sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então, é Natal

 4 meias na decoração da casa velha

Nós quatro - Reveillon 2009/2010

Então o Natal chegou e, muito embora haja luzinhas piscando na cidade toda, sinto meu coração apagado, perdido no breu, de preto, em luto ainda. Todo mundo diz que é porque essa é a primeira vez. Pode ser que seja só isso. Há uma dor que mora aqui hoje e, quando todo mundo celebra a família, a união, o amor (de Deus, eu sei); eu só sinto falta. O vazio me queima, a saudade me corrói e eu fico com aquela sensação de que falta muito ainda para ser feliz de novo.

Eu sempre fui uma pessoa muito Natalina. Sempre foi a minha data preferida no ano. Quando eu passei a ter uma casa pra chamar de minha, junto com ele, eu passei a adorar a preocupação com decoração, velas, guirlandas, árvores, meinhas... Lembro do nosso primeiro Natal, com o Matheus bebê, os dois suando em bicas nesse calor senegalês... Lembro do carinho dele para com a gente. Lembro da roupa que usamos. Lembro dos Natais seguintes também: em 2007, tudo que ele queria era que eu parasse o anticoncepcional para ter outro filho no ano seguinte, disse que era o presente que ele queria; em 2008, com o Thomás bebê, ele disse que não queria mais nada, só saúde e terminar a residência; em 2009, a gente vivia um momento de reconciliação e era felicidade grande com toda a perspectiva da festa de casamento.

E agora eu estou só, arrumando os pequenos, assando o Peru, arrumando a casa (nova, em que ele nunca esteve), preparando tudo para um Natal que parece meio sem sentido, meio sem razão, meio imaginário, como se a gente estivesse brincando sobre como seria se o pior acontecesse. O problema é que o que de pior poderia acontecer, efetivamente aconteceu. E, mesmo perdida, mesmo sem saber direito o que projetar para o futuro que me aguarda, mesmo sem entender ainda tudo que aconteceu, eu sinto que eu preciso fazer com que seja mágico para os pequenos.

É por eles que o Peru está no forno. É por eles que a gente vai vestir roupas novas e sorrir e cantar e fingir que não dói quando crateras estão sendo abertas por dentro. É por eles que eu ponho um sorriso no rosto e arrumo o cabelo e faço peregrinações nas casas dos parentes. É por eles e porque eu sei que seria assim que ele gostaria que eu fizesse.

Eu não sei se algum dia eu vou voltar a me empolgar com as luzinhas que piscam na cidade nessa época do ano, mas eu sei que eu vou continuar mostrando-as para os pequenos, porque o que me move é o brilho no olhar deles. E, o Matheus sempre diz que a estrela que mais brilha no céu é o pai dele, que seja, Thi, você brilhando e fazendo menos dolorido o nosso Natal.

12 comentários:

Debbie disse...

Ow minha amiga! Fico orgulhosa por toda a força que você tem e pelo seu modo sensato de viver a vida e de cuidar dos pequenos. Com certeza ele está lá olhando por vocês. Te amo! Feliz natal! :*

Anônimo disse...

Nossa... achei seu blog sem querer e nao pude deixar de me comover com esse texto. Nao nos conhecemos, mas desejo que voce tenha força e luz no seu caminho, pra proteger e iluminar o caminho dos teus pequenos. Eu nao gosto do natal, e espero passar a gostar qdo tiver marido e filhos um dia... de qq modo, FELIZ NATAL pra voce. um beijo e um abraço bem fortes. Ana Carolina.

Mariana Hart disse...

Ainda bem que eles existem para trazer um pouco de força e esperança para seu natal e sua vida!

Que seu dia seja de paz apesar de tudo! E que venham outros natais, estes mais felizes e iluminados!

Um beijo grande pra todos vcs! =)

Felicidade vem em 1º... disse...

A foto em família numa data especial 20 dias antes da partida dele me deixou profundamente emocionada... suas palavras complementou... Chorei! Pronto, falei!

Força Marcele.

Anônimo disse...

Chorei...


Desejo simplesmente que seja muito, muito, muito feliz em 2011. E que tenha sempre o que merece.

Grande abraço de uma mãe.

Lidiane Dantas

Sentimentalidades-Todas disse...

Marcele...
Desejar que essa dor se apague acho que seria desejar o impossivel, ou, te negar o auto-aprendizado que decorre dela.
Mas sinceramente, desejo que a força em ti nunca diminua. Que seja mostrado a você que o frio é do perfeito tamanho do cobertor.
Felicidades para vc e seus pequenos...
Abraços,
Mônica

dea disse...

nada que a gente diga ou faça vai fazer passar essa dor... mas mesmo assim vou lembrar novamente que a gente ta aqui de longe sempre de prontidão pra o que for preciso... esse natal também foi menos colorido pra gente sem ele aqui... tomara que, a cada dia, essa dor diminua e fique só a saudade boa. amamos vcs quatro. bjos

Tati Lambert disse...

Também não tenho a empolgação costumeira dos natais passados nesse ano... a vontade que dá é de pedir para dormir e só acordar quando as lojas já estiverem em liquidação, sem resquícios de Natal.

Não tenho a menor vontade de ser simpática, de "vestir" esse espírito natalino de paz e amor, esse ano tá tudo cinza, enquanto o mundo insiste em verde, vermelho, dourado...

Só quero duas coisas: que 2010 acabe logo e que 2011 seja de fato melhor, cheio de boas e novas possibilidades.

Anônimo disse...

Marcele, há vários posts que tento deixar algum comentário mas qualquer palavra eu escrevia parecia muito boba, meio ridícula... Como agora... Mas queria que você soubesse que vocês estão sempre nas minhas orações, nos meus pensamentos positivos... E que eu também repito aqui do outro lado o mantra do Caio: "Que seja doce, que seja doce, que seja doce..."
E será!!!
Um lindo 2011 te espera! Pode ter certeza!
Ah! Seus pequenos são muuuuuito gostosos!!!! rs
Bjo,
Rafa ( do salao... rsrs)

Anônimo disse...

Um lindo Natal ( na medida do possível), cheio de saúde, luz, amor e paz nos corações dos seus!!!
um bju grande nos três!!!
Helga e João Lucas

ANNA CAMILA disse...

É difícil segurar a emoção... difícil expressar o que as palavras não conseguem dizer... muita paz, força e luz !! e que 2011 venha com novas emoções, desafios e muitas conquistas! bju nos pequenos!

Anônimo disse...

oi...
uma canção que lembra o sorriso do Thiago (De onde é que salta essa voz tão risonha? Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar)


Jeito de Mato -
Composição: Paula Fernandes

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita
Do regalo de terra que o teu dorso ajeita
E dorme serena, no sereno sonha
De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita
Do mato, do medo, da perda tristonha
Mas, que o sol resgata, arde e deleita
Há uma estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações
Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar
Ah..Ah...Ah...
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar
Ah..Ah...Ah...
Ee La Ia