domingo, 31 de outubro de 2010

Sorrindo com Matheus XV

Eu e o Matheus preguiçando na rede. Eu, enchendo ele de beijos, digo:

- Você é o meu amor!

Ele responde:

- Você é a minha amora!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Caio F. autor da minha vida II

"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima', certa 'preparação'. Certa 'grandeza'. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe – e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte – pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) – nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."

(Caio Fernando Abreu)



Caio F. autor da minha vida


"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.
Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada (...)
Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar.
Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado.
Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce"
(Caio Fernando Abreu)

Conhecimento de causa

Matheus e Thomás correndo pela casa, fingindo que um era o Max Steel e o outro era o Ben 10, murros, socos e voadoras rolando... Aí eu paro e pergunto quase gritando, esperando que as respostas fossem os personagens citados:

- Qual o brinquedo preferido do irmão?!?!? (eles chamam um ao outro de irmão)

O Thomás responde:

- EEEEEEUUUUUUU!!!

Criança sabe das coisas!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Yes, I'd rather hurt than feel nothing at all*

Eu sempre me jogo nas coisas e acredito nas pessoas. Tenho pressentimentos bons e outros nem tanto e costumo confiar no que sinto. Às vezes, aposto alto. Outras, nem a pau, Juvenal. Mas eu sei que eu sou 8 ou 80 porque não gosto mesmo de meio termos. Eu sou intensa. E, na maior parte das situações, saber o que eu não quero me ajuda a excluir uma centena de opções e seguir em direção ao que me é mais atraente. Algumas vezes, uma porta na cara. Algumas vezes, uma rasteira. Mas quando dá tudo certo, é lindo de se ver o brilho no olhar e aquela sensação gostosa de que a vida toda faz sentido e o mundo é perfeito e que cada coisa está em seu devido lugar.

Nesse momento, tenho andado apostando alto e tendo bons pressentimentos, ambos me permitem correr para aquilo que me parece extremamente atraente e que pode, dependendo do que aconteça, me devolver esse brilho no olhar e a sensação de eixo, segurança e paz. Mas se não for, I'd rather hurt than feel nothing at all. E tenho dito!

* Verso da música Need you now - Lady Antebellum

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nem tudo são flores...

Ter um filho é maravilhoso. Já cantei diversas vezes aqui as maravilhas da maternidade e a luz que os meus pequenos refletem sobre mim. Já mostrei a esperteza e a delicadeza com que o Matheus lida com as situações que nos são impostas. E só não contei as trapalhadas do Thomás porque ele ainda balbucia as primeiras gracinhas. Ressalto, porém,  que ele é quase sempre o centro das atenções nas reuniões familiares. Mas como diz o título, hoje eu vim dividir o fardo pesado de educar crianças. Hoje eu vim contar sobre quando eles não são iluminados e lindos e fofos...

Matheus já vem sofrendo com constipação desde que fomos pra casa da mamãe. Portanto, um mês. Tortura ter que usar remédios numa criança dessa idade, uma vez que activia, linhaça, fibras, mamão e ameixa, além de um óleo regulador intestinal, não surtiram efeito nenhum. Ele faz um escândalo, ele chora horrores, eu cheguei a pensar que tivesse algo mais grave, quis levá-lo pra fazer um ultrassom... Mas não foi necessário. Não sei se é só por causa disso, mas hoje ele teve uma crise de birra na hora do almoço. Não é comum. Em geral, ele é uma criança calma e meiga e obediente. Mas hoje ele virou a mesa, jogou o prato no chão, derrubou as cadeiras, rasgou um avental, gritou com a Lalá (a minha santa babá) e parecia tomado de fúria. A Lalá me ligou pedindo socorro.

Voltei pra casa correndo e assim que ele me viu na porta da cozinha, murchou e começou a chorar. Disse que estava muito raivoso porque o H. e o M. estavam brincando de luta na escola e bateram nele e que por isso tinha feito aquilo tudo. Eu perguntei, em tom ameno e tranquilamente - por dentro, eu tava uma pilha -, se ele achava certo descontar a raiva que ele sentia de outras pessoas na pessoa que cuidava dele. Ele disse que não. Eu mandei ele pedir desculpas, abraçar e beijar a Lalá. Em seguida, mandei ele arrumar toda a bagunça que tinha feito, inclusive varrer o chão (o que ele fez mal e porcamente, é claro, e a Lalá teve que terminar o serviço). Em seguida, levei-o para o quarto e disse que ele tinha feito uma coisa muito feia e muito errada e que sempre que alguém faz uma coisa feia e errada, tem que ter um castigo. Pelo que ele tinha feito, ele ia ter que passar o resto do dia sem DVD e sem videogame. Então, mais lágrimas e pedidos de "por favor, mamãe". Eu expliquei que quando se é adulto os castigos são bem piores; que quando os adultos fazem coisas erradas, vão para a prisão e podem ficar lá mais de mil dias e que mil era um número tão grande que ele num sabia nem contar. Ele me pediu pra contar até mil e eu expliquei que era muito, que ia demorar. Ele insistiu e quando eu cheguei ao cem, ele me disse que contar estava acalmando ele. Quando eu cheguei ao duzentos, ele tava dormindo.

