit me like a ray of sun
Burning trough my darkest night
You're the only one that I want
Think I'm addicted to your light
I swored I'd never fall again
But this don't even feel like falling
Gravity can't forget
To pull me back to the ground again"
(Halo - Beyoncé)





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sexta-feira, 26 de março de 2010

Ironic

Quando a gente pensa que chegou ao próprio limite, descobre que ainda pode aguentar muito mais. Quando a gente pensa que amou tudo que podia, descobre que ainda há muito amor dentro de si. Quando a gente pensa que não pode ficar pior, vem a vida mostrar que o pior é inesgotável. Quando a gente pensa que não pode ficar melhor, vem a vida com doces surpresas. Quando a gente chega ao fundo do poço, descobre que lá tem uma cama fofinha com lençol percal 200 fios. Quando a gente chega à escuridão de dentro de si, percebe que há muita luz e sentimentos nobres.

A ironia disso tudo é que a mágica, o encantamento, o deslumbramento está justamente na nossa ignorância. Não saber de antemão, não poder prever nada, não antever o final é o deleite. De algum modo, as coisas entram nos eixos depois do caos. A poeira desce e é possível respirar fundo de novo sem engasgar, sem a vista embaçar. Embora esteja tudo desarrumado, tudo meio perdido, o simples fato de existir  e continuar aqui já é sublime. E, se a companhia é boa, se há mãos para segurar, se há ombros para chorar, se há com quem dividir, se há com quem desabafar; há muito o que agradecer.

Eu agradeço.

"Life has a funny way of sneaking up on you when you think everything's ok and everything's just fine.
Life has a funny way of helping you out when you think everything's gone wrong and everything blows up in your face."
(Ironic - Alanis Morissette)

Sorrindo com Matheus VI

Matheus e Thomás brincando sentados no chão do meu quarto. Matheus faz cócegas no irmão e este morre de rir. Aí o maior para e solta a pérola, gritando como se comemorasse:

- Quem é que adora o irmão?

Ao que o Thomás responde, levantando os braços:

-EEEEEEEEEEEEEEE!!!!


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quinta-feira, 25 de março de 2010

E se...

E se você pudesse voltar no tempo e, em vez de insistir para que ele ouvisse, você pudesse simplesmente não comparecer à formatura dele, linda num vestido sereia azul? E se você, mesmo indo à formatura, pudesse voltar mais cedo, sem ficar lá até de manhã, do lado dele? E se, mesmo ficando lá até de manhã, vocês não se beijassem e não descobrissem o que escondiam dentro de si? E se, mesmo descobrindo, você tivesse a chance de não deixar as coisas tornarem sem controle? E se mesmo descontroladas as coisas todas, você não tivesse engravidado e, portanto, não tivessem casado? Você faria diferente? Você tomaria outro rumo?

Mesmo que eu tivesse de passar por essa dor mil vezes, mesmo que eu tivesse de permanecer nela o resto da vida, mesmo que as lágrimas fossem permanentes e a tristeza o meu reduto, mesmo que a reclusão e a ausência de amor me impregnassem a vida; mesmo assim, para viver o que eu vivi com ele, eu faria tudo de novo, mil vezes se fosse preciso.


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quarta-feira, 24 de março de 2010

De fato

Então, chega um dia em que você percebe que imaginar o sorriso dele olhando para você dói; que lembrar da posição de dormir largadão na cama dói; que pensar no jeito que ele te afastava para usar a pia do banheiro enquanto você se maquiava apressada dói; lembrar do jeito que ele penteava os cabelos dói; pensar na forma que abotoava os botões da camisa dói; que imaginar a voz dele quando o telefone toca dói... Aí você vai afastando os pensamentos, fugindo deles, escondendo as mais doces recordações em caixas muito bem lacradas dentro de si, tirando as fotos dos melhores momentos vividos da parede da memória... Você corre do que mais te fez feliz para poder correr em busca da felicidade de novo. Você apaga (momentaneamente) o que foi bom para não sofrer abundantemente e vai em frente, olhando para os lados em busca de oportunidades, segurando mãos que não são as dele, tentando abrir os olhos e o coração para a vida toda que tem pela frente. Quando menos estiver esperando, vai descobrir que ainda há um lugar para si no mundo. E quando estiver lá, não vai querer merecer nenhum outro. ^

Eu estou procurando...


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terça-feira, 23 de março de 2010

Em cima dele, tudo vale!

Aí que hoje eu tava me pegando com a burocracia, correndo de um lado a outro da cidade com papéis e documentos. Quando sozinha no carro, as lembranças, as ideias, a saudade me arrematam no trânsito caótico dessa Fortaleza, 40° graus. Mas essa musica tocou inteirinha, três vezes. Só pode ser um sinal de algum lugar.

"Cheguei a tempo de te ver acordar.
Eu vim correndo à frente do sol.
Abri a porta e antes de entrar,
revi a vida inteira.
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois.
Sinais de bem, desejos vitais,
Pequenos fragmentos de luz,
Falar da cor dos temporais,
De céu azul, das flores de abril,
Pensar além do bem do mal,
Lembrar de coisas que ninguém viu...
O mundo lá sempre a rodar.
Em cima dele tudo vale.
Quem sabe isso quer dizer amor,
estrada de fazer o sonho acontecer.
Pensei no tempo e era tempo demais.
E você olhou sorrindo pra mim,
Me acenou um beijo de paz,
Virou minha cabeça.
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
estrada de fazer o sonho acontecer..."


(Milton Nascimento - Quem sabe isso quer dizer amor)

Subindo

Depois do fim de semana de porre, lágrimas, saudade; a vida continua na sua tentativa de entrar nos trilhos. É como se mais uma etapa desse luto fosse superada. É como se mais um degrau da longa escada que me retira do fundo do poço para a luz fosse subido. É como recuperar o fôlego depois de engasgar. A dor vai diminuindo com tempo, eu sempre soube. Mas é bom constatar isso de fato.

