quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ciclo

E aí, de repente, a vida fica de cabeça pra baixo. Tudo que era terra firme, tudo que era raiz profunda, tudo que era sólido, tudo que era verdadeiro, tudo que era sua base, tudo que era seu chão desaparece. E aí, a sensação de que o mundo é injusto, cruel, que essa vida não é para você, que vai ser impossivel seguir sem, que vai ser enlouquecedor conviver com a ausência, e chora todas as lágrimas que é capaz de chorar, e pensa que é impossível ser feliz de novo, que é improvavel se recuperar de um baque tão fundo, que é incapaz de viver. Você pensa que vai apenas sobreviver, que vai apenas continuar respirando e piscando os olhos até tudo se acabar de vez. Tem certeza de que o resto da vida vai ser o branco, o vazio, o nada...

E aí, num dado momento, as lágrimas diminuem, e vão demorando mais a cair, você consegue respirar fundo de novo, você consegue enxergar o mundo ao redor, você volta a ouvir as pessoas e a ver beleza nas coisas todas. Sem nem racionalizar, você enxuga o rosto, mesmo que ainda esteja com nariz entupido, mesmo que ainda estejam vermelhos os olhos, você volta a falar com o mundo. Sem se dar conta, você retoca a maquiagem e volta a bater os saltos no chão, volta a rir de piadas sem graça, volta a desejar o tumtumtum, volta a imaginar como é ser feliz, volta a ansiar por borboletas, volta a querer um ombro, uma mão, um abraço. Você sente tanta falta disso tudo...

Se alguém perguntar o que houve, basta responder que foi um vendaval. Se alguém oferecer ajuda, aceite. Se alguém estender a mão, agarre-a. Se alguém oferecer o ombro, chore. Se alguém quiser ficar perto sem dizer nada, desfrute do silêncio acompanhado. Porque a carência, nessas ocasiões, é o ponto forte e todo mundo vai entender seu momento. Mas depois é a hora de voltar a andar com suas próprias pernas, porque por mais que a vida não seja justa, por mais que muitas vezes você vá bater no fundo do poço, por mais que nem sempre haja razões para continuar andando, viver é preciso e é também um risco. Você não tem como se esquivar da dor e é preciso mesmo vencê-la. Depois, você vai olhar o sofrimento passado com olhos de compreensão e experiência e vai olhar para frente com olhos de esperança e expectativa. Depois de um tempo, a gente entende que pode e vai ser muito feliz.

4 comentários:

BIC disse...

Oi querida,
Te leio diariamente mas nem comento, mas hoje vc falou profundamente para mim ... e a unica coisa que eu mais quero nessa vida e ter a capacidade de tentar novamente, de vencer os medos e ser feliz!

Bjs

Anônimo disse...

olá! É a primeira vez que entro aqui para fazer um comentário. Não sou boa com as palavras e peço emprestado esses versos:

Tente Outra Vez - Raul Seixas
Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar,
não não não não
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

Marisa disse...

Marcele

Novamente você me emocionou com suas palavras. Como você é talentosa mulher. Que dádiva conseguir transformar sentimentos em palavras.

Saudades de vocês!
Beijos em todos...

Marisa Rocha
Osasco/SP

Renata Braga disse...

Caranbaaa, Marcele você é CARA iahuiahuia.. como é que pode hem?! estar esperando o que mesmo para publicar isso tudo em um Livro garanto que vai vender MILHÕES de exemplares.. eu sou a PRIMEIRA \o/ você escreve com a alma, olha confesso a você que chorei por milhares de vezes lendo seu blog.. meus parabéns mesmo... beijos e tudo de bom!!!