Pode parecer um episódio besta. Isoladamente, eu tiraria de letra. Mas as coisas se avolumam e não ter ninguém pra dividir as responsabilidades todas e a angústia acerca de estar fazendo a coisa certa, de educar direito, vão acabar me gerando uma gastrite. Tem dias que você está pesado, arrastando o fardo e ainda acontecem coisas que dão vontade de chutar o balde. O episódio do Matheus é só uma gotinha no oceano de lágrimas que eu retenho. Vezenquando, eu deixo tudo transbordar e choro até secar, para em seguida ir enchendo meu recipiente interno. Eu só estou um pouco cansada de ser a forte sempre, a responsável sempre, a mãe e o pai. Apesar disso, eu sei que dou conta. Tenho dado até aqui e o olho do furacão passou faz tempo. Mas era isso mesmo que eu queria dividir. Nem tudo são flores...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Back

Normalmente, eu sou uma pessoa racional e tento ser equilibrada nas minhas escolhas e decisões. Aliás, minha terapeuta me dizia sempre que eu consegui lidar com luto de maneira muito pragmática e isso foi ótimo no meu processo de superação. Mas eu sou mulher, sabe? Hormônios, estresse, TPM, carência, tudo isso se imiscui formando, vezenquando, uma carga explosiva dentro de mim. Um balão de gás que estoura como bomba atômica. Aí tem lágrimas e muita saudade. E dói, gente! Eu não preciso ser forte o tempo todo. Eu não preciso ter esperança o tempo todo. Eu não preciso ser otimista o tempo todo. Eu não sou a Pollyana. Eu sei que a vida tem suas rasteiras, suas puxadas de tapete, seus zilhões de problemas... Por isso mesmo eu me permito, nesses momentos, ser a depressiva que também existe em mim. E choro e me tranco num quarto escuro sem querer sair da cama e acho que nada vai dar certo e acho que eu não sou capaz de fazer sozinha e acho que não vou dar conta de cuidar dos pequenos e me acho feia e gorda e acho que sou baranga e acho que nenhum homem em nenhum lugar do mundo vai mais me amar e acho que eu vou ter que arrastar minha solidão até que meus netos sejam a minha melhor companhia e acho tantas coisas... Eu vinha assim, nessa espiral decadente desde o último dia 20 e piorou no fim de semana. Eu vinha assim, cambaleando pelos dias com medo do mundo e de mim e até das surpresas da vida. Eu vinha assim meio enjoada, sem paciência, arrastando correntes e lacrimejando... Mas aí, eu ouvi uma música no rádio, quando eu tava indo ver em que pé anda a obra do apê, ela tocou inteirinha  e eu cantei alto e ri alto dos meus problemas tão pequenos e totalmente solúveis e pensei na esperança que a música injetava em mim e como ela tinha muito a ver com esse sentimento que aquece meu coração, como ela me trazia uma esperança gostosa de que vai dar tudo certo e eu voltei a ser a Pollyana otimista e forte all over again.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O vazio

Não é sempre. Mas, vez em quando, ele vem e se instala em mim. Fica por aqui, batendo na mesma tecla, com o dedo na minha cara, me mostrando a solidão pior de todas, aquela em que nem importa o tanto de gente ao redor, nem importa a presença sorridente e bagunceira dos pequenos, não importa o quanto esteja tudo calmo, não importa mais nada que não seja a ausência...

Esse fim de semana ele deu o ar da graça de maneira contundente, de maneira dolorida (muito). Eu não sei o que fazer com o nada, com o vácuo... Não sei como lacrá-lo em algum compartimento em que nem eu mesma tenha mais acesso. Eu avisei logo que não queria que ele se demorasse, mas ele é tinhoso e tem tempo próprio que não depende do meu querer nem das minhas vontades.

É preciso calma para se preencher de novo, é preciso força para não desmoronar, é preciso olhar para frente para não cair, é preciso. Eu sigo tentando fazer com que ele não me derrube. Mas tá difícil... Ê ferida que não para de sangrar!

domingo, 24 de outubro de 2010

As minhas pessoas

Não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público. Tem gente que vive em franca exposição, tem gente que não sabe dizer não e impor limites, tem gente que se torna melhor amigo em segundos. Eu não. Não consigo, não dá. Por mais que aqui e nas redes sociais haja um certo descortinamento da minha vida, em todos estes casos, é visto apenas aquilo que eu quero que vejam. Na rotina, no fringir dos ovos, eu elejo ou sou eleita. E a minha vida privada é dividida com alguns.

Uma vez me disseram que ler o blog é como ver fotos de uma viagem. Não se sabe realmente o que foi feito, não se sabe exatamente da emoção, não se sabe se o pé doía, se houve uma situação engraçada, se se saía de um restaurante ou de uma balada, não se sabe o motivo daquela risada tão gostosa, não se sabe dos detalhes. Cada texto do blog é uma foto de alguns momentos meus, é um aprisionamento de alguns sentimentos, é a eternização de uma situação. As histórias de verdade, as histórias que motivam a foto, o que há por trás, só alguns sabem.

Estes que sabem são as minhas pessoas, a minha tribo, aqueles com quem divido... Não são muitos e são muito queridos, com eles eu sinto a síndrome do pequeno príncipe, eu quero sempre mais perto, as conversas nunca são suficientes para matar o assunto todo, o tempo nunca é suficiente para matar a saudade que se sente, e a vida toda não será suficiente para mostrar o carinho e a gratidão que sinto. Enfim, não é todo mundo, não é para todos, não é um evento aberto ao público.

PS: Dea e Saboia, nem preciso dizer que vocês estão no grupo, né? Parabéns pelo primeiro aniversário de casamento. Sejam muito, muito, muito mais felizes! Tipo assim, no limite máximo possível!

sábado, 23 de outubro de 2010

Cartas para Julieta

"'What' and ‘if’ two words as nonthreatening as words come. But put them together side-by-side and they have the power to haunt you for the rest of your life: ‘What if?'...

I don't know how your story ended. But I know that if what you felt then was love - true love - then it's never too late. If it was true then it why wouldn't it be true now? You need only the courage to follow your heart...