As lembranças são inúmeras, a saudade ainda é imensa, mas a dor vai arrefecendo. É claro que ela aparece de vez em quando, puxando atrás de si muitas lágrimas, soluços e uma carência enorme.  Mas não é mais todo dia... Assim, mais aliviada, eu consigo enxergar o mundo ao meu redor, que continua a pulsar e a ser lindo. Assim, sem me dobrar e sem a vista embaçada, eu consigo ver beleza na vida e no amor. Assim, sem a cabeça baixa, eu vejo muito além e creio na felicidade que me espera lá no alto da escada.

Vamos subindo, degrau por degrau, e carregando dois pequenos na costas.


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Concordo


Quando finalmente as coisas parecem ocupar o seu devido lugar, vem a vida e te dá uma rasteira sem tamanho... Daquelas que até antes de tentar levantar, você precisa olhar pros lados com um certo receio e falta de orientação buscando a justificativa para aquele momento tão inesperado e cheio de amargo.

Mas o que nem sempre entendemos [e demoramos a entender] é que o lugar que designamos para cada um e cada coisa, nem sempre acaba sendo onde vão permanecer para sempre.

Pode ser que em um ou dois anos, o desajuste se mostre tão evidente que o compasso se perde e não se consegue mais acompanhar a melodia. Mas também ocorre de uma vida inteira ser necessária para perceber o tempo que se perdeu sendo triste e insistindo nessa mesma infelicidade.

E no fim das contas fica a lição: nenhuma lágrima vale mais que qualquer mínimo sorriso. E não há coisa alguma que pague um segundo sem ser feliz.

Daqui alguns anos você vai rir disso tudo, então, comece a sorrir agora.

Saudações!

(from: http://prahoje.com.br/copas/)



domingo, 21 de março de 2010

Cartas para você IX

Thi,

A perspectiva da vida inteira sem você é muito dura. Mas esse final de semana, em particular, foi uma prova difícilima de passar. Sexta foi o casamento do Heitor, Thi. Sua turma toda, muitos dos seus melhores amigos, uma festa que também seria sua, uma daquelas em que chegaríamos de manhã em casa, você daria trabalho até para sair do carro de tão bêbado... Estar lá sem você era uma tortura, era doloroso, era à flor da pele, era à queima roupa. Assistir à cerimônia me doeu por sentir também a frustração de não ter dado tempo para a nossa. A sua ausência foi uma presença gigantesca, que gritava e se debatia, durante a festa toda.

E eu bebi, meu amor. Não tinha como ser diferente. Eu bebi para me encher, para esquecer, para conseguir dançar, para sair da mesa... Eu bebi e brindei com seus amigos à você, levantando as taças para o alto. Eu bebi porque era o que eu faria com você aqui. Eu bebi e, em determinado momento, o Rochinha veio me dizer que sentia muito e que não sabia como demonstrar e, daí em diante, eu fiquei com um lenço nas mãos, porque as lágrimas vieram aos borbotões e ajudaram a saudade se transformar em embriaguez. O Saboia disse que você fazia falta demais naquele momento e a gente não conseguiu mais dizer nada depois disso. Eram lágrimas de saudade, meu amor.

Não havia ninguém ali, no nosso grupinho, que não estivesse lembrando de você, da sua risada gostosa, do suor que com certeza encharcaria sua roupa e me tiraria a maquiagem, da sua alegria ao dançar as músicas de axé e forró, da sua simpatia, do seu carinho... Ah, como me doeu não ter você! Dói demais! E nós, eu e os pequenos, somos agora herdeiros de uma multidão de amor que, antes, era dedicado a você. Eu vejo a delicadeza das pessoas para com a gente. Eu vejo o amor transformado. Eu sinto, Thi.

Batemos uma foto dos "Thiagos", eu representei você. Porque não dá para excluir o Castro, não dá para esquecer o Gancho, não dá para estar naquela festa sem vir tudo isso à mente. Aquilo ali era tudo o que você mais adorava fazer, as pessoas que você amava. Certeza que você justificaria seu porre com um "Mas era o único fim de semana do Saboia e da Dea aqui e ainda era o casamento do Heitor, Cele", eu quase consigo ouvir sua voz. Certeza de que a gente acordaria no dia seguinte, de tarde, sem força para nada. Certeza de que comentaríamos a festa à exaustão. Certeza!

Você esteve lá, Thi?

No sábado, fez dois meses da sua ida. E a dor da noite anterior ainda doía de maneira mais branda, sem a influência do alcool. Outro casamento, outras pessoas. Agora os amigos eram meus. Agora a festa era minha. Foi mais fácil. Eu não precisei me afogar na bebida. Eu descobri, bebeim, que através disso aqui eu tenho feito pessoas refletirem sobre a vida. A escrita tem aproximado um mundo de gente de mim. Na festa do Braulio, eu conheci uma pessoa que se diz minha fã e que, de longe, tá torcendo por nós três. Num é lindo, isso? Num é para deixar a gente envaidecido e quase feliz?

Para terminar, eu sonhei com você essa manhã. Você tinha sofrido o acidente, você tinha ficado internado, mas já estava bem, em casa. Nós dois conversávamos sentados no chão do quarto dos pequenos. Felizes, sorridentes e cúmplices como sempre. Eu perguntava como tinha sido, queria saber se você estava distraído, e você me respondia que estava muito rápido mesmo, que não viu o outro carrro e que não se lembrava de nada. Só isso, bebeim. Aos poucos as respostas para todas as minhas dúvidas vão aparecendo.

Eu amo você demais também!

