segunda-feira, 19 de maio de 2008

Sorte ou Felicidade?

Ela* falou que era sortuda. Ela* falou de um tipo de sorte que nem todo mundo percebe. Ela* falou das pequenas coisas, do cotidiano, de detalhes bobos e imperceptíveis para muitos, mas que, aqui dentro, fazem toda diferença do mundo.

É sorte ver seu filme preferido passar justamente na hora que você não tem nada pra fazer e apenas zapeava a televisão. É sorte chegar à parada no exato momento em que o ônibus passava. É sorte cair na prova aquele único tópico da matéria que você estudou. É sorte um bilhete premiado, ganhar no bolão da firma, acertar o placar do jogo do timão, achar dinheiro no chão...

Tem gente que não acredita em sorte, e eu, que não tenho fé nenhuma, acredito piamente, com os pés juntinhos e ajoelhada no chão, que cada um tem o que merece. Você pode chamar do que quiser, mas, pra mim, o nome correto é FELICIDADE, porque, às vezes, o jogo vira e a sorte vai embora. Mas a felicidade depende só da maneira que você enxerga a vida que tem.

É felicidade acordar com beijo na boca e cafuné, com menino serelepe gritando mamãe. É felicidade ele trazer café pra você na cama, com pão com um montão de manteiga e café sem leite, do jeito que você gosta. É felicidade ouvir seu filho correr pra você, de braços abertos e sorriso no rosto. É felicidade ter um montão de amigos que se preocupam, participam, torcem, vibram e estão ali para o que der vier. É felicidade ter uma família que, apesar de todos os problemas porque passou, apesar das diferenças de gerações, de gêneros, de gostos, de projetos, se ama e se entende. É felicidade dormir de conchinha, sentir o filho mexer, chorar na festa do Dia das mães, sentir o carinho de quem mora longe, ser convidada pra ser madrinha de casamento da grande amiga, ter gente querida na comemoração do seu aniversário, ser lembrada por alguém quando toca tal música ou quando se lê tal coisa. É felicidade ter pra quem ligar quando se quer chorar ou repassar fofoca quente, ter com quem sair quando o marido está de plantão, ter pra quem correr quando a grana fica curta, ter filho saudável e esperto, ter amigos e um marido que são bem mais do que se pediu.

Felicidade é estar aqui nesse momento, vivendo tudo isso, mesmo que haja dívidas no final do mês, mesmo que haja pobreza no país, mesmo que não dê pra fazer a viagem dos sonhos, mesmo que não se chegue ao lá tão premeditado, mesmo que haja derrotas pelo caminho, mesmo que não seja fácil. Porque há dores, há decepções, há momentos tristes dos quais não vamos querer nos lembrar, há lágrimas, há desilusões, há perdas (de coisas e de pessoas queridas)... Mas têm muito mais valor o sorriso congelado naquela foto de formatura (ou de casamento ou de aniversário) e aquelas pessoas que estão ao redor de você nas fotos do álbum do que as pedras (inevitáveis) que surgem pelo caminho.


* Milena Gouvêa do Blog da Milena (http://blogdamilena.blogspot.com/)

3 comentários:

Milena Gouvêa disse...

Marcela!
Só hoje fui ver teu texto aqui. Uma verdadeira análise do meu, muito sensível e feita à tua maneira.
Concordo em chamar de "felicidade". É que pra mim, felicidade é coisa tão única, que passa a ser consequência de uma sorte boa.

Muito obrigada por me citar aqui. Um beijão pra você.

Seu puliça disse...

Virei blogueiro tb!

Mulher da peste disse...

Ave que texto lindo!