I don't know what a love like that feels like... a love to leave loved ones for, a love to cross oceans for... but I'd like to believe if I ever felt it, I'd have the courage to seize it. I hope you had the courage to seize it, Claire. And if you didn't, I hope one day that you will."
(Cartas para Julieta - 2010)

Traduzindo livremente:
"'E' e 'se' duas palavras tão ameaçadoras quanto todas as palavras são. Mas coloque-as juntas, uma ao lado da outra, e elas têm o poder de ter perseguir pelo resto da vida: 'E se?'
 
Eu não sei como sua história terminou. Mas eu sei que se o que você sentiu foi amor - amor verdadeiro - então nunca é tarde demais. Se foi verdadeiro no passado, então por que não seria verdadeiro agora? Você só precisa da coragem para seguir seu coração...
 
Eu não sei como é sentir um amor como este... Um amor daqueles que fazem a gente deixar aqueles que amamos, um amor daqueles de fazer cruzar oceanos... Mas eu gosto de pensar que se um dia eu sentir isso, eu teria a coragem de persegui-lo. Eu espero que você tenha a coragem de correr atrás, Claire. Mas se você não teve, eu espero que um dia você tenha."
 
Eu sei que é clichê, mesmo assim achei lindo! Assistam ao filme bobo, piegas, cheio de clichês românticos e de fazer a gente suspirar!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tell me that you'll open your eyes *

Vem aqui, segura minha mão, que eu mostro como sair do poço profundo em que caímos sem querer e sem estarmos preparados para. Por você, para ajudar a sair daqui, eu volto nesse escuro do fundo do poço e vou até a luz, tudo de novo. Bora, segura minha mão! Pisa onde eu pisei, ainda dá pra ver as minhas pegadas indeléveis no chão, ainda estão banhadas com as minhas lágrimas estas paredes, ainda reconheço esse cheiro ocre e esse amargo que entala a garganta. Vem comigo! Eu sei como sair do escuro do de dentro de si. Eu sei o caminho. Mas você precisar querer caminhar com as suas próprias pernas, né? Até porque eu não consigo carregar você nas costas. Você precisa querer sair. Você quer? É claro que eu sei que aqui é seguro, que aqui é quentinho, que aqui você fica em paz e pode recorrer às lembranças e às lágrimas sempre que quiser, que aqui você foge da vida, dos problemas, dos outros, das contas... Eu sei, eu sei... Mas isso aqui não é a vida e você sabe muito bem disso. Isso aqui é o fim do mundo, é a pior parte de tudo e não é possível que você queira permanecer aqui. Não é possível! Vem comigo que eu sei sair, eu já fiz esse trajeto uma vez e eu quero muito ajudar você. Eu também não sei de nada, não sei o que é o futuro, não sei o que tem lá. Não esperava que isso acontecesse também. Mas eu sei que não adianta querer entender essas agruras. A gente tem que viver e isso é tudo. O negócio é aceitar o que for bom e viver um dia de cada vez. Então vamos lá! Tá vendo a escada né? Vamos subindo? Eu sei que carregar os pequenos nas costas sozinho pesa e cansa e dói e a gente fica imaginando como seria se... Eu sei EXATAMENTE do que você está falando. Mas vamos, né? Não há outra opção que não seja sair daqui o quanto antes. Por você e por eles também. É preciso sair daqui. Pense que onde você estiver é neste mesmo lugar que eles estarão e eles merecem a luz, os carrosséis, os sonhos, as borboletas e as delícias de uma infância feliz. Pense que as suas melhores recordações irão com você para onde você for. Pense que haverá sempre alguém cuidando de você e guiando seus passos e ajudando nas suas escolhas. Pense que a vida não é fácil, mas vale a pena. Pense que a dor é enorme mas que deve haver recompensas. Pense que mesmo perdendo o que havia de mais importante no seu mundo, ainda sobraram muitas outras coisas importantes para cuidar, cultivar e motivar. Vamos, levanta desse chão e começa já a subir essa escada porque eu só saio daqui com você. Eu sei que você não quer me ver aqui dentro de novo, então comece a subir por mim também! Isso, um degrau de cada vez. Já já a gente vê de novo o sol, o dia e a vida que arde lá fora sem explicação plausível, já já a gente revê a beleza das coisas e não sei quando, não sei porque, sinto que uma hora tudo isso fará todo o sentido para mim e para você.

* Open Your Eyes (Snow Patrol)

All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old

The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine
Tell me that you'll open your eyes [x4]

Get up, get out, get away from these liars
´Cause they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes [x8]

All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Que assim seja

Que eu seja querida, até mesmo nos meus momentos de mau humor e de reclusão.
Que eu seja querida, quando na vibe lágrimas e quando na vibe gargalhada.
Que eu seja querida, mesmo que não haja razão nenhuma para me quererem bem.
Que eu seja querida, mesmo que nem sempre fale o que é apropriado.
Que eu seja querida, mesmo que eu não mereça.
Que eu ainda seja querida, quando ficar doente e dependente.

Que eu seja amada, quando todos meus muros de proteção desabarem.
Que eu seja amada, ainda que eu sabote a mim mesma.
Que eu seja amada, ainda que seja dramática e exagerada.
Que eu seja amada, ainda que não seja coerente.
Que eu seja amada, ainda que eu chegue com muita sede ao pote.
Que eu seja amada, mesmo quando eu não tiver confiança nenhuma em mim.
Que eu seja amada, quando os cabelos branquearem e a pele enrugar.

Que haja companhia quando eu perder a sanidade.
Que haja um ombro quando as lágrimas brotarem.
Que haja amigos para dividir trivialidades.
Que haja grandes amigos para dividir as dificuldades.
Que haja sorrisos nos dias memoráveis.
Que haja alegria em cada encontro, reencontro e desencontro.
Que haja coração apertado em cada partida.
Que haja abraço apertado em cada chegada.