Moreninha

PS: Nas nossas reconciliações, eu sempre cantava esa música. Agora, ela tá na trilha sonora de alguma novela:

"Só você pra dar à minha vida direção,
o tom, a cor,
me fez voltar a ver a luz.
Estrela no deserto a me guiar,
farol no mar da incerteza.
Um dia, um adeus,
eu indo embora.
Quanta loucura
por tão pouca aventura!
Agora entendo:
andei perdido.
O que é que eu faço
para você me perdoar?
Que bom seria
se eu pudesse te abraçar,
beijar, sentir, como a primeira vez.
Te dar o carinho
que você merece ter.
Eu sei te amar
como ninguém mais.
Ninguém mais,
como ninguém jamais te amou.
Ninguém jamais te amou
como eu"


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A rifa continua firme e forte. Quem quiser comprar ou vender pontos, só mandar email que eu explico.



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sexta-feira, 19 de março de 2010

RIFA

Pronto, pessoas. Essa era a forma de ajudar prometida para essa semana. Alguns amigos ofereceram milhas para a compra de passagens aéreas. Como ainda não é o caso de viajar, resolvi rifar a viagem. Um outro conhecido ofereceu hospedagem em Canela - RS, por isso mesmo esta opção está aí.

Quem quiser vender pontos ou quiser participar e não for de Fortaleza, só entrar em contato pelo email pessoal ao lado. O regulamento do sorteio também está aí.

Muito obrigada a todos vocês!

quinta-feira, 18 de março de 2010

E?

E quando tudo que se queria era encontrar uma resposta certa? E quando tudo que se espera não pode simplesmente acontecer? E quando tudo que se programou esvaiu em segundos, com uma pancada forte demais? E quando a vida tá de pernas para o ar e você encontra ainda gente para tripudiar? E quando nada mais parece fazer sentido, exceto um amor que move você para frente? E quando, hein?

Sorrindo com Matheus V

Mais uma vez, no trajeto escola-casa, Matheus me arranca gargalhadas.

- Mamãe, por que essa árvore é tão alta?
- Porque ela cresceu muito, meu amor.
- Mamãe, porque o sinal tá vermelho?
- Para que os carros da outra rua possam passar.
- Mamãe, por que tem um E marcado (placa de proibido estacionar)?
- Porque os carros não podem parar ali.
- Mamãe, por que...
- Matheus, por que você pergunta tanto porquê?
- Porque sim, mãe. Eu tô na fase dos porquês.


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quarta-feira, 17 de março de 2010

OUTRA VEZ

Tem dias que o tempo corre demais. Os ponteiros do relógio giram acelarado e, quando dou por mim, já estou caindo de sono na nossa cama. Mas, vez ou outra, em dias assim, acontece algo que me faz parar de novo e sentir a dor martelando no peito e chorar as lágrimas quentes e grossas que ficam entaladas na correria do dia. De repente, no rádio do carro, tocou uma música que você me enviou por email quando nossos corações batiam em continentes diferentes. Faz tempo, eu sei. Nós nem éramos uma família, nem éramos profissionais, nem éramos nós. Mas havia um sentimento tão bonito que teimava em não ir embora. Você me mandou e hoje eu confirmo tudo que a letra diz e eu queria poder cantar essa música baixinho no seu ouvido, porque ela faz todo sentido do mundo...

"Você foi
o maior dos meus casos,
de todos os abraços,
o que eu nunca esqueci. 

Você foi,
dos amores que eu tive,
o mais complicado
e o mais simples pra mim.

Você foi
o melhor dos meus erros,
a mais estranha história
que alguém já escreveu.

É por essas e outras
que a minha saudade
faz lembrar de tudo outra vez.

Você foi
a mentira sincera,
brincadeira mais séria
que me aconteceu.

Você foi
o caso mais antigo,
o amor mais amigo
que me apareceu.

Das lembranças que eu trago na vida,
você é a saudade que eu gosto de ter.
Só assim sinto você bem perto de mim
outra vez.

Esqueci de tentar te esquecer.
Resolvi te querer por querer.
Decidi te lembrar quantas vezes
eu tenha vontade
sem nada perder.

Você foi toda felicidade.
Você foi a maldade
que só me fez bem.

Você foi
o melhor dos meus planos 
e o pior dos enganos
que eu pude fazer.

Das lembraças que eu trago na vida,
você é a saudade que eu gosto de ter.
Só assim sinto você bem perto de mim
outra vez"

(Outra vez - Roberto Carlos)




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terça-feira, 16 de março de 2010

Cartas para você VIII

Thi,

Ontem eu coloquei o Matheus para dormir deitada no ombro dele. Ele ficou mexendo nos meus cabelos, exatamente como você fazia quando o ombro-travesseiro era o seu. As lágrimas vieram inevitavelmente. Saudade do encaixe do meu corpo no seu, do seu braço ao redor de mim (nem a sensação eu tenho mais), saudade do seu jeitinho de beijar cheirando, da perna sob a minha perna, do cafuné até que eu dormisse. Saudade das noites acompanhadas, da chacota pelas lágrimas ao final da novela, do jeito nosso de ser o que somos. Saudade tão grande de você, mozinho!

Mas, sabe, Thi, eu descobri que ser feliz não tem nada a ver com conquista, com dinheiro, com qualquer fato externo à gente mesmo. Ser feliz é de dentro para fora e é aqui em mim que eu tenho que colocar o pozinho cicatrizante da manicure. É aqui dentro que eu tenho que fazer parar a dor. Eu sei que eu vou conseguir, mas é que às vezes vem algo arrancar a casquinha que estava a se formar.

