quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sem escalas

O tempo passa, querendo ou não, esperneando ou torcendo, chorando ou sorrindo, o tempo passa. Não tem botão para fazê-lo ir mais rápido nem mais lento. Mas a gente pode escolher de que forma vamos vê-lo passar. A dica é se ocupar. O trabalho,os pequenos, os amigos, as conversas em mesa de bar, as baladas no final de semana são ótimos para exaurir o corpo e fazer dormir pesado e exorcizar da mente as lembranças que ainda fazem latejar tudo. Depois de um tempo nesse exercício, cria-se o hábito. Depois de um tempo construindo o muro, não se vê mais do outro lado dele. Depois de um tempo empacotando recordações em caixas lacradas e escondidas no porão de dentro de si, aqui na sala de estar o sorriso volta. Isso não é fugir, isso não é não viver a dor, isso não é subterfúgio ou sair pela tangente. Isso é apenas o meu modo de sobreviver.

Quando a gente termina um relacionamento, ou rompe um noivado, ou se divorcia, ou ama alguém que não tem reciprocidade de sentimentos; enfim, em qualquer desses casos, a dor permanece com uma ponta de esperança. Esperança que, de repente, o outro perceba o quanto precisa da gente, o quanto somos formidáveis, o quanto nossa história pode dar certo, o quanto seria legal se estivéssemos juntos, o quanto vale a pena investir nesse relacionamento... A gente espera que o outro entenda, volte, perdoe, perceba e ame. Caia em si e ame. A gente até comete pequenas loucuras para que o outro entenda. A gente permite algumas humilhações, engole sapos, investe pesado. A gente tenta até a última gota de suor e até a última lágrima porque há esperança.

Quando alguém que a gente ama morre, não há mais esperança alguma. Não há nada que se possa fazer. Chora-se até secar a alma de toda a dor e, no dia seguinte, se descobre que ainda há muito mais dor para secar. E no dia seguinte também. E no dia depois deste. E se ficarmos nesse exercício de secar a alma de toda dor todos os dias, simplesmente não se sobrevive. Eu criei mecanismos de escape. É claro que existem armadilhas dentro de mim. Sempre tem alguma coisa que liga o mecanismo de transbordamento que me faz chorar de novo, como naquele primeiro dia, como no meu september eleven pessoal. Mas eu vou me ocupando com o trabalho, os pequenos, os amigos, as conversas em mesa de bar e baladas no fim de semana. Do exercício ao hábito. Do luto à luta. Do casamento para a pista. Sem escalas.

10 comentários:

Renatíssima disse...

Era um simples começo, um belo amanhecer, o amanhecer em meu coração.
Depois de toda a tempestade o sol volta novamente aos meus olhos com seu brilho maior.
O sol volta para mostrar a luminosidade das manhãs,
esta luz radiante que me faz ver o que até então estava escondido.
As trevas estavam a minha volta,
Talvez o que realmente se passava é que eu não queria acreditar, acreditar no acontecido, na perda, no recomeço, desta vez sozinha, ou não, será que estava sozinho?
Pensei estar, mas descobri que uma mão segurava forte na minha mão e me fazia levantar, quando dali sai, abrindo os olhos compreendi o verdadeiro sentido da minha estada aqui.


Descubro agora que sou feliz, sou feliz pelo que sou, pelo que fui, pelo que serei.


Sou feliz pelo Pai amoroso que tenho, pela proteção, pelo ensinamento, pelo caminho.


Sou feliz por compreender os verdadeiros motivos de nossa estada terrena.
Simplesmente agora sou feliz.

Palavras suas em breve....

Anna Caroline Nobre Gomes disse...

Um dia lindo p vc!

Anônimo disse...

Achei esse texto muito lindo!
Iandara.

Anônimo disse...

E a gente aqui torcendo por vc. Também sem escalas!
bjão.
Paula.

Sofia disse...

É realmente é assim mesmo. Mas em algum momento vc perceberá que é capaz de vencer...De sair do Luto para a LUTA, pq vc simplismente não desistiu da vida, não desistiu de vc. Acho que é isso que nos torna vencedores na vida. Pois tem pessoas que simplismente desistem..Esse talvez seja o verdadeiro fracasso.....

narinha disse...

No primeiro abraço que eu te dei após a tragédia eu disse: tu é uma rocha! Repeti e repito várias vezes estas mesmas palavras pra ti e tu sempre me responde que é farsa e não força, mas EU SEI E TU VAI SABENDO AOS POUCOS, DIA APÓS DIA O TAMANHO DA FORÇA QUE EXISTE DENTRO DE TI.
Cada dia te admiro e adoro mais e mais e mais.
Tô aqui, SEMPRE!

Alê Crisóstomo Fotografia disse...

Em alguns momentos fico sem palavras... mas teimo em sempre aparecer aqui para ver o que tens "a me dizer". As lembranças do Thiago são tão fortes ainda. Ele está tão presente. Mesmo eu tão longe, sinto tanta falta dele. Imagino como sejam profundos o perfume e a voz dele ainda pela sua casa... Só rogo a Deus que te conforte e fortaleça mais e mais e que essas lembranças dele não doam mais tanto... Que sejam alegres um dia. Um beijo!

Soraya disse...

LINDAAAAAAAAAAAAAA , amo ler o que vc escreve , qunato semsibilidade , hoje é meu niver , e tirei um tempinho pra te rever aki , Meu amigo diria assim ." PARABÉNS SENHORITA , VC É UMA GRANDE ENFERMEIRA " ,
SA.U.D.A.D.ESSSSSSSSSS
VC É MUITO ESPECIAL , TROQUE O LUTO PELA LUTA , COMO TENS FEITO
ABRAÇOSSSSSSSSSSSSSSSSS

Soraya disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Izabel disse...

Faço minhas as palavras da Soraya...troque o luto pela LUTA,e continue...com serenidade,rogando por sabedoria,agindo com transparência e positividade.Vc é única,tens aquele ANJO DA GUARDA, e como diz a Paula...tem a nós, SEM ESCALAS,torcendo e rezando por vcs com a firmeza,dedicação e carinho dos primeiros dias.Simplesmente por que vc MERECE!!!
Bjokas nesse coração lindo.