Que cada dia seja um milagre.
Que cada gesto cause arrepio.
Que nunca falte inspiração.
Que seja doce e seja terno.
Que seja simples e rotineiro.
Que seja tranquilo e para sempre.
Que seja do jeito que eu sempre quis.
Que seja todo meu tempo, todo meu mundo.
Que assim seja.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Parto prematuro

Como um parto ao avesso, em que a pessoa desaparece e não aparece; em que a pessoa deixa de ser, em vez de ser; em que some do mundo, em vez de surgir nele. Um parto ao contrário em que a sensação de felicidade, de alegria não existe, em que restam a impotência, a incredulidade, a revolta e que, completando 9 meses, não deixa de pesar e de doer. Um parto às avessas, em que não há o que se comemorar, em que não há a vida inteira pela frente, em que não há.

A saudade do que foi e do que poderia ter sido não deixa de existir. As lembranças mais felizes insistem em reverberar. Em 9 meses, há três estações nos lugares em que o clima permite. E desde lá, foi possível ver as folhas caindo, o frio doer nos ossos e as flores brotarem no hemisfério sul. O calor do verão já dá o ar da graça, mas não derrete o tutano ainda. E o parto prematuro desse amor e dessa história ainda insiste em doer.

Eu não sei como vivi até aqui, eu não sei como vou em frente todo dia, eu só sei que vou. Há 9 meses eu disse para uma das minhas maiores amigas que eu ia me sentir muito sozinha sem ele e, depois de 9 meses, por mais que eu tenha enfrentado todos os leões e sentido falta dele em cada dia, eu descobri que não fiquei sozinha, que tinha gente segurando a minha mão real e virtualmente. Vão-se os primeiros 9 meses de falta, vai-se esmiliguindo o pior ano de toda minha vida, vamos eu e os pequenos para o resto das nossas vidas. A amputação foi cruel e dolorida, mas eu tenho certeza que a gente ainda vai ver um arco-íris com um pote de ouro depois da tempestade.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Plágio

E aí tem muita gente cara de pau no mundo. Eu não me incomodo de jeito nenhum que copiem, que repassem, que coloquem no perfil das redes sociais, que colem no próprio blog textos meus, DESDE QUE COLOQUEM A AUTORIA. Não é correto assumir como seu um texto escrito por outra pessoa.
 
http://finotratointerior.blogspot.com/2010/06/se-joga-depois-de-encarar-morte-de.html#comments
 
http://finotratointerior.blogspot.com/2010/07/os-tais-requisitos.html
 

Depois do vendaval

A gente aprende um monte de coisas depois de sobreviver a um vendaval. Por exemplo, é preciso dar valor somente àquilo que tem importância. É real, é clichê, é a coisa mais batida que existe, como naquela história de um professor que ensinou aos alunos que as coisas mais importantes da vida eram como as pedras que deveriam ser colocadas primeiro no frasco e só depois os pedregulhos, e depois a areia, e depois a água... Então, é isso mesmo, a gente aprende que deve se concentrar no que mais importa primeiro. A gente descobre também que poucas coisas são capazes de abater, de mudar seu humor, seu ânimo... Até mesmo se aquilo para o que você canalizou todo seu foco e sua atenção, todo seu investimento psicológico, não deu certo; até mesmo se algumas pendências tiram o sono; até mesmo se você se depara com obstáculos aparentemente muito maiores do que sua força; você descobre que quase nada é um problema assim tão grande. Que passa. Que é fácil contornar isso porque você já passou por coisa pior (bem pior). A gente entende que a vida é sutil, é tênue e que estamos sempre por um fio e que, ainda assim, é preciso se preparar para as imprevisões. A gente percebe que o que há de mais valoroso é justamente aquilo que todo mundo tem: as pessoas e os sentimentos que unem. Não adianta nada estar preparado para as imprevisões, ter tudo minimamente planejado, ter a vida inteira organizada se a gente não tem pessoas e sentimentos. Já dizia o poeta que é impossível ser feliz sozinho. Concordo. Não dá mesmo. Tem coisa que eu até já sabia antes, mas agora eu tenho mais que certeza: a gente tem que ser fiel aos nossos sentimentos e arriscar. O medo do sofrimento só acarreta o travamento da vida. Se sentir vontade mesmo, se joga. Não adianta nada a gente se prender aos padrões sociais, ao que se acha que é correto, ao que esperam que seja feito, quando tudo que mais se quer intimamente é fazer o contrário. Fazer as coisas do nosso jeito e no nosso tempo deixa a gente muito mais feliz por ter tomado todas as decisões de acordo com as nossas próprias convicções. É também preciso se desprender de vícios, de hábitos... Fazer tudo sempre do mesmo jeito não é bom. É quando a gente consegue se desvencilhar das condutas costumeiras, dos nossos padrões incoerentes de pensamento e comportamento, que a gente consegue verdadeiramente a liberdade. Quando imprevistos acontecem, saber mudar é fundamental e estar livre dessas amarras é o que nos permite superar. A gente muda quase sem querer depois de um vendaval. Quando se dá conta, existe dentro de você outra pessoa completamente diferente. E digo mais: o novo ser que surge é muito mais forte, mais inteiro, mais em pé do que o anterior.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Identificação

"E eu sou mesmo esse dramático sentimento de que tudo está por um fio e eu estou prestes a perder tudo que eu penso que tenho mas não é meu. Estou andando na corda bamba acreditando sempre em sonhos impossíveis que eu teimo em pensar que talvez um dia, quem sabe, pode ser... Minha vida é um drama e eu sou a mocinha."