Eu sei ser feliz, sem culpa, sem medo, leve. Eu sei ser feliz com problemas e dívidas. Eu sei ser feliz com um turbilhão na cabeça. Eu sei que sei. Eu vou conseguir sem você também, meu amor. Nós vamos: eu e os pequenos. Você fez tanta gente feliz, tirou tanta gente do escuro de si, ajudou tanta gente a reencontrar seu lugar no mundo, seu rumo, seu norte. Você foi tão especial, bebeim, tão querido, tão amado, tão presente. Eu só posso ter aprendido com você a olhar para frente com olhos de esperança.

Não sei onde nem se você está, mas sei que, de alguma forma, você persiste aqui ou noutro lugar. Você continua a existir por que eu continuo a amar você.

Com convicção: Amo você pra sempre!

Moreninha

Vocação para felicidade
Carlos Drummond de Andrade

"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Não escreverei versos chorosos, cantando tristezas infinitas, amores impossíveis, saudades dolorosas, paixões trágicas e não correspondidas.

Tenho a vocação para a felicidade.
Ser feliz não me traz sentimento de culpa.
Não preciso da tristeza para justificar a inutilidade da vida.
Não preciso morrer e ir ao céu para encontrar a felicidade.
Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora.

A felicidade, tal e qual o amor, está dentro de mim
E transborda em ternuras, em melodias, em carinhos, em alegrias, em cantos e encantos
.

Sou feliz e não preciso me justificar.
Sorrio sem ver passarinho verde.
Não tenho medo de ser feliz.

Faço minha estrela brilhar.
Sem receio dos encontros, desencontros, encantos e desencantos que o amor me diz.

Contrariedades? Eu as tenho.
E quem não as tem na vida secular ?
Escassez de dinheiro? Nem é bom falar
Amores não correspondidos? Separações?
Rejeições? Saudades incuráveis?
Carinhos reprimidos, ternuras guardadas, sem a contra parte do outro? Eu tenho aos montões.
Sou a rainha das perdas, necessárias ao meu crescimento
.

Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz.
E num livro de matemática existencial juntei todos esses problemas insolúveis, com as respostas nas últimas páginas.
Mas pra que me debruçar
sobre eles, procurando a solução
se a própria vida me conduz
a resposta final?

Sem medo de ser feliz vou por aqui e por ali
por onde os caminhos, as trilhas,
Os atalhos me levarem, traçando meu rumo.
Às vezes com alguma tristeza,
mas quem disse que felicidade
é o contrário de tristeza?
Tristeza é só uma momentânea falta de alegria
!

É, amigo, amanhã é sempre um novo dia
E quando a infelicidade passar por aqui, minhas malas estarão prontas para eu ir por ali".



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segunda-feira, 15 de março de 2010

Como tem que ser

Não quero mais relações superficiais na minha vida. Seja de que tipo for, amizade ou amor. Não quero mais nada perfunctório, verossímil, semelhante; eu quero profundidade, verdade e igualdade. Se não for para abraçar apertado, para segurar a mão e chorar no ombro, para sentir o coração bater acelerado, para faltar ar, para poder contar dia e noite, seja um pneu furado ou um furacão, melhor nem se aproximar. Se não for para ser transparente, sincero, honesto, leal e amigo, solidário, pau para toda obra, melhor ficar onde está. Se for para chegar perto com um pé atrás, com coisas demais na cabeça, com muitos problemas, com inveja, com muito o que se preocupar, eu não sirvo. Tem que ser leve e inteiro. Tem que ser único e especial. Tem que ser intenso e sorvido com avidez. Tem que ser integral e irremediável. Tem que ser óbvio, inegável, evidente. Tem que ser alucinante, envolvente, tem que causar descontrole, tremores, espasmos. Tem que ser real e lúdico. Tem que ser profundo e fácil. Se for para ser um peso, um fardo, uma responsabilidade a mais, um entrevero, uma pedra no sapato, melhor mesmo nem começar. Eu prefiro meu abismo, meu poço profundo, minha escuridão que lapsos e migalhas. Sou inteira na dor e isso me faz inteira em mim. Se não posso ainda ser feliz, que eu consiga sorrir. Se não posso ainda amar, que eu consiga sonhar e lembrar. Se não posso ainda ser eu, que eu seja fiel a mim. E quando tudo isso passar, que eu consiga dizer que foi muito mais fácil que eu supus e que eu venci pelo simples fato de ter tido pessoas de verdade ao meu lado.


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domingo, 14 de março de 2010

Eu vivi

Na net, a gente encontra tudo quanto é tipo de coisa. A gente encontra gente escrevendo bem, gente dando opinião sobre tudo, gente dando dicas de decoração, de moda, de relacionamento. Eu encontrei esse texto e vou postar aqui só para reafirmar para mim e para vocês que eu vivi o sonho de toda mulher.


"Fim de ano sem amar é deprê, hein? Tô megera o suficiente pra ver uma família feliz no shopping e pensar que aquela instituição "image bank" não passa de uma união solitária de aparências. Tô megera o suficiente pra furar a fila do Papai Noel e pedir um pirulito, bem grande, bem grosso, bem exclusivamente apaixonado por mim. Tô megera o suficiente pra abraçar os veadinhos do trenó em homenagem aos meus ex-casos. Tô megamegera o suficiente pra não admitir minha carência e dar uma risada debochada de todas as luzes, canções e emoções de boas-festas. Tá, mas no especial do Roberto Carlos não vai dar pra ser megera. O filho da mãe sempre me faz chorar. É impressionante como a gente se sente sozinha na porra do especial do Roberto Carlos.

