quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Queridos amigos

O que somos nós se não um amontoado de caquinhos daqueles que passaram por nós? Um patchwork de rostos? Uma junção de peças de um quebra-cabeça que é a vida? O que somos nós se não algo híbrido, complexo, múltiplo?


Cada pessoa com que convivemos deixa uma marca, pequena ou grande, doce ou amarga, memorável ou preferível esquecer. Sim, porque há rancores, há mágoas, há lágrimas, há dores e há muitos desentendimentos por esta vida. Como também há amores, sorrisos, gargalhadas, paixões...


Na verdade, pouco importa o motivo pelo qual o outro ficou marcado em você, com o correr dos anos as dores arrefecem, as mágoas se esvanecem, as lágrimas secam, os rancores se vão... Das mais loucas paixões, fica uma saudade gostosa. Dos mais doces amores, fica uma lembrança eterna. Das amizades mais íntimas, fica o afeto que não acaba nunca e independe de espaço físico e de contato. É o afeto que importa. São estas as amizades que sempre estarão com a gente. Amizades que são, nem sempre estão. Assim mesmo, sem complemento, pra mostrar o quê de definitivo encrustado nelas.


Cada um destes amigos se fez presente em um momento inesquecível da vida, seja quando você aprendeu a andar de bicicleta, ou passou no vestibular, ou ficou destroçada com o fim de um namoro ou de um casamento, ou quando seu pai morreu, ou quando arranjou o primeiro emprego... Eles estavam presentes quando tínhamos a vida inteira pela frente, tudo ainda por vir. Eles compartilharam o sonho de vencer na vida e de fazer algo incrível, algo que não supomos capazes de fazer. Eles acompanharam seu período comunista-revolucionário, social-democrata, capitalista-neoliberal, solteiro-procura, amante-de-respeito, casado-pai-de-família.


Eles estiveram lá, sempre. E estão aqui ainda hoje, mesmo que não nos falemos, mesmo que não nos vejamos, mesmo que não sejamos mais íntimos, porque eles estão do lado de dentro e sempre estarão. Sinto falta da amizade cotidiana que tivemos, mas sei que a vida é traiçoeira e prega estas peças na gente para que possamos perceber que o que realmente importa é estarmos juntos, mesmo que seja via MSN ou por email, porque a distância física pode ser grande, mas a dos corações, não.

3 comentários:

Marcos disse...

Fantástico, amiga!
Sinto saudades tb. Mas que bom que vc compreendeu que "crescer não é mudar, cuidar não é ficar, sair não é deixar, estar não é cuidar e que perto estás quando dentro estás"!!!
Um beiju no seu coração, Cele.
Shalom.
Marcos Rudson

Andréa Gois disse...

ô post lindo, Marcele!!

realmente, de cada um, a gente guarda um pedacinho de vida que compartilhamos.

Tipo, em Recife Antigo cantando: "Uh passou o rôdo, uh, pegou geral, tan-tan-tan"

kkkkkkkkkkk!! Lembra?

Chêro!!

Anônimo disse...

Cele,
Parabéns pela gravidez...Te desejo muita saúde e paz...Bjos.
Gabriel