terça-feira, 22 de março de 2011

Só é meu o mundo que trago dentro da alma*

Peguei o livro "Estrela da Vida Inteira" para copiar lá no Céu Azul o meu poema favorito. Aí, ao abri-lo, eis que encontro a seguinte dedicatória:

"À minha estrela da vida inteira.
Com todos os amores do céu,
Thiago Castro de Moraes
23/07/02"

Um turbilhão de pensamentos e recordações me fazem cambalear. Desde coisas simples, como a lembrança das vezes sem conta em que ele chegara com um livro pra mim, assim do nada, só porque sabia que eu gostaria de ler, sabia da minha paixão; bem como a estranheza da dedicatória, que hoje parece fazer todo o sentido do mundo.

E mesmo cambaleante, eu sinto uma necessidade premente, urgente de não me deixar abater. E sigo feliz por ter vivido esta história, por ter tido essa pessoa na minha vida, por ser ele o pai dos dois pequenos, por poder dividir com vocês e, de alguma forma, poder ajudar alguém (de tanto que me falaram eu até me convenci de que o que eu escrevo serve para mais alguém).

Cada vez mais certa de que a vida é mesmo louca, mas o que vale é aquilo que a gente tem dentro e o que a gente faz diante do que nos é imposto. E, pra terminar, outro poema muito lindo que entitula essa postagem:

Um poema de Chagall

Só é meu
O país que trago dentro da alma.
Entro nele sem passaporte
Como em minha casa.
Ele vê a minha tristeza
E a minha solidão.
Me acalanta.
Me cobre com uma pedra perfumada.
Dentro de mim florescem jardins.
Minhas flores são inventadas.
As ruas me pertencem
Mas não há casas nas ruas.
As casas foram destruídas desde a minha infância.
Os seus habitantes vagueiam no espaço
À procura de um lar.
Instalam-se em minha alma.
Eis porque sorrio
Quando mal brilha meu sol.
Ou choro
Como uma chuva leve
Na noite.
Houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
Houve tempo em que essas duas caras
Se cobriam de um orvalho amoroso.
Se fundiam como o perfume de uma rosa.
Hoje em dia me parece
Que até quando recuo
Estou avançando
Para uma alta portada
Atrás da qual se estendem muralhas
Onde dormem trovões extintos
E relâmpagos partidos.
Só é meu
O mundo que trago dentro da alma.

(Manuel Bandeira)

5 comentários:

Anônimo disse...

E ajuda mesmo lindona, acredite!
Beijos,
Selma Helena.

S. disse...

Força, baby.
beijos

Cami Góes disse...

Lindo texto. Impactante. Me fez admirar a sua estória sem nem mesmo conhecer.
Força!

Mirys disse...

Cele:

Achar uma dedicatória dessas... Que bárbaro!

Eu achei uma num livro da Isabel Allende (amo!!!) chamado "Inês da minha alma", que ele tinha me dado porque nosso 3o filho, se mulher, seria Inês. E a dedicatória era "para a mulher da minha alma, da minha vida, da minha história".

Chora...

Bjos e bençãos.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

Anônimo disse...

Lindo o poema e o post!

Janaína