É claro que eu desejo o meu sucesso profissional, dinheiro, saúde, ..., mas nada de atacar para todos os lados nas simpatias deste réveillon. Não dá certo. Este ano vou focar no amor: calcinha vermelha, fitinhas vermelhas e as sete ondas vão ser puladas com a mão no coração (se eu usar a frente-única branca que comprei, é bom que a mão no coração já segura um peito) e uma só intenção: encontrar o danado. Ah, sejamos sinceras mulheres modernas: no fundo, no fundo, a gente quer mesmo é alguém pra dormir protegida no peito (de preferência largo, forte e levemente cabeludo).
E nem é medo de ficar pra titia não, além de ter cara de mais nova e ser bem nova, eu sou filha única. É vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de "é esse!". Como será sentir isso? Eu sempre sinto que "pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse...". Não, isso tá errado. Quero sentir que "é esse".

Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo. Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoas procurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara de "essa mulher é única".


É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim. Exigir demais pode fazer eu acabar sozinha em mais shows do Roberto Carlos. Deus me livre! Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver... Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo, tem que rolar umas sacanagens e não pode ter remela gosmenta. Pronto!


E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que "aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências" vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor."

"
(Tati Bernardi)


sábado, 13 de março de 2010

Conselho

Então, hoje eu fiz questão de comparecer ao aniversário de uma amiga-vizinha. Uma festinha animada, na cobertura aqui do prédio, regada a pagode e feijoada. Um momento leve e descontraído em que eu quase esqueci todos os problemas que me perseguem.

Enfim, na festinha a música foi um conselho pra mim.


"Deixe de lado esse baixo astral
Ergua a cabeça enfrente o mal
Agindo assim será vital para o teu coração
É que em cada experiência se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão
Pra que se lamentar
Se em tua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor
Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz"

(Conselho - Jorge Aragão)

sexta-feira, 12 de março de 2010

A razão da minha força

O post de hoje não vai falar dessa saudade que persiste, da ausência que grita, da falta absurda, da procura por resposta, da força que vem não sei de onde. O post de hoje não vai falar da minha dor, nem do meu medo do mundo, nem do meu desespero, nem do meu despreparo, nem do caos financeiro, nem da vida de cabeça para baixo. O post de hoje não vai remoer o que dói, nem revisitar momentos nossos, nem reler emails com palavras doces de amor.

O post de hoje é AGRADECIMENTO e RECONHECIMENTO. O post de hoje é para valorizar a presença constante; a preocupação com nós três; o ombro acolhedor; as mãos segurando as nossas mãos; o abraço apertado; as lágrimas nos olhos; as risadas tiradas à força e com piada sem graça; a saída à noite a que me obrigam de maneira compulsória; as ligações para perguntar como foi dia; as doações feitas; as Notas Fiscais encaminhadas; os comentários aqui no blog; os emails esperançosos e desejando felicidade; os votos de força, de paz, os bons pensamentos; a ajuda de todo tipo com tudo que se pode dar; o apoio jurídico, odontológico, médico, contábil e todos os outros tipos, dos amigos profissionais liberais...

Eu não estaria em pé, com a coluna reta e respirando fundo, sem vocês. Eu não estaria aqui sem tantos amigos. E é engraçado porque eu sempre disse que mais importante que ter dinheiro é ter amigo. Eu sei que eu não preciso numerar aqui quem são, cada um de vocês se reconhece no meu bem-querer.

Muito, muito, muito, muito, muito, muito OBRIGADA MESMO!


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quinta-feira, 11 de março de 2010

A dor que dói

O que MAIS me dói não é perder o marido maravilhoso que eu tinha, até porque é meio previsível e até aceitável que um casamento acabe. Mais cedo ou mais tarde outras pessoas aparecerão na minha vida, outros amores, outros homens. Eu não serei viúva para sempre, não no sentido pesado da palavra, daquela que carrega luto. Em algum momento, eu voltarei a ser solteira com filhos. O que dói demais, dói em abundância, dói aos gritos e socos e pontapés dentro de mim, é não ter mais o melhor pai que eu já vi para os meus pequenos. Aí, sim, a dor é absurda e incompreensível.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ontem foram mais de 250 visitas! Muito obrigada, gente!

A campanha das Notas Fiscais continua, viu? Quem tá ajudando e juntando, continue!

Próxima semana terei novidades sobre como ajudar um pouco mais!

Cartas para você VII

Thi,

Escrever para você me ajuda a conviver com essa ausência que me acorda aos gritos, que mostra os vazios, que expõe a saudade em cada vão da nossa casa. Escrever me ajuda a tirar de mim a dor. E, talvez, eu só esteja conseguindo sair do poço profundo em que os acasos da vida me jogaram por causa da escrita. Através dela, eu consigo refletir sobre tudo e encontrar alguns motivos para sorrir, para seguir, para sair daqui.

Hoje eu acordei feliz, como se nada tivesse acontecido, como se o mundo ainda fosse o comercial de margarina, ou o transatlântico, ou a festinha em que eu cantava alto uma música animada. Hoje eu acordei com o sorriso do Matheus, com a alegria e a espontaneidade dessa criança que nos demos. Tão parecido com você, Thi! Tão igual a mim! Mas foi o Thomás que me tirou da cama, puxando meu dedo com a mão gorducha dele e me chamando para dançar o "Rebolation". Eu levantei da cama cantarolando e dancei com o gorducho, tomei meu banho e dividi o pão com manteiga com o grandão e dirigi até a creche conversando com a criança mais falante e mais cheia de porquês que conheço.

Eles são o que eu mais tenho de você, são sua presença na minha vida, são a sua eternidade, são a sua continuação. Eles são o nosso amor transformado em gente, são a consubstanciação do que supomos eterno, são a materialização do subjetivo. Eles são minha razão de viver e de lutar e de ser essa mulher que todo mundo supõe forte e guerreira, mas que na verdade esconde e estampa uma fragilidade e uma carência enorme.

O tempo está passando, meu amor. Eu sinto que as coisas vão entrar nos eixos e a vida vai seguir seu rumo. Eu não posso apertar o replay e estar com você novamente, mas eu posso antever o final e, sim, eu creio que seremos felizes, eu e os nossos pequenos.


