terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cartas para você XXIV

Thi,

Preciso pedir desculpas. Durante muito tempo eu retive você aqui, eu me agarrei às suas lembranças, à sua essência, ao seu jeito de ser e de lidar com tudo para poder caminhar. Eu recorria às palavras que você me dizia para tentar colocar ordem no caos que ficou nossa vida. Nos momentos de medo ou desespero, eu pedia que você, onde quer que estivesse, me ajudasse a ficar em pé, a seguir em frente, a encarar. Quando a minha força estava esvaindo, quando as lágrimas rolavam, eu pedia, pedia, pedia: Thi, Thi, Thi...

Eu sei: egoísta. Eu sei: de novo e como sempre. Não sei como, não sei porque, não sei nem explicar direito o raciocínio dentro da minha mente descrente. É que pensar que você poderia me ajudar e que estava por perto me fazia me sentir mais capaz. Perdi a conta de quantas vezes me utilizei desse recurso. E, de repente, nem era mais um processo mental premeditado. Em qualquer situação, eu tava lá, pensando em você e acreditando que você me ajudava.

Ontem, quando o Matheus começou a tossir aquela tosse que você nunca ouviu, mas que me fez bater no hospital com ele algumas vezes, quando ele começou a reclamar da garganta doendo, quando ele começou a dizer que tava com sono e não conseguia dormir; eu pedi por você de novo. Eu pedi que você me ajudasse a cuidar dele e a fazer o que devia ser feito. Eu pedi que você estivesse ali com a gente para que eu não precisasse passar pelo desespero de vê-lo sem ar, em crise de novo. Eu dei os remédios de sempre e, meia hora depois, ele dormia tranquilamente.

O fato é que eu percebi o contrassenso que eu sou. Eu digo que estamos bem e que conseguiremos sem você. Eu digo que me virei por aqui e que toquei nossa vida em frente. Eu digo que consigo, que sou capaz, que eu posso; mas diante da primeira pedra, eu já choro seu nome e peço sua ajuda e me tranquilizo em saber que, em algum lugar, você está a fazer por nós o que não pode mais. Como você vai ficar em paz assim?

Desculpa, meu amor, eu sou mesmo inconsequente, eu sou mesmo o cúmulo do egoísmo. Eu quero que você acredite que estamos bem e que pare de sofrer por não estar presente. Eu quero que você entenda e perceba que a gente está seguindo a vida por aqui e que isso seja suficiente para você descansar. Não há dúvidas de que seria muito melhor com você por perto, porém não se pode fazer conjecturas com impossibilidades. Eu queria me desculpar por ser insegura e demandante. Eu queria ser mais forte, mais firme, mais segura de mim e dos meus atos, Thi.

Durante muito tempo eu vivi como espectro do que você era, chegou a hora de caminhar com minhas próprias pernas.

Amo você demais e para sempre!

Moreninha

4 comentários:

O Divã Dellas disse...

Lindo, Garota!
Agora começa uma nova fase. E você vai ver como a dor suaviza. Não acaba,não some. Mas suaviza. Você aprende a vê-la com outro olhar. Enfim.
Boa Sorte SEMPRE, Marcele!
Todas as noites eu peço por você, pelos meninos e pelo seu amor.
Grande beijo,
Cinthya

Clovisnáilton disse...

Será que existe algum lugar onde podemos ler as histórias do blog "O Cortiço?"

Dani disse...

Oi, Marcelle!!! Espero q esteja td bem com vc e os pequenos!!!! Ouvi uma mensagem e gostaria de compartilhar com vc, pois, Me fez refletir bastante e de alguma forma Me fez ter uma outra visão pq a cada dia, costumo dizer e um aprendizado novo : " Voce escolhe se suas experiencias irão fazer de Voce alguém mais amargurado ou alguém melhor na vida", isso fez com que eu chegasse a conclusão de que preciso deixar o que passou e recomeçar de forma que tudo que aconteceu foi uma experiência a qual eu definitivamente Nao quero mais viver ela todos ps dias de minha vida. Deixo aqui em algumas palavras de sentimentos puros, verdadeiros e sinceros que desejo em minha vida e desejo de coracao para vc!!! Beijo e que Deus Te abencoe muitoo!!!!

Cele disse...

Caro Clovisnailton,

De que você está falando mesmo?