From: Rainha de copas (link no blogroll)

domingo, 17 de outubro de 2010

Sorrindo com Matheus XIV

- Matheus, a mamãe vai lá no Habib's. Você quer que eu traga alguma coisa?
- Ah, mamãe, traz umas "espirras"!
- "Espirras" de que?
- "Espirras" bem normaizinhas.

Trechos de um Ceará Music

"Took my heart to the limit and this is where I'll stay.
I can't go any further than this"
(Meet me halfway - Black Eyed Peas)

"The path that I'm walking I must go alone
I must take the baby steps 'Til I'm full grown
Full grown
Fairy tales don't always have a happy ending, do they?
(...)
It's time to be a big girl now.
And big girls don't cry"
(Big girls don't cry - Fergie)

"Tudo que morre fica vivo na lembrança
Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça
Mas antes que eu me esqueça
Antes que tudo se acabe
Eu preciso, eu preciso dizer a verdade
É impossível, é impossível
Esquecer você
É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti.
É impossível!"
(Impossível - Biquini Cavadão)

"Eu já sei o que meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar"
(Quando eu te encontrar - Biquini Cavadão)

"Se desta vez ela é senhora deste amor,
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor sangrar."
(A outra - Los Hermanos)

"Deixa eu brincar de ser feliz"
(Todo carnaval tem seu fim - Los Hermanos)

"Me diz o que é o sufoco
que eu te mostro alguém afim de te acompanhar"
(Ultimo Romance - Los Hermanos)

"A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
no momento em que eu queria ver
No segundo que antecede o beijo
a palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estav inteiro,
no instante em que desmoronou"
(Cuide bem do seu amor - Paralamas)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ouvindo os outros

De nada vale sua ansiedade, menina... De nada vale essa pressa em agarrar o mundo todo com as mãos e tentar fazer com que as coisas aconteçam do seu jeito e no seu tempo. Não vale nada essa sua vontade de que o ano que vem seja amanhã. Não adianta, não é assim que funciona. E olha: é preciso conviver com as pessoas para conhecê-las de verdade. É preciso passar pelos problemas para aprender a lidar com eles. É preciso sobreviver ao aperreio financeiro para aprender a lidar com dinheiro, saber que ele não é o fim de tudo, mas apenas um meio para. Pára de roer essas unhas, menina! Pára de cutucar as cutículas! Essa tua ansiedade toda só vai te render uma gastrite. Já disse que as coisas todas da vida têm seus momentos certos para acontecerem e absolutamente tudo - de bom ou ruim - que acontece serve para nos impor uma lição, para nos fazer crescer. É, é verdade, é muito ruim passar por tanto sofrimento e realmente ninguém mereceria viver o que você viveu. Eu também acho que ser adulto é um saco. Concordo com você que é cruel, que é triste, que faz muita coisa perder sentido. Mas e aí? Vai passar o resto da vida fazendo o papel da coitadinha? Vai seguir de cabeça baixa e chorando? Vai permanecer com essa cara de velório, olhos vermelhos, nariz entupido, toda inchada pra sempre? Vai tomar remédio pra dormir até quando? Nem! Você sabe tanto quanto eu que tem que continuar. Você sabe tanto quanto eu que é preciso seguir em frente e voltar a sorrir e querer outro amor e sair e conhecer gente e viver e viajar. Você sabe tanto quanto eu que ser feliz de novo depende de uma escolha íntima e pessoal que só você mesma pode fazer. Não vou repetir, até porque você já tá cansada de ouvir, de que você tem a vida inteira pela frente e muita coisa ainda para fazer. Não é preciso repetir isso, né? Então respire fundo, conte até dez e conte de novo, lenta e pausadamente, concentre-se nas tarefas que são pra ontem, concentre-se nas coisas do hoje e deixa pra pensar nos afazeres, nas contas, nos problemas de amanhã se o amanhã efetivamente chegar. Seja feliz agora, menina! Seja intensa agora, menina! A sua intensidade é o que há de melhor em você, é o que faz você ser o que é, é o que torna encantador chegar perto de você. A gente vê uma mulher, mas você é uma menina, menina! A gente vê decidida, a gente vê adulta, a gente vê forte; mas eu bem sei que você se perde em devaneios e só quer proteção e colo. A gente vê linda e sensual, mas eu sei da beleza que há dentro de você, menina! Não deixe que tudo se perca dentro do buraco negro da tristeza. Vá dançar no sapatinho, vá balançar seus cabelos ao vento, vá corar o rosto no sol... Tudo vai acontecer do jeito certo para que você reencontre a felicidade perdida, menina! Basta você querer.

* Baseado numa conversa real

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quatorze de outubro e Sorrindo com Matheus XIII

Hoje o bebê mais gorduchinho do mundo completa dois anos. O sorriso matador do pai e os olhos enormes da mamãe, a simpatia peculiar, a carinha de cachorro abandonado que ele faz, o nariz achatadinho dos Alencar, os bracinhos e as perninhas cheios de dobrinhas formam a coisa mais gostosurenta que estes olhos aqui já viram. Vontade de matar de beijo! Vontade de morder todinho! Vontade de matar de cosquinha! Vontade de apertar até faltar ar! Afffeee, que eu amo demais! Parabéns, Thomás!

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Sorrindo com Matheus XIII

Estamos todos na casa dos meus pais, como vocês bem sabem. Lá no prédio, tem uma piscina. Matheus deu um mergulho e entrou água no ouvido. Ele emerge e diz:

- Mamãe, eu acho que essa minha orelha aqui tá quebrada!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu quero tanto

Eu não quero ser sombra, reflexo, muleta, o que dá pra ser. Eu quero ser o corpo, a imagem, a perna, o que é. Eu não quero ser falta de opção, o que sobrou, o substituto, o sobrevivente; eu quero ser a primeira opção, o prato principal, o eleito, o vivente. Eu não quero ser segundo plano, eu quero ser objetivo. Eu não quero ser consequencia, eu quero ser razão. Eu não quero ser atalho, eu quero ser o caminho. Eu não quero ser coadjuvante, não quero ser acompanhamento; eu quero ser a estrela, o foco, o alvo. Eu não quero meio termo, morno, conveniente, razoável; eu quero avassalador, quente, inexplicável. Eu quero ser única, eu quero ser tudo, eu quero perder o ar, eu quero tanto...

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Outra dica de filme: Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Se a gente pudesse excluir da mente tudo aquilo que nos causa dor e sofrimento. Deletar, como um arquivo de computador, tudo que remete àquilo. Se isso fosse realmente possível, será que a gente ia ser mais feliz? Será que a gente ia conseguir? O filme te propõe essa reflexão. Será que você quer mesmo apagar tudo de bom? Todas as memórias? Os momentos vividos? Será?

Em se tratando de relacionamento amoroso, depois do filme, eu cheguei às seguintes conclusões:

1 - A gente não escolhe por quem vai se apaixonar. Acontece, sem querer, sem razão e contra tudo que você havia planejado. Nem sempre no momento mais oportuno, nem sempre do jeito certo. Simplesmente acontece.
2 - Quando alguém causa esse arrebatamento - convenhamos, pouquíssimas vezes na vida isso acontece -, mesmo que você delete tudo que viveu e comece all over again do zero, no momento que encontrar essa pessoa, vai sentir tudo de novo.
3 - Mesmo que exista na relação muitos pontos negativos e um final triste, ainda assim vale a pena, pelos muitos momentos bons vividos.

PS: Esse blog não é de cinema, só pra constar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce, só é mais complicado"*

Acabei de assistir ao filme "As melhores coisas do mundo". Quem foi adolescente nos ano 90 vai se identificar com a história do filme, com o que enfrentamos naquela fase e com toda a questão de amadurecer, de ter de encarar a dor e o sofrimento. O filme não trata da dor da miséria, da fome, da falta de grana, da violência, que geralmente é retratada nos filmes brasileiros. É, na verdade, um espelho, refletindo tantas coisas que nos afligem a todos. A despeito do personagem principal ser adolescente, do filme se passar quase inteiro numa escola, o que se coloca sob reflexão são temas adultos. Recomendadíssimo!

Something - Trilha sonora

Trailer

* Frase final que não saiu da minha cabeça

domingo, 10 de outubro de 2010

Aniversário dos pequenos


Então que ontem aconteceu a festinha dos pequenos. Foi lindo vê-los tão felizes! Foi ótimo receber tantos amigos queridos! O dia não foi fácil at all, mas a noite foi muito iluminada. Eis aqui o texto que eu li e que vale para vocês também, leitores e comentadores desse blog.

"Era de praxe que ele dissesse algumas palavras nessas ocasiões. Jé era esperado o discurso dele. Fosse para dividir a alegria da presença dos amigos, fosse para anunciar a pretensão de mais um herdeiro, fosse para compartilhar a nossa felicidade cotidiana, ele sempre dizia alguma coisa nos nossos eventos. Eu não poderia deixar passar em branco dessa vez.

Não preciso dizer quanto esse ano foi difícil para essa família. Também não preciso dizer o quanto ele faz falta neste momento e em tantos outros e, para mim, em todos os mínimos detalhes do dia a dia. Não preciso detalhar todo o pesar de passar por isso tudo. O que eu preciso realmente dizer é que não teria conseguido sem vocês. Cada um aqui presente - e até alguns ausentes - foi importante nesse processo de superação e luta ou para mim, ou para os pequenos, ou para as famílias minha e do Thi.

Nunca conseguirei agradecer suficientemente tudo que fizeram pela gente. Nunca conseguirei dizer a todos quanto cada gesto foi importante. Só posso dizer que é surpreendente descobrir o quanto somos queridos e é lindo perceber que somos, eu e os pirrototinhos dele, herdeiros do amor e do carinho que antes era dedicado a ele. Era isso que eu queria dizer: o amor, o apoio, a solidariedade de vocês foi a maior herança e o melhor presente que o Thi nos deixou.

Muito obrigada!"

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Não aceito

Se tudo que se quer é a plenitude, se tudo que se quer é a doação e a entrega, se tudo que se quer é daquele jeito, no limite máximo possível, se tudo que se quer é integral; não aceite menos, não aceite pouco. Não aceite quando não houver entrega. Não aceite quando não for totalmente recíproco. Não aceite quando houver tangencialidades. Não aceite quando precisar ser secreto. Não aceite se a oferta não pretender eternidade. Não aceite mentiras sinceras e boas intenções. Não aceito.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ciclo

E aí, de repente, a vida fica de cabeça pra baixo. Tudo que era terra firme, tudo que era raiz profunda, tudo que era sólido, tudo que era verdadeiro, tudo que era sua base, tudo que era seu chão desaparece. E aí, a sensação de que o mundo é injusto, cruel, que essa vida não é para você, que vai ser impossivel seguir sem, que vai ser enlouquecedor conviver com a ausência, e chora todas as lágrimas que é capaz de chorar, e pensa que é impossível ser feliz de novo, que é improvavel se recuperar de um baque tão fundo, que é incapaz de viver. Você pensa que vai apenas sobreviver, que vai apenas continuar respirando e piscando os olhos até tudo se acabar de vez. Tem certeza de que o resto da vida vai ser o branco, o vazio, o nada...

E aí, num dado momento, as lágrimas diminuem, e vão demorando mais a cair, você consegue respirar fundo de novo, você consegue enxergar o mundo ao redor, você volta a ouvir as pessoas e a ver beleza nas coisas todas. Sem nem racionalizar, você enxuga o rosto, mesmo que ainda esteja com nariz entupido, mesmo que ainda estejam vermelhos os olhos, você volta a falar com o mundo. Sem se dar conta, você retoca a maquiagem e volta a bater os saltos no chão, volta a rir de piadas sem graça, volta a desejar o tumtumtum, volta a imaginar como é ser feliz, volta a ansiar por borboletas, volta a querer um ombro, uma mão, um abraço. Você sente tanta falta disso tudo...

Se alguém perguntar o que houve, basta responder que foi um vendaval. Se alguém oferecer ajuda, aceite. Se alguém estender a mão, agarre-a. Se alguém oferecer o ombro, chore. Se alguém quiser ficar perto sem dizer nada, desfrute do silêncio acompanhado. Porque a carência, nessas ocasiões, é o ponto forte e todo mundo vai entender seu momento. Mas depois é a hora de voltar a andar com suas próprias pernas, porque por mais que a vida não seja justa, por mais que muitas vezes você vá bater no fundo do poço, por mais que nem sempre haja razões para continuar andando, viver é preciso e é também um risco. Você não tem como se esquivar da dor e é preciso mesmo vencê-la. Depois, você vai olhar o sofrimento passado com olhos de compreensão e experiência e vai olhar para frente com olhos de esperança e expectativa. Depois de um tempo, a gente entende que pode e vai ser muito feliz.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sessão diarinho

Dentre as coisas boas de estar na casa dos meus pais por um tempo, além de encontrar as meninas do prédio pra jogar conversa fora todo dia, além de ter sempre gente em casa pra dar uma olhadinha nos pequenos, além de receber café na cama diariamente do papai, além disso tudo, é ter à mão fotos antigas e CDs. Alguém se lembra o que é ouvir CD? Pois então! Lá tem um montão de CD entulhado. Mexendo na estante, resgatei o Cassia Eller acústico (CD MARA, super recomendado) e tô aqui com ele no "repeat". A nostalgia me invade porque, a cada música, me vem uma recordação de um momento ou de alguém. Eu ouvi muito esse CD, muito mesmo! Mas uma música saltou do passado e se encaixou no presente tão perfeitamente que me surpreendeu porque eu nunca tinha conseguido entender as metáforas da letra e, de repente, elas fizeram todo sentido. Num é incrível o poder da escrita?

É ela que tá tocando mais aqui:

O segundo sol (Nando Reis)

Quando o segundo sol chegar
para realinhar as órbitas dos planetas
derrubando com assombro exemplar
o que os astrônomos diriam se tratar
de um outro cometa.

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
e eu não pude acreditar

Mas você pode ter certeza
de que seu telefone irá tocar
em sua nova casa
que abriga agora a trilha
incluída nessa minha conversão

Eu só queria te contar
que eu fui lá fora
e vi dois sóis num dia
e a vida que ardia sem explicação

Explicação, não tem explicação
Explicação, sem explicação
Explicação, não tem
Não tem explicação
Explicação, não tem explicação
não tem, não tem

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Encerrando o ciclo

Eu li esse texto há muito tempo. Com essa nova fase chegando, acho que ele ressurgiu na hora exata. Concordo mesmo, com tudo. Logo abaixo, colo outro do blog antigo, escrito 5 anos exatos antes do dia trágico de janeiro. Nesse texto, já é evidente esse meu anseio de passar rapidamente pela dor e tentar seguir sorrindo, essa força que vem num sei de onde e essa vontade de seguir com a vida de cabeça erguida.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas, tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto as vezes ganhamos, e as vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o está apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do momento ideal.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, não voltará. Lembre-se que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."


20.1.05
Sempre para frente!

Acabo de ler um texto que fala sobre encerrar ciclos. É preciso, diz o texto, saber fechar a porta atrás de si e continuar em frente, sem olhar para trás. É preciso saber começar e viver o novo, sem resquícios ou amarguras do que já passou. É preciso fechar as caixas com as cartas de amor e "fotos de nós dois". É preciso aprender a entender que algumas pessoas estão só de passagem em nossas vidas, não permanecerão. É preciso ir adiante e esquecer o passado. É preciso encerrar os ciclos.

Saber passar por cima de situações difíceis é demonstração de maturidade. Saber esquecer e continuar a viver após ter sido magoado é grandioso. Ter fé nos outros e confiar no próximo mesmo que muitas mentiras lhe tenham sido contadas, é sinal de um grande caráter. Tudo isso é a capacidade de viver, mesmo ante as adversidades, mesmo convivendo com os problemas. É, acima de tudo, capacidade de ser feliz mesmo que as linhas de nossa história sejam tortas.

Li comentários sobre a estagnação, a resignação de alguns frente a grandes sofrimentos. As pessoas param no tempo, transformam-se em adolescentes tardios, eternos sofredores, culpam-se e sofrem, deixam de amar a si e sofrem, choram pelo fim do relacionamento “perfeito” e sofrem, acham que nunca mais serão felizes e sofrem... Sofrem, sofrem, sofrem... Em vez de ver as possibilidades que existem adiante, prendem-se ao passado, permanecem amarrados a ele e a impossibilidade de retorno acaba transformando-os em seres depressivos, tristes, que afastam os outros de si.

Sempre digo que é muito melhor ser alegre que ser triste. Pode parecer óbvio, mas isso vale para todas as situações na vida. Em vez de se trancar dentro de si, com mágoas e rancores, melhor sair para dançar. Em vez de relembrar momentos maravilhosos que passamos com alguém, melhor levantar a vista e procurar um olhar fulminante. Em vez de derramar lágrimas por alguém que não merece nossa consideração, melhor mesmo é ver quem está aí ao lado sempre que é preciso. Prefira a vida ao sofrimento. Já dizia Fernando Pessoa: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.

Não sei conviver com o sofrimento. Tenho cá meus calos, minhas feridas, minhas partes ainda dormentes, mas prefiro caminhar pela vida sem olhar para trás, sem me arrepender do que fiz, sem chorar o leite que derramei ou que derramaram sobre mim e fitar o porvir, como diria Mário Quintana, “como se estivessem abertos todos os caminhos do Mundo”, aberta ao mundo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Divago, logo existo e desisto.

Só porque eu quero tanto, não tenho.
Só porque eu penso tanto, o nada.
Só porque eu busco e me disponho, o vácuo.
Só porque eu quero intenso, tranquilo.
Só porque eu quero escandaloso e indisfarçável, secreto.
Só porque eu grito, silêncio.
Só porque eu tenho vontade de precipício, planície.
Só porque eu quero asas, rastejo.
Só porque eu quero raízes profundas, deserto.
Só porque eu quero muito mais, o mínimo.
Só porque eu quero eterno, efêmero.
Só porque eu quero seriedade, leviano,
Só porque eu quis tanto, desisto.

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Cansei das falsas promessas, dos discursos inflamados redigidos por especialistas em marketing político, das roupas pensadas e das máscaras que se sobrepõem ano após ano neste circo "democrático" em horário nobre. Cansei de ver o poder econômico se sobrepor às propostas. Cansei de assistir ao jogo de interesses e aos conchavos mais inverossímeis. Cansei de criar expectativa e acreditar em ideologias. Cansei de ver esse filme e de jogar esse jogo. Cansei de derramar suor e lágrimas em prol do bem maior. Cansei de pensar que "daqui pra frente tudo vai ser diferente". Cansei de esperar mais. Desisto.

sábado, 2 de outubro de 2010

Explico, como sempre!

Eu vivi um comercial de margarina. Eu estive num casamento maravilhoso, em que havia confiança, respeito mútuo, muito amor, uma amizade incrível, ele sabia me fazer rir como ninguém (e eu adoro isso; aliás, adorava), eu tinha muito mais do que pedira e, muitas vezes me indaguei e aos meus botões se merecia tanto, sabe?

Lembro-me perfeitamente da conversa com uns amigos de infância, na formatura de um deles, no sábado anterior ao acidente, em que eu disse que tinha tudo que sonhara para a vida toda antes dos 30 e que eu queria só viver minha vidinha do exato jeito que ela estava. Nada mais! Estava tudo perfeito!

Aí veio o acidente revirar tudo, deixar tudo de cabeça pra baixo, colocar desafios gigantescos à minha frente, me fazer aprender um milhão de coisas, me tornar outra pessoa agora, enxergar a vida e as pessoas de outro jeito... Depois disso, muita gente tem vindo aqui, tem acompanhado meu sofrimento e a minha superação. Muita gente linda, com energia boa, torcendo por mim e pelos pequenos e pela nossa felicidade.

Tenho certeza que escrever aqui foi uma das melhores terapias que eu poderia ter feito. Tenho certeza que fiz amizades através deste blog, das quais eu não pretendo mais largar. Tive momentos de destemperança porque nem todo mundo chega aqui para ajudar. Sempre tem alguém com pedras na mãos, com dedo em riste, com a ideia de que seu ponto de vista é a verdade absoluta. Não julgo. Acho democrático e engrandecedor ter opiniões divergentes. Não quero apenas os louros, quero as críticas também, mas desde que sejam construtivas.

O que eu quero dizer com isso tudo é que a minha vida não é novela e as pessoas não podem criar enredos para mim. Eu adoro que vocês me leiam, eu adoro que me acompanhem e absolutamente to-dos os leitores que conheci e que ganhei e cada um dos seguidores, acreditem, são especiais pra mim. Todavia, quando a coisa incomoda muito mais que ajuda, com distorções das coisas que eu escrevo, envolvendo pessoas com as quais eu tenho pouco contato e absolutamente nada a ver com esse blog e seus intrépidos anônimos, eu acho que passa do limite tolerável.

Assim, depois de ter de fazer moderação de comentários, resolvi deletar o formspring. Eu preciso de paz, minha gente. Eu preciso de paz para ser feliz. É isso!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

À porta

Da admiração pela força, do olhar embasbacado pela dedicação, do exemplo irretorquível, fez-se uma conversa infinita com troca constante de carinho e preocupação e zelo e companhia. Mesmo à distância, presença. Mesmo sem olho no olho, admiração. Não tendo sido dado (ainda) o abraço apertado, conforto. Mesmo sem convivência, os muros que protegem o de dentro caíram. Assim, foi armado acampamento no coração, sem intenções de deixá-lo, sem previsão de partida. Grata surpresa. Sem conjugações verbais além do presente. Sem qualquer coisa além da intuição. Sem pretensões, leve e descontraído, como a vida exige que seja, como a vida exige que se aceite. Dispensadas as redes de proteção, as garantias, as cauções fidejussórias, porque a empatia e o reconhecimento foram instantâneos. Porque o tempo é pouco, porque a madrugada é curta, porque não é dever, mas querer; as constatações de que parece mais uma epifania, parece com quando se recupera o fôlego depois do engasgo. Além dessa vontade de cuidar das feridas ainda abertas e sangrando; além do anseio por sondar e revirar ainda mais o que é intrínseco; além de surpreender; há a percepção de que há o tempo certo para todas as coisas e o pressentimento (pé no chão) de que a convicção depende que a concretude atinja os sentidos. Até lá, nada mais é que um vislumbre, uma expectativa, uma esperança.