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terça-feira, 9 de março de 2010

Cartas para você VI

Thi,

Eu tenho que admitir que o tempo está passando muito rápido. Eu tenho que admitir que, de alguma forma, o meu desejo de que 2010 se vá o quanto antes tem sido atendido. Eu tenho que admitir que eu me sinto como uma pessoa que estava curtindo a festa, dançando feliz e cantando alto a música, e, de repente, vê uma briga acontecer ao seu redor, com cadeiras, garrafas e tiros voando. Eu sou essa pessoa que sai correndo sem olhar para trás, que foge do epicentro da confusão para se salvar, que não serve para testemunhar em juízo porque não viu nada nem ninguém, porque não sabe nem onde estava antes nem como saiu de lá, só correu e sobreviveu.

Eu sobrevivi, Thi. Eu estou respirando fundo, com a coluna reta e encontrando motivos para sorrir. Eu sobrevivi e me tornei muito mais doce, mais humilde, mais atenta ao que realmente importa. Eu entendi coisas que você teimava em me fazer entender e eu não conseguia, Thi. Eu sei, eu sei, eu sempre descubro que você tinha razão depois. Você tinha, bebeim, você sempre teve razão.

Os pequenos estão cada vez mais lindos e você estava certo quando disse que eles seriam a melhor companhia um para o outro. Eles riem tanto juntos, meu amor. Tenho certeza de que, se você estivesse aqui, brincaria de cavalo com o Thomás nas costas, tentando pegar o monstro Matheus e tudo terminaria com os os três rolando no chão e gargalhando. Mas você deixou um para o outro, me deixou eles dois e nos deixou para sua mãe e irmã. A gente tem aprendido a encontrar saídas sem você, a gente tem se virado bem até aqui.

Ainda me sinto perdida, muitas vezes. Sinto muita falta da sua resolutividade e de seu cuidado. Sinto falta da sua presença na nossa casa, da sua voz, dos emails carinhosos, do cafuné e do ombro à noite, da perna em que eu repousava minha perna, das piadas mais bestas do mundo que me faziam rir. Sinto falta da nossa família, Thi, do que éramos e tínhamos juntos e dos inúmeros sonhos e projetos que ficaram soltos no ar. Porém, eu descobri que você não deixou um vazio em mim. Pelo contrário, você me tornou maior, você me encheu com o que havia de melhor em você. Eu herdei grande parte do que você é (ou era), eu herdei seus amigos tão queridos, eu herdei o amor das pessoas que amavam você, eu herdei a amizade de gente que eu nem conhecia antes disso tudo. Muitas heranças felizes. O que há de mais importante, meu amor, eu herdei.

Por isso tudo, por você, onde quer que esteja, eu sigo olhando para saída desse lugar em que viver dói. Eu tô chegando lá, meu amor!

Também amo você demais!

Moreninha

PS: "Faço longas cartas para ninguém e o inverno em 'Fortaleza' é quase glacial"


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segunda-feira, 8 de março de 2010

Pressentimentos

1 - Durante todo o ano de 2009, nós (o Thiago e eu) tivemos muitos encontros com amigos e pessoas queridas. Nesses encontros, o Thiago sempre bebia muito e justificava a bebedeira dizendo que "era a única oportunidade de beber com fulano" ou que "era o último fim de semana com sicrano" ou ainda que "era a única vez que beltrano estava aqui em Fortaleza". Eu fiquei pensando nisso tudo e remoendo quantas vezes eu fiz palhaçada com as justificativas dele, mas, para variar, na maior parte delas, ele estava certo.

2- Em dezembro, eu encontrei minha turma de colégio no Cocobambu. Lá, rolou um papo das mulheres, dizendo como ficariam caso o marido morresse. A mulher do meu amigo disse que se ele, Procurador Federal, morresse, ela ficaria com um apartamento quitado e uma pensão no valor do salário dele, que não precisaria nem se preocupar mais com nada. Eu prontamente respondi que não queria que o Thi morresse nunca porque eu só herdaria dívidas. E eu vivo o meu pior pesadelo.

3- Em dezembro último, às vésperas do Natal, fui deixar minha mãe em casa com o Matheus. Na volta, ele me perguntou se iria digirir algum dia. Eu respondi que sim, que ele um dia seria um homem, que teria filhos e esposa, que trabalharia e dirigiria, e que a mamãe ia ficar velhinha, doentinha e morrer. Matheus desabou no choro, dizendo que se eu morresse, ele ficaria com muita saudade; que não queria mais crescer para eu não morrer e outros nós que a cabeça dele deu. Ao chegarmos em casa, o Thi percebeu o olhar de choro do pequeno e perguntou o que houve. Já chorando novamente, Matheus contou o que eu havia dito no carro. O Thiago me repreendeu severamente, dizendo que não se pode falar em morte para uma criança tão pequena que acredita que todo o passado foi ontem e que todo o futuro é mais tarde; disse que agindo assim eu estaria incutindo alguma angústia ou ansiedade nele e que eu terminaria por criar um histérico (ele era muito psiquiatra nessas horas). Ele acalmou o Matheus dizendo que ninguém ia morrer, só os monstros, os alienígenas e as pessoas das outras terras, e prometeu que iria ficar com o Matheus para sempre, enchendo ele de beijos. Matheus ainda pediu para ele repetir isso muitas vezes. Menos de um mês depois, eu tive que falar novamente sobre morte com meu pequeno, mas agora o verbo era presente.

4- Na quarta-feira, 13/01/2010, o Thi foi trabalhar em Santana do Acaraú e voltou no dia seguinte. Quando ele estava chegando em Fortaleza, por volta das 16:30h, ele me ligou. No telefonema, ele me pediu para ir direto para casa quando saísse do trabalho. Eu fui para casa e, ao chegar no portão, não vi o carro dele estacionado na nossa garagem, isso já aconteceu muitas outras vezes, mas naquele dia foi diferente. Aquilo me deu um desespero, um frio na espinha, que, antes mesmo do portão terminar de abrir, eu já estava com ele ao telefone. Perguntei onde ele estava, ele me disse que em casa. Perguntei onde estava o carro dele, ele disse que deixara para lavar. Eu subi para o apartamento correndo e disse que eu tive a nítida sensação de que ele tinha sofrido um acidente, que fiquei nervosa ao não encontrar o carro na garagem. Ele me disse que eu estava exagerando e contou essa história algumas horas depois numa roda de amigos, no barzinho vizinho à nossa casa. E eu estava tendo uma premonição, na quarta seguinte ele foi e não voltou.

5- No dia 19/01 o Arthur, sobrinho do Thi nasceu, ele acompanhou o irmão e a cunhada durante o dia todo, e no comecinho da noite assistiu o parto. Quando chegamos em casa, já bem tarde, ele disse que não estava com vontade de viajar na manhã seguinte, que achava melhor ir só na quinta porque ele achava que a cunhada poderia precisar dele. Eu discordei e sugeri que ele fosse na manhã seguinte mesmo porque na quinta ela estaria em casa e ele já estaria de volta para ajudá-la. Ele foi na quarta mesmo e não pode mais ajudar a cunhada.

Eu vim relatar isso só porque eu fiquei pensando que a gente, em vários momentos, teve indícios que a tragédia estava para ocorrer. Ainda tem muitas coisas que ele disse, escreveu, falou, fez que indicam que, de alguma forma, talvez ele soubesse mesmo que o tempo era curto. Às vezes a cabeça vira um filme hollywoodiano e só pensa nessas premonições, nesses sinais, no que poderia ter sido feito para evitar. O fato é que nenhum de nós sabia que isso realmente iria acontecer, ninguém poderia fazer diferente do que fez. Mas se hollywood fosse de verdade, eu queria ser protagonista do "Brilho eterno de uma mente sem lembrança".


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sábado, 6 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cartas para você V

Thi,

Tem dias que é tudo mais fácil. Eu fico ocupada no trabalho, com a cabeça cheia de coisas para resolver, eu me ocupo da gripe dos pequenos, eu corro para não faltar nada em casa, eu me mantenho mais ou menos aprumada, eu vou em trocentos lugares diferentes, eu corro-corro-corro.

E tem gente, Thi, tanta gente me ajudando. Você ficaria impressionado. Gente que liga de noite pra saber do dia; gente que manda emails oferecendo ajuda, notas, abraços, palavras de conforto; gente que deposita anonimamente (ou não) dinheiro na minha conta; gente que me arranca sorrisos no MSN; gente que me arranca sorrisos ao vivo; gente que me tira de casa à força; gente que atravessa a cidade pra ficar comigo um pouquinho; gente que me ouve, que me lê e que torce por nós três que ficamos aqui. Tem muita gente mesmo ao meu redor, meu amor. Eu acho que você ficaria orgulhoso de ver como eu adocei.

É, bebeim, eu acho que eu fiquei mais doce depois disso tudo. Eu digo para eles, aqueles nossos AMIGOS, que eu os amo; eu agradeço sempre a todo mundo (até os garçons, que você vivia me dizendo para agradecer); eu peço qualquer coisa com carinho agora; eu beijo muito nossos pequenos e repito todos os dias que os amo, que eles são lindos e o Matheus responde "você também é linda, mamãe!"; eu abraço apertado, beeeem apertado; e eu continuo chorando todas as noites quando termina "viver a vida". Mas eu não choro mais todos os dias por você.

Tem dias, Thi, que eu sigo sem pensar, olhando lá para frente e eu vejo a saída disso aqui, eu corro pra ela, e consigo ir e rir, me sentir bem, quase feliz. Tem dias que o tempo passa rapidinho e eu apago de noite e durmo sem sonhar. Aquela dor profunda, cortante, gritante, ardente, que me dobrava os joelhos e me revirava o estômago, aquela lá do dia 20/01 parece que tem me deixado. Ainda tem um buraco aqui em mim, "ainda tem o seu perfume pela casa, ainda tem você na sala e o meu coração dispara quando vem o seu cheiro dentro de um livro, dentro da noite veloz", mas eu já consigo respirar fundo e esticar a coluna, Thi. Eu achava que eu não conseguiria mais, mas eu consigo.

Eu, o grandão e o gorducho nos lembramos de você todos os dias, mas a gente ainda vai ser muito feliz, Mozinho. Por e para você.

Eu também amo você!

Moreninha


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quinta-feira, 4 de março de 2010

Descobertas

Eu descobri que:

1. Crianças tem superpoderes;
2. A gente tem muito, mas muito mais amigos do que acha que tem;
3. Tem gente que a gente pensa que é amigo, mas não é;
4. O que a gente chama de possibilidade, de probabilidade, de futuro, na verdade, não existe;
5. É possível ter alegria no meio do pior momento da vida;
6. Depois da tempestade, vem mais tempestade e a chuva vai diminuindo aos poucos, bem aos poucos;
7. Não adianta de nada ter tudo planejado se, no final das contas, nada vai ser como a gente planejou;
8. Ainda assim, é importante ter uma poupança (eu não tinha);
9. Solidariedade é uma forma de amar;
10. Nunca será possível agradecer o bastante.


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quarta-feira, 3 de março de 2010

A nuvem negra não quer ir embora

Ontem quando retornava do meu horário de almoço, trafegando pela Ana Bilhar e cantando Shimbalaiê, um carro que vinha pela Barbosa de Freitas invadiu a preferencial e atingiu o carro que eu conduzia. Eu perdi completamente o controle da direção, o carro girou e foi em direção ao muro do edíficio da esquina. Nesse momento, eu só pensava que ia morrer e na orfandade dos meus pequenos. O carro bateu no muro do prédio e não parou, virou mais uma vez, no sentido do tráfego, e foi em direção a uma árvore. Bati de frente na árvore e o carro enfim parou. Eu tirei o cinto de segurança e saí correndo do veículo. Na minha cabeça, se eu não morri no choque com o muro nem no choque com a árvore, o carro ia explodir. Eu corri para longe dele. Não pensei em nada, eu só queria sair de perto. Perdi a tarde toda nos aspectos burocráticos do incidente.

Essa história tem alguns "ainda bem". O carro não era meu. O meu está na Ceará Motor desde a segunda-feira, 22/02, para revisão e a Ceará Motor me alugou esse carro para rodar. Ninguém se feriu. A mulher que invadiu a preferencial tinha seguro. A dor de cabeça será resolvida entre a seguradora da mulher e a locadora do veículo. E a locadora me entregou outro veículo. That's all.

Eu repito o que eu disse em algum post passado recente: Se 2010 quiser acabar, já pode!




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terça-feira, 2 de março de 2010

Cartas para você IV

Finalmente, depois de 40 dias eu consegui criar coragem de ir te visitar, Thi. A coragem não surgiu do nada, é claro. Fui muito mais para matar a curiosidade do nosso grandão, que já começava a fazer perguntas muito difíceis e criar subtefúrgios para escapar da realidade dolorosa. Ele me dissera que o papai estava trabalhando. Não sei se por causa da história da Vovó Paula, sobre cuidar do papai do céu. Não sei se era mesmo só para amenizar a dor da falta. Sei que eu senti que não poderia deixá-lo acreditar nisso e fui.

Fui no fim da tarde do domingo, quando o sol formava sombras compridas, como eram os nossos planos. Fui lá e sentei na grama daquele ambiente silencioso, pacífico, tranquilo, cercada por flores de tantos tons, no calor que tem feito estes dias. Sentei sobre o lugar em que enterramos você, meu amor. Sentei abraçada aos nossos dois pequenos e expliquei, sem chorar, que depois que as pessoas morrem, os que ficam vivos colocam o corpo do que morreu numa caixa e a enterram. O grandão pediu para desenterrar, disse que queria ver seu corpo. Eu expliquei a ele que não podia, que o corpo fica muito machucado, fica cheio de feridinhas e de dodóis. A gente falou com você, Thi. Dissemos que amamos você, que estamos com saudade, que queríamos que você estivesse aqui com a gente, mandamos beijos. O gorducho quase não parou de estalar os lábios e repetir "papá".

Coincidentemente, havia um enterro acontecendo e a mamãe tratou de explicar para o Matheus como acontecia. Mostrou para ele a caixa e como ela era enterrada. Eu não sei até que ponto ele compreendeu, Thi. Sei que ele ficou um pouco confuso, pois perguntou como o papai poderia estar lá naquela grama e no céu ao mesmo tempo. Tentei explicar que o corpo era uma coisa e o espírito era outra e que, embora seu corpo machucado estivesse ali, seu espírito íntegro estava lá no céu. Mas essa dissociação, meu amor, é muito complicada para a cabeça de uma criança tão pequena, como nosso grandão.

No final da visita, eu fiquei sozinha. Tive meu tempo de refletir sobre isso tudo. Continuo sem entender; sem encontrar uma só razão possível; sem descobrir porque desígnio tão infeliz para nós três que ficamos aqui sem você, sem nossa base, nosso alicerce, nossa força; sem ter como seguir em frente. Continuo perdida, Thi, sem saber como resolver tanta coisa ao mesmo tempo, sem saber como tocar a vida... Vou tateando no escuro, com passos pequenos, um de cada vez, com as mãos esticadas para frente, com medo de esbarrar numa parede intransponível ou de cair num buraco ainda mais fundo. Vou aos pouquinhos, cega, sem sinais indicativos de caminho seguir, baseando-me basicamente no meu instinto de mãe e de mulher. Vou em frente, mas eu escuto, Thi, de algum lugar, não sei se do passado ou do futuro, eu escuto você me dizendo que eu vou conseguir. E eu vou!

Também amo você demais!

Moreninha


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segunda-feira, 1 de março de 2010

O pouco que sobrou

Acho que eu também morri um pouco naquele 20 de janeiro. Uma grande parcela de mim se despedaçou na curva da estrada. A batida prensou nas ferragens sonhos e projetos que obviamente também eram meus. Meu coração perdeu um pouco o vigor e bate descompassado desde que aquele outro coração parou de bater. Acho que parte do que eu sou ficou lá, sem eu nunca ter chegado nem perto do local do acidente. O brilho dos olhos, a fé no futuro, a esperança, a alegria de viver ficaram ofuscados por esse clarão. A pancada que ele sofreu foi muito forte, mas a que eu sofri me dobrou os joelhos, me deitou no chão, me fez gritar, me revirou o estômago e me causa crises convulsivas de choro ainda hoje.

A tragédia me levou parte do que havia de melhor de mim, um dos meus principais motivos para sorrir, o amor da minha vida, o pai dos meus filhos, o meu porto, meu cais, meu lar. A tragédia me levou minha segurança, minha estabilidade, meu futuro e uma parcela significativa do meu passado. A tragédia me levou grande parte das minhas certezas e das minhas convivcções. A tragédia me levou meu menino, meu marido, meu amor.

Restaram aqui uma mulher em pedaços, recolhendo e costurando os retalhos de si, e duas crianças que só precisam ser